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Arquivo de novembro, 2008

domingo, 9 de novembro de 2008 Sem uma categoria | 14:00

Dores nas costas

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Estava aqui pensando com meus botões – preciso aprimorar ou, pelo menos, atualizar essa expressão; permanece o fato de que sem internet e outros agitos comecei a pensar nas contusões que cerceiam os tenistas da atualidade.

O que me levou a esse doloroso pensamento foi uma maldita dor nas costas que me acompanha desde jovem. Se um dia eu me inspirar conto como fui condenado a esse martírio eterno. O que fez com que ela voltasse foi a bobagem de levantar uma pedra, algo que sou proibido da fazer. A fisgada apareceu, a inflamação se instalou e a musculatura da região lombar enrijeceu. 

Pior do que a dor e o incomodo é o pensamento de que, provavelmente, não poderei jogar na segunda-feira. Isso altera o meu humor e eu não ganho absolutamente um centavo para entrar em quadra. É só o prazer negado de exercer uma paixão, o que, convenhamos, não é pouco. Especialmente quando não se é mais jovem para encarar aventuras dia sim e outro também; preciso de, pelo menos, um dia de intervalo e em casos de dores nas costas mais ainda. 

Com isso, me volta à cabeça que a dor de uma contusão é o inferno do esportista. Esta semana acompanhei a entrevista da ginasta gaúcha Diane na ESPN BRASIL, onde ela confessou que se entupia com antiinflamatórios por conta de dores perenes. Os tenistas não são diferentes. Nos últimos anos de sua carreira, Gustavo Kuerten também atravessou a linha da parcimônia com o uso dos antiinflamatórios. Eu já tomei um ontem, um hoje e estou considerando tomar outro antes de dormir. Quero muito jogar na segunda.

Será que os tenistas se contundem mais atualmente do que antigamente? E por conta do calendário, como reclamam? Não acho que hoje haja mais contusões do que antigamente. Se, por um lado, os tenistas exigem mais de seus físicos, por outro estão muito mais preparados fisicamente para enfrentar as demandas do estilo do tênis atual. O que há, como já havia antes, são estilos que exigem mais do físico do que outros.

Nadal e Federer são dois atletas muito bem preparados para enfrentar o circuito com seus estilos. Porém não há duvidas de que o espanhol sempre terá mais problemas com contusões do que o suíço. Enquanto este pratica um tênis atlético, rápido e forte, o primeiro agrega a todos esses fatores uma brutalidade que o outro se recusa a trazer para a quadra.

O estilo de arranques, guinadas e brecadas do espanhol se adapta muito melhor no saibro do que nas quadras que não permitem o deslizamento. Por conta disso, Nadal, pelo menos enquanto profissional, terá que enfrentar inflamações e dores nas juntas de tornozelos, joelhos e quadris. Sem contar dores mais democráticas que atingem tenistas em geral, dos melhores aos piores – como nas costas, as quais divido com o estiloso suíço – ombros, pés e braços.

Nadal sequer embarcou para o Torneio de Xangai, que acontece na próxima semana e se poupa para defender seu país na Davis. Federer já está por lá, provavelmente posando para umas fotos, talvez um filminho, e ganhando alguns milhões com sua presença na China. Quanto a mim, ficarei contente se puder jogar na segunda-feira, melhorar meu humor e dormir bem à noite. O tênis é um esporte democrático.

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sábado, 8 de novembro de 2008 Tênis Feminino | 15:37

Arquibancadas vazias

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Não é de hoje que o tênis por vezes se vê refém de locais que, mesmo com lamentável falta de tradição e de público, arrasta eventos com a força da grana.

O Masters de Doha é um exemplo desse desvio. Aqueles que acompanham os jogos na Bandsport, alguns deles com a narração do veteraníssimo Ruy Viotti, com quem tive o privilégio de realizar transmissões em um passado remoto, podem, como ressaltou uma de minhas leitoras, acompanhar o absurdo que é um torneio desse porte com as arquibancadas às moscas. É só lembrar como estavam os torneios de Lyon e Paris nas últimas semanas para fazer a comparação.

O estádio é ótimo, quem dera que tivéssemos destes por aqui, mas o que vemos é um bando de senhores de turbante, que provavelmente nunca seguraram uma raquete, e alguns turistas queimados do sol que deve brilhar por lá, acompanhando, sem muito entusiasmo, as meninas tirarem suas diferenças a limpo. Digam o que quiserem essa ausência de público e falta de cultura tenística, dos que se dignam a comparecer, altera, para baixo, a motivação das tenistas. Assim, o espetáculo, que é transmitido para todo o mundo, carece de ambiente, o que é primordial em qualquer atividade.

Não vou bancar o cínico, porque, confesso, nos meus tempos de promotor de eventos em nosso país, também me vi forçado a realizar eventos em locais que não eram, pelo menos durante a semana, amigáveis ao público. Invariavelmente lotávamos nos fins de semana, mas durante a semana..

Isso tem a ver com a mesma realidade que aflige Doha, a falta de tradição tenistica, porque mesmo em São Paulo, e com ótimos tenistas em quadra, já vi as arquibancadas vazias. O Aberto do Sauípe sofre das mesmas restrições e imposições.

Doha e Xangai pagam fortunas para suas respectivas praças serem apresentadas ao mundo pela TV, o que serve mais ao marqueting local do que ao tênis. Mas como o Masters é, teoricamente, o ápice da temporada, o raciocínio vale para o masculino como para o feminino, acredito que as entidades deveriam fazer um esforço maior em manter esses torneios nos grandes centros tenísticos. Valorizaria o evento, motivaria os tenistas e ilustraria mais o esporte. É um tanto difícil de acreditar que, no estágio que o tênis chegou, os dirigentes ainda se coloquem como reféns da grana. O Masters masculino parece estar abandonando essa bobagem e espero nunca mais volte a fazê-lo. Resta aos dirigentes do circuito feminino se libertar dos mesmos grilhões.

Autor: paulocleto Tags:

quinta-feira, 6 de novembro de 2008 Tênis Feminino | 11:49

Lindas e frágeis

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Uma das coisas que mais me chama a atenção no circuito feminino é a fragilidade emocional das tenistas. E não estou me referindo às tenistas brasileiras, escrevo sobre as melhores do mundo.

Não chega ser surpreendente as irmãs Williams, duas atletas fortes no físico e no perfil emocional. As duas não têm o tênis mais fluente do mundo, especialmente a Venus, mas conseguem, anos após anos, mesmo com outros interesses fora das quadras, manter-se entre as melhores do mundo e vencer os grandes torneios. As duas são, de longe, as mais fortes emocionalmente e mentalmente, duas coisas distintas, desde os tempos de Steffi Graf, uma tremenda campeã e uma rocha nos dois quesitos.

Para não me alongar na análise do que está acontecendo em Doha, atenho-me a dois fatos. O constante desmanche emocional de Aninha Ivanovic, com duas derrotas em dois jogos, e sempre à beira das lágrimas quando começa a perder o jogo, e o derretimento psicológico de Elena Dementieva em ocasiões importantes, tal como seu péssimo recorde no Masters.

Ivanovic, que tinha o recorde de 6×1 contra a compatriota Jankovic, mais uma vez mostrou aquela carinha de choro – dá vontade de colocá-la no colo cada vez que eu vejo e, convenhamos, não é exatamente o sentimento que uma campeã, como a trituradora de bolinhas Serena, deve inspirar, pelo menos em quadra. Uma tenista brigando pelo título de melhor do mundo não deve se dar ao luxo de escancarar emoções dessa maneira.

Dementieva se classificou para sete Masters nos últimos anos e a esta altura deveria se capaz de controlar os nervos. Nos últimos treze jogos que fez no Masters ganhou somente um; agora são 10 derrotas seguidas. No entanto, por conta dos valores que formam a atual realidade do circuito, faturou cerca de U$500 mil com esse ridículo recorde.

Mais uma vez Dementieva fritou seus neurônios, colocando seus talentos em dúvida, como declarou após a derrota, enquanto Venus, apesar de um caminhão de erros e 10 duplas faltas, diz que não fica se martirizando com seus erros porque isso nunca lhe trouxe benefícios. Essa maneira positiva, a chamada inteligência emocional, é a diferença entre os 15 títulos de GS das irmãs criadas em uma das piores periferias dos EUA e um único título, até agora, para as duas lindas e maravilhosas, talentosas, porém frágeis Aninha e Elena. Fico imaginando se isso é algum tipo de equilíbrio divino.

Dementieva e Ivanovic
Elena Dementieva e Ana Ivanovic: sofrimento e lágrimas nas quadras de tênis

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quarta-feira, 5 de novembro de 2008 Sem uma categoria | 14:22

Coerência e liderança

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Tecendo um pouco mais sobre o assunto, incluindo os comentários de caros leitores como Marco, Martin e Rodrigo, a quem agradeço a elegância como discordaram, deixo um pouco mais claro o seguinte:

Não discuti, nem discuto os valores cobrados por tenistas ou seja lá por quem for. Como disse um dos leitores, paga quem quer. Não sendo serviço público, ou indispensável ao bem coletivo, essa é a regra do mercado.

O meu comentário, se prestarem atenção, é o seguinte. Atualmente maior porta-voz dos tenistas de o circuito estar sobrecarregado é o Nadal, no que não deixa de ter certa razão. No entanto, como muitos afirmam, cada um faz o seu calendário. Desde o início do ano Federer alertou que esta temporada seria mais intensa e perigosa por conta do calendário e que seria uma atenção extra no que jogar.

Este ano, Nadal, além de jogar os Masters Series, os GS, as Olimpíadas, as Copa Davis, jogou Queens, Barcelona, Dubai, Rotterdam e Chennai, fora qualquer exibição que eu não saiba. Estes últimos cinco eventos ele não tinha a obrigação de jogar. Queens eu até entendo. Barcelona tambem dá para entender. Os outros foram escolhas, e por razões, pessoais.

O circuito obrigatório tem muitas semanas, mas ele escolheu acrescentar ainda mais. Quanto as tais exibições, no Chile, até agora confirmada, e no Brasil, se está cansado e arrebentado, como reclama há meses, o que precisa fazer? Descansar! Mas se colocam EURO 1 milhão na mão dele, ele revê a posição política pela qual faz tanto alarde?

Na minha cabeça seria mais coerente dizer; o circuito está muito cheio, o meu corpo está quebrado, preciso de descanso e, por conta de tudo isso, sequer considero novos compromissos. Pedir um valor desses, por uma única partida, para os organizadores do segundo evento que venceu na carreira, aquele que abriu a marcante temporada de 2005, e onde foi muito bem tratado, segundo ele mesmo, em um país que não pode se dar ao luxo de rasgar dinheiro como um emirado árabe, talvez não tenha sido uma atitude muito coerente.

Vale mencionar que Nadal jogou catorze eventos no primeiro semestre e, até agora, sete no segundo – ou seja, metade. Cada um sabe onde dói e tambem quanto vale. Mas, como primeiro do ranking e agora membro do Conselho da ATP, a coerência, isenção e ética em todas as situações serão ainda mais bem vindas e esperadas.

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segunda-feira, 3 de novembro de 2008 Sem uma categoria | 17:51

Xangai não, Mar del Plata si.

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Era um tanto previsível, agora é fato; Rafael Nadal saiu do Masters de Xangai. Seu tio/técnico já havia alertado que se o joelho não estivesse 100% antes do embarque, que deveria acontecer só amanhã terça-feira, Rafa não entraria no avião. Hoje o espanhol comunicou que não vai mesmo, porque não se considera na forma necessária para entrar em quadra e jogar para vencer. “Ir à China para chegar arrebentado na final da Davis não é o que nós queremos”, adiantou o tio.

Nadal e seu tio deixaram claro, pelo menos nas entrelinhas, que a prioridade é a final da Copa Davis. Sendo assim, faz sentido sacrificar o Masters, se ele realmente não está na melhor forma física. A China é do outro lado mundo e, para os espanhóis, Mar Del Plata é um pouco para lá de onde Judas perdeu as botas, que, para eles, deve ser por aqui, já que o rapaz teve a cara-de-pau de pedir Euro 1 milhão para jogar uma exibição por aqui após a final da Davis.

Ah, entendi – “estou de saco cheio, não quero mais jogar esta temporada, quero descansar a cabeça e o físico – mas, se jogarem 1 milhão na minha direção, estou pronto para rever minhas posições”.

Devem pensar que por aqui Euros crescem em árvore ou então que são imbecis que florescem na primavera.

Em sua declaração, Nadal não deixou de dar uma pitada política. Disse que a razão por detrás de sua ausência está a ATP e sua política na construção do calendário. Isso, segundo ele, arrebenta os tenistas e faz com que eles não se apresentem nas melhores condições, especialmente no fim da temporada.

Acredito piamente na contusão de Nadal. Agora, ninguém me tira da cabeça que aí, no frigir dos ovos, tem também uma “posição política”. Lembro-me bem de Toni Nadal metendo a boca no megafone, uns dois anos atrás, sobre o “absurdo” que era o piso utilizado em Xangai, e os organizadores explicando que o piso era imposição da ATP.

Sobre o calendário, mais vem por aí nas férias; sobre Xangai, quem entra na vaga de Nadal é o francês Simon; sobre a final da Davis, Nalbandian volta para casa para treinar, Delpo vai a Xangai, e o time todo dos espanhóis vai treinar em casa com alto falantes ligados no máximo, para ir acomodando os ouvidos à querida torcida argentina.

Autor: paulocleto Tags:

Sem uma categoria | 12:02

Mudanças aqui

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Nos próximos dias o blog estará passando por mudanças que vão desde uma sutil mudança de endereço – fiquem atentos para mudar em seus favoritos – e de visual, até uma busca por novas linguagens e maneiras de levar o tênis aos fãs e navegantes.

Talvez a maior mudança seja no ambiente onde realizo o trabalho e atualizações do blog – o que não lhes será exposto, a não ser, talvez, pela minha dificuldade em lidar com a nova ferramenta.

Não sou lá o mais fanático dos geeks e tenho minhas dificuldades em enfrentar novas tecnologias. Por conta disso, nos próximos dias sejam pacientes e não deixem de alimentar o blog com sugestões, feedbacks, críticas e, sejam magnânimos, elogios.

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domingo, 2 de novembro de 2008 Sem uma categoria | 16:39

Espetáculo em Paris

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A final foi um espetáculo de mais de uma maneira. Não só estava em jogo o título do ultimo MS da temporada, como a última vaga do Masters de Xangai. Além disso, Tsonga jogava sua primeira final de um MS assim como a primeira final na frente de sua torcida, que desde 2001, com Grosjean, não celebra um campeão da casa em Paris. Nalbandian defendia seu título, além da motivação adicional de chegar na melhor forma possível à final da Copa Davis. Vários componentes emocionais que tanto poderiam diminuir a qualidade da partida, como poderiam levá-la a novos níveis. Para a alegria dos fãs que acompanharam o jogão, a segunda opção tornou-se realidade.

Tsonga venceu porque estava mais bem preparado emocionalmente. Veio decidido a fechar a porta na cara do argentino todas as vezes que fosse necessário. Nalbandian, um dos melhores devolvedores do circuito, teve nove break-points e Tsonga lhe fechou a porta oito vezes. A frustração do tenista do lado errado dessa estatística é enorme, enquanto que aquele que está no lado certo tem sua confiança alimentada geometricamente.

Tsonga serviu 25 aces – contra 4 de Nalbandian – o que também fala tão alto e da mesma forma como a estatística acima. O ace funciona como nenhum outro golpe do tênis para enviar uma mensagem. Além disso é o grande bálsamo para a mente quando o tenista se vê face a face com os temidos e cruciais break-points. Nessas horas, Tsonga encaixou para lá e para cá, deixando Nalbandian tentando adivinhar o lado. Que eu me lembre, foram dois 0×40 que Tsonga foi buscar. Além de buscar, Tsonga soube cobrar a participação das arquibancadas, o que deixou o público à beira do incêndio participativo.

Jo-Wilfried Tsonda é um tenista que, desde o início do ano quando foi à final do Aberto da Austrália, fez uma legião de fãs pelo seu estilo agressivo e personalidade cativante. É mais um jogador que entra na lista dos tenistas que promete para a temporada 2009. Parabéns e bem vindo.


JoW Tsonga entre flores

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