O paraíso, o inferno e o limbo
Sempre houve no circuito do tênis pelo menos dois tipos de tenistas: os que se acomodam fazendo uma carreira em torno dos Torneios Challengers e os que ambicionam chegar, e ficar, no circuito da ATP. São dois animais distintos, vivendo em dois ambientes extremamente diversos.
O circuito Challenger foi criado para ser mais uma transição entre os Futures – que são os torneios que fazem a primeira transição entre os torneios juvenis e os torneios profissionais – e os torneios da ATP, onde convivem as feras do tênis.
Em uma analogia teológica, o Circuito Futures podem ser considerado como o inferno, o Circuito ATP o paraíso e o Circuito Challengers o limbo. Ninguém chega ao paraíso de graça e todos querem dar o fora do inferno, mas é interessante como quantos se acomodam no limbo. Ninguém quer passar fome e poucos têm o espírito para pagar o preço da felicidade tenistica. A maioria se satisfaz com o meio termo. Tal qual a vida real.
Quando o tenista não consegue sair dos Futures ele logo desiste, porque não dá para viver ali por mais de uma ou duas temporadas – algo possível só para os mais insistentes, teimosos ou sem nenhuma outra perspectiva em vida.
Quanto aos que não conseguem sair dos Challengers, e chegar à ATP, conseguem pelo menos algum troco financeiro para continuar brincando de tenista profissional. Como muitos abandonaram a escola precocemente, as perspectiva de alternativas de trabalho não são animadoras. Assim, se acomodam por ali, na expectativa, a maioria das vezes vã, de que um dia as coisas mudem e passem a ser competitivos o bastante para freqüentar o ambiente dos cachorros grandes. Alguns até conseguem, a maioria não. Outros batem e voltam. Estes são os que realmente sentem a navalha na carne – conhecem o paraíso, mas não são capazes de obter o visto permanente.
No fundo, o Circuito Challenger preenche outra de suas razões de ser, que é acomodar o excesso de tenistas que pretendem jogar tênis profissionalmente. É algo como uma segundona no futebol ou uma daquelas infindáveis categorias do automobilismo profissional. O sistema simplesmente se acomodou com a realidade do tênis global, e mais democrática, dos últimos 20 anos. Algo que a Teoria de Darwin explica direitinho.
De qualquer maneira, o Circuito Challenger é uma realidade necessária e extremamente benéfica para o tênis. Especialmente ao tênis de países carentes, de mais de uma maneira, como o Brasil. Por isso a importância deles por aqui.

O jovem Charles Darwin explicou a “seleção natural”.





