Dizem que atualmente é um dos empregos mais cobiçados no esporte – o salário atual é de U$1 milhão, bem menos do que os U$1.6 Larry Scott, presidente da WTA ganhou em 2007. Pelo menos se pode dizer que não faltarão desafios se tratando da ATP não chega a ser uma surpresa a demora na escolha. Uma hora um nome é aventado, outra hora um novo nome surge correndo por fora. Várias pessoas de dentro do tênis sondaram ou foram sondadas, desde o pai de John McEnroe até Larry Scott. Os nomes da hora são Adam Helfant, ex-diretor de marketing da Nike e o de Patrice Clerc, o francês que liderou o torneio de Roland Garros durante anos. Supostamente esta semana o nome será escolhido.
Um dos primeiros problemas que o novo CEO terá que enfrentar é o pedido dos torneios mundo afora de não serem obrigados a aumentar os prêmios em 2009. Essa foi uma das exigências da ATP para a nova temporada. A pegadinha é que o plano foi aprovado antes da crise econômica mundial. Por conta de nova realidade, a cada dia um patrocinador pula fora, aconteceu o pedido coletivo dos donos dos torneios, entre eles o Brasil Open.
O pedido foi apresentado e a atual gestão da ATP fez ouvidos de mercador. Como o atual CEO está mais queimado do que bituca de viciado no meio da madrugada ele vai deixar a negociação para o próximo. No que fez bem, mas é mais um problemão em Ponte Vedra, que vem mostrando indecisão em mais de uma área. O pessoal lá está mais perdido do que cego em tiroteio.
Este post especial vai ser na linha do Star Wars – será que os meus leitores conhecem a saga? Nela, George Lucas contou a história começando pelo meio e depois indo para trás, ou será que foi para frente? Não muito linear, talvez um pouco confuso, porém um bom entretenimento.
Esta segunda-feira começou o Orange Bowl, sempre jogado em Miami, antes nas quadras de terra do Flamingo Park em Miami Beach, onde foi jogado por 51 anos, e desde 1998 nas quadras duras de Crandon Park em Key Biscayne. O torneio tem tradição e história, algo que os donos do Aberto de Miami tentaram importar ao trazer o torneio para seu território. Como os tempos são outros, a tradição e a importância do evento não foram, infelizmente, mantidas.
Durante décadas, desde 1947, não havia um torneio juvenil no planeta que chegasse aos seus pés em importância, aí incluído os eventos dos Grand Slams, assim como não havia tenista que sonhasse em ser bom, que não viesse testar suas habilidades nas quadras do Flamingo Park. Por lá passaram todos que escreveram a história do tênis durante cinco décadas.
Entre os vencedores dos 16 anos – quando os tenistas já mostram do que são feitos – estão tenistas do calibre de; Buchholtz (54 e 55 e 1º presidente da ATP e fundador do Aberto de Miami), Vilas (68), Borg (71, vice Victor Pecci, mesma final de RG em 79), Lendl (76 e vice Cássio Motta), Tulasne (78 e atual técnico do Simon), Wilander (79), Edberg (82), Courier (86), Santoro (88), Corretja (90), Coria em 97. Nesses 60 anos, só um brasileiro ficou com a taça: Carlos Chabalgoity. Entre os vices: Celso Sacomandi (75), Cássio Motta (76), Fernando Roese (82) e Jose Pereira (07).
Nos 18 anos a lista de campeões nacionais é maior: Carlos Fernandes (56 e até onde sei ainda dando aulas no Clube Paulistano em S.P), Ronald Barnes (58 e uma lenda do nosso tênis), Thomaz Koch (63 e ainda jogando alguns eventos Masters) e Nicolas Santos (06). Entre os finalistas: Renato Joaquim (82), Gustavo Kuerten (92) e Bruno Soares (00).
A lista de campeões internacionais dos 18 anos inclui; Tony Roche (62, último técnico de Federer), Orantes (66), Borg (72), McEnroe (76), Lendl (77 Noah vice), Nystroem (80), Forget (80), Kent Carlsson (82 e uma figura ímpar do tênis), Courier (87), Medvedev (90), Federer (98), Roddick (99). Lembrando Fernando Meligeni (89, só que defendendo a Argentina).
Entre as meninas, nos 16 anos nenhuma brasileira nas finais. Nos 18 anos, Maria E. Bueno venceu em 1957. A cearense Maureen Schwartz foi vice em 62 e o orgulho da família, Vera Cleto, foi a última brasileira a chegar à final, em 67.
Entre as campeãs dos 16 anos: Chris Evert (68), Hana Mandlikova (70), M.J. Fernandez (82), Dechy (94), Dementieva (96) e Bartoli (00). Entre as vencedoras dos 18 anos: Chris Evert (69 e 70), Jausovec (73), Andrea Jagger (78), Sabatini (84), M.J. Fernandez (85), Zvereva (87 e precursora do “estilo” Kournikova), Likhovtseva (91), Kournikova (95), Dementieva (98), Zvonareva (00 e 01) e Vaidisova (03).
Como minha história tenistica também está ligada ao evento, de mais de uma maneira, decidi escrever um pouco sobre o assunto. Para alguns, talvez história para boi dormir, para outros um merecido e bem-vindo descanso da realidade Nadal/Federer. Aguardem.
Maria Esther Bueno na época em que ganhou o Orange Bowl
Ronald Barnes mostrando seu talento.
Vera Cleto, última juvenil brasileira na final do Orange Bowl.
Bem pessoal, como se diz por ai, estou uma …. O meu computador, talvez achando que é tenista, decidiu entrar em férias e simplesmente não abre. Estou offline desde sábado.
O pior é que, às vezes funciona e então simplesmente desliga. Só não foi pela janela porque o prejuízo seria sério. O geek de plantão prometeu estar aqui amanhã, terça, pela manhã e espero que não seja o caso de realmente jogar o negócio pela janela.
Enquanto isso escrevo em computador emprestado e ainda hoje postarei algo. Paciência.
Já que os leitores gostaram tanto de falar sobre golpes, que tal falar sobre o voleio, o golpe mais emocionante do tênis e, tristeza, cada dia mais em desuso?
Imagino que a origem do jogo passa mais pelo voleio do que por deixar a bola quicar, idéia que, penso, foi posterior. Como o esporte foi inventado como Lawn Tennis, ou “tênis sobre a grama”, imagino era mais óbvio volear do que deixar quicar. Fato que, até pouco tempo, ainda era uma verdade.
Lembremos também que até pouco tempo, três dos quatro GS eram jogados sobre a grama – Roland Garros sendo a eterna exceção. E até não muitos anos atrás um tenista era olhado com suspeita se não tivesse bons voleios em seu arsenal – e quanto mais sólidos melhor. Hoje, para a minha surpresa e de muitos, há jogadores que só vão à rede para trocar de lado e muitos que, quando se aventuram ou são atraídos, se sentem tão à vontade por ali quanto um zagueirão, daqueles bem pernas-de-pau, tenta armar o jogo no meio de campo.
O tênis está repleto em sua história de grandes voleadores, até porque, esquecendo os tempos recentes, eles eram a história. Não terei a pretensão de lembrar e discorrer sobre todos ou mesmo muitos, até porque a esmagadora maioria dos leitores os desconhece – o que também não deve servir de argumento, pelo contrário.
Também é interessante lembrar que no início nem todos os tenistas eram “enfermos de la net”, como são conhecidos os voleadores pelos fundistas sul-americanos. Ia-se bastante à rede, mas foi só nos anos quarenta que Jack Kramer instituiu o “serve and volley”, assim como codificou e instituiu o tênis-porcentagem (quantos leitores estarão ambientados com este?). E Kramer, como confessou, só o foi à rede com tanta insistência para lidar com Bobby Riggs – aquele da “Partida do Século” com B.J King – que era extremamente agressivo e adorava ir à rede em qualquer oportunidade, algo como Stepanek atualmente.
Quando analisamos voleadores, poderíamos ser detalhista como quando analisamos os golpes do fundo de quadra, o que quase nunca é feito, com considerações rasas e abrangentes. Análises genéricas são perigosas, fáceis e confortáveis, já que, no caso, o golpe deveria ser quebrado em vários para melhor análise; voleios de esquerda, de direita, ambos, baixos, altos, com toque e finesse, força, de reação, atléticos, da linha do saque (1º voleio), junto à rede (segundo voleio), bate-pronto etc. Mas, descansem, passarei rapidamente por isso.
Deixarei de fora grandes voleadores, em um ou outro quesito, por não terem sido tenistas de impacto e, consequentemente, desconhecidos do grande público.
McEnroe, ágil e repleto de finesse junto à rede, tinha todas as variantes, sendo o de esquerda mais na reação e toque. Edberg era rápido e atlético, excelente esquerda e mais fraco de direita, e chegava muito bem à rede, uma arte em si, dono de ótimo primeiro e crucial voleio.
Rafter era atlético, rápido, forte, também boa esquerda e nem tanto direita. Krajicek era bom dos dois lados, inclusive nos baixos se considerarmos sua altura. Rod Laver era magnífico dos dois lados, nos baixos, nos toques, na reação e na força. Alias, era magnífico ponto!
Stan Smith era alto e duro, porém sólido dos dois lados. Seu parceiro Bob Lutz tinha uma pedrada de esquerda, assim como Lew Hoad – ” o braço” e Peter McNamara, dono de uma chicotada. Jack Kramer vinha do fundo abrindo o bração para volear de direita, assim como John Newcombe, talvez o melhor de direita que já vi – quase um swing volley e uma pedrada. Tony Roche tinha um manhoso toque de ambos os lados e deve ter inspirado McEnroe.
Sampra era sólido dos dois lados, sabia dar toques, ótima antecipação, excelente bate-pronto, que era obrigado a usar pois não era tão atlético e rápido. Mais do que nada, aproveitava bem a força de seu serviço, assim como Becker. Mais recentemente, Henman tinha ótima esquerda e bons reflexos, mas sua direita miava nas horas importantes. Stepanek é um colírio para os olhos atualmente, pelo menos para aqueles que gostam de voleios e os da Vaidisova, que deve estar cega de amor.
Não posso deixar de mencionar os voleios de Martina Navratilova, talvez a grande tenista da história, com certeza a maior voleadora, pela qualidade, antecipação, atleticismo, força e toque. E, antes que os brasileiros esqueçam, porque o mundo não esquecerá, Maria Esther Bueno, que encantou com sua graça, atleticismo e toques, conquistando seus títulos em Wimbledon e U.S Open graças, acima de tudo, a arte de seus voleios.
Minha lista seria ainda mais incompleta sem mencionar os melhores voleios do Brasil. Os toques e a irreverência de Arnaldo Moreira, o criador do smash-curtinha, os de esquerda de Ronald Barnes, que era pura poesia e de Jaime Oncins, capaz de gerar tanto solidez e força como delicadeza e finesse. O de direita de Thomaz Koch, uma arma que em tempos atuais não seria permitido portar nas ruas. E, finalmente, o jogo de rede de Carlos Kirmayr, um artista como nenhum outro que vi, em qualquer lugar, com uma antecipação mágica, destreza impressionante e toques imprevistos e alucinantes, qualidades que os verdadeiros amantes do tênis nunca deixarão de admirar e, deus nos proteja, sentir falta.
Rod Laver, com quase 37 anos, mestre do saque/voleio, enfrenta Connors, mestre do contra-ataque, aos 23.
É bom e interessante ver que alguns leitores conseguem enxergar através da névoa lançada por poucos na tentativa de enganar a muitos. Diferentes leitores têm diferentes versões de como um blog deve ser e um bloguista proceder. São opiniões a ser consideradas e, quando possíveis, por diferentes razões, realizadas.
No entanto, a versão final do blog será sempre a do bloguista, assim como um autor de livro escreve o seu livro, o músico executa a sua música etc. Senão o autor vira um servo da vontade de terceiros e deixa de ter importância como indivíduo e autor. Se a razão maior de qualquer um que cria for buscar o consenso e agradar a todos, fugirá da responsabilidade de seu trabalho e cairá, sem piedade, na mediocridade.
Quando do recente vídeo-chat, o pessoal do IG me alertou, com alegria, que no média cerca de 90 pessoas entraram por minuto no blog, mesmo com os problemas técnicos sentidos por muitos. Isso me deixa contente em termos de audiência e carinho e confiante na maneira como venho desempenhado o trabalho. Espero que os leitores continuem aproveitando o que aqui é postado, e entendam também que só posso oferecer o que é meu e meu para dar. O blog tem certos parâmetros e guias que tenho tentado esclarecer pelo caminho e estes devem ser respeitados pelos que aqui escolhem comparecer.
Há certas coisas que tomam um rumo independente de nossas vontades. A pergunta e discussão original sobre qual o golpe mais importante no tênis – a direita ou a esquerda – aos poucos descambou para “esquerda com uma ou duas mãos?”. Se há uma demanda, deve haver uma oferta. Sendo assim, invisto em mais um post no assunto da esquerda com duas mãos, sobre o qual já escrevi em algumas ocasiões, desta vez sob uma ótica distinta, antes de partir para outro assunto. Divirtam-se.
Eu ainda disputava torneios infantis, no final dos anos 50 e início dos 60, onde fui vice-campeão brasileiro dois anos seguidos, perdendo os títulos para um tenista que, aos 11 anos, se não era gato, tinha barba e 40 cm a mais do que eu. Vai ser precoce assim lá pelos lados de Bauru. Sua direita, flat, junto com seu saque eram seus pontos fortes. No entanto, o rapaz tinha uma esquerda com as duas mãos bem mais fraca do que sua poderosa direita. No seu caso, a segunda mão apareceu mais para consertar uma incomoda deficiência do que por conta de um talento ou uma habilidade. Assim como seria o caso de Fernando Meligeni, que já na maturidade de sua carreira, ouvindo os conselhos de seu técnico, fez uma mudança radical e benéfica para sua carreira. No entanto, sua esquerda, tanto a anterior como a nova, foram sempre seus golpes mais frágeis e não uma arma.
Na mesma época que eu tinha meus pesadelos com o barbudo de Baurú, surgiu pelos lados de Belo Horizonte um mineiro fazendo um verdadeiro estrago com sua esquerda com as duas mãos. Pêpê Carvalhaes, este sim, cedendo à força de um talento nato, demolia adversários graças ao golpe devastador. Durante alguns anos o mineiro foi um demônio no circuito infanto-juvenil. Mais tarde, seu irmão Neneco teve também excelentes resultados com o mesmo estilo. Junto com o carioca Ronald Moreira, Pêpê foi um dos pioneiros no golpe com as duas mãos no país, especialmente pela agressividade do golpe, que é marcante em minha memória.
Mais veteranos do que ambos foi Roberto Cardoso, outro tenista de Bauru, cidade que um dia foi celeiro do tênis nacional. Se não me falha a memória, era canhoto. Cardoso usava a esquerda com as duas mãos, mas não era agressivo como Carvalhaes. A regularidade era o forte de seu golpe. Nos anos cinquenta foi um dos melhores do país, tendo participado na equipe da Copa Davis em 1951.
Boa parte dos tenistas que bate a esquerda com as duas mãos tem uma habilidade especial para fazê-lo; estes se tornam excelentes golpes e, não raro, o ponto forte. No entanto, outros jogadores adquirem, aprendem ou são induzidos a uma esquerda com as duas mãos por razões outras que o talento e a habilidade natural. São tenistas que têm, invariavelmente, na esquerda o seu ponto mais frágil.
Na história do tênis, a segunda mão apareceu mais como uma arma do que como a solução de uma deficiência. No entanto, o primeiro grande sucesso nesse quesito já apresentava uma ambiguidade. Pancho Segura Cano batia com as duas mãos dos dois lados, mas a sua direita era o ponto forte e não sua esquerda. Antes dele, o canhoto australiano John Bromwich, que começou, nos anos 30, batendo com as duas mãos dos dois lados e eventualmente ficou só no backhand, teve bastante sucesso como singlista e duplista.
No entanto, foram os dois namoradinhos, Jimmy Connors e Chris Evert, junto com Borg, que mudaram a história do golpe. O sucesso de Evert foi tal que as mulheres americanas nunca mais aprenderam a esquerda com uma única mão e deu no que deu – entre as mulheres, o golpe no estilo Henin é coisa rara.
Tenistas como Connors, Borg, Nalbandian, Safin, Agassi, Hewitt e Murray, e muitos outros, têm grande habilidade natural com o uso da segunda mão. Já Nadal, Tsonga e Roddick, entre outros, carecem dessa virtude, a segunda mão é mais para apagar um incêndio, com um resultado, às vezes, duvidoso. As listas, lógico, não se limitam a estes e aqueles.
Por isso o uso golpe também não pode ser generalizado, pois nem todos se dariam bem. Assim como nem todos se dão bem com uma raquete na mão.
Foi técnico de jogadores como Luiz Mattar, Jaime Oncins, Carlos Kirmayr e Cássio Motta. Dirigiu a equipe brasileira na Taça Davis durante 17 anos e a equipe olímpica em Seul, Barcelona e Atlanta. Foi chefe da equipe no Panamericano de Winnipeg e técnico de equipes juvenis brasileiras campeãs Sul-Americanos e Mundiais.
Além disso, fundou a primeira academia de tênis do país. Realizou, organizou ou foi árbitro de mais de 45 torneios profissionais no país. Foi colunista do Jornal da Tarde, O Estado de São Paulo, Rádio Eldorado. Hoje, além de escrever no blog, é comentarista de TV na ESPN. Escreveu e editou o livro “Gustavo Kuerten e Roland Garros - Uma história de amor”.