Revolução Francesa | Palavras da Fal
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11/09/2009 - 18:14

La vie en rose – I

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Maria Antonieta em 1770, cadim depois de seu casamento, pintada por Wagenschon, que era um craque. Ponha reparo nestes babados, leitor. Precisamos falar sobre moda do século XVIII um dia.

Maria Antonieta em 1770, cadim depois de seu casamento, pintada por Wagenschon, que era um craque. Ponha reparo nestes babados, leitor. Precisamos falar sobre moda do século XVIII um dia.

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O destino de minha filha somente poderá ser completamente grandioso ou muito infeliz. Considero terminados seus dias de alegria” – Maria Teresa, imperatriz da Áustria, mãe de Maria Antonieta, quando a filha vira rainha da França. 

O Rei Carlos VI, da Áustria, da casa real dos Habsburgo, não teve filhos homens. Então, ele muda a lei, para que sua menina, Maria Teresa, possa assumir o trono.

Fez com que o povo de seu país e os governantes de outros países reconhecessem a menina como futura governante, como sua sucessora.

Mas vai daí que Carlos VI morre.

O povo não queria ser governado por uma mulher. E os reis dos outros países queriam pilá um pedaço daquele patezão que era o império herdado pela mocinha: Áustria, Hungria, o norte da Itália (Florença, Mântua e Milão) e a Bélgica. Nada mal.

Maria Teresa assume o trono como Rainha da Boêmia e da Hungria. Aos 19 anos, se casa com Francisco de Lorena, príncipe italiano, um lorde, um santo, calmo até a medula, ela mandava nele pra chuchu.

Quando ela assumiu o trono, explodiram rebeliões em tudo quanto foi canto de seu império. Ela foi lá e brigou. Fez alianças improváveis, mexeu pauzinhos inviáveis, ergueu um exército imbatível e, depois de oito anos de briga, seu comando deixou de ser contestado e ela virou imperatriz daquilo tudo. 

Mas sabendo que, mais cedo ou mais tarde, algum engraçadinho iria encher o saco de novo, Maria Teresa teve um lance genial: fez com que seu pacato marido fosse coroado imperador. Sacaram? Aí nego não ia mais poder dizer que o império era comandado por mulézinha e tale e cousa. Claaaaro que quem mandava era ela, claro. Ela só fingiu ceder o comando ao marido.  

Ao que tudo indica, a vida em família era feliz. A moça era uma coelha e desovou 19 criancinhas em 20 anos. Sim, minha amiga tomadora de pílula, você entendeu bem. Um-por-ano, ou quase.

Desses 19, três morreram na primeira infância.

A 15ª criança a sobreviver foi uma menina.

Maria Antônia Josefina Joana D’Asburgo Lorena nasceu em 2 de novembro de 1755. Quando foi decapitada, 37 anos depois, os franceses a chamavam de Rainha Marie Antoniette. Nós a conhecemos por Maria Antonieta (o caçula da Rainha seria o 16º a sobreviver, e seria o Arcebispo de Colônia). 

O pai de Maria Teresa havia sido um grande músico, e suas crianças também tocavam vários instrumentos. Aliás, em 1762, no Palácio de Hofburg, perante toda a família da Imperatriz Maria Teresa, o menino prodígio de Viena, Mozart, de sete anos, tocou piano ao lado de sua irmãzinha. À certa altura, ele tropeçou e caiu. Maria Antônia, que tinha a mesma idade que ele, ajudou-o a se levantar e ele a pediu em casamento. Quando a Rainha perguntou ao menino por que ele queria se casar com Maria Antonieta, ele respondeu: “Por gratidão”. Num é fofo? Hum-hum. Tá.

A Imperatriz Maria Teresa era autoritária, mandona, dirigia o país com mãos de ferro, mas parece ter sido uma boa mãe, próxima e calorosa, pelo menos até a morte do marido. E o “calorosa” é para os padrões da época, lembrem-se crianças, lembrem-se, século XVIII, o amor materno ainda não havia sido inventado em toda sua glória.

As crianças imperiais quase não comiam carne, viviam à base de fritas, verduras e queijos. Os mais velhos cuidavam dos mais moços e, num tempo em que os aristocratas viam os filhos meia dúzia de vezes por ano, Maria Teresa cuidava deles pessoalmente. 

Em 1765, o imperador Francisco morreu. A imperatriz incluiu seu filho, José, como coregente, e lentamente, foi se afastando dos filhos.

As crianças passam a ser peças políticas importantes, e ela foi casando um por um, fazendo alianças necessárias ao reino.

Foi isso que uniu Maria Antonieta ao rei da França (na época em que eles casaram, ele ainda não era rei), Luís XVI.

Luís XVI, neto de Luís XV, não tinha mais os pais. Eles haviam morrido de tuberculose. O avô trama, com a mãe dela, para ele se casar com Maria Antonieta.

Em 1770, ela chega, aclamada pelo povo, à França.

O povo estava encantado com ela.

O rei, Luís XV? Encantado, oras.

E o futuro rei? A-p-a-v-o-r-a-d-o.

Tolinho.

Na próxima semana, queridos, tem mais.

Cuidem-se, tenham um final de semana lindo, lindo.

Amor

Fal

PS: Indicação de leitura? Claro. Maria Antonieta, a última rainha da França, da  Antonia Fraser, editora Record.

Autor: fal - Categoria(s): Há um tesouro na casa ao lado, Sem categoria Tags: , , ,
10/07/2009 - 20:56

*Noutras palavras sou muito romântico – I

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Há séculos usamos “romantismo”, e todos os seus derivados, como uma espada, como um escudo, como ataque e defesa, como definição para o que é e o que não é “definível”. O que importa é ser romântico, sentir o romantismo, espalhar o romance. Romantismo nos arrasta a conceitos tão vagos quanto ele, hipervalorizados como ele e, como ele, difíceis de definir e enquadrar, tais quais amor, glória, beleza, sedução.

 

É romântico o pagodeiro careca que pede, gemendo e piscando, que você ligue no celular dele, é romântico o final de Casablanca, mesmo que a mocinha e o mocinho não terminem juntos. Romântico também é o papel de carta da Hello Kitty, as almofadas de coração no quarto da menina, a mocinha em “Cantando na Chuva” sacrificando a própria carreira, o Alexandre que me levava sabonetes artesanais num dia de semana sem qualquer motivo aparente.

Tudo isso e o que mais você quiser incluir nessa lista são presentificações de valores que o estilo romântico marcou em nossos corações, a ferro e fogo no século XIX: um certo saudosismo, aquela sensação de que no passado é que era legal, a vida idealizada, o parceiro idealizado, a certeza meio amarga – meio blasé, de que os bons dias de outrora não voltarão, o grande amor que nos redimira a todos e, claro, o final da estória recheado de casamentos, vilões punidos e mulheres grávidas.

Os deliciosos professores Faraco e Moura ensinam que o romantismo pode ser um estado d’alma. E esse tal “estado d’alma” pode aparecer em qualquer época, em qualquer tipo de manifestação artística, em maior ou menor intensidade.

Romantismo, assim, pode designar um estado de espírito, um modo de sensibilidade, de ver a vida, senti-la e reagir a ela.

Mas o Romantismo é também o nome de um movimento artístico.

Ele compreende a tendência geral da arte que era feita do final do século XVIII até meados do século XIX (embora diferentes autores dêem diferentes datas, e me deixem doida).

O Romantismo, quando se fala em estilo de época, é algo que acontece entre o final do século XVIII e meados do século XIX. O termo reina numa atmosfera dramática – amorosa, vasta e ao que parece, inacabável.

A localização histórica do estilo romântico é explicação para quase tudo: na Revolução Francesa em curso, no final do século XVIII, cabeças nobres eram cortadas. Um pouco antes disso os Estados Unidos se libertaram da Inglaterra e criaram o primeiro governo constitucional da América. Na Inglaterra, uma forma de produção sem paralelos transformava o mundo como nada antes o fizera.

Quem é que tem o poder nesse mundo nosso? Quem tem grana, como sempre foi, certas coisas não mudam. E quem tem grana? Acertou, a burguesia.

A burguesia tem padrões diferentes da nobreza que uma porção de sentidos, ainda que admire a nobreza e queira imitá-la também num montão de cousas. A burguesia tem que erguer e alicerçar seu, hohoho, “império”, sobre novos padrões. Seus parâmetros são diferentes, seus objetivos também.  

O estilo Romântico será a expressão artística dessas circunstâncias históricas. Foi um movimento que abraçou com a mesma fúria apaixonada o conservadorismo e o desejo libertário, o ontem e o hoje, as novidades e as fórmulas consagradas, o poder e a revolta. Debaixo do signo romântico, coube, e cabe, de um tudo.

 

Contradição, minha senhora? É claro que sim. O Romantismo foi o movimento das contradições por excelência: sua principal marca é o conflito entre o indivíduo e o mundo, o indivíduo e o Estado, o indivíduo e si mesmo – à medida que o homem romântico não corresponde nem às suas próprias expectativas, nem às suas próprias idealizações. A perplexidade do indivíduo diante do mundo que vê à sua volta a frustração do presente na qual se transformou sua crença no progresso, a vida nova prometida pelas muitas revoluções que não veio: tudo isso se traduziu no estilo romântico como emotividade, saudosismo, pessimismo, valorização da morte e melancolia.

 

 

Opa… emotividade, saudosismo, pessimismo, valorização da morte e melancolia??

Eba.

Sexta-feira que vem, sexta-feira que vem.

 

*frase se Caetano Veloso

**Foto do querido Nelson Biagio Jr.

Autor: fal - Categoria(s): Há um tesouro na casa ao lado Tags: , , , ,
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