Estava dando uma olhada na chave do Aberto do Brasil. Um lado ficou uma baba e o outro uma dureza. A chave de baixo tem o Montanes, Andreev e Cuevas. A de cima tem o Bellucci, Gasquet, Ferrero, Chela e o Hanescu.
Bellucci enfrenta na 1ª rodada o rival Thiago Alves, que adora essas 1as rodadas, em casa e sem pressão, para enfiar a mão em tudo que aparece pela frente – lembrem do Moya. Nas quartas estão na chave do Hanescu, que tem o Melo e o Feijão por perto para surprender. Numa semifinal Thomas enfrentaria o vencedor da chave acima que tem Ferrero (ex numero 1 e campeão de RG) e Gasquet (louco para mostrar serviço), tenistas com muito tênis para mostrar, especialmente no saibro.
Na chave de baixo, Marcos Daniel jogo com um qualy e então com o vencedor de Andreev e Potito Starace, dois tenistas que adoram ver o que a Bahia (ou as baianas) tem. Alias o russo é sempre um perigo em potencial. Mas perde umas partidas incompreensíveis. Por baixo, brigam um bando de azarões como o Montanes, Zeballos, Granolers, Arguello, Hernandes e daí pode sair qualquer um e fazer qualquer coisa. O torneio é de 250, mas a qualidade é grande e a briga boa.
Veja a chave completa: http://www.atpworldtour.com/posting/2010/533/mds.pdf
Thomaz Bellucci campeão em Santiago! E jogou como um campeão. O ponto do jogo: Belucci sacando 1×2, terceiro set, vantagem contra, Monaco chega à rede no revés de Bellucci que, pressionado, executou uma passada cruzada milimetricamente perfeita. Conseguiu manter o serviço e no game seguinte jogou seu melhor tênis, quebrando o saque do argentino, com uma devolução vencedora com seu backhand.
Assisti pela internet, TV chilena, comentado pelo Horacio de La Pena e o Jaime Fillol (quem lembra dos dois?). Agora vou dormir, sonhando com a vitória brasileira e minha viagem à Bahia lá pela quinta-feira. E os agourentos que durmam com o barulho!
Esse negócio de jogo de tênis na TV invadir a madrugada é uma dureza. Após zumbizarem durante o Aberto da Austrália, os fãs brasileiros tiveram que dormir tarde este sábado para acompanhar as peripécias de Thomaz Bellucci em Santiago. E, agravante, a epopéia não terminou. Com a vitória do paulista sobre o chileno Fernando Gonzalez, fica a dúvida como a Bandsport, dona dos direitos, vai lidar com fato jornalistico, pois eles estão programados para mostrar o Super Bowl enquanto o melhor tenista brasileiro disputa uma final internacional.
É, vocês não estão enganados, Bellucci bateu o chileno, tetra campeão do evento, dentro de seu quintal. Não só chega a mais uma final de evento da ATP, como o faz em grande estilo. Não é tarefa a ser desprezada, eliminar o #11 do mundo, no principal torneio de seu país, em sua quadra favorita. A vitória dá uma perspectiva da atual capacidade tenistica do nosso rapaz, que já está entre os 30 melhores do mundo.
Alôôô, cadê aquele bando de agourentos que viviam, de cima de sua infinita ignorância e má vontade, duvidando e metendo o pau no rapaz??
A final será contra o argentino Juan Mônaco, um tenista que adora correr e um jogo de muitas trocas de bola, algo que Bellucci deverá evitar, até pelo seu próprio estilo. A quadra está pesada, mas Santiago está entre 500 a 600 metros; e se chegou até a final as dificuldades não são mais um problema. Além disso, Thomaz está confiante, o que a essa altura do campeonato conta bastante. Especialmente para um tenista cujo estilo de jogo exige uma constante incursão pela perigosa e delicada faixa de risco. E agora?
Se esta semana tivemos quatro brasileiros vencendo primeiras rodadas de torneios da ATP e na semana passada tivemos um juvenil vencendo um GS, para mim a grande notícia é o desempenho do João “Feijão” Souza no ATP de Santiago.
Vindo do qualy, com a vitória de hoje ele chega à semifinal de um ATP pela primeira, e tenho a certeza não última, vez em sua carreira.
Hoje ele bateu o experiente espanhol Alberto Martin por 6/2 6/4, uma vitória de categoria, que o colocou na semifinal do torneio. Ele enfrentará amanhã o vencedor do Juan Monaco e Peter Luczac.
Não vi, mas gostei. Assim foi a vitória do Thomaz Bellucci sobre o chileno Paul Capdeville no Aberto de Santiago do Chile.
Pelo que sei, Thomas foi inconstante e irregular, algo que ainda aflige e atrapalha seu desenvolvimento e suas vitórias. A boa notícia é que agora ele consegue encontrar uma maneira de ganhar essas partidas.
Uma vitória por 7/5 no terceiro set e quase três horas de jogo é sempre uma vitória da perseverança, da força mental, da confiança. Lembram quando Thomaz perdia essas partidas?
A cada evento Bellucci solidifica esse passo em sua carreira, o que é vital e nem sempre fácil. Um próximo passo seria vencer essas mesmas partidas com uma maior facilidade, menos tempo em quadra, menos desgaste dentro do torneio. Bem, como dizia Jack, uma coisa de cada vez.
Recebo um email de uma jornalista com perguntas sobre Thiago Fernandes. A pauta é tão óbvia que achei ser uma oportunidade fazer o post.
Ainda há tempo de se aproveitar os resultados de Kuerten para criar uma nova geração de profissionais com destaque no circuito?
A última conquista de Kuerten foi há seis anos e seu ultimo grande título há nove. Se havia a chance de pegar um empurrão já era. Mas por muitos anos Kuerten será o parâmetro de expectativa de fãs e da imprensa – para o martírio dos tenistas, que ficaram naquela eterna, e verdadeira, mantra de “não quero ser comparado…”, enquanto insistem em “um novo Guga”.
A vitória de Tiago é um fato isolado ou resultado de alguma ingerência da CBT?
Aos 11 anos Tiago começou a treinar com Carlos Chabalgoity em São Paulo, onde o ex-tenista tinha um projeto de desenvolver talentos. Os dois treinavam e viajavam juntos e após a participação de Tiago no Orange Bowl até 14 anos, ele tornou-se o 1º do ranking mundial na categoria, assim como Chapecó havia feito em sua juventude.
Alí a sua personalidade e talentos já davam seus primeiros sinais de existência. O rapaz vinha a São Paulo e ficava na casa do treinador, assim como este ficava em minha casa quando o treinei. Eventualmente, por falta de patrocínio, o projeto de Chabalgoity foi cancelado e Tiago foi para Camburiú na academia de Larry Passos. Onde mesmo entra a CBT?
Caso seja concretizada a negociação entre CBT e a Academia Play Tennis, este CT poderá trazer melhorias para o desenvolvimento para tênis brasileiro?
Um CT é uma renvidicação antiga de tenistas e técnicos brasileiros. Sua realidade deverá abrir uma porta de oportunidades que poderão se tornar realidade, dependendo da maneira e do material humano ali colocado para trabalhar.
Quanto ao fato de Tiago não aceitar o convite do Brasil Open para um lugar na chave principal, e sim no qualy, é uma orientação óbvia de seu treinador. Neste momento foi criada uma enorme expectativa para cima do garoto e sabemos bem como a imprensa é nessas horas. Levanta e, quando o neguinho está todo flutuante, larga.
Um lugar na chave principal pouco acrescentaria à sua carreira e muito poderia atrapalhar. Não é hora, nem necessário o colocar contra os cachorrões. O qualy está de bom tamanho para testar suas armas e lá a pressão será menor, apesar de existente. Se estiver pronto passará pelo qualy, o que trará muito mais à sua carreira do que uma passagem gratuita à chave principal.
A verdadeira questão estratégica é até que momento Tiago disputará os torneios juvenis e como fará a delicada e crucial transição para os torneios profissionais de menor escalão.
Não dá para deixar passar. Quatro brasileiros venceram partidas pela 1ª rodada em torneios da ATP. Em Santiago, Chile, Ricardo Melo bateu o uruguaio Pablo Cuevas, que vem jogando bem, em dois sets. Uma surpresa. Thomas Bellucci passou pelo seu carrasco na Copa Davis, Nicolas Lapentti, o que, espero, não seja mais considerado uma surpresa.
Uma grata surpresa, que também espero deixe de ser em breve, foi a vitória João “Feijão”, que passou pelo qualy e, na 1ª rodada, eliminou Simon Greul, 67# do ranking, sua melhor vitória na carreira.
Para não ficar atrás, mas em outras paragens, Thiago Alves foi à África do Sul e derrotou o ucraniano Oleksandr Dolgopolov em três sets. Não sei se foram as estrelas, alguma inspiração especial ou se o prenuncio de coisas melhores no horizonte, mas o fato, acrescentado à conquista do garoto Thiago Fernandes deixa o nosso mundo do tênis em alegria.
O que eu achei curioso, considerando que o Blog é de tênis, foi a ausência de comentários sobre as estratégias da final masculina do Aberto da Austrália.
O confronto foi extremamente tático no 1º set, quando foi decidido. Após Federer desenrolar o novelo no set inicial a partida “andou”. O 2º set foi um passeio, até pela decepção e frustração de Murray, e o terceiro foi o mais “aberto” pelas circunstâncias e emocional de ambos .
Murray veio com a idéia de amarrar o jogo. Federer veio crente que encontraria uma resposta com o andar da carruagem. Nos primeiros seis games o escocês manteve seu intento. Mas a partir do momento em que o suíço começou a passar bolas para a paralela e declarar aberta a temporada da correria, o jogo se soltou e Roger pode deixar seu talento e habilidades fluir. E aí ele está em casa.
O segundo set foi um show de um homem só.
O terceiro teve a viajada padrão de Federer quando está na frente do placar e Murray invadindo os limites do risco, já que para ele se tornou tudo ou nada. O homem virou um agressor, papel onde ainda se sente desconfortável. Chegou a sacar para fechar e levar a partida para um quarto set, onde a partida, tenho certeza, voltaria a ser amarradinha, como no início do jogo, pelo menos por um tempo.
Murray não conseguiu manter o padrão, o sempre crucial saque o abandonou, os aces e serviços forçados não fizeram sua parte e a oportunidade escapou-lhe pelos dedos. Alea jacta est.
Federer voltou a jogar como antes de 2008 e até melhor. Ninguém (leia-se Nadal) anda maltratando sua esquerda, consequentemente sua confiança, e assim sua direita voltou a ser uma arma de destruição em massa, como diriam os bélicos gringos.
Para quem ainda não prestou atenção, por conta dessa renovada confiança, Federer voltou a ter a capacidade de movimentação e utilizar os “passos de caranguejo” que o possibilitam fugir da esquerda para dizimar de direita. É um demônio de qualquer canto da quadra com aquele petardo. A primeira bola ele talvez alise, uma segunda raramente, mas o padrão, conseqüência da confiança, talento, velocidade e técnica é que jogou na direita dele vai tomar pancada.
E foi isso que aconteceu quando, após cinco ou seis games no jogo, Federer passou a jogar qualquer esquerda na paralela, Murray devolvia na cruzada e começava a apanhar. O escocês até tentou devolver algumas de volta na esquerda do Mestre. Mas aí já era tarde. O cara já estava no delírio da confiança. A direita já estava calibrada. Assim como calibrou o resto.
Abaixo, exemplos de uma arma de Destruição em Massa
Chico Costa não é mais o capitão do time brasileiro da Copa Davis. O fato era incontornável desde a infeliz e indesculpável derrota para o Equador em Porto Alegre.
A divulgação foi feita em momento oportuno pela CBT. Não havia necessidade de anunciar a mudança antes da proximidade do novo confronto, já que o substituto já era conhecido por todos – João Zwetsch.
A entrada de João traduz, primeiro o óbvio, depois a orientação de Emilio Sanchez, o espanhol contratado pela CBT para lhe dizer o óbvio – que não deve haver divisão de comando dentro de um time, algo que os gênios que queriam o poder na CBT pediram durante anos. “Democracia”, diziam eles, sempre se escondendo atrás de palavras nobres para idéias rasas.
Uma necessidade, depois da época em que a CBT e vários de seus “parceiros” passaram um bom tempo afirmando ser um absurdo o capitão da Davis ser o técnico de um dos tenistas do time. Essa “verdade” deixa agora de ser um fato.
A presença de Zwetsch deve trazer novos ares ao time, até pela sua personalidade, distinta da de seu antecessor. João não é dado a falar besteiras como se fosse mais inteligente do que é, entende do jogo, conhece o circuito e os tenistas, não acredito que vá engolir sapos vindos de cima para manter o cargo em detrimento do time e trabalha com o melhor tenista do país na atualidade. Pelo menos tem credenciais.
Foi técnico de jogadores como Luiz Mattar, Jaime Oncins, Carlos Kirmayr e Cássio Motta. Dirigiu a equipe brasileira na Taça Davis durante 17 anos e a equipe olímpica em Seul, Barcelona e Atlanta. Foi chefe da equipe no Panamericano de Winnipeg e técnico de equipes juvenis brasileiras campeãs Sul-Americanos e Mundiais.