Encruzilhada
Sentado na Encruzilhada, talvez o meu canto mais emocional em Paris, com a compreensível exceção da Quadra Central de Roland Garros, mesmo que por razões diversas, passei o fim da tarde realizando um dos meus programas favoritos na cidade. Usufruindo da hospitalidade de um café parisiense, tomando um Kir de vinho Sancerre, olhando o mundo, especialmente o feminino, passar à minha frente, numa alternância de pressa da parte delas e deslumbramento, de ambos, também por diferentes razões, em um lugar mágico e único.
A Encruzilhada é uma pequena intersecção de ruas charmosas no coração de St Germain, meu quartier favorito da cidade. Nele se encontram a ruas Buci, Mazarin, Dauphine, St Andrés dês Arts e L’Ancienne Comédie. Os carros não são bem vindos e a Buci é de fato vedada a eles, apesar de que vez em quando um deles se esgueira por entre os pedestres que invadem o asfalto.

Eu pensando na vida
Foi ali, de pé no meio desta rua, olhando o casaril centenário, maravilhado com flanar eterno das pessoas, inalando os encantadores odores da feira perene, da floricultura na calçada, dos restaurantes servindo seus filets com fritas, das padarias soltando seus pães quentes e as pâtisseries me tentando dia e noite, que eu decidi, muito tempo atrás, que um dia voltaria a esta cidade sem estar envolvido com algum tipo de trabalho.
Não se pode exigir que a vida nos entregue tudo exatamente como se quer ou planeja, mas quando um sonho se realiza é sempre uma satisfação, mesmo que uma fria pontinha de tristeza venha bater em no cangote por conta das imprevisibilidades da vida.
Aproveito para passar os olhos no jornal, onde leio que Roger Federer não perdeu tempo depois de pular fora do Torneio de Estocolmo esta semana. Fugiu do frio que começa a açoitar capital sueca, assim como a francesa, e foi se refugiar nas brisas quentes do Dubai, seu recanto favorito e aonde vem passando seus momentos de férias e de treinamento. A notícia do jornal pouco fala do tênis ou das razões que levaram o suíço a sair de um torneio onde estava escrito.
O jornal conta, com detalhes, a visita de Roger a um joalheiro local, acompanhado da namorada Miroslava, onde pediu para ver mais de um anel, inclusive um com um diamante de 60 quilates, o mais caro da loja, e outro, rosa e com 16 quilates, segundo informou o indiscreto dono da lojinha.
Será que o tenista é simplesmente um curioso ou o casal tem planos para levar o relacionamento ao próximo nível? Vi aqui na França um ótimo e extenso documentário com o suíço, onde ele diz, com todas as letras, que Miroslava é responsável por levá-lo pela mão pela passagem de garoto para homem, em todos os sentidos. Mais cedo ou mais tarde, de um jeito ou de outro, um homem tem que fazer o que ele tem que fazer. E o que, está sempre dentro de seu coração.

Ao contrário do que afirmava bond, diamantes não são eternos


