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15/12/2008 - 06:20

Toda a dor do mundo

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Toda a dor do mundo é a sua, sempre. Sempre. Porque não importam dores maiores, “tem gente pior que eu”, na hora da dor aguda, o sofrimento do outro não consola, não importa, não ameniza o seu.
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Às vezes, você quer aquilo que o outro tem. Você não quer exatamente o que o outro tem, você quer a sensação. Porque voce já teve. E você perdeu. E você quer sentir de novo. Você quer sentir aquilo de novo. Você quer sentir aquilo de novo.
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Invejo profundamente quem setoriza. Dia reservado para o namorado, manhã das amigas, tarde de passear com a mamãe. Adoro quem não mistura as estações. Conheci pessoas que só fiquei sabendo que tinham alguém na vida quando vi a aliança de noivado. Sou incapaz de ser tão organizada e misturo turmas, embaralho amigos, junto família e trabalho, costuro tudo num mesmo patuá e depois dedico as minhas sessões de terapia a catar os fiapos imaginários, que grudam no veludo azul-marinho.
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Há algo de confortador no masoquista gesto de ligar para um celular que sabe-se, há muito, desligado. Você liga, ouve a gravação que diz ser impossível completar a chamada, e algo em você se aninha. Às vezes, a gravação encerra por ali o que dói; às vezes, ela cutuca mais a dor, estranhamente, oferecendo uma caixa postal que não deveria mais existir – na sua modesta opinião, afinal, para que caixa postal se a criatura não vai ligar de volta? Mas você deixa recados, longos, longos, sofridos recados.
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Há os que acham que suas sábias palavras de conforto reverterão a dor. A forca para eles.
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Um péssimo dia, numa péssima semana, num ano horroroso. E você desaba na cama, num choro que ultrapassa o domingo, que transborda pela nova semana, que paralisa a chuva, que alerta os gatos.
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Há os que acham que fazendo você sofrer mais, consertarão sua dor. Fuja dessa gente. Corra para bem longe.

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags: , , , ,
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