Antiinflamatórios e gelo.
Parece combinado, mas não foi. Os dois melhores tenistas do mundo abandonaram o último grande torneio do ano no mesmo dia. A organização deve ter entrado em depressão. O público parisiense só recuperou, parcialmente, o bom humor – talvez isto seja uma piada – após a vitória, na bacia das almas, do Tsonga sobre o Roddick, que continua sendo saco de pancada nos momentos cruciais dos grandes eventos.
O Nadal já havia avisado, no início da semana, que seu físico estava nas últimas. Eu já escrevi, mais de uma vez, que o espanhol terá que levar seu corpo a pão-de-ló até o fim da carreira para não vê-la abreviada. Seu estilo é brutal e o rapaz não é de largar bola nem jogo. Para sair de quadra, como hoje, é porque a coisa estava feia.
Mais uma vez, fica evidente que ele e seu grande rival, e isto que o digam seus fãs mais radicais – que não são federistas nem nadaletes, são mesmo maluquetes -, possuem estilos distintos, dentro e fora da quadra.
Federer sequer entrou em quadra por conta de dores nas costas. Nadal, talvez por respeito ao público, apareceu, jogou um set e abandonou.
Qualquer insinuação a respeito da decisão e ação desses dois tenistas, eu vejo como infundadas, e deixa evidente o desconhecimento sobre a personalidade e caráter de ambos, até por tudo que apresentaram até hoje. Se meus leitores preferem ficar se torturando e acusando nos comentários, ao invés de acrescentar colocações que acrescentem ao tópico, paciência; é o nome de vocês que está em jogo.
Federer afirmou que na sua carreira as dores nas costas sempre foram uma constante, porém não a ponto de forçar um abandono de torneio como hoje. Ele sentiu a pinçada na partida contra Celic e esperava melhorar à noite, o que não aconteceu. Pelas declarações, percebo que o suíço achou melhor se poupar, não deixar a contusão se agravar e tentar jogar o Masters, onde defende o título.
Nadal é um tenista muito mais “físico” e exigente de seu corpo do que Federer. Na entrevista, o espanhol disse que tinha dores no joelho desde o início da semana e que contra Monfils piorou. O médico do torneio lhe receitou antiinflamatórios, mas pouco adiantou. Disse também que daquele jeito não ganharia de ninguém, mas não explicou porque entrou para “jogar” um set. Como escrevi, prefiro pensar que foi por respeito ao público.
No fim da entrevista, Nadal voltou a bater na tecla de que o calendário é longo e é difícil chegar no fim da temporada com o corpo são. Agora, como membro do conselho da ATP, ele e Federer, o presidente, podem fazer algo a respeito.
Quem joga sabe que tenistas têm algum tipo de dor 2/3 do tempo em quadra. São dependentes em antiinflamatórios e gelo. Para aqueles que progridem com regularidade nos torneios é mais grave. Quando jogam em quadras duras ou carpetes, onde é mais difícil escorregar, brecar e trocar de direção pior ainda. Apesar disso, eles continuam jogando. O tenista precisa ter algo seriamente errado com seu corpo, ou com seu caráter, para abandonar partidas e/ou eventos. Nadal e Federer não fazem parte desse último clubinho de cafajestes.






