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26/08/2009 - 17:57

Todas as coisas do mundo

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Hoje, em 55 a.C., Julio Cesar invadiu a Grã Bretanha, no que fez ele muito bem.

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E o Inmetro vai ficar atento à metragem dos rolos de papel higiênico e à fabricação de panelas de pressão. Também faz bem, seu Inmetro, papel higiênico é coisa séria, e panela de pressão é coisa séria e apavorante. Tenho pavor de panelas de pressão.

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A empresa de televisão a cabo Sky primeiro corta o sinal do assinante e, depois, quando o tonto, quero dizer, o assinante, liga desesperado, já imaginando mirabolantes problemas com o débito automático, informa que está realizando um “recadastramento” e que enquanto o marreco não enviar por fax RG e comprovante de endereço, não devolve o sinal. Isso é sequestro e outras coisas piores, que só o PROCON e o bem torneado corpo jurídico da criatura poderão resolver.

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‘A intimidade gera desprezo’, plagiava meu pai.

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Esponjas e pincéis de maquiagem são coisas importantíssimas, não sei onde eu andava com a cabeça, meu Deus. Mas ainda é tempo, estou estudando o assunto e comprando um monte.

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Existe um céu especial para o cara que inventou o bombom com creme de menta.

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Esse trem todo receitafederal&senado&cartõesvermelhos&gente-que-sai-dum-pra-cair-noutro cansou só a mim ou vocês também estão com vontade de sair correndo e gritando?

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Terminar um livro é uma satisfação enorme. Não se sabe se a editora vai querer, não se sabe quanto tempo ele demora para sair, não se sabe quase nada, sejamos francos. Mas é uma felicidade.

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Desde sempre e, para sempre, meu blog favorito no mundo.

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Cheiro de café. Mamãe ataca de novo, Deus abençoe. Vou lá.

 

 

 

Autor: fal - Categoria(s): No olho do furacão Tags: , , , , , , ,
19/12/2008 - 15:07

Filmes. Filmes de Natal.

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Era uma infância encantada. E não, não são meus olhos, os olhos da meninazinha de tranças, que morava numa casa às margens da represa Billings, com cães enormes, cavalos lindos e lobisomem de verdade no quintal. Mesmo os adultos que nos freqüentavam na época, achavam que era um conto de fadas, pelo menos no Natal.
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No resto do ano tínhamos lá nossos cantos escuros, nossas dores, nossas incertezas.
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Durante a época do Natal, porém,  morávamos não na oficina, mas na casa de campo do Pai Natal (nossos livros de tecido eram escritos em português de Portugal, Papai Noel era Pai Natal para as crianças Vitiello). O comunismo da minha mãe só durava de janeiro a novembro, e em dezembro ela se transformava na mais burguesa das mãezinhas de classe média, e fazia biscoitos em formato de estrelinha, e acendia as quatro velas do advento, e decorava a casa toda numa fúria verde-e-vermelha que se mantém até hoje, ainda que o Natal não seja mais o que era, ainda que a meninazinha de tranças dela tenha virado uma velha senhora cínica, que revira os olhos e geme “Tá, mãe, pra mim qualquer coisa tá boa”.
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Em dezembro, as caixas com enfeites, guirlandas e bolinhas, desciam, tomavam a sala toda e a arrumação começava. Minha mãe arrumava tudo sozinha. Passávamos várias tardes úmidas (com a delícia adicional de não termos nos anos 70, época abençoada, essa aberração aos olhos do Senhor chamada horário de verão. Então, a tarde virava noite e o escuro chegava na hora em que deveria mesmo chegar); ela, revirando caixas, arrumando e contando histórias; eu, sentada na enorme poltrona de camurça cinza do meu velho, tomando gemada (com uma beiradinha de conhaque, de quando em vez, não duvide), vendo minha mãe arrumar as coisas que brilhavam, cochilando (pô, conhaque!) e vendo televisão.
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Ah, sim, fim de ano, com o comunismo diluído na corrente sanguínea, minha mãe dava uma liberadinha na tevê.
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E o que eu via? Todos os anos, senhoras e senhores, e quem foi criança na década de 70 não me deixará mentir sozinha, Um dia de sol, de  Joseph Sargeant, feito em 1973. Sim, sim, sim, com direito ao John Denver cantando que o sunshine on my shoulders make me happy. A história era uma desgraceira: amores não correspondidos, mãe com câncer, menininha órfã e tal; mas, no final, o amor verdadeiro triunfava, a árvore da minha mamãe ficava linda, o conhaquinho me deixava balão (leitorzins, minha mãe não me embebedava – bem, não muito – não fiquem com uma idéia errada), mas o fato é que ver a reprise desse filme vagabundo e meloso, todo santo ano, era o que me colocava no clima de Natal. Tantos prazeres juntos, tantas coisas gostosas e felizes, embaladas pela voz da minha mãe,  relembravam-me que vinha por aí um mês de delícias, de promessas cumpridas, de laços de fita vermelhos, de sabonetes dentro das meias (minha mãe enchia nossas meias penduradas de sabonetes, não é fofo?). Eu amava o Natal, amava aquela família, amava aqueles cães e cavalos, e barco a remo (mesmo tendo medo dele) e o lobisomem que morava no quintal (mesmo tendo pavor dele). Eu amava aquela vida. Eu amava o Natal.
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O mundo gira, a Lusitana roda, o Natal não é mais o que costumava ser (mas, e o que é?) e nem meu filmim vagabundo é reprisado, embora eu ainda navegue no conhaque. Mas é dezembro, eu faço pacotes coloridos para meus quatro sobrinhos que moram longe com as belas coisas compradas na loja da Sandra e, enquanto isso, pergunto aos que amo, que filme faz ou fazia por eles, o que o filme das desgracinhas fazia por mim: que filme traz o Natal até você, ainda que não fale especificamente dessa festa? Que filme embala seus sonhos natalinos, que filme bota você no clima?
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Recebi mais de cem e-mails e recados falando sobre filmes. Somos todos encantados pela mágica que faz a fotografia – ela mesma, mágica absoluta –  ganhar vida e se mexer, mudando para sempre nosso mundo. Todos amamos filmes, todos temos nossas existências marcadas e demarcadas por eles. Vou mencionar apenas algumas das pessoas recebidas, agradecendo de coração a todo mundo que me ajudou a lembrar que o mundo, o nosso mundo, é tão maior, tão maior.
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“A Felicidade não se compra” do Frank Capra é o clássico dos clássicos, lembrado com carinho pela Pati Linden, o Ig, pela Susana e pelo Freitas.
Para a Valentina, 8 anos, filha da Káthia, “O Expresso Polar” é o campeão, ano após ano. E pra filha da Katiane também.
“A Noviça Rebelde” leva o coração da Deh e da Carol.
Gi Jardim lembrou de um que eu amo, porque eu amo tudo que o Bill Murray faz (a Anunciação, gosto impecável, também ama): “Os Fantasmas contra-atacam”. A música do final é sensacional, né meninas?
A Pati Azevedo gosta de “A rena do nariz vermelho”, a Carolina gosta de Sobrevivendo ao Natal”.
O Francisco, que costuma passar o Natal vendo filmes, muitos filmes, lembrou de uma das melhores comédias que a W. Goldberg já fez na vida: O Sócio, de 1996. Filmão, comédia rasgada, cheia de virada e com a Whoopi impecável. Bela lembrança.
A Gi gosta do Tio Patinhas no papel de Scrooge em “Contos de Natal do Mickey”.
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A Iolene gosta dum monte, de Outono em Nova Iorque a Milagre na Rua 34 (que a Laura Andréia também ama muito); passando pelo “O Estranho Mundo de Jack”, lembrado por várias pessoas. Ah, e ela foi a única que se lembrou de Mensagem para você”, filme totalmente cara de Natal, né?
A Alix, que é muito chique, gosta do “Le Pere Noel est une ordure”, de 1982. “… é o máximo de filme de Natal, originalmente uma peça de teatro que podia durar de 2 a 6h conforme o entusiasmo dos atores e o delírio da platéia!”. Hum. Eu preciso ver esse.
A Tina Lopes e a Maira Tomazzi, do mesmo:  “Uma História de Natal”, porque é engraçado e leve, e faz rir ao invés de chorar.

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O Carlão lembrou de vários, todos eles muito bons, mas de um que me é particularmente caro: “Contos de Nova Iorque”… é lindo, lindo. O Neutron e o Fabinho gostam de “Esqueceram de Mim”, sãos uns lindos, esses meninos.
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Teve um campeão de cartas e eu vou citar apenas alguns dos que elegeram esse filme como a delícia de Natal (ao todo, ele foi citado por 73 pessoinhas na minha pesquisa): Inessa, Rosinha, Sônia, Bela, Magá, Pablo, Bia, três Denises diferentes, Silvana, Ângela, Kika, Carmem, Patrícia, Susana, Isabela, Sílvia, Carla, Simone e mais, muito mais gente, escolhe “Simplesmente Amor” como seu filme favorito de Natal, pela magia, pela beleza, pela capacidade de nos fazer sonhar, pelos encontros, pela graça, pelo humor e pelo Rodrigo Santoro de cueca.
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E eu fico aqui, pensando que a cereja do bolo, quem tem mesmo razão, é meu amado, amado amigo Cláudio Luiz, que declara que “filme bom de Natal, Fal, é aquele que tem final feliz”.
Um beijo, queridos. Até segunda.

 

PS: Os comentários de vocês na coluna passada, sobre o que fica de 2008 estão de partir do coração

Autor: fal - Categoria(s): Há um tesouro na casa ao lado Tags: , , , , , , , , , ,
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