acabou

o que restou foi um pouco da quadra para levar para casa
A partida final de Gustavo Kuerten em Roland Garros não foi nem mais nem menos do que se esperava. Se não foi mais intrigante no aspecto técnico, porque já sabíamos o que esperar nesse departamento, também não foi menos emocionante do que imaginávamos, pela despedida de um atleta de tal magnitude em nosso país.
Para falar a verdade, após fazer um brevíssimo intervalo para tomar a minha Coca Zero, penso que Kuerten fez uma apresentação melhor do que eu esperava. Só não ganhou o segundo set porque o adversário tinha, enraizado em sua mente, a certeza e a confiança que Gustavo não poderia jogar bem três sets. Mas Kuerten bateu muito bem na bola e sacou como poucos tenistas conseguem nos dias de hoje. Mostrou que suas bolas seguem sendo pesadas; seus golpes, severamente penetrantes; sua esquerda cruzada, um ferrolho destruidor de defesas; sua esquerda paralela, um golpe de abrir um sorriso no rosto mais sisudo. Serão boas as últimas imagens que ficarão em nossas mentes.
Confesso também que, quando mostraram aquela breve entrevista com o brasileiro, momentos antes de ele entrar em quadra, e logo após mostrarem um clipe de vários tenistas elogiando e se despedindo de Guga, fiquei sem conseguir falar durante alguns momentos. Se bobeasse, chorava no ar, e aí seria um papelão.
Roland Garros 2008 começou, infelizmente à custa do término da carreira desse brilhante competidor. Gustavo Kuerten, vencedor de 20 torneios, 358 partidas, sendo 36 em Roland Garros, quase U$ 15 milhões em prêmios e inúmeras conquistas defendendo o Brasil na Copa Davis. Mas esses números são frios ao analisarmos a importância de sua carreira para os brasileiros. Muitos são o que tiveram números iguais e até melhores, mundo afora. Porém, bem raros são aqueles que conseguiram, enquanto faziam suas conquistas em quadra, conquistar os corações dos fãs com a facilidade que essa catarinense o fez. Vencedores há muitos. Grandes campeões são pessoas de outra, rara e preciosa, forja. O tenistas se foi, fica o ser humano que, no fim das contas, é o que conta. Que Gustavo Kuerten consiga manter daqui para frente, o padrão que gravou em nossos corações. Não será uma missão das mais fáceis.
Aproveito para sugerir, para aqueles que são seus mais declarados fãs, a leitura do livro “Gustavo Kuerten e Roland Garros – uma História de Amor”. Eu o escrevi justamente pensando no “day after” – para que as conquistas e a história dessa campeão não caíssem no esquecimento, como aconteceu com Maria Bueno, uma vitoriosa ainda maior do que Gustavo Kuerten.
36 comentários | Comentar
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16 Lauro 25/05/2008 15:28
Maravilha, Cleto! Guga já deixava saudade e agora eh oficial! E eh exatamente isso: um grande tenista, que jogava bonito pro meu gosto e tinha bastante eficiencia. E acima de tudo, um grande cara! Que bom ver tudo isso numa só pessoa. Num brasileiro! E que bom que fomos e somos contemporaneos dele!
15 Lauro 25/05/2008 15:30
Ao atualizar aqui a pagina, vi a foto dele. Forte! Emocionante!
E que bom que, ao contrario do que muitos achavam, ele se permitiu uma temporada de despedida. Eh preciso celebrar! Se nao foi possivel continuar, que bom que ao menos ele celebrou a carreira de alguma forma em 2008 e nos permitiu render-lhe algumas, pelo menos algumas homenagens.
14 erika paula 25/05/2008 15:43
Foi uma mistura de emoçoes, ver guga ali na quadra central cheio de gente gritando seu nome guga, guga. Mas por outro lado ver as caretas que guga fazia durante o jogo dava agonia, confesso que tava desesperada pra que aquilo acabar, cheguei a ficar com raiva do frances poxa ele sabia que a vitoria era certa , entao pra que jogar o guga de um lado para o outro. Mas mesmo assim valeu ver todos os esforços do nosso grande campeao . valeu gugaaaaaaaaaaaaaa
13 Manuel 25/05/2008 16:24
Tive a excelente oportunidade de ver esse momento histórico de mais do que um esportista, mas um homem que sabe de suas dificuldades e que sabe também de seu enorme potencial, mesmo com a limitaçao que o corpo lhe dá. Ele calou a boca de muitos com a turnê de despedida (inclusive a sua Cleto) que o criticavam dando a entender que ele nao estava sabendo a hora de parar.
Sua auto confiança de que ainda podia fazer bonito e de que ainda podia nos presentear com mais alguns grandes momentos foram um tapa com luva de pelica naqueles que acham que podem falar pelos outros só pelo simples fato de ter um blog e uma caneta ou microfone nas maos, é de bom grado seguir as palavras de Larry e vamos ter mais cuidado ao falar e questionar decisoes de grandes ídolos como Kuerten
12 Maria Carolina 25/05/2008 18:05
Infelizmente não consegui assistir ao jogo do Guga, pois estava viajando no momento.
Pelo que leio, deve ter sido uma despedida memorável. Não vou opinar sobre isso, mas sobre o seu livro. Li e recomendo esse belíssimo trabalho. Ele tem uma qualidade gráfica excelente, muitas fotos, descrições dos lugares, e acima de tudo um clima intimista, cativante.
Não empresto, não faço doação. O livro é meu. Releio às vezes, alguns trechos, para resgatar a viagem que o livro proporciona.
É de fato um excelente registro da trajetória do nosso querido tenista, mas é mais do que isso. É um passeio por Paris, pelos bastidores de Rolland Garros, sob a ótica de um técnico e de um fã. Foi assim que percebi esse maravilhoso trabalho.
Parabéns Paulo, recomendo o livro a todos. Aliás, a edição é tão bonita que pode tranquilamente servir de decoração na mesa de centro da sala de estar, para apresentar aos amigos em visita.
Maria Carolina
11 Suzana 25/05/2008 18:09
Parabéns, Paulo, por suas palavras! Confesso que Guga me surpreendeu, superando minhas expectativas. Foi demais! Parecia que ele jogava em seu país, rodeado por orgulhosos brasileiros. E pensar que acontecia em Paris!!! Imagino como ele deve estar feliz por essas homenagens, apesar da tristeza da despedida. Gravei todo o jogo e sinto não ter visto sua entrevista e o clip com vários jogadores, falando sobre ele. Não esquecerei, jamais, o seu jeitão de andar, o seu sorriso e suas lindas jogadas.!!! Senti-me, hoje, muito orgulhosa de ser brasileira e não agüentei segurar as lágrimas quando ele colocou aquela toalha vermelha no rosto e chorou. Assisto a tênis há algum tempo e nunca vi homenagem igual a essa, a nenhum jogador. Obrigada, Guga, por ter elevado a nossa auto-estima. Tudo de bom para você!!!
Suzana.
10 Elvio 25/05/2008 19:18
A partida de despedida deste grande atleta serviu p/ mostrar que se não fosse as limitações físicas, Guga poderia estar aí, dando muita alegria aos brasileiros, pois jogou com um cara que é número 19 do mundo, e na minha modesta opnião jogou de igual prá igual…. com saques belíssimos, assim como o seu backhand que deixou por algumas vezes o francês sem reação… Valeu Guga por tudo o que você fez p/ o Brasil, neste esporte para muitos até então desconhecido…
9 Otavio Neves 25/05/2008 19:37
Valeu GUGA – 3 RG, 1 Master CUP, 20 títulos (contando só os de primeira linha em simples), nº 1 p/ 43 semanas … e um grande ser humano – sem necessidade de provar sua competência, reconhecidíssima por quem entende de Tênis. GUGA quis com sua despedida quase sem condições físicas gritar, p/ todo Mundo, que ama o Tênis – talvez provar não sua competência, mas sim o seu amor ao esporte maravilhoso que é o Tênis, além de se despedir do seu público. Os REMELAS e outros invejosos do Mundo (até alguns poucos brasileiros) é que não entendem isso ou não conseguem ver – deixemos eles pra lá, falando sozinhos. VIVA GUGA !!!!
E VIVA O BRASIL: Agora vamos torcer pelo T. Bellucci e pelo Marcos Daniel …
Otavio Neves.
8 fogao na final 25/05/2008 20:02
valeu por tudo guga, vc eh um genio do tennis!!! nos te amamos!!!
a revista deuce / atp, fez um tributo de 2 paginas para o guga, com umas fotos bem legais:
http://www.atptennis.com/5/en/deuce/may2008/kuerten.asp
fogao na final
7 wanda 25/05/2008 20:07
Paulo, como eu não estava no ar pude chorar a vontade na hora em GUGA se despediu. Foi emocionante e fez lembrar dos maravilhosos jogos feitos por ele naquela mesma quadra, nos anos em que se tornou campeão de Roland Garros.
É muito bom para o ego dos brasileiros (as) ver um compatriota sendo homenageado de pé por um estadio lotado.
6 Jacqueline Barbosa 25/05/2008 20:43
Mais que emocionante e inesquecível, chorei muito, como na Costa do Sauípe em fevereiro, foi de arrepiar, apesar dos palcos serem diferentes e as histórias também, a emoção é a mesma, uma inesquecível perda; Parabéns a ESPN e seu time de comentaristas que conseguiram entrar para a história, hoje foi um dia que valeu dizer que uma curtinha foi apelação, e que alguns erros do Mathieu foi “zinquezira” . Parabéns Paulo, abraços.
5 RenatoZ 25/05/2008 21:20
Foi sensacional mesmo! A primeira vez que vi o Guga jogar, ele tinha 14 anos no Torneio juvenil do Banco Econômico em Salvador. Já era uma promessa, mas ninguém poderia prever tudo o que aconteceu depois. Pulando para 97, lembro que a surpresa começou logo nas segunda rodada ganhando do Bjorkman, depois Muster, Kafelnikov e Bruguera no mesmo torneio. Lembro do telão montado no Parque do Ibirapuera, lotado!. Lembro ainda que ele enfrentou muitos momentos difíceis, inclusive desconfianças de outros brasileiros, antes mesmo da contusão e à custa de muito trabalho e dedicação superou tudo. ‘
É muito difícil, escrever o que o Guga representa para o tênis. Devemos todos, sempre falar dele, reviver seus feitos, contar às crianças quem foi o que ele fez, o que ele representou para o país. Não podemos deixar que os seus feitos caiam no esquecimento ou que se tornem apenas uma lembrança. Espero que não se repita com o Guga, a decepção que eu passei ao conversar com uma das líderes do ranking nacional juvenil brasileiro e ela me dizer que não sabia quem era Maria Esther Bueno.
4 PAULO PACHECO 25/05/2008 23:32
sinceramente chorei com as esquerdas na paralela
obrigadooo gugaaaaaaa
3 Sheila 26/05/2008 2:21
Paulo,
Confesso que não consegui assistir o jogo. Você mais do que ninguém é testemunha do meu amor por ele…Na minha cabeça ficou passando um filme das partidas, das conversas, das entrevistas após os jogos, das brincadeiras, almoços no players lounge, jantares, da ansiedade antes de cada jogo, das emoções sentidas a cada vitória ou perda, da alegria compartilhada com os brasileiros que alí estavam, da festa que sempre foi a sua presença naquela sagrada terra vermelha!!!!
Era muito para o meu coração….
Allez Guga!!!!!!!
Valeu Paulo!!!!
Sheila.
2 Alessandra Marques 26/05/2008 8:31
Oi, Paulo, confesso que não consegui segurar a emoção. Chorei mesmo, principalmente no fim. Ao longo do jogo, a alegria divertida do Guga, transpassada por arrepios de emoção ao ver jogadas fantásticas que lembraram um pouco de quem foi Gustavo Kuerten. E o francês que o acompanhou em sua despedida na quadra foi realmente um gentleman. Um abraço.
1 Martin H. 26/05/2008 10:25
Confesso que pensava – como muitos, inclusive o Paulo Cleto – que esta turnê de despedida era despicienda e que preferia lembrar das imagens gloriosas do Guga nos tempos áureos. O jogo de hoje (como mostra a imagem postada no blog) provou que eu, como os muitos que pensavam assim, estava errado. O Guga parecia uma criança brincando num parque de diversões (belo eufemismo para a Philippe Chatrier); nós, os pais assistindo à criança e babando em cima dela. Belas imagens, que vieram a coroar os tempos áureos.
Paulo, aproveito para perguntar: haverá alguma reedição do teu livro, com este “último capítulo” de Guga em Roland Garros?
Abraço,
Mártin