La vie en rose – I

Maria Antonieta em 1770, cadim depois de seu casamento, pintada por Wagenschon, que era um craque. Ponha reparo nestes babados, leitor. Precisamos falar sobre moda do século XVIII um dia.
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“O destino de minha filha somente poderá ser completamente grandioso ou muito infeliz. Considero terminados seus dias de alegria” – Maria Teresa, imperatriz da Áustria, mãe de Maria Antonieta, quando a filha vira rainha da França.
O Rei Carlos VI, da Áustria, da casa real dos Habsburgo, não teve filhos homens. Então, ele muda a lei, para que sua menina, Maria Teresa, possa assumir o trono.
Fez com que o povo de seu país e os governantes de outros países reconhecessem a menina como futura governante, como sua sucessora.
Mas vai daí que Carlos VI morre.
O povo não queria ser governado por uma mulher. E os reis dos outros países queriam pilá um pedaço daquele patezão que era o império herdado pela mocinha: Áustria, Hungria, o norte da Itália (Florença, Mântua e Milão) e a Bélgica. Nada mal.
Maria Teresa assume o trono como Rainha da Boêmia e da Hungria. Aos 19 anos, se casa com Francisco de Lorena, príncipe italiano, um lorde, um santo, calmo até a medula, ela mandava nele pra chuchu.
Quando ela assumiu o trono, explodiram rebeliões em tudo quanto foi canto de seu império. Ela foi lá e brigou. Fez alianças improváveis, mexeu pauzinhos inviáveis, ergueu um exército imbatível e, depois de oito anos de briga, seu comando deixou de ser contestado e ela virou imperatriz daquilo tudo.
Mas sabendo que, mais cedo ou mais tarde, algum engraçadinho iria encher o saco de novo, Maria Teresa teve um lance genial: fez com que seu pacato marido fosse coroado imperador. Sacaram? Aí nego não ia mais poder dizer que o império era comandado por mulézinha e tale e cousa. Claaaaro que quem mandava era ela, claro. Ela só fingiu ceder o comando ao marido.
Ao que tudo indica, a vida em família era feliz. A moça era uma coelha e desovou 19 criancinhas em 20 anos. Sim, minha amiga tomadora de pílula, você entendeu bem. Um-por-ano, ou quase.
Desses 19, três morreram na primeira infância.
A 15ª criança a sobreviver foi uma menina.
Maria Antônia Josefina Joana D’Asburgo Lorena nasceu em 2 de novembro de 1755. Quando foi decapitada, 37 anos depois, os franceses a chamavam de Rainha Marie Antoniette. Nós a conhecemos por Maria Antonieta (o caçula da Rainha seria o 16º a sobreviver, e seria o Arcebispo de Colônia).
O pai de Maria Teresa havia sido um grande músico, e suas crianças também tocavam vários instrumentos. Aliás, em 1762, no Palácio de Hofburg, perante toda a família da Imperatriz Maria Teresa, o menino prodígio de Viena, Mozart, de sete anos, tocou piano ao lado de sua irmãzinha. À certa altura, ele tropeçou e caiu. Maria Antônia, que tinha a mesma idade que ele, ajudou-o a se levantar e ele a pediu em casamento. Quando a Rainha perguntou ao menino por que ele queria se casar com Maria Antonieta, ele respondeu: “Por gratidão”. Num é fofo? Hum-hum. Tá.
A Imperatriz Maria Teresa era autoritária, mandona, dirigia o país com mãos de ferro, mas parece ter sido uma boa mãe, próxima e calorosa, pelo menos até a morte do marido. E o “calorosa” é para os padrões da época, lembrem-se crianças, lembrem-se, século XVIII, o amor materno ainda não havia sido inventado em toda sua glória.
As crianças imperiais quase não comiam carne, viviam à base de fritas, verduras e queijos. Os mais velhos cuidavam dos mais moços e, num tempo em que os aristocratas viam os filhos meia dúzia de vezes por ano, Maria Teresa cuidava deles pessoalmente.
Em 1765, o imperador Francisco morreu. A imperatriz incluiu seu filho, José, como coregente, e lentamente, foi se afastando dos filhos.
As crianças passam a ser peças políticas importantes, e ela foi casando um por um, fazendo alianças necessárias ao reino.
Foi isso que uniu Maria Antonieta ao rei da França (na época em que eles casaram, ele ainda não era rei), Luís XVI.
Luís XVI, neto de Luís XV, não tinha mais os pais. Eles haviam morrido de tuberculose. O avô trama, com a mãe dela, para ele se casar com Maria Antonieta.
Em 1770, ela chega, aclamada pelo povo, à França.
O povo estava encantado com ela.
O rei, Luís XV? Encantado, oras.
E o futuro rei? A-p-a-v-o-r-a-d-o.
Tolinho.
Na próxima semana, queridos, tem mais.
Cuidem-se, tenham um final de semana lindo, lindo.
Amor
Fal
PS: Indicação de leitura? Claro. Maria Antonieta, a última rainha da França, da Antonia Fraser, editora Record.
