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23/03/2009 - 01:36

Baco – II

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Baco não canta “Adiós Muchachos” quando está bêbado.

Baco não sabe a diferença entre “pez” e “pescado”, mas Baco gosta de comer os dois.

Baco nunca comeu salada de tomate.

Baco não é a estrela de Belém.

Baco não sabe quem foi Ptolomeu.

Baco não sabe o que é o Primium Mobile.

Baco não é El Jefe

Baco não foi introduzido pelos árabes no norte da África.

Baco não é membro da gangue salvadorenha “La Vida Mala”.

Baco não sabe qual é a temperatura de Dublin em janeiro.

Baco adora bacon e não tem pena do porquinho.

Baco não tem panelas de inox.

Baco não tem conta no banco.

Baco não sabe que Rodin morreu aos 90 anos, ainda trabalhando.

Baco não sabe o que é anarco-sindicalismo.

Baco não veio da região da Toscana.

A laranja tem cálcio, fósforo, potássio, vitaminas do complexo B, vitaminas A e C, criptoxantina, ácido cítrico e pectina, mas Baco não sabe disso.

Baco nunca comeu Red Angus Beef, ostras, tiramissu, pato com laranja, feijão-manteiga, risoto de alho poró, aspargo, vagem, endívia, durião, amêndoas filetadas, repolho roxo, ovos benedict, javali, champignons, savarin, peach melba, frangipani ou sachertorte.

Baco não sabe onde fica o lago Tanganica.

Baco não comete atos falhos.

Baco não está procurando atingir o Nirvana.

Baco não possui conhecimentos técnicos especializados.

O equilíbrio entre a estrutura racional e ideal não foi preconizado por Baco.

Baco nunca viu um Caititu.

Não foi Baco quem publicou em 1798 a primeira obra em português sobre economia política.

Baco não é defensor do legalismo e da centralização do poder.

Baco não proporciona interpretações da derivada.

Baco não pertence à família dos bovídeos e fim de papo.

Baco nunca integrou a cavalaria medieval.

Baco não morreu em Guildford, Surrey, em 14 de janeiro de 1898.

Baco não se tornou escasso em todo o mundo, a partir do século XVI.

Baco nunca foi apoiado pelos lombardos.

Baco adora mexerica.Baco não é objeto de intenso comércio sendo, inclusive cotado nas bolsas mundiais.

O casamento entre Baco e Maria de Borgonha, não levou a uma acentuada ampliação do território.

Em 1826, Baco não comprovou que a borracha é um hidrocarboneto, assim como a gasolina, o gás natural e o querosene.

Baco não é uma estrofe curta inserida nos versos de um salmo.

Baco não fala espanhol.

 

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
26/12/2008 - 07:32

Entre mortos e feridos

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A gata natalina da Carol

Querida Lígia:
Estou aqui. E sobrevivi, claro. Sempre sobrevivo, Lígia, você sabe. De um jeito ou de outro. Deve ter barata no meu DNA, não é possível. Já posso me ver, depois da Grande Guerra Nuclear, abobada e meio cegueta, vagando sozinha entre as pilhas de entulho. Você riu, né? Adoro fazer você rir. Do nosso pessoal, entre mortos e feridos, todos parecem ter se salvado também (mesmo achando esse ditado uma idiotice – se houve algum morto, como todos podem ter se salvado? – uso e adoro). A Cé encontrou com todo mundo que ela odeia (essa parece ser uma das especialidades do Natal, Lígia, botar a gente em contato com os parentes mais nojentos que nós temos) e, para se fazer um agradinho, mergulhou no bolo de nozes. Fez ela muito bem. A Carol, na França, com aquele maridinho amado, comeu casquinha de siri, riu e namorou. A gente respira fundo e tenta não odiar a Carol. A Gi foi pra casa do irmão e ficou firme. A Anna Bárbara passou um Natal não-natalino com a família bonita que tem, numa clara demonstração de bom senso. Adoro a Anna Bárbara e você ficaria louca com ela. A Rose ficou quieta na torre, nem passou pela sala, de camisola, para fazer pratinho, olha que santa? A Dani P., que não gosta de Natal, participou da encenação, cumpriu o papel dela no lenga-lenga e sonhou com um Natal diferente. Ah, Lígia, eu também. Também sonhei.  A Katia, pessoa de bom coração, encheu a sala dela de balões depois que as crianças foram dormir (vivo encantada com as tradições de cada família), acreditou em Papai Noel a cada minuto e foi a pessoa boa que ela sempre é. A Nanda passou quietinha, em casa, a Nenéia  passou na casa dos outros, mas também quietinha, pra não fazer marola. A Nenéia não é nada boba. A Ângela acordou de ressaca. A Margot se emocionou com as coisas pequenas, a Laura Andreia se comportou e esperou passar, a Ludmyla – que não passava o Natal em casa há cinco anos – ficou com a mãe e viu filmes na tevê, a Paula Clarice já sabia exatamente como ia ser mas se divertiu mesmo assim. Quem mais, Lígia? Ah, a Anunciação viu o pai, de 90 anos, abrir os presentes com felicidade de menino e se emocionou muitíssimo. Nossa Silvinha, que já havia providenciado Papai Noel particular para a Isa (a Isa está enorme, você iria desmaiar de susto), depois, com a família toda, jantou a comida maravilhosa da dona Leda. O Elísio, o Otávio e o Rui passaram dormindo, meus meninos sabidos. A Maloca passou com as irmãs e a Mãe e os muitos sobrinhos, sobrinhos-netos e vizinhos da irmã, entre jogos de tômbola e truco, entre javali e carneiro assado, entre as promessas de 2009. A Mari passou sozinha e bem consigo mesma, o Claudinho passou só e na melhor companhia do mundo (ele tem me escrito tão lindo, Lígia). A Catarina, para quem o Natal tem a ver com Jesus e não com presentes e Papai Noel, foi a duas missas e depois foi para casa e rezou até dormir. A Alline passou feliz, entre as tradições da família do marido. O Gigio, aquele amado, até que gosta de Natal e Ano-Novo, mas declarou que nem sempre participa, o que eu achei sensacional. A Ana descobriu, de novo, como são maravilhosos os filhos que ela tem. A Isa, depois de muitos anos, passou com os pais, bebeu vinho tinto e se calou, não para deixar de  arrumar confusão, mas porque ela sabe que só nos atinge o que permitimos que nos alcance. Eu, que não sou e nem nunca serei tão sábia quanto a Isa, me deixei ser atingida, ah, Lígia, eu me deixei pegar. E um alvo do meu tamanho, vamos combinar, é difícil de errar. Eu me deixei ser alvejada e, também por isso, passei uma véspera de Natal pequena e quieta. E muito, muito triste, ainda que… bem. Eu estava triste, mas estava bem, dá pra entender, Lígia? Pensei demais em você, nos Natais que nunca tivemos, pensei em Alexandre, em todos os Natais que tivemos, em todos os que nunca teremos, pensei nas minhas escolhas, todas, todas elas, que me trouxeram até aqui e nos meus mecanismos de sobrevivência. Só pensei, né, Lígia, minha especialidade, muitos pensamentos (todos tortos), pouca ação. Chorei um pouco, abracei o cachorro, à meia-noite desejei feliz natal para a Silvana pelo msn, ela que, em Porto Alegre, parece estar (quase) nas mesmas condições de temperatura e pressão que eu. Dormi depois, um sono curto, sem sonhos, quase sem ar, um sono que você costumava chamar de “instante”, lembra,quando você me ligava e dizia “Fal, eu dormi um instante”.

E foi isso, Lígia. Lamentei demais você não estar aqui, Alexandre não estar aqui. Lamentei estar aqui.
Sigo amando você, pensando e sonhando com você, com os Natais que nunca tivemos, os Natais que eu nunca terei.
eu

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags: , , , , , , , ,
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