Dores nas costas
Estava aqui pensando com meus botões – preciso aprimorar ou, pelo menos, atualizar essa expressão; permanece o fato de que sem internet e outros agitos comecei a pensar nas contusões que cerceiam os tenistas da atualidade.
O que me levou a esse doloroso pensamento foi uma maldita dor nas costas que me acompanha desde jovem. Se um dia eu me inspirar conto como fui condenado a esse martírio eterno. O que fez com que ela voltasse foi a bobagem de levantar uma pedra, algo que sou proibido da fazer. A fisgada apareceu, a inflamação se instalou e a musculatura da região lombar enrijeceu.
Pior do que a dor e o incomodo é o pensamento de que, provavelmente, não poderei jogar na segunda-feira. Isso altera o meu humor e eu não ganho absolutamente um centavo para entrar em quadra. É só o prazer negado de exercer uma paixão, o que, convenhamos, não é pouco. Especialmente quando não se é mais jovem para encarar aventuras dia sim e outro também; preciso de, pelo menos, um dia de intervalo e em casos de dores nas costas mais ainda.
Com isso, me volta à cabeça que a dor de uma contusão é o inferno do esportista. Esta semana acompanhei a entrevista da ginasta gaúcha Diane na ESPN BRASIL, onde ela confessou que se entupia com antiinflamatórios por conta de dores perenes. Os tenistas não são diferentes. Nos últimos anos de sua carreira, Gustavo Kuerten também atravessou a linha da parcimônia com o uso dos antiinflamatórios. Eu já tomei um ontem, um hoje e estou considerando tomar outro antes de dormir. Quero muito jogar na segunda.
Será que os tenistas se contundem mais atualmente do que antigamente? E por conta do calendário, como reclamam? Não acho que hoje haja mais contusões do que antigamente. Se, por um lado, os tenistas exigem mais de seus físicos, por outro estão muito mais preparados fisicamente para enfrentar as demandas do estilo do tênis atual. O que há, como já havia antes, são estilos que exigem mais do físico do que outros.
Nadal e Federer são dois atletas muito bem preparados para enfrentar o circuito com seus estilos. Porém não há duvidas de que o espanhol sempre terá mais problemas com contusões do que o suíço. Enquanto este pratica um tênis atlético, rápido e forte, o primeiro agrega a todos esses fatores uma brutalidade que o outro se recusa a trazer para a quadra.
O estilo de arranques, guinadas e brecadas do espanhol se adapta muito melhor no saibro do que nas quadras que não permitem o deslizamento. Por conta disso, Nadal, pelo menos enquanto profissional, terá que enfrentar inflamações e dores nas juntas de tornozelos, joelhos e quadris. Sem contar dores mais democráticas que atingem tenistas em geral, dos melhores aos piores – como nas costas, as quais divido com o estiloso suíço – ombros, pés e braços.
Nadal sequer embarcou para o Torneio de Xangai, que acontece na próxima semana e se poupa para defender seu país na Davis. Federer já está por lá, provavelmente posando para umas fotos, talvez um filminho, e ganhando alguns milhões com sua presença na China. Quanto a mim, ficarei contente se puder jogar na segunda-feira, melhorar meu humor e dormir bem à noite. O tênis é um esporte democrático.

