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05/02/2010 - 20:07

Correio eletrônico

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Independência, Ju, até vá lá. Tudo bem. Mas morte? Não, de jeito nenhum.

Beijos, Fal

*

Amiga: Aqui em casa ele acaba comigo. Depois vai pro escritório, levantar a auto-estima das secretárias.

ass: L.

*

Ah, querida, casa-se por tantos motivos, tantas razões, para irritar o próximo, para magoar o pai, para se vingar da mãe, porque não se quer ser a “prima solteirona” no próximo Natal, porque não se tem o que fazer no sábado à noite, para atormentar o ex-noivo, para  ter do que viver, para ter filhos (como sou antiga, rárárá!). Case-se para ser feliz, querida,  por que não?

beijos, Vera

*

Mas, por mal dos pecados, ainda teve, hoje, na televisão, um especial do Paul MacCartney. Jamais entrei na deles, mas me lembro, muito bem, das avassaladoras mudanças das quais eles fizeram parte. Que fiz, internada numa biblioteca? Passei para a prateleira do lado. Nessa prateleira avistei um pedacinho da página onde estava escrito “The book is on the table”. Aí, desmaiei. Era passado demais para o meu domingo.

Abraços, Maria José.

*

Amélia, meu bem:

Não tenho medo do futuro, não temo o porvir. Não tenho medo  de ser pobre , de ficar velha, de engravidar, de morrer. Não tenho medo de perdê-la. Não tenho medo da terceira guerra mundial, do coreano maluco, de pegar  catapora, de bater no carro, de andar na chuva. Só tenho medo de mim. E de você, um pouco.

Amor, Sandra.

*

Querida M.:

Sonho com você constantemente. Você está nua, de cabelos soltos, sentada nos degraus da casa do seu pai. Nem Freud sonharia um treco desses. Melaine Klein talvez, mas o Freud? Nunquinha.

Ass: sua P.

*

Querida F., quando você, com síndrome de pânico, triste, cheia de porras pra resolver, desanimada, gorda e pobre, respira fundo, sacode os fantasmas de cima do ombro, vira pra alguém e diz cheia de energia “VAMOS PASSAR O SÁBADO NA ESTRADA?!”, porque esse alguém vive dizendo o quanto relaxa na estrada e fica feliz quando viaja, você não quer ombros caídos, cara de cu e uma vago “Hum, e aonde a gente ia?”. O que você quer, o que você precisa, no mínimo, é dum “Vamos!!!” entusiasmado.

Pensamentos sombrios pruma sexta-feira, né?

Vou voltar para a reunião.

G.

*

O que eu vejo nele, Ângela? A melhor meia hora da minha vida.

cuide-se

Fal

*

Fal, não sei se devo engolir tanto sapo pra manter aquele casamentinho com meu príncipe falido, ou semando esse sapo pra outro brejo, pra fazer companhia à vaca que já está lá.

beijos, Li.

*

Perdemos o hábito, o medo, o rumo, o trem, a noção, as chaves do carro e a vergonha, claro. Perdemos tanta coisa pelo caminho. Eu o perdi e nem me lembro onde. Ou porque. E você?

*

Minha bela Helga, dancei, flertei (olha como eu sou velha?), bebi, cantei, a noite foi divertidíssima. Comigo agora é assim, pego a dor desprevenida.

amor, sempre

Fal

*

Guriazinha querida, não consigo entender seu espanto a respeito do entusiasmo do Nelsão pela Setembrina. Queridinha, quem ama o burro, inteligente lhe parece.

Beijos da sua Inesita.

*

Nós superamos isso, meu bem. Feliz ou infelizmente.

amor

F.

*

Ângela: pensei sobre a sua pergunta. Eu ia ser uma dessas pessoas que não sabem nunca onde estão, que não ligam pro nome da rua nem pro número da casa. Eu ia amar só as pessoas que merecem meu amor. Eu nunca ia ter preguiça de raspar a perna. Eu ia ter longas unhas vermelhas e uma cinturinha de pilão, ao invés desse meu look de “cozinheira inglesa” – você sabe, gorda, relaxada e com roupas esquisitas. Eu ia ter um cavalo. Eu ia viver de escrever. E eu ia escrever cousas que deixariam todo mundo admirado com meu talento. Ia ter amigos intelectuais, que teriam conversas interessantes e que viriam à minha casa fumando cachimbos. Eu teria um pai que me amasse. Eu jamais guiaria um carro, não ia nem ter carta. Eu teria tempo. Teria mais talento e menos vocação. Teria cabelos vermelhos. Eu iria me amar mais. Eu iria ser organizada de verdade. Paciente. Eu seria uma dessas pessoas que pensam antes de fazer. Eu usaria chapéus. Saberia usar pronomes. Faria jardinagem ou teria alguma outra atividade aristocrática. Não teria medo de falar em público. Não teria pesadelos. Teria um piano na sala. Não aturaria nenhum medíocre, nunca, nunca. Só usaria salto alto. Faria bolos altos, fofos, daqueles que não solam. Acreditaria em Deus. Acreditaria num mundo melhor, num lugar melhor, numa vida melhor.

beijuca

Fal

*

Ah, Docinha, não sabes disso? Então falhei miseravelmente na tua educação. Toda delicadeza, querida, toda, é perdida.

Amor,

Rui.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:

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