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15/02/2010 - 18:26

Não me diga mais quem é você

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E aí, leitorzinho filho de Gandhi? Tudo bem? Batendo um tamborzim?
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Caráter não muda, senhor leitor. Você escolhe ver ou não ver, entender ou não entender, saber ou não saber. Eu escolho não saber, geralmente. E depois me acabo de chorar, claro.
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Dizia minha doce avó, e alguém relembrou essa frase nalgum lugar recentemente, ‘Pedro quando fala de Paulo, está falando de Pedro’. Hahahahaha, é. É.
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E já que falamos de frases, minha professora de latim, dona Nair, dizia: ‘cada um dá o que tem’. Racionalizar é viver, é o que eu sempre digo.
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Ah, eu, eu e minha energia negativa. :o )))
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Ah, imersa em recuerdos madrileños, lembrando coisas pra minha querida Ana que vai pra lá. Uma cidade espetacular, bons cafés, avenidas largas, museus divinais.  A última vez que estive lá foi com meu pai, que sentado num café pertinho da Plaza Santa Ana, botou um holiúde contrabandeado na boca e, quando me inclinei pra acender pra ele, disse bem baixinho “ainda bem que eu vim ver Madrid antes de morrer”. Ele só iria morrer quatro anos depois, mas eu entendo exatamente como ele se sentiu. Eu também espero poder voltar a Madrid (e a Lisboa) uma última vez. Ah, por onde anda aquele mecenas, Luci?
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 Nós fomos ao Prado uma última vez, e vimos as pinturas negras do Goya de mãos dadas e vimos Las Meninas abraçados, e nessa hora ele me disse, Ana, que quando perguntado sobre quem eram os grandes mestres da pintura, Goya respondeu “Velázquez, Rembrandt y la naturaleza”. :o ))
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Ele não era nada fácil, mas era dono das cidades, de muitas delas, de Madrid inclusive, e dizia que o amor por Madrid nos faz sempre moços, sempre belos e sempre atentos.
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Baco e sua atração assassina e doida por cães maiores que ele. Hoje tinha solto na rua um labrador amarelo, lindo, lindo, a sorte é que geralmente esses cães são uns bocós. O cretino foi pra cima parecendo um maluco. Um dia a gente ainda vai se foder no meio da rua. E o engraçado é que da cachorrinha gordinha e maluquinha aqui da vizinha do lado, a Célia dos gatos (não confundir com a Célia da minha mãe), que é uma cãzinha fofa, petitica e meiga, que só quer brincar e que usa capinha cor de rosa no inverno, o cretino tem pavor. É um bocoioba, deus me livre. A dona do labradorzão (ele se chama Acácio) é uma menina duns 20 anos, linda e ótema de mal humorada, que fica sentada num degrau duma da Joaquim Nabuco, enquanto o cachorro dela corre que nem um debilóide no meio da avenida. Ela mora pra cimão (no lado podre de rico do Beco, enquanto que nós moramos abaixão, leitor, na parte bem pobre) e disse que era a primeira vez que ela andava com o cachorro dela ali na Joaquim Nabuco e tão cedo. Geralmente ela anda na rua dela e lá pelas 10 da manhã e parecia beeeem brava de estar na rua às cinco e pouco da madrugada.
- E porque você veio tão cedim andar com seu cachorro hoje, Camila?
- Ah, porque eu tou virada do baile.
:o ))
No fim de tudo, amarrei esse meu cachorro insuportável numa árvore pra poder beijocar e estapear o Acácio em paz. Cachorro mais lindo do mundo, lamentei não tar coa máquina.
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Um abraço especial ao Endrigo e a todos os usuários da maravilhosa lan do Cebola, nossos leitores diletos, e ao próprio Cebola, que tem os melhores computadores do Rio de Janeiro, a internet mais rápida, os preços mais camaradas e as cadeiras mais macias.
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Não me diga mais quem é você, leitor. Não porque amanhã tudo volta ao normal, mas porque a ignorância é uma benção. Eu também não vou dizer.
Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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3 comentários para “Não me diga mais quem é você”

  1. Ana Paula disse:

    Ah, Fal, Madri foi tão especial, e foi por sua causa. Eu chorei e me emocionei e aprendi tanta coisa, prestei atenção em tanta coisa, só porque vc me ensinou tudo. Eu também desejo que você possa voltar a Madri, e a Lisboa. Muitas e muitas vezes.
    bjs

  2. ADHEMAR disse:

    É Baco, tá feia a coisa “pro ” teu lado: ficaste amarrado à árvore, o Acácio é o cão mais lindo do mundo, foi beijocado e estapeado, etc., etc. e etc. Mas liga não, amanhã (hoje) será (é) o aniversário dela. Pule, rodopie, revire, enfim COMEMORE. Merece né?

  3. aliki disse:

    Licença, Madame, vamos enfiar Lacan logo ali depois da citaçao da sua avó dizendo que cada um d’a o que tem? A definiçao de amor daquele shrink é “dar o que náo se tem para quem não quer”…

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