A mesma praça

Os mesmos foguetes, o mesmo homem-bomba, as mesmas crises no mundo das finanças, as mesmas capas de revista idiotas (Caetano já perguntou “Quem lê tanta notícia?” e ninguém soube responder), a mesma chuva, que traz as mesmas enchentes, os mesmos-aviões-com-o-mesmo-atraso-nos-mesmos-aeroportos, o mesmo calor insuportável, a mesma espera, a mesma espera, a mesma espera. Sou só eu ou as semanas não estão mesmo passando? Não, as coisas – acredite em mim quando digo que sei – não são as mesmas, mas ao mesmo tempo são e são e são. Onde está o Ronnie Von quando precisamos dele?
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Nada entendo de mecanismos compensatórios, mas não deixa de ser engraçado observar que a falta de atrativos (das mais diversas naturezas) de um cavalheiro, quase sempre é inversamente proporcional à certeza que ele tem que todas as mulheres do planeta estão apaixonadas por ele. Noutras palavras, o cara é chato, feio, tem mau hálito, vida pregressa complicadíssima (filhas ciumentas, ex-mulher psicopata), é velhusco, cheio de manias, desempregado e, certamente, não um Adonis, mas, uau, o que você mais o escuta dizer é ‘eu me afastei dela porque ela estava envolvida demais’.
Hohohoho, o ser humano é divertido de observar.
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A Zélia Gattai morreu dia 17 de maio do ano passado. E antes de ser lembrada como a grande escritora que foi ( e é, né, uma tremenda duma escritora), ela é lembrada como a mulher de Jorge Amado. Já era assim em vida. E quer saber duma? Ela nunca se incomodou. Ela adorava ser a mulher de Jorge Amado, ser reconhecida por isso. Ela nunca teve vergonha de ser companheira dele, nunca. Acho isso muito lindo.
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Mabele e Alexandre na sala de casa.
- A melhor invenção do mundo é o celular.
- Por que, mamãe?
- Porque quando eu me esqueço de comprar alguma coisa, eu ligo pro Helenildo e ele traz.
- Então a maior invenção do mundo é o Helenildo, mamãe.
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As eleições municipais vieram, viram, venceram e se foram (graças a Deus), mas deixaram de lembranças seus secretariados. Ah, os secretariados. Os secretariados.
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Ela me mandou um e-mail muito doce, perguntando por que é que as mulheres fazem essas besteiras, essas escolhas absurdas, esse monte de bobagens. E eu respondi, claro, que se soubesse a resposta tava podre de rica. Nem o velho e bom pai Freud sabia, minha filha, e você quer saber? A gente fica de longe, torcendo… e lamentando, profundamente. Enquanto os outros lamentam por nós, porque nós também só fazemos burrada, como você beeeem sabe.
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“Última Parada: 174″, o filme do Bruno Barreto ficou fora da peneira dos filmes do Oscar. O quê? Não, não vi o filme, nem sei se é bão. Mas torço. Pode ser (é, eu sei) ufanismo babaca, mas eu, que não dou a mínima pra Olimpíadas, campeonatos de tênis, e disputas disto e daquilo (meu marido Alexandre – que além de ser um doce, era um sábio – dizia “Bibi, competição é coisa pra cavalo”), sempre me pego torcendo desvairada pros filmes brasileiros, em qualquer treco que eles concorram.
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Constatar o óbvio é sempre assustador e decepcionante. Não deveria, né, porque, afinal, é o óbvio, meudeusdocéééééu, mas assim é que são as cousas neste reino encantado.
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Risca é área, senhoras, e não cabe recurso.
Mantenham seus narizes limpos, nós nos vemos na sexta. Ah… vamos de Doris Day na sexta-feira? Eu preciso que os anos 50 me redimam e me salvem, mesmo que só um pouquinho.
E desculpem a não-resposta nos comentários (que mesmo sem respostinhas, são lidos e curtidos, vocês sabem disso, né?). Semana que vem, com a vida quase em ordem, retomo minha fazeção de respostas, inclusive cuidando dos comentários desta semana. Palavra.
