Publicidade

Arquivo de fevereiro, 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009 Tênis Brasileiro | 10:26

Holanda, Califórnia ou Bahia

Compartilhe: Twitter

O Aberto do Brasil divide a semana com outros dois eventos; San Jose e Rotterdam, ambos indoors. Essas semanas democratizam o circuito, mas não são ideais para os torneios quem vêem as estrelas se espalharem em um universo em expansão.
 
Rotterdam é um evento tradicional, já foi um dos maiores, lembram da raquete cravejada em diamantes? e, além do bom premio, distribui garantias a granel para satisfazer um público exigente e com muita grana. Nadal. Murray, Davydenko, Tsonga, Simon e outros vão para lá. Afinal é no quintal de casa.

San Jose é o 2º evento mais antigo nos EUA e, apesar de pequeno, é muito querido pelos tenistas americanos, que tem tratamento diferenciado. Além de Roddick, Blake e Cia, Del Potro, não me perguntem por que, decidiu ir à Califórnia. Como bônus, esta noite há uma exibição entre Pete Sampras, que cresceu nas redondezas, e Blake.

No Brasil jogam, teoricamente, os saibristas da America do Sul, porém não os melhores, tais como Nalbandian(10), Gonzales(15), Del Potro(7) e outros argentinos. Não me perguntem por que.

O evento fica restrito a espanhóis da estirpe de Almagro(18) e Robredo(19), que enxergam na Bahia um bom local para se vencer um torneio e surfar na confiança. Tirando esses dois, fica um campo aberto para surpresas onde os brasileiros, se inspirados e preparados, poderiam crescer. Se não o fizerem não me pergunte o por que. Vamos ver como eles se comportam na primeira rodada para escrever mais sobre o assunto.

Notas relacionadas:

  1. Lista baiana
Autor: paulocleto Tags:

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009 Grand Slam, Tênis Masculino | 19:03

Escada abaixo

Compartilhe: Twitter

Algumas vezes, quase sempre de brincadeira, digo durante as transmissões que tenista é tudo louco – tem que ser para jogar tênis como meio de vida. Digo na brincadeira porque senão vão dizer que falo sério. Mas não estou tão longe da verdade.

Durante a transmissão da partida entre Rafael Nadal e Fernando Verdasco algumas vezes mencionei que Roger Federer devia estar em seu quarto recebendo um cafuné da namora e comendo amendoins enquanto acompanhava os dois se pegarem em quadra madrugada adentro. Descubro agora, ledo engano.

Após o jantar Federer estava em seu quarto no 30º andar do Crown Hotel quando as luzes se apagaram. Para quem não sabe e não ouviu eu contar nas transmissões, a cidade de Melbourne, entre outras, passou por sérios problemas elétricos durante o evento por conta de incêndios decorrentes do calor.

O suíço estava tão decidido em acrescentar mais um título ao seu currículo que decidiu que isso não o impediria de acompanhar o jogo de seu futuro adversário. Desceu 30 andares a pé e foi para o Melbourne Park acompanhar a partida. Isso que dá em não contratar um técnico para fazer essas coisas, ou talvez o rapaz goste de fazer as coisas ele mesmo.

 Chegando lá se instalou nos vestiários, pegou seu prato de amendoins, um refri gelado e acompanhou a partida pela TV, enquanto o jogo acontecia ao vivo a poucos passos dele – o que diz maravilhas sobre o valor e qualidade da transmissão que eu e vocês acompanhamos, e também, com certeza, sobre tenistas.

Autor: paulocleto Tags:

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009 Tênis Feminino | 17:13

Pudica sensual

Compartilhe: Twitter

Tenho sido generoso nas fotos das tenistas que coloco no blog, até porque beleza não faz mal a ninguém, isso para não ser tão radical quanto o poeta Vinicius sobre o assunto.

Quando escrevo generoso estou me referindo ao fato de que atualmente as tenistas estão cada vez mais interessantes e atraentes, e também à generosidade delas com o que mostram e insinuam em seus uniformes.

Por conta disso, publico abaixo a foto da tenista iraniana Madona Najarian que defendeu seu país em disputa regional da Fed Cup contra Casaquistão. Madona enfrentou Galina Voskoboeva, que esteve por aqui disputando o Banana Bowl anos atrás, e levou uma bicicleta para casa.

Não foi só com os pneus que a moça teve problemas. Teve que enfrentar também o calor da Austrália, onde aconteceram os jogos, e, mais intrigante, os preconceitos do islamismo caseiro que não aceita mulheres com pernas e braços de fora. Vale lembrar que a hindu Sania Mirza, que acabou de vencer as duplas mistas no AA, já foi ameaçada de morte por jogar com as pernas de fora. A moça sentiu as ameaças e a descriminação, especialmente em seu país, teve dificuldade em manter o foco na carreira, mas continua lutando mundo afora pelo direito de não ser oprimida nem descriminada. E com as pernocas de fora. 

Madona pode não jogar muito tênis, mas decidiu e conseguiu jogar em um país que ainda impõe esse tipo de censura. Pela foto dá para perceber que sua pegada de direita é radical, mas seu uniforme branco é tão tradicionalista quanto possível. Porém, apesar do esforço, a sensualidade ainda transborda através do contraste de seu alvo uniforme e sua pele morena. Atenção, Aninha.

 

Madona, a pudica.

Autor: paulocleto Tags:

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009 Tênis Masculino | 14:44

Super-homens

Compartilhe: Twitter

Alguns comentários têm levantado à questão sobre os talentos e habilidades dos dois melhores tenistas da atualidade. A questão sobre essas qualidades paira no ar há tempos, não só com esses atletas, e nunca foi de fato destrinchada de maneira clara e definitiva. Não pretendo ser definitivo a respeito, quando muito deixá-la mais clara.

Lembro que há anos discutia com um amigo meu, tenista profissional, sobre quem foi melhor; Pelé ou Maradona. Eu falava sobre os talentos do brasileiro, em particular na arte de fazer gols, sua capacidade física, especialmente à luz de seus contemporâneos, sua destreza e agilidade, sua capacidade de definir, de trocar de direção na corrida, sua força mental etc. Meu amigo retrucava com as habilidades, malabarismos, pontaria, capacidade de marcar gols, servir colegas, de vencer etc do argentino. No fim das contas, ambos eram excepcionais, com habilidades e maneiras distintas de realizar suas aptidões e conquistar seus triunfos.

Um outro exemplo que me vem à mente, fugindo do esporte, é sobre os dois maiores dançarinos do cinema; Fred Astaire e Gene Kelly. O primeiro, extremamente suave, elegante, gracioso. O segundo atlético, forte, vigoroso. Os dois, com seus respectivos talentos, capazes de encantar e eletrizar os fãs da dança e do cinema. Tão distintos quanto parecidos.

Fred Astaire

Astaire: graça e elegância.

Gene Kelly

Kelly: atleticismo e precisão.

Talento, segundo os dicionários, se trata de aptidão natural ou habilidade adquirida. As definições de habilidade passam por possuir aptidão, capacidade, jeito para algo, agilidade e destreza.

Talvez Federer tenha mais aptidões naturais e Nadal mais adquiridas. Talvez Federer seja mais jeitoso do que Nadal, mas difícil afirmar que seja mais capaz, ágil e com mais aptidões do que o espanhol. Talvez até possamos dizer o contrário.

O certo é que ambos são extremamente capazes dentro de uma quadra de tênis. A mim parece que a discussão é mais sobre o “olhar”. Levando a coisa a um extremo, é mais saboroso e intrigante acompanhar alguém realizar uma façanha, esportiva ou não, com graça e leveza, o que empresta uma qualidade tão abstrata quanto real, tão etérea quanto perceptível. É esse olhar instintivo e natural que Federer oferta e que, junto com sua capacidade de vencer, encanta e cativa seus fãs.

Rafael traz às quadras uma realidade onde disciplina e sobriedade sobressaem. O espanhol impressiona não só por sua vontade, que parece ser interminável e inquebrantável, como por sua capacidade de realizá-la. Nunca o tênis viu esses dois talentos tão evidentes como em Nadal.

O tênis, por sua individualidade, ressalta as capacidades, habilidades e talentos pessoais. Nietzsche escreveu que as pessoas são capazes de se ultrapassarem e que, ao o fazerem, se tornam diferentes e melhores – a idéia do “übermensche” ou super-homem. Uma verdade para ambos.

O filósofo alemão sugeria também que só a arte criada em função da tensão entre os distintos, e não necessariamente conflitantes apolíneo e o dionisíaco, só essa aliança fraterna, cria a verdadeira estética universal, a verdadeira “tragédia”, que é como pode ser visto cada um dos espetáculos dos confrontos desses dois tenistas.
 
Indo mais longe, Nietzsche dizia que ao atingir a tal capacidade “übermensche”, a pessoa caminharia além das restrições do certo e do errado imposta por terceiros; o que talvez seja a melhor maneira melhor de olharmos e admirarmos esses dois campeões. 

Notas relacionadas:

  1. A vontade.
  2. Feliz
  3. Hoje e amanhã.
Autor: paulocleto Tags: , ,

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009 Sem uma categoria | 23:06

Queda

Compartilhe: Twitter

Como um leitor escreveu em seu comentário, estou colocando meu sono em dia – ou noite, para ser mais preciso. Porém, mais do que isso, estou colocando minha vida em ordem após 15 dias de desordem. Um pouco de paciência. No primeiro momento fiquei eufórico com o término e o sucesso da quinzena, e também com a final, mas logo em seguida veio uma queda enorme de energia.

Como outro escreveu – vocês estão muito perspicazes – a final, como foi jogada e especialmente seu ultimo ato, trouxe um clima diferente e bom para o blog. As discussões estão em um nível excelente e os chatos do antigo plantão devem ter só assistido a final feminina ou então foram tentar sua sorte no futebol. O que seja.

Por isso deixo meus parabéns a vocês que fazem deste blog de tênis um local de apaixonados, curiosos, interessados, esportistas ou não, participativos ou não. Não estou sequer conseguindo responder os comentários, mas vocês estão indo tão bem…

Amanhã estarei de volta.

Autor: paulocleto Tags:

domingo, 1 de fevereiro de 2009 Grand Slam, Tênis Masculino | 18:43

Hoje e amanhã.

Compartilhe: Twitter

Seria mais fácil se o tenista derrotado pudesse terminar a partida, cumprimentar o adversário e correr para o vestiário. Lá, na privacidade dos estreitos corredores que abrigam os armários dos atletas, ele poderia desabar emocionalmente, colocar todas suas frustrações para fora e realizar a alquimia necessária para diluir a dor e a frustração da derrota.

Imagino que seria isso que tanto Safina como Federer fariam se lhes fosse dado a escolha. No entanto, em nome do espetáculo, e não vejo poder ser de outra maneira, ambos foram obrigados a confrontar seus demônios em quadra, na frente de 15 mil pessoas, milhões de telespectadores e ainda de seus respectivos algozes. Imagino que a dor de Federer, que passou mais de 4 horas lutando para conquistar algo ainda maior do que o título de campeão do torneio tenha sido consideravelmente maior do que a da russa, que sequer teve tempo de se sentir no jogo.

Foram tantas as emoções que me assaltaram durante a partida que o espaço fica curto. A qualidade de ambos foi deslumbrante; técnica, física, emocional e mental. Para alguém que gosta de esporte em geral, do tênis em especial, a agulha do termômetro da emoção explodiu em direção ao teto. Ambos produziram golpes e jogadas que só podem ser verdadeiramente avaliadas e desfrutadas por aqueles que se colocam na difícil e deliciosa posição de competir com uma raquete na mão.

O padrão que esses dois campeões estão imprimindo ao jogo é algo que está mudando o tênis de maneira definitiva. Cada um com seus talentos, cada um com as qualidades que traz à quadra. Federer com seu estilo ímpar, um deleite para os apreciadores do esporte-branco e Nadal com sua força física que, na verdade, é um canal para ele mostrar sua maior virtude – a força interior; mental e emocional.

Além disso, o que não é pouco, esse par traz ao esporte uma virtude mais poderosa do que todos os títulos que um dia ainda conseguirão conquistar: o respeito que um tem pelo talento e a pessoa do outro. Isso fala mais alto que qualquer outra coisa, e não são poucas, que apresentam na arena da disputa. A elegância transparente e sincera com que ambos tratam a vitória como a derrota, o vencedor como o vencido, o rival e o amigo.

Enquanto estiveram em quadra ambos mostraram o espírito do gladiador, prontos para encontrar em seus interiores o melhor que o homem pode realizar em uma quadra de tênis. Terminado o confronto, terminou a luta e a rivalidade, permaneceu o respeito, a cordialidade, a nobreza.
Ao vencer pela primeira vez um torneio sobre um piso que era considerado, para ele, o mais difícil, Nadal tinha razões para sair pulando de alegria e manter um rosto sorridente. No entanto, ao olhar para o lado e perceber o choro incontido do rival, o espanhol teve a dignidade de refrear suas reações.

Tal gesto diz mais sobre aquilo que une verdadeiros campeões e companheiros de batalha, ainda que em campos opostos, do que todos seus troféus e prêmios. Estes vão parar em algum banco e os troféus em algum armário no canto da casa, mas, pelo resto da vida, Nadal carregará dentro de si, por todos os lugares que vá, tanto as qualidades que fazem dele hoje um grande tenista, e para sempre um grande sujeito.

O choro de um campeão batido.

A cumplicidade e respeito de rivais.

Troféus terminam em armários, caráter é para sempre presente.

Notas relacionadas:

  1. Rápidas.
  2. Feliz
  3. A final masculina
Autor: paulocleto Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. Última