A identidade Berdych
Algumas dúvidas e curiosidades devem ficar na mente dos fãs do tênis mais do que outras. Uma delas pode ser o do por que Thomas Berdych não tem ainda mais sucesso no circuito. Atentem para o “ainda mais”.
Frequenta o seleto clube dos Top10 há anos e seu melhor ranking é o atual #6. Sua melhor performance em Grand Slam foi a final de Wimbledon 2010, mesmo ano que foi à semis de Paris. Pouco, para o seu tênis.
O checo é dono de um estilo vistoso, agressivo, potente. Não é um paparra que fica rezando pelo erro alheio. Berdych vai para o pau. Se ganhar é obra dele, quando perde também. Neste detalhe reside seu valor e seu pecado.
A maior parte do tempo Thomas é um tenista perigoso, com golpes penetrantes, apurando e acuando oponentes, não os deixando respirar, graças ao seu amplo arsenal. Ótimos serviços, 1º e 2º, forehand e backhand flats que andam barbaridade.
Se conseguisse jogar razoavelmente no mesmo padrão TODOS os pontos, seria praticamente invencível. Não consegue.
E o que acontece, então?
É simples, mas deve ser complicadíssimo em sua cabeça. A maior parte do tempo Berdych é capaz de jogar em um determinado padrão com uma pequena oscilação, o que é totalmente compreensível. Esse padrão que o leva a grandes performances e vitórias.
Porém, contra tenistas perigosos, não necessariamente melhores que ele, mas estes inclusos, em determinados momentos da partida, aqueles momentos “da onça beber água”, Thomas joga em um ou mais degrau abaixo. Nesses momentos, o tenista mais inspirado, garrudo, atento, casca de ferida, pode entrar chutando a porta e roubar a partida do checo, que passou 97% da partida jogando muito bem e o resto não tão bem e às vezes pior.
Foi o que aconteceu, por exemplo, na final de Madrid – seu game de três aces seguidos e duas duplas faltas consecutivas se tornou um clássico inigualável – e hoje na derrota para Nadal. No 2º set, com 4×2 acima e serviço, jogou muito mal dois pontos. No 4×4 repetiu a dose. Poderia ter levado a partida para o 3º set e até ganhar. Mas foi embora mais cedo.
No entanto, para quem é fã do tênis e gosta de assistir boas partidas é um tenista imperdível. Nos faz sonhar com as possibilidades do improvável ao jogar tão reto e tão forte. Joga no constante limite dorisco, alguém que deveria empolgar um público que cresceu assistindo os clips da MTV e filmes como os da série Bourne. Uma ótima e interessante alternativa ao estilo “poupança”, conservador e com o mínimo de risco.
No entanto o tênis, na verdade o esporte, mais verdade ainda a atual sociedade como um todo, adora mesmo o super-vencedor, o que é compreensível mas limitante, sem mencionar a idolatria ao pseudo vencedor, aquele que “vende” uma imagem de sucesso e os idiotas compram sem pensar duas vezes, o que não é o forte deles, anyway.
Thomas Berdych não é nem um nem outro. Não passa de um excelente tenista, com golpes impares, resultados excelentes (para quem discorda pense em um Berdych brasileiro), sem um quilo de carisma, um humor e personalidade um tanto suspeitas, mas com uma namoradinha bonitinha que as câmeras de TV adoram. Ahh, tá de ótimo tamanho.
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Autor: paulocleto Tags: thomaz berdich










