Rembrandt e outras delicadezas
Em 1869, a margarina foi patenteada, em Paris. Já comíamos lixo antes, eu sei, mas é um marco, vá? Uma das piores ideias desta humanidade tão cheia de ideias ruins.
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Porque a delicadeza, suas muitas formas e detalhes, têm estado em meus pensamentos (e, espero, em minhas ações). Porque a delicadeza e tudo o que ela encerra, por uma porção de motivos que não vêm ao caso, tem me ocupado os dias. Porque a não-delicadeza para comigo deixou de ser um estado natural do meu coração e me fez ver que eu mereço mais, sim, até mesmo de você, tenho passado algum tempo apagando endereços das agendas e da caixa postal, fotos e bilhetes. Porque a delicadeza, em estado bruto ou lapidado, em suas mais variadas manifestações, é cada vez mais necessária, ler a Claudia Letti me fez feliz: “A moça que faz a limpeza em casa virou um quadro, por engano. Quem chega elogia as flores de cabeça pra baixo. Não conto. E não desviro.”
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Ainda falando de delicadeza, Ney, nos comentários: “Não há fracasso pessoal, há sim, busca, espera! Que se danem os fortes, cheios de soberbo “amor próprio”, mas tirar a espera de quem tem tão pouco??? Só o tempo, que é implacável com fortes e fracos, pode atirar essa pedra.”
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Os templos românicos se orientam para leste: é onde o sol nasce e é onde Jerusalém está.
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Em 1606, nasceu o holandês Rembrandt Harmenszoon van Rijn, já que falamos em delicadeza. Goya, aquele homem brilhante, à certa altura da vida disse que só reconhecia três mestres: Velázquez, Rembrandt e a Natureza. Mestre de Goya, portanto, e também do corpo, da alma e dos estados de espírito. Rembrandt sabia o que fazer sobre o chiaroscuro. Adorava contrastes fortes de luz e sombras. A escuridão em seu trabalho oculta detalhes desnecessários e os contrastes dramatizavam cenas comuns. Sua personagem principal é a luz, não a claridade pura que realça as formas, mas aquele raiozinho fugidio que é afogado na sombra. Seus belos efeitos de luz e sombras estão em toda parte, em cada rosto, nos chapéus, nos objetos em cima das mesas. E as vidas daquelas pessoas ficam tão importantes, cada pequeno gesto é tão relevante e revelador. É de extrema delicadeza enxergar na vida do outro, seus maiores e menores gestos, tamanha relevância. Ninguém entendeu a angústia e a solidão como ele, salvo, talvez, Van Gogh, muitos anos depois, pelo menos é minha humilde opinião. O mistério da vida, a finitude humana, a impotência de cada um de nós. Está tudo lá. Dê uma boa olhada no trabalho desse cara. É introspectivo, é quase doloroso e todo mundo com cara de quem sabe um grave segredo sobre a vida e não vai te contar. Rembrandt está no barroco, mas Rembrandt não é barroco, dá para entender? Como nós, de muitas formas.
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“A vida é tão elaborada que o evento não pode e não vai igualar-se à expectativa”
Charlote Brontë
