07/11/2009 - 13:07
A Federação Internacional de Tênis comprou a suspensão do Tribunal de Flanders e confirmou a suspensão de um ano aos tenistas belgas Yanina Wickmayer, semifinalista do U.S Open, e em Xavier Malisse.
Como escrevi no post “Rua”, dois dias atrás, isso está me parecendo mais uma mensagem do que qualquer coisa. Os tenistas não foram flagrados em nenhum doping, só não foram encontrados, em três ocasiões, para realizar os testes.
Junto com a mensagem está implícito uma queda de braço entre os atletas e os responsáveis pelo esporte belga.
Suponho que a coisa toda tenha chegado ao ponto de ebulição com a divulgação de Andre Agassi, suas drogas, suas mentiras e suas escapadas. Os belgas são os primeiros a reagir a essa papagaiada do americano, que agora, depois de deitar e rolar, cospe no prato em que se, para que outras se engasguem, emquanto segue seu plano marqueteiro indo à TV, fazendo carinha de coitado e pedindo clemência. Como dissemos antes, o Agassi tem magnífico passado no tênis, que sempre exigiu respeito, mas queria de ter visto ele lavar sua roupa suja, pedir sua clemência, sem necessariamente estar ganhando dinheiro com isso.
Aliás, o espanhol Sergi Brugera já está esperneando que quer a medalha de ouro das Olimpíadas de Atlanta, em 1996, onde foi prata, perdendo na final para o careca embolado. Será que o Fernando Meligeni vai fazer eco e tentar o seu bronze? Com a palavra o Fininho.
Quanto aos belgas, lhes resta apelar, fazer algum tipo de mea culpa, por não terem dado importância às convocações do Tribunal, e deixar clara a mensagem que o mundo mudou e com ele a maneira como os esportistas devem se relacionar com qualquer tipo de droga e a satisfação que devem para o público e, não menos importante, seus adversários.
Desta vez os tenistas perderam.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Feminino, Tênis Masculino
Tags: andre agassi, fernando meligeni, xavier malisse, yanina wickmayer
06/11/2009 - 20:33
Muito mudou em Buenos Aires nos últimos anos. Em especial os argentinos. Provavelmente por mais de uma razão, os hermanos baixaram a bola e estão mais afáveis e simpáticos, para não escrever agradáveis e educados. Não vou entrar na sociologia do fato, fico na constatação – talvez o Martin H., que tem mais ferramentas para tal se anime.
Alguns detalhes chamam a atenção, não por ser importantes, simplesmente por eu estar nas ruas. A economia deles ainda está no início do processo da incorporação do cartão de crédito. Contas de restaurantes podem ser pagas em cartão, boa parte das vezes, mas nem sempre – é bom perguntar antes. O serviço, que nunca vem embutido na conta – como o Brasil, que assumiu de vez esse péssimo e rude hábito, pois induz ao serviço mal feito – só pode ser pago “en efectivo”.
Argentinos são extremamente prolixos. É uma viagem ouvir rabos de conversas deles ou mesmo conversar com eles. Não tão rao parece conversa de doido. Eles vão por caminhos que parece não encontrar nexo ou um fim. No final acabam concordando com um sempre presente “claro!!!”
O que pode nos levar à loucura, ou pelo menos nos fazer colocar, literalmente, o pé na merda são os cachorros. O que o pessoal gosta de um cão é brincadeira. Até aí, tudo bem. O duro, o mole seria o mais correto escrever, é que eles não têm o civilizado hábito de carregar aqueles saquinhos plásticos e recolher os rejeitos caninos. Não mesmo. Sem a menor cerimônia, a cachorrada vai se aliviando e os argentinos se quedam com aquela cara de paisagem, como se não fosse com eles. Para não voltar para casa carimbado há que se caminhar com um olho na paisagem e outro no chão.
Como não podia deixar de ser, as mulheres me chamam a atenção. Só que, agora, por razão distinta. Eu sempre vim à Argentina com a expectativa de encontrar, ou pelo menos ver, lindas mulheres pelas ruas. Bem, se elas continuam por aqui, na mesma proporção de antes, devem estar saindo de casa em horário distinto do meu.
Onde estão as mulheres esguias, com calças jeans apertadas, botas, cabelos soltos e bem tratados, rostos interessantes, olhar de “soy más jo”? As argentinas deixaram de ser patricinhas e se tornaram mulheres. Talvez aquelas outras fosse um engodo. Se pensar bem no assunto, o que não faço, os homens também mudaram. Aqueles cabeludos, de eternos blazers” azuis e pintas de galãs de filme argentino, “por supuesto”, também não se vê mais.
Hoje se vê mais os “negros” pelas ruas. Óbvio que não me refiro a negros – só vi dois até agora – e sim aqueles descendentes dos índios, tipo Maradona, que recheiavam as areas menos favorecidas no país e a quem eles se referem, carinhosamente, eu suponho, como “negro”. Pelo sotaque, também parece haver mais latino-americanos por aqui do que antes.
Os argentinos continuam se indignando muito mais do que nós, o que nos deveria servir de exemplo e inspiração. Odeio essa coisa do brasileiro virar a outra face para tudo de errado que fazem conosco – de políticos sem vergonha a imbecis que param os carros na calçada como se os pedestres fossem lixo. Por isso não entendo como por aqui o pedestre segue sendo invisível. Você que tente entrar na frente de um carro ou, pior, de um ônibus, para atravessar a rua.
Fora isso, a cidade continua extremamente interessante de se passear. Pela diversidade, pela arquitetura, pelo verde, pela dramaticidade, pelo equilíbrio da provincia com a metrópole, assim como das pequenas ruas arborizadas com as enormes avenidas, todas repletas de plátanos, pela hospitalidade de se caminhar, pelas livrarias e os cafés. Pelos argentinos nas ruas, menos pesado e, apesar das eternas dificuldades que de maneira perene assolam o país, mais de bem com a vida.
Mas o que salta aos olhos é a simpatia ou, no mínimo, a ausência de antipatia que eles mostram com os hermanos do norte. O que me deixa contente, pois sempre fui fã dos argentinos e incomodava a maneira como se comportavam conosco. Gosto daqui e gosto, agora ainda mais, deles. E cá entre nós, que bela cidade é Buenos Aires.
Buenos Aires aos meus pés.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Minhas aventuras
Tags: buenos aires
05/11/2009 - 23:14
Esse negócio de teste anti-doping está virando o samba do crioulo doido. Eu nem sei mais quem manda no que e em quem.
A última notícia é que a jovem, 20 anos, semifinalista do U.S. Open, a belga Yanina Wickmayer, foi suspensa um ano pelo Tribunal Belga de Anti-Doping. O que vale isso eu não sei, já que ela pode apelar e, aí o mais estranho, quem coordena os exames do circuito feminino é a FIT, que não declarou nada ainda, pois não foi notificada pelo tribunal belga. Esse caso vai longe.
A tenista não foi pega em nenhum teste, o que parece ser o problema. Os belgas alegam que ela não foi localizada para realizar três testes realizados por eles no prazo de 18 meses. Vale lembrar que nesse prazo ela passou por vários testes no circuito feminino, inclusive no U.S. Open. O torneio ainda não se manifestou.
Yanina alega que teve problema com sua senha no site para acompanhar os pedidos de exame e que as cartas registradas para sua residência não foram assinadas porque estava viajando para torneios. Sei.
Outro belga, Xavier Malisse, foi suspenso pelo mesmo motivo e pelo mesmo período. Parece que o Tribunal Belga está querendo mandar uma mensagem a seus atletas, que, parece, não o estavam levando a sério.
Outros tenistas – como Murray e Nadal – já reclamaram duramente sobre horários e procedimentos para os exames da WADA. Parece que eles têm que estar à disposição 24hs, sete dias por semana, todos os meses, em hotéis ou em casa. E se o pessoal da WADA não os encontrar o problema é deles. É como se a sua mulher impusesse o sistema “eu ligo pra você, se você não atender é porque está fazendo coisa errada. Rua!”.
Alooou!! Yanina?! Onde está você? Suspensa!
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Feminino, Tênis Masculino
Tags: andy murray, rafa nadal, yanina wickmayer
05/11/2009 - 01:49
A desavença entre a Federação Francesa, a prefeitura de Paris e os vizinhos do Estádio de Roland Garros é antiga. Nos anos 20 a FFT conseguiu da prefeitura o terreno para construir o Estádio Roland Garros – maiores detalhes vocês encontram no meu livro Gustavo Kuerten e Roland Garros – Uma história de Amor. Alguns anos atrás, após muita discussão, a FFT conseguiu que a prefeitura cedesse mais um terreno para a ampliação, já contra a vontade dos vizinhos, onde foram construídas as Quadra Suzanne Lenglen e todas as atuais quadras de treino.
Agora, a FFT quer mais um terreno, para construir a Quadra Coberta. A prefeitura atual disse que não, após um acerto entre o antigo presidente da FFT e o ex-prefeito.
Há muita gente querendo melar o acordo. A nova quadra seria há 500m da atual Quadra Central, já nas margens do Bois de Boulogne, o maior parque da cidade. O pessoal do meio-ambiente da Assembléia local não quer nem ouvir falar no assunto. Os vizinhos, e são muitos, também não. A vida deles vira um inferno durante o evento.
Uma das coisas que a FFT quer fazer também é acabar com evento em Bercy – jogado a semana que vem no Maracanazinho de Paris – e passá-lo para a futura quadra coberta em RG. Seria ótimo para o evento, que o último dos Masters 1000 da temporada.
A FFT se vê contra a parede, contra o relógio e decidiu agora partir para as ameaças, chantagens e blefe. Diz que se o terreno não for entregue há chances de abandonarem o local por outro, que teria que ser obrigatoriamente fora de Paris, o que eles esperam sensibilize a opinião pública – o evento é adorado em Paris.
Há a última opção, que não é a que eles gostariam, de cobrir a atual Quadra Central. A questão é que eles injetaram milhões há menos de 10 anos, construindo (vejam o livro) novas arquibancadas, vestiários, locais para TV etc e “esqueceram” a cobertura de fora. A novela está longe de terminada.

O projeto de Marc Mimram para a nova quadra coberta de Roland Garros.
Autor: paulocleto - Categoria(s): História
Tags: bercy, roland garros
04/11/2009 - 13:00
A exibição da Maria Sharapova com a argentina Gisela Dulko em Buenos Aires, que seria realizada no BALT em Dezembro, já foi cancelada. A razão não foi divulgada, mas sabe-se que foi financeiro. Havia uma expectativa, primeiro porque a grandona causa expectativas em qualquer lugar, segundo porque Dulko a bateu este ano.
Pelo o que sei, as exibições de Maria no Chile e no Brasil continuam de pé. Devem ter balançado, porque uma coisa é a russa vir para a América do Sul para três datas, outra para duas – menos dólares. Menos dólares é sempre um problema para excursões caça-níqueis.
Pelo o que ouvi, no Brasil, Sharapova vai ajudar vender lotes de algum loteamento no interior de São Paulo, enfrentando a mesma Dulko. Poderia enfrentar a D. Ruth ou a Maysa que venderia, ou não, igual. Ou alguém por aí vai sair de casa para ver a namorada do Gonzalez, que sequer ouviram falar?
Também pelo o que entendi, o evento será fechado e restrito a possíveis compradores e formadores de opinião, o que vai deixar a maioria dos fãs brasileiros sem um presente de natal diferente e serve para aumentar a pecha de elitismo do nosso esporte.
Maria de presente.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Masculino
Tags: maria sharapova
03/11/2009 - 00:32
Uma das razões pela qual eu sonhava em terminar minha carreira de técnico eram as viagens de avião. E os aeroportos. Dois infernos que pensei me acompanhariam pelo resto dos meus dias.
Cheguei a voar cerca de 80 vôos anuais, o que eu considero acima de qualquer medida de bom senso. E se eu estava voando isso, os tenistas profissionais não estão muito longe. Podem acreditar, essa é a principal razão, ouvida da boca de inúmeros deles, para abreviarem o dia da aposentadoria.
Com os anos, cheguei a estressar de vez a só poder entrar em avião após tomar uma “panterinha”, apelido dado à pílula mágica, por um amigo tenista, pela sua cor rosa. Sorte que não tive que encarar exames antidoping e não passar pela vergonha que o careca deve estar passando, para aliviar a consciência e aumentar a conta no banco. Mas eu, que não sou bobo, louco ou viciado sempre tive a supervisão de um médico.
Aliás, li algumas outras partes do livro da careca de Las Vegas e adianto que serei um dos que irão morrer com os U$29,99, ou o que seja, a não ser que uma alma generosa me ofereça um de presente. O livro promete, e não estou me referindo às partes que falam se suas aventuras com drogas. Deve ter muita coisa interessante por lá.
No entanto, duvido que a minha pastilhinha estivesse na lista negra, já que jogar tênis naquelas condições não é exatamente adequado. Era como se uma mão invisível invadisse minhas entranhas e tirasse aquela ansiedade torturante, amainando a angustia da percepção da mortalidade eminente, ao mesmo tempo que me deixava com zero espírito competitivo, faceta obrigatórias em um jogador.
Conheci vários tenistas que começaram a carreira indo para o aeroporto cheios de energias, sonhos e boas expectativas. Com as infindáveis horas passadas a 10.000m, os intermináveis momentos de ansiedade causados pela incerteza de se conseguiriam vôo para a próxima cidade, já que o tenista não fica um dia sequer na cidade após perder, filas, check-in, turbulências, noites mal dormidas, refeições horríveis, bagagens extraviadas, vôos lotados e sem lugar e um universo de imponderáveis que inferizam a vida, os tenistas literalmente sonham com o dia em que só viajarão a passeio. Isso para não mencionar quartos de hotéis, clubes, e eternidades longe da família e amigos.
Como técnico, passei quase duas décadas nesse turismo forçado. Por conta disso, atualmente só me comprometo com viagens onde o passeio e a descobertas de novos lugares sejam as prioridades. Podem até ser lugares já conhecidos, só que agora apreciados sob um novo ponto de vista.
Este fim-de-semana subi em um avião em Guarulhos sem sequer saber se ainda tenho alguma “panterinha” na gaveta do banheiro. O vôo longo foi longo o bastante para assistir The taking of Pelham 123 – um filme que adorei ver o original no início dos anos 70 e me deixou então na beirada do assento, algo que o atual, mais fraco, não conseguiu fazer.
O destino, Buenos Aires, onde, como não poderia deixar de ser, tive inúmeras experiências dentro e fora do tênis. Isso fica para outra hora. O foco hoje é outro, apesar de que pretendo bater minhas bolinhas em um clube no Parque de Palermo. Enquanto isso, se os leitores tiverem algumas dicas da hora, o espaço dos comentários está aí para isso.
O filme melhor então, os vôos melhor agora.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Minhas aventuras
Tags: aeroportos, andre agassi, buenos aires, estresse
02/11/2009 - 01:52
Algumas máximas tenisticas iluminaram minha carreira como treinador e a maioria delas seguem sendo atual. Uma, que já tive a oportunidade de colocar aqui no blog diz que um tenista de personalidade faz questão de vencer em casa. Um bom jogador consegue realizar a tarefa.
Sendo assim, após alguns deslizes, o de mais triste memória o último confronto de Copa Davis, fico contente em ver Thomaz Bellucci entrar na elite dos 40 melhores do mundo graças a um título conquistado em casa.
Não só isso, mas também em realizá-lo de uma maneira não tão fácil nem tão certa – jogando um torneio na terra, após chegar a uma semifinal no carpeta coberto, dois pisos tão distintos, com 4 horas de fuso horário e uma viagem de 13 hs a 10.000m de altura.
A grande duvida era se Thomaz sobreviveria as duas primeiras rodadas, as mais árduas nessas circunstâncias. Com essas vitórias veio o ritmo do torneio e a adaptação, o que garanto não é tarefa simples. Além do piso lento, as bolas usadas – Babolat – estavam extremamente pesadas e lentas, o que roubava a vantagem do grande sacador, a principal característica do brasileiro.
Mas Thomaz era um homem em uma missão. Ele queria jogar bem e vencer. Além de jogar em casa, era o último evento do ano. Imagino que ele tinha algo a mostrar a algumas pessoas, o que sempre é uma poderosa motivação, sem falar de alguns fiapos presos na garganta.

Frieza e confiança na sua arte
Mais do que fiapos veio um ossinho incomodo, daqueles de roubar o prazer do jantar e nos fazer engasgar. A final foi contra seu “pai”, o tarimbado equatoriano Nicolas Lapentti, que tantas tristes memórias nos traz.
Por sorte, desta vez Thomaz não teve ninguém em seus ouvidos murmurando inócuos gritos de motivação, daquelas pérolas que só algum mestrado de psicologia de botequim deve ensinar. Seu técnico, João Swetch, não faz o tipo intelectual de periferia, nem tenta parecer mais do que é. João ficou sentado nas arquibancadas, ao lado do bruxo Roberto Marcher, a quem permite uma ou outra pitada de sabedoria, mesclada com doses de delírios de quem têm mais informação do que geralmente pode digerir.
De qualquer maneira, Thomaz desta vez mostrou estar preparado para a tarefa. Com a frieza de um “sushi man” com sua Masamoto na mão, ele soube utilizar seu instrumento de trabalho com a confiança necessária para realizar o dever de casa e poder então se recolher à deliciosa e merecida férias que o aguarda, imediatamente antes do mais árduo momento de uma temporada. A Preparação.
O rapaz está entre os 40 melhores, 37 talvez, do mundo, o que lhe dará confiança e motivação para a próxima tarefa. Só espero que ainda exista uma boa dose de insatisfação em seu coração.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Masculino
Tags: thomaz bellucci
01/11/2009 - 11:15
O resultado da final do Masters de Doha não importa. Acho que depois do papelão em Nova York, as irmãs queriam enviar uma mensagem ao mundo. Dá para dizer que conseguiram. Quando querem, são as melhores do circuito. Em termos de jogadoras/competidoras estão em categoria acima do resto. E Serena conseguiu fechar a temporada como #1 do ranking. Dinara foi procurar um psicólogo.
Caroline Wosniacki também mandou a mensagem dela. Um tanto ambígua, mas mandou. Mesmo capengando, chegou à semifinal, onde, mais uma vez, abandonou. Na partida contra a Zvonareva chegou a chorar em quadra, por conta de dores na coxa. Mas contra Serena abandonou por uma contusão no abdômen. A menina está baleada. Aliás, o que têm de gente baleada no circuito – feminino e masculino – é brincadeira. Isso é assunto para outro post.
Quem espero tenha pegado a mensagem é a WTA, e por tabela a ATP. Esse negócio, e essa é a expressão mais correta, de fazer grandes eventos em países sem nenhuma tradição no tênis, só porque eles acenam com um checão de dólares na cara de executivos que só enxergam números no papel, uma hora tem que acabar. As arquibancadas em Doha estavam vazias, cheias de gente que não entende lhufas de tênis. Fica aquela coisa estranha – o melhor tênis do mundo em quadra, para um público que pouco sabe apreciar. Mas o bolso de todos os envolvidos cheios.

As irmãs Williams passam sua mensagem em Doha.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Tênis Masculino
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30/10/2009 - 14:00
Os jornais começam a publicar as reações dos tenistas sobre a declaração de Andre Agassi e suas “bolinhas” da alegria.
Federer diz estar surpreso e decepcionado e que espera que casos como esse não se repitam. Fiquei na dúvida se não quer que neguinho fique doidão ou se neguinho conte a verdade muito tempo depois. Federer prefere dar ênfase em tudo que Agassi fez de positivo para o tênis, o que é um fato incontestável.
Nadal foi mais claro. Que história é essa de cuspir no prato? Não falou então e agora vem falar e danificar o esporte/tênis? E coloca o dedo na ferida ao apontar que a ATP pisou na bola total acobertando para o americano e que isso é um desrespeito com o resto dos esportistas. Aquelas conversas do Agassi ficar cutucando o espanhol teve volta.
Roddick insiste em dizer que Andre é seu maior ídolo e nada muda isso. Ele diz que só o julga por como ele sempre o tratou e como Agassi mudou o mundo para melhor. Gosto da transparência do Andy.
Boris Becker, que está ali com o Caetano, que tem uma opinião sobre tudo, diz que ainda está tentando descobrir qual a razão por detrás das revelações do rival. Atente que a dúvida não é sobre a razão do cara tomar drogas. Ele concorda que ajudará o americano vender livros. Mas pergunta por que, já que Andre é um homem rico.
Serena diz que sequer sabe o que é “crystal meth” e não tem nada a declarar, a não ser que ela também está lançando um livro. Será que ela vai contar sobre o relacionamento familiar, questões com racismo e o que ela disse para juíza de linha, ou vai falar sobre moda?
Martina Navratilova, a rainha do politicamente correto – ela andava pelo circuito e nas entrevistas com um cachorro de três pernas, coitadinho, para deixar isso bem claro – diz que Agassi é um mentiroso que se livrou da punição. Ele bateu alguns tenistas enquanto deveria estar suspenso – como fica isso? Arrancam os títulos dele? A senhora não alisou.
Até agora não há repercussões de Pete Sampras, o seu maior rival e sempre low profile, e de John McEnroe, o homem que tem a boca do tamanho do mundo. Os dois devem estar pensando bem o que falar.
O comentário mais crú veio de um jornalista; aprecia a honestidade, mesmo que tardia, mas preferia que ela não viesse com a etiqueta de U$29,99, o preço do livro.

Autor: paulocleto - Categoria(s): História, Tênis Masculino
Tags: andre agassi, Federer, Nadal, navratilova, roddick, sampras
28/10/2009 - 13:59
Outro dia mesmo escrevi que Andre Agassi é o maior marqueteiro que o tênis conheceu, só para ser atacado pessoalmente pelos idiotas de plantão. Huumm! Escrevi que a atual volta de Agassi às quadras, após uma longa ausência e a quebra de um projeto imobiliário, tinha algo por trás. O que seria?
O careca lançará no início de Novembro um livro autobiográfico – que deve vender zilhões e colocá-lo em total evidencia, que é onde ele gosta de estar – em parceria com um dos mais conhecidos jornalistas americanos, onde promete divulgar o que nem sempre é divulgado em autobiografias. Especialmente de esportistas.
Pelo o que se sabe, através de trechos publicados na revista “People” no jornal “The Times”, Agassi admite que odiava tênis, por conta do pai que o ameaçava e forçou a jogar desde bem pequeno. Não é o primeiro, nem o último, grande esportista que teve um relacionamento de amor e ódio, no caso mais deste último, com o pai dominador.
Fala também de detalhes cômicos como a peruca que usou durante algum tempo e que deteriorou debaixo do chuveiro de Roland Garros.
Mas o que está dando pano para manga é a divulgação que usou, no período em que seu relacionamento com Brooks Shields estava de mal a pior, uma droga chamada “cristal meth”, algo como “bolinha da pura”, para ficar doidão e sair varrendo os aposentos da casa, limpar a piscina, fazer a cama, jogar golfe, sem mencionar onde estava a mulher. Isso em 1997, pouco antes de fazer sua célebre volta às quadras.
Eventualmente foi pego em exame anti-doping. Conta como escreveu uma carta à ATP, mentindo do começo ao fim, culpando um manager seu, segundo suas próprias palavras. A ATP comprou a mentira e arquivou o caso. Hoje a FIT diz que qualquer pergunta a respeito a ATP que responda. A ATP diz que é um painel que decide e que um único executivo não poderia decidir. Sei.
Na real, segundo Andre, foi o manager que lhe ofereceu a droga pela primeira vez. Na mentira, o manager foi acusado de ter colocado a droga em uma bebida sem seu conhecimento. A ATP acreditou. Vale lembrar que, até pouco mais de um ano atrás, um antigo manager de Agassi era um dos membros do Conselho da ATP – não sei se o mesmo, já que ele usa um nome fictício para o manager envolvido com drogas.
Não sei qual a razão de Andre Agassi divulgar esses detalhes em seu livro. Ele jura que o livro – “Open”- é honesto de uma maneira surpreendente. Não sei o quanto é transparente, já que a vida do rapaz, como a da maioria das pessoas, é cheia de segredos, que nem sempre podem, ou devem, vir a público.
Ele diz que escreveu mais para ajudar as pessoas aprenderem sobre elas mesmas do que para fazer um mea culpa – exatamente o que um especialista em marketing escreveria. Deixo claro que não vejo um “marqueteiro” como alguém ruim ou mentiroso. Só alguém que tem uma habilidade em manipular a mídia e as pessoas para seu proveito, o que, per si, não é nenhum pecado. Pecado seriam mentiras para conseguir o objetivo.
O livro sai em Novembro, enquanto isso ficamos na expectativa quais outras verdades serão divulgadas e se o livro contará a razão da separação com Brooks, esta sim uma bomba.
Andre e sua peruca.
Autor: paulocleto - Categoria(s): Light, Tênis Masculino
Tags: andre agssi, brooks shields
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