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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 16:50

O rival

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Não sei se tem a ver com o cansaço do horário do trabalho, mas o fato é que às vezes me pego quase cochilando após o almoço, algo que odeio e me recuso a fazer, talvez ainda por conta de alguma culpa que não me permite tal conforto. Mas ali naquela hora, quando a pálpebra fica mais pesada, hoje um pensamento me invadiu.

Como é que vou explicar para os meus netinhos, e para meus leitores, que o melhor tenista da história tornou-se um freguezaço de carteirinha, com direito a carimbo e fotografia, de outro tenista? E olhem que não estou falando sobre uma ou outra derrota.

Trata-se de uma das maiores rivalidades da história, com certeza a maior da atual década. São 18 vitórias para Nadal e somente 9 para Federer. Após a partida de hoje, o espanhol Nadal pode, intimamente se não publicamente, dizer – o maior da história é meu filhote.

Se trava, se acomoda, se medra, se facilita, não importa. O fato é que a história se repete com uma frequência assombrosa, especialmente nos grandes palcos – os Grand Slams. 8×2 para o espanhol!

A partida foi repleta de ocasiões que Federer soube criar, graças a seu indiscutível talento e volume de jogo, assim como foi tão repleta de vezes que o suíço não soube aproveitá-las e transformá-las em vantagens contundentes e irrecuperáveis. Essa liberalidade por parte de Federer pode funcionar com a maioria dos adversários, mas não com o espanhol. E a cada vez que deixava uma delas fugir, mais distante lhe parecia e ficava a vitória.

Desconcentração é algo que acontece e já custa caro. As viagens de Federer são mais do que manjadas, mas é uma fraqueza que o espanhol aprendeu a farejar, conhecer, aguardar e explorar. E, pior ainda, para Federer, transformá-las em vitória. Um tenista que abre uma quebra de vantagem em três sets seguidos, se permite perder as tais, quase que imediatamente, perdendo dois desses três sets, e no decisivo quarto set, não consegue cacifar os break-points, não merece e não vai vencer. E se permite seu recorde contra seu maior rival tornar-se tão negativo, permite também que se questione a ambiguidade de, por um lado, ser o maior da história, e do outro ser tão decisivamente dominado pelo seu maior rival.

Nadal – batendo e aplaudindo o rival.

Notas relacionadas:

  1. Atitude
  2. Delírio
  3. Federer x Nadal
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quarta-feira, 25 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:27

1000!! e sem surpresas

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Os meus leitores são um capítulo à parte no meu Blog. Logo que resumo meu trabalho na ESPN e ligo para minha mulher, ela me avisa que o Blog está bombando e que o pessoal está excitado com a aproximação dos 1000 comentários.

Como marquei hora com meu colega Romeu para bater umas bolinhas no Clube, mesmo debaixo do sol que ferve São Paulo, mesmo que só para tirar a inhaca, não vou poder postergar muito este meu post, que não será o definitivo do dia – adivinhem qual será o tema deste!? Será que será antes do milésimo – eu e o Federer flertando com esse numero redondo!

O fato é que o tema de outro recente post – “Fabulous Four” – acabou sendo profético sobre o Aberto da Austrália. Os quatro melhores do mundo chegam às semifinais, provando que eles estão um degrau acima do resto.

Um colega meu de ESPN me pergunta se isso não mostra um momento menor do circuito. É a história do meio copo d´água. Eu vejo como um momento diferenciado, só que pelo melhor. São quatro excelentes tenistas e qualquer um deles pode ficar com o título que não seria nenhuma surpresa.

Desses quatro, Djoko, Nadal, Federer e Murray, só este não tem um título. Por isso, e só por isso, a minha “torcida” pelo Mala. Aí nos próximos, incluindo as Olimpíadas, teríamos realmente quatro tenistas em igualdade de condições. MalaMurray precisa de um título para tirar esse urubu dos ombros e poder explorar seus limites.

Na chave das mulheres uma interessante ambiguidade. Três tenistas – Kvitova, Sharapova e Azarenka – com chances de terminar a quinzena como #1 do mundo, algo muito difícil de acontecer e que acrescenta no drama do torneio – CruzadinhaWozniacki não poderá, pelo menos por enquanto, levantar seu dedinho indicador mundo afora.

No entanto, a favorita ao título, o que também não quer dizer muito, ainda é Kim Clijsters, que, e aí a ambiguidade, está fora dessa corrida. Ela tem jogado menos e seus pontos não são o suficiente para a colocar na “briga”. A belga de 28 anos tem mais experiência do que todas e quatro títulos de GS. Ela e Sharapova já foram #1 do mundo e ambas já venceram em Melbourne. Kvitova nunca foi #1, mas ganhou Wimbledon. Por fora, a intensa Azarenka, que nunca foi #1 nem ganhou um GS. Mas aí também a vitória de qualquer uma delas não será uma surpresa.

Uma homenagem aos leitores deste Blog. Abss

Notas relacionadas:

  1. Clareza
  2. As semifinais.
  3. Surpresas
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domingo, 22 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 12:49

Campanha

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O meu colega de transmissões, Ari Aguiar, lança a campanha, “Dá um slice, Wozniacki!”, campanha que só teria menos resultados do que seu eu lançasse a campanha “Um saque e voleio, please, Caroline”.

A moça, dona de um tênis unidimensional, seria um porre de assistir se não fosse por um quesito. Ela é extremamente disciplinada, o que é, e sempre será, uma qualidade, dentro e fora das quadras. Imagino que os fãs da escandinava sejam os mesmos do ibérico Nadal. Será que a minha mulher também acha ela uma “fofa”?

Após as partidas de hoje, Ari me perguntou se eu não acho que o arsenal de habilidades de um tenista como o do australiano “Neymar Atômico” não lhe confunde a cabeça. Um bom ponto e uma pena que ele não tenha perguntado durante a partida – eu adoro essas pautas durante a transmissão.

É um fato que, especialmente no início das carreiras, os mais talentosos e habilidosos se confundam com a variedade até estabelecer o seu “modus operandis” e mesmo assim há controversas – Murray acha que estabeleceu o seu MO, enquanto seus críticos acham que deveria continuar procurando. Até mesmo o Federer passou por esse momento, não vejo porque com o australiano seria diferente. Que ele vai jogar muito é um fato – ele tem o espírito competidor, além da “mão”. Resta ver o quanto de espírito estamos falando.

Hoje, Tomic tentou enrolar o suíço Federer com seus slices. Federer não se apertou – não lhe falta arsenal para enfrentar quem quer que seja. Mas, depois de uma dupla falta no 30×30, 4×4, 1º set, Tomic abriu as pernas. É verdade que houveram também várias bolas espetaculares do campeão para lhe ajudar na decisão – mas isso não é novidade, especialmente quando o suíço começa a viajar na confiança. Aliás, até com ele se pode lançar uma campanha – “Aposentar pra que, Federer?”.

Caroline – tentando sair da caixa.

Roger – já fora da caixa.

Notas relacionadas:

  1. As portas do inferno
  2. E a chuva chegou
  3. Turkish delights
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 17:53

Out of the box

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Hoje tive uma discussão com um amigo. Adoro discutir com amigos; podemos falar o que quisermos sem maiores preocupações – pelo menos enquanto a discussão for teórica e não pessoal.

Discutíamos tênis, o que mais seria em semanas de Grand Slam? Discutíamos a partida entre Dog Dog e o Garoto Atômico. Ele odiou. E como todo passional, odiou muito. Eu adorei, e como todo admirador do talento natural e das habilidades impares, adorei muito.

Infelizmente, só quem tem a ESPNHD pode acompanhar a partida. Quem viu, viu, que não viu vai ter que esperar uma próxima oportunidade.

Os dois tenistas tem habilidades que fogem do padrão, especialmente o padrão que domina e assola o tênis atual. É só passear pelos torneios infanto-juvenis e constatar que a única coisa que o sabem e querem fazer é dar na bolinha como se ela fosse a culpada de todos os pecados do mundo. Entre os profissionais essa realidade não fica muito distante.

DogDog quase deixou Novak Djokovic louco no Aberto dos EUA quando abriu a lata de lixo e a entornou na quadra central. Atrofiou o Djoko. Ele é capaz de dar esquerdas slices que mudam mais de trajetória que um chute do Nelinho.

Tomic é a nova e grande esperança dos australianos. À parte do talento e das habilidades, Tomic tem a personalidade de um jogador. Me lembra muito o Neymar, no jeito e no talento. Mas tem uma personalidade “problemática” – deu uma “garfada” no Dog em uma questão sobre desafio que pegou muuuito mal.

O australiano é também capaz de cortas salames por horas. Pode também, em um piscar dos olhos, passar para uma bola flat e acelerar a bichinha. Sabe mudar o ritmo como outros mudam de meias e não se aperta junto à rede. É maravilhoso assistir um tenista que pode tirar o peso e em seguida acelerar. Todas essas qualidades fazem tambem parte do arsenal do ucraniano. O que os dois jogaram de “quadradinho” deu mais tempo e bolas do que somado todas as outras partidas de ambas as chaves, do começo ao fim do torneio.

Os dois nos ofereceram um espetáculo inusitado, repleto de bolas alternativas, golpes inesperados – um tênis “out of the box” e multi dimensional que só encontra espelho no de outro maluco, o MalaMurray.

Meu amigo não gostou, assim como iamagino que muitos leitores também não. Felizmente, os comentaristas do video abaixo – dois ex-tenistas, tambem adoraram.

Só tenho uma coisa para lhes dizer. Eu estou cheio de comer feijão como se fosse caviar, assistir blockbuster americano como se fosse “cinema”, ouvir “bate estaca” como se fosse musica e acompanhar neguinho dando porrada na bolinha como se fosse tênis. Quero ver tenista em quadra pensando no que vai fazer, montando, mudando e adaptando estratégias, buscando e explorando alternativas para o que virou padrão.

Notas relacionadas:

  1. Correndo
  2. Domingo de oportunidades
  3. Acrobacias
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Grand Slam, Tênis Masculino | 17:14

Não tem preço

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Algum tempo atrás escrevi um Post sobre o fato de que uma bola pode definir o rumo e o resultado de uma partida, algo que alguns sofasistas atacaram com veemência. Hoje, na partida de Federer x Karlovic teve uma dessas.

Karlovic sacando em 6×5 no tie-break do 1º set – set point. Federer devolve de slice nos pés do croata, que devolve no meio da quadra, o suíço lhe enfia uma direita pesada também no centro, devolvida com um voleio e sai uma curtinha dos mais fantasmas.

Federer corre para frente e a de cerca de 40 cm da rede, sem ângulo e com o outro babando no seu cangote, inventa um lob. Karlão, que dera dois pulos à frente para fechar o ângulo, sai quase 1 milímetro do chão e taca o aro da raquete na bolinha que espirra para cima. Tudo isso magnífico e de se tirar o chapéu. Mas o que não tem preço é a carinha de um fulaninho que acompanhou o ponto no Box do Karlão, mostrado pelo vídeo abaixo.

Notas relacionadas:

  1. Tudo tem seu preço.
  2. O sacador
  3. Encontrando
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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Brasileiro, Tênis Masculino | 15:09

Delírios?

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Hoje está mais difícil. Com esse assunto de acordar 5h da manhã – bem antes do meu habitual – fica a óbvia obrigação de ir dormir bem antes também. Ou a a casa cai. E de vez em quando cai mesmo, já que tem noite, como ontem, que devo ter passado da hora e aí a próxima hora não chegava. Um inferno.

É como jogo de tênis, você vai ficando confiante que a coisa está sob controle e pisa no tomate. Quarta-feira e eu me sentindo confiante, achando que o assunto estava dominado. Dancei.

Além disso, logo cedo jogo do Thomaz Bellucci. Jogo de brasileiro é diferente de jogo de estrangeiro. Tem o envolvimento emocional. Lembro que na época do Kuerten eu “me preparava” desde café da manhã – e o jogo era à tarde!

Por isso, hoje vou inovar. Adoro inovar – e inovo pouco. Bem menos do que deveria.

Dois comentários dos meus leitores chamaram a minha atenção. Como ambos são relevantes e interessantes, uso-os como raiz. Um deles de um leitor que diz ser antigo, no entanto não me lembro de tê-lo lido antes. O outro, o Bruxo, alguém que começa a aparecer com maior frequência por aqui.

Primeiro, o do Bruxo, falando sobre o jogo do Ricardo Mello:

“Só vi o jogo do Ricardo Mello essa noite. Ele fez o que pode. A única coisa que poderia ser melhor foi o saque. Quando você joga contra um animal como o Tsonga, se você começa a precisar muito de segundo saque, você basicamente está morto, porque ele vai te furar com o drive. O que falta pro Ricardo Mello começar a ter chance contra alguns cachorros maiores é um saque mais confiável (não precisamos ir longe, um saque como o do Falla, regular, com alta porcentagem de acerto no primeiro saque faria o Ricardo subir de nível).
Nos ralis achei o Ricardo taticamente esperto. Todas as vezes em que ele fez o Tsonga correr pra direita, ele anulou o potencial de ataque do Tsonga daquele lado e colheu alguns erros não forçados. Fica a dica para os próximos adversários do Tsonga: mudanças de direção são o caminho (ele voltou pesadão da pré-temporada e tem algumas dificuldades em jogar na corrida, e ele gosta de ter liberdade de movimentação pra fugir da esquerda). A partir do momento em que você consegue fazê-lo de limpador de para-brisa (correndo de um lado a outro e tirando a liberdade de movimentação dele), ele é extremamente vulnerável. Foi fazendo isso que o Ricardo embaçou os três sets.
O Tsonga por sua vez mostrou uma capacidade absurda de sair dos buracos. Não me lembro de nenhum break-point pro Ricardo onde ele tenha dado bobeira. Pelo contrário, o Tsonga vinha com um torpedo no saque, com um bom voleio, ou com uma patada troglodita de direita. Foi 3×0 pro Tsonga muito por mérito dele também.
O Tsonga tem bola demais pro Ricardo, mas ele fez um belo jogo. Foi a melhor derrota possível.”

O segundo, do LF, como ele se identifica, apesar de utilizar um email válido:

“Não acho que o Bellucci tenha jogado tão mal assim: falta personalidade e convicção nos pontos importantes. Ele teve inúmeras chances de quebrar o saque do Monfils, mas não cacifou. Ele continua pecando no mental, baixando a cabeça quando perde pontos que estavam sob seu controle.
Falta mais movimentação lateral e vertical: chegando frações de segundo atrasado em algumas bolas com a empunhadura que tem fica mais difícil ainda.

Pontos positivos: melhora sensível no slice (tanto cruzado quanto paralelo), ganhando alguns pontos com sua utilização. Instinto matador mais aguçado, indo para a rede volear (e bem!) quando sente que desequilibrou o adversário. Posicionamento mais aberto no saque: tirou a força e acrescentou efeito no serviço; fez menos aces, mas trabalhou bem com o saque aberto; fez menos dupla-falta também.

No mais, quero dizer que acompanho o blog há algum tempo e acho que seja o melhor do ramo no país. Acompanho o patrão na ESPN e aprecio muito seus comentários. Curto bastante a maioria dos blogueiros, todos contribuem bastante em termos de diversão e discussão.
Abraço a todos.”

Ambos, é óbvio, são tenistas. Suas colocações o evidenciam. Não assisti a partida do Ricardo, mas acompanho o raciocínio do Bruxo. Suas ponderações sobre o Tsonga são interessantes e reais. Suas colocações sobre o Ricardo também são boas, o que me lembra da máxima americana: o tenista é tão bom quanto seu 2º saque. Da mesma maneira que os cachorrões se distinguem dos outros pela sua capacidade de “fechar a porta” nos pontos importantes, como os BP.

LF – será Luiz Felipe? – foi na veia quanto a Thomaz. Ele não jogou mal – lhe falta personalidade e convicção. Na mosca e só com uma outra forma de dizer o que tanto insisto. Alias, disponibilizo abaixo um link para uma entrevista feita pelo jornalista Julio Gomes da ESPN com o tenista brasileiro, logo após entregar a rapadura em terra de canguru. Nela, questionado diretamente pelo Julio, Thomaz admite algumas coisas pela primeira vez – um passo na direção correta.

A percepção de LF de como e quando Thomaz “abaixa a cabeça” é correta. Assim como a deficiência na movimentação lateral – gritante quando dividindo a quadra com Monfils.

Sua análise dos pontos positivos também é de quem entende e sabe “ler” o jogo. Os slices, que Thomaz tanto relutava em usar (aqui a influencia do técnico que, também canhoto, utilizava bastante o golpe). Não sei sobre o “instinto matador”, mas concordo com as idas – necessárias – à rede para fechar o ponto. A mudança conceitual no serviço é um dado, apesar de que Bellucci é sacador e não pode abrir mão de umas duas vezes por game ir para o ace, nem que seja para intimidar – hoje ele foi quebrado em demasia.

Vi também um terceiro Comentário, onde alguém delira sobre se tivéssemos um tenista com a técnica de Bellucci e a cabeça de Ricardo Mello. Já li também sobre a mesma mistura com a entrega de Meligeni. É isso que dá quando se ouve pessoas que só começaram acompanhar tênis após Gustavo Kuerten e não tem Luiz Mattar ou Jaime Oncins, que seriam melhores exemplos. Vou dormir! – mas antes vou bater uma bolinha.

http://espn.estadao.com.br/australianopen/noticia/236194_VIDEO+EXCLUSIVO+BELLUCCI+CULPA+ERROS+BOBOS+POR+VIRADA+E+ADMITE+QUE+PRECISA+MELHORAR+ATITUDES

Notas relacionadas:

  1. Perto
  2. Probabilidade
  3. Virada
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 13:54

Desafio

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Polêmica é interessante, rende e vende. Especialmente quando envolve juiz, essa figura controversa e tão pouco querida nos esportes. Atenção, eu escrevi esportes.

O assunto do dia foi a bobagem protagonizada pelo árbitro do confronto entre Nalbandian e Isner. O jogo, que per si já tinha todo o drama que precisava, técnico e emocional, acabou contaminado. Com 8×8 no 5º set, Isner sacando e mal se segurando em pé, com as cãibras começando a tomar conta, o juizão decidiu que queria aumentar sua participação no jogo.

Isner saca no 30×40, quase sem condições de correr atrás de uma bola, e vai para o ace. O juiz de linha canta fora e o juizão pensou; é agora que vou entrar para a história. Anuncia que a bola foi boa. Mas vamos a um intervalo.

Quando o juiz de linha canta fora, o Isner levanta o dedo e desafia, quase ao mesmo tempo em que o da cadeira muda a chamada.

Nalbandian então deu a sua leve bobeada. Sem ter certeza da bola e com o cansaço falando em sua cabeça, vacila, talvez sem saber o que está acontecendo, e não chama o desafio de imediato, como dita a regra. Dá uma caminhada rumo à cadeira e pergunta se o juiz está mudando a chamada da juíza de linha. Caminha até a marca, dá uma olhadinha e aí decide desafiar. Intervalo.

O acima descrito não foi tão rápido e “normal”. O publico com seus grits e urros deixava o ambiente um pandemônio. Nalbandian não se entendia com o juiz e vice versa. O juiz diz a ele; “demorou muito, não vai desafiar”. Nalbandian, ainda sem entender, pergunta – “mas quantos desafios eu ainda tenho?” O juiz insiste que não vai desafiar. Nalbandian insiste no desafio. O Supervisor vem à beira da quadra e diz ao argentino que vale a percepção do juiz de cadeira. Nalbandian, se gostar nem um pouco, finalmente aceita – isso sem saber que a bola foi realmente fora. Perde os dois pontos seguintes e vai sentar com 8×9.

Atenção – nesta altura, nem ele nem ninguém na quadra sabe que a bola foi fora – como não teve desafio, não teve “replay”. Só que a TV mostrou, e a bola foi realmente fora e o mundo todo viu! ( Só quero ver se não vão proibir as TVs daqui para a frente de mostrar se não houver desafio!!!)

Nalbandian saca e faz 30×0. Tudo parece voltar ao normal. De repente, perde o foco e a concentração, dá duas curtinhas sem nenhum cabimento, perde quatro pontos seguidos e o jogo.

Ainda em quadra, Isner é perguntado sobre o fato por americanos e ao saber que “garfaram” o argentino se faz de bobo, o que só exigiu que ficasse no papel.

Quando chega ao vestiário Nalbandian descobre que foi roubado e pior, o juiz insistiu em não lhe conceder a apelação. Vai à loucura e detona o juizão na entrevista.

Detalhes: o juiz errou duas vezes, o que não é pouco para um único ponto e em momento crucial de uma partida longa, tensa e dramática. Nalbandian errou, pouco é bem verdade, também não seguindo, à risca, e coloca à risca nisso, a regra.

Mas a realidade é ainda mais tenebrosa. Quem é culpado de que todos esses erros deem no que deu são os panacas que escrevem e, teoricamente, devem enforcam as regras. Porque existem algumas regras no tênis que dependem da cara do freguês – tanto o com a raquete na mão como o sentado na cadeira de juiz. Uma é aquela do tempo que se pode ter entre um ponto e outro – 20 segundos segundo a regra. Só que é uma regra que não vale para Nadal, Djokovic e outros – e para os juízes que são coniventes, praticamente todos.

A outra regra é essa do desafio. Eles deixam a subjetividade imperar, e aí dá merda mesmo. A regra diz de imediato. Só que todos os tenistas se acostumaram a caminhar até a marca, olhar, pensar, e às vezes até perguntar ao juiz se deve, e então desafiar. Boa parte dos juízes permite essa demora, de vez em quando um deles decide que não. Que foi o que Nalbandian resaltou na entrevista. Só que hoje o Sr Kader Nouni decidiu que ia entrar para a história. Entrou e levou o Nalbandian com ele.

Só mais um detalhe. Na entrevista o Nalbandian vociferava contra a ATP, suas regras e juízes e falta de atitude. Quase em fim de carreira, chega a ser assustador que um tenista com sua bagagem não saiba que a ATP, que é o sindicato dos tenistas e organizadora do circuito da ATP, não tem absolutamente gerencia alguma em torneios do Grand Slam. Estes são geridos pela FIT (federação internacional de tênis) e neles a ATP não tem sequer seu pessoal presente e não manda patavina.

É como meu pai dizia. Um fazendo m… já dá problema. Quando vários fazem ao mesmo tempo aí é um problemão.

Notas relacionadas:

  1. Dez horas!!
  2. Na negra
  3. Sacadores. Devolvedores?
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Feminino, Tênis Masculino | 19:44

Segundo dia.

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Não chega a ser uma grande surpresa, mas é incrível o quanto o pessoal sofre com a responsabilidade de jogar bem, e vencer, em casa. O que talvez fala alto sobre aqueles que conseguiram se dar bem nos Slams de suas casas – algo que na história recente só mesmo os americanos conseguiram e há tres décadas o francês Yannick Noah. Escrevo isso por conta de derrota precoce da australiana Samantha Stosur, eliminada na 1ª rodada pela romena Cirstea.

Essa história de revolução, boicote, união e desacordos está mesmo dando pano para muita manga – e o assunto está longe de resolvido. Esta semana mesmo o novo presidente da ATP deve se manifestar, fora o que vem pela frente.

As outras moças devem ter tremido na base com a apresentação de Serena na 1ª rodada. Passou por cima da Paszek.

Dos Fabolous Four, só Murray não passou por cima do adversário na 1ª rodada. Os outros liquidaram. O que pode, ou não, dizer alguma coisa.

Uma boa vitória de Bellucci. Não é fácil vir de duas derrotas para um advers´rio e encontrar uma maneira de vencer em sets seguidos. Thomaz ainda patinou, especialmente no início dos sets, mas teve personalidade para vencer.

Tanto ele como Ricardo Mello, que passou por um qualy espanhol, enfrentam franceses – e indigestos. Mas assim mesmo, Bellucci tem mais chances bater Monfils do que Mello de bater Tsonga.

Parabéns ao Feijão Sousa em ter entrado na chave. Mas tem alguns conceitos básicos do tênis que já passou da hora do rapaz aprender – ou ensinarem a ele.

Aninha Ivanovic passou para a próxima rodada, sempre uma boa notícia.

Esse Marc Granollers é um tremendo casca de ferida e um lutador.

Chela bateu Michael Russel. Já imaginou assistir três sets desses?

Llodra e Gulbis na 1ª rodada. Podia ter um confronto mais xarope? Ah, o Gulbis perdeu!

Golubev bateu o Youzhni em 5 sets e eu não vi nada.

Tipsarevic bateu Torsunov no 4º set lá na quadra 18. Esse pessoal não sabe o que é um bom jogo.

O Ferrero abriu 2×0 no Troicki, teve MP no 3º set e não conseguiu vencer a partida. Também na Q18!

Agora, a Bartoli bateu a Razzano na Q3. E eu não vi. Também sou filho de Deus!

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 13:23

Crack!!

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Quando eu escrevo que o Rafael Nadal é um animal não estou brincando. Não tem como descrever o físico desse atleta. A última dele, e é sempre difícil para seres humanos normais entenderem a profundidade da capacidade física do rapaz, aconteceu este fim de semana em Melbourne.

E o que vou contar aqui são palavras dele, quando, após sua vitória na primeira rodada, sobre o russo Kuznetsov, por 4,1 e 1, ele fez questão de nos iluminar com os assombrosos fatos.

Nadal entrou em quadra com uma pesada proteção no joelho, depois de treinar toda a semana sem nada. Ele conta que no sábado estava sentado no quarto do hotel quando “a coisa mais estranha aconteceu”. “Senti um “crack” no joelho, algo que em si não é tão estranho e muitas vezes acontece”. “Fiquei de pé, mexi o joelho e na segunda vez que o flexionei uma dor inacreditável começou. Não conseguia mover o joelho nem um tiquinho”.

Ele foi ao fisioterapeuta e acabou fazendo uma ressonância no hospital, que não mostrou nada de diferente. Mistério!

“Ontem à noite (Domingo) eu não tinha certeza de que se poderia jogar, por conta da falta de movimento do joelho”. Drama e suspense!

“Eu fiz muita fisioterapia, sentia muita dor, mas fiquei mais sossegado após a ressonância”. “Provavelmente o que deve ter acontecido foi um beliscão no tendão”. Uma explanação para sossegar os fãs!

“No Domingo passei o dia em tratamento e ainda sentia dores à noite. Hoje (2ª feira) acordei ainda com dores e fiz fisioterapia todo o dia até a hora do jogo. Comecei o jogo com medo e nervoso, desapontado com tudo. Mas, após vencer o 1º set, comecei a jogar normalmente. Não entendo tudo o que aconteceu, mas estou contente com maneira que joguei”. Superação!

Nadal admitiu tomar muitos antinflamatórios para jogar, inclusive no local. O fato fugiu à normalidade por não ter sido em consequência de esforço, o que provavelmente o deixou mais nervoso.

Sobre as declarações sobre Federer – ver meu Post anterior – Nadal disse não querer se alongar no assunto. “O que eu disse, eu disse. E provavelmente não deveria dizer aqui e sim nos vestiários, pra ele (Federer). Mas já foi, falei demais e não quero me alongar”.

Enquanto isso, Federer também venceu seu jogo sem maiores problemas e após o jogo a maior parte de sua entrevista foi sobre as declarações de Nadal.

Com muita categoria ele evitou qualquer tipo de confronto e afirmou que a relação permanece igual. Ele fica contente que Nadal tenha suas opiniões mesmo que diferente da dele – ele menciona que no inicio Nadal dizia “o que Roger disser está bom” – agora mudou e para melhor.

Ele afirma, como eu escrevi, que o que ele quer para o circuito é bem semelhante que a maioria quer. A diferença, ele afirma, é na maneira de conseguir o que querem. Federer acredita muito mais na diplomacia e em conversas. Rejeita qualquer conversa sobre greve para conseguir o que querem. Diz que o tênis atravessa uma fase dourada, com muita aceitação por parte do publico e patrocinadores – o que não deixa de ser uma fato.

É a velha história. As metas dos tenistas não diferem tanto de cabeça para cabeça, apesar de que os vestiários estão longe de uma unanimidade, e que muita bobagem é dita nessas reuniões – o pessoal é muito como uma manada. O que varia mais é como fazer a revolução que os tenistas dizem ser necessária. Federer definitivamente segue a tradição helvética com sua cultura de neutralidade, enquanto Nadal deve ter uma foto de Che em seu caderninho. Mas, como a história mostra, para que o primeiro consiga com seus caminhos, é preciso que o segundo exista. O segredo é eles saberem, sempre e até o fim, que estão do mesmo lado. Enquanto isso, no campo de Novak Djokovic, silencio absoluto.

Na carteira – Che e Mercedes

Notas relacionadas:

  1. Chato
  2. Acrobacias
  3. Federer x Nadal
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domingo, 15 de janeiro de 2012 Grand Slam, Tênis Masculino | 15:56

Pimenta

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Parece que o “namoro” entre Rafael Nadal e Roger Federer pode estar perto do fim. Os dois sempre mantiveram um cavalheirismo impar para um esporte tão competitivo e individual. Duvido que isso vá abalar o cavalheirismo reinante, mas agora é que não vão passar um fim de semana junto jogando truco, falando de futebol, música e crianças.

A questão que os separa não é de hoje, mas ficou mais visível. A questão são mudanças, ou não, na organização do circuito. E parece que desde a recente eleição do Presidente da ATP, a quem Federer endossou e Nadal não, a coisa ficou pior e mais óbvia. E se não era óbvia o bastante Nadal fez questão de deixar.

Dois dias antes do inicio do Aberto da Austrália o espanhol chuta o balde, põe a boca no trombone e coloca o gato no telhado. Quando perguntado, até que maneirou quando as perguntas eram em inglês, mas mandou ver no espanhol. Essa é uma tendência, e muitas vezes um tropeço dos tenistas. Em inglês, que é a entrevista para todo mundo, eles maneiram. Na língua nativa, para os jornalistas de sua casa, eles são bem mais abertos e francos. Só que vivemos em um mundo global.

Rafael disse, entre outras coisas: “é muito fácil para ele (Federer) ficar calado enquanto outros (no caso ele mesmo) se queimam externando suas posições. Ele passa por “gentleman” e nós não”. “Acontece que a maioria pensa como eu e ele, como presidente dos tenistas, não fala nada”. “Talvez ele tenha um super corpo e termine a carreira como uma flor. Djokovic, Murray e eu temos que dar duro em quadra e isso tem um preço no corpo”. “Eu não acho certo acabar a carreira com o meu corpo destruído”

A briga toda está parece estar no “approach” à questão. Parece-me que mesmo Federer é a favor de mudar o Calendário e diminuir as semanas. A grande diferença é que Federer é contra chutar o balde e levar a questão ao publico – o que ele acha que faz mal ao esporte. Já Nadal, e seu tio, sempre foram bem verbais sobre o assunto, culpando inclusive pelas dificuldades do espanhol. Murray, quando falou, como descendente do Wallace, foi logo falando em boicote – aí falaram para ele calar-se, e não foi o Juan Carlos.

Neste sábado houve mais uma reunião fechada dos tenistas, onde cada um fala o que quer – na verdade uma minoria fala e uma maioria escuta. Nela se sabe que o assunto “boicote” foi mais uma vez levantado, apesar de que isso é uma atitude extrema e a ultima delas.

Os tenistas ainda não estão se manifestando sobre o que se falou às portas fechadas, até porque a maioria prefere focar no torneio – o que sempre é um paradoxo, já que essas reuniões acontecem nos Slams porque é onde a maioria dos tenistas se encontra. Mas devemos ter alguns sinais de fumaça nas próximas semanas e em Miami eles devem voltar a se reunir e decidir o quanto vão ser enfáticos.

Por enquanto, a mudança mais visível pode acontecer quando alguns desses novos cachorrões, especialmente Nadal, se encontrar com Federer pelos corredores dos vestiários ou mesmo pelas quadras. Nada como uma pimetinha às portas de um Grand Slam.

“Ô suíço, chega desse papinho de gentleman e vamos botar uma pimentinha no relacionamento”

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Autor: paulocleto Tags: , , ,

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