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Arquivo de novembro, 2009

30/11/2009 - 19:53

Joana

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“Não me quis, não me quis”, filosofou Joana enquanto manobrava o carro. “Tudo bem. A vida é assim. Eu aceito, sigo em frente, fazer o que? Não me quis? Beleza. Cada um com seu cada um, como diz a Mi. É você quem sabe, você que decide. Eu aceito. Eu aceito”. Farol. Ponto morto. Vendedor de flanelinha. “Não me quis, me deixou meses em suspenso, um monte de e-mails fofos, quase doces, e eu ali, sem saber em que pé estávamos”. Faria Lima, direita, direita. “Não me quis, normal, de repente me aparece uma noiva, vinda sabe Deus de onde, tá limpo”. Vila Olímpia. Farol. Vendedor de chiclé. “Não me quis, me esnobou, noiva, vinte dias pra responder um e-mail, tudo bem, sério, tudo bem”. Entrada, guarita. “Mas não me venha com essa conversinha fiada de ‘Vamos nos encontrar’, não senhor, palhaçada tem limites. Não me quis, tudo bem. Mas socializar com noiva? Nem morta, seu cachorro”. Carro estacionado, pasta, óculos, crachá.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/11/2009 - 20:45

Julia&Julie

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julia

Porque uma boa história é a melhor coisa que pode nos acontecer em qualquer dia da semana, em qualquer semana do ano.
Porque é uma delícia poder acreditar, ainda que no escurinho do cinema, ainda que só por algumas horinhas, que o talento será recompensado, que o amor existe, que alguém vai gostar da gente porque sim, que a vida tem solução e que teremos coragem de tacar a lagosta viva na panela com água fervendo.
Porque há manteiga derretendo na frigideira, nalgum lugar do mundo, nalguma frigideira da galáxia.
Porque a beleza nos cerca e tomará conta de nós, se nós tivermos coragem.
Porque é um alento saber até podemos estar jantando esse resto horroroso de omelete ou essa fatia de pizza mumificada mas que, nalgum outro lugar, alguém feito de coragem e fúria prepara o Boeuf Bourguignon da
Porque nossa falta de rumo também nos paralisa.
Porque cremos, raspadas as várias camadas de dor e ceticismo, que um dia vamos encontrar nossa vocação.
Porque nunca é tarde demais para outra garfada no cheesecake.
Porque os nossos cubículos também nos desesperam, sejam eles quais forem.
Porque gastamos uma grana que não tínhamos em queijo.
Porque a Julia Child diz “Don’t be afraid” e meu Deus do céu, a gente precisa mesmo ouvir isso.
Porque nós vamos ver esse filme juntos no cinema (não vamos?).
Porque não somos as únicas a entender os usos terapeuticos do vinho na culinária.
Porque o Stanley Tucci tem olhos encantadores.
Porque enquanto o chocolate derrete num banho maria lerdo, revelações metafísicas nos assaltam.
Porque nós sentimos saudades e choramos enquanto preparamos o molho de tomate do zero.
Porque não estamos sós no nosso desespero quando a maionese desanda e a massa craquela.

Porque, de muitas formas, não estamos sós.

Porque é, mesmo, um filme lindo, estréia hoje e faz a gente viver uma vida melhor e mais colorida por duas horas.

Assista. E depois me conte.

Bom final de semana, até segunda.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/11/2009 - 17:02

O sistema

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O Sistema Caiu.

Parece nome de livro de economista.

Que sistema?

Como assim “o sistema”?

Quem é “o sistema”.

É Sistema, sistema?

É o sistema solar?

É o sistema Anhangüera-Bandeirantes?

É um sistema operacional?

É um sistema que adota políticas descentralizadoras?

É um sistema que auxilia a preparação e a composição de alternativas às soluções ortodoxas?

O sistema que oprime?

O sistema militar?

É o Sistema Único de Saúde?

Ou é “Senhor Sistema para você – sabe com qual Sistema ta falando?”

Cai-cai-cai-cai, que eu não vou te levantar.

The Sistema left the biulding.

O sistema subiu no telhado.

O sistema já foi tarde.

O sistema era tão moço, tão bom filho.

Se o sistema caiu, ele que aprenda a levantar.

“Ama, com fé e orgulho a conectividade em que nasceste! Criança! Não verás
nenhum sistema como este! Olha que servidores! Que aplicativos! Que bancos de dados! Que links!”

O sistema caiu.

Machucou?

Fez dodói?

Quando o sistema casar, sara.

Quebrou algum osso?

Alguém acudiu?

O sistema caiu de maduro.

O sistema descansou.

O sistema foi em paz.

O sistema parecia tão sereno, parecia estar dormindo.

Cai, cai, sistema, cai, cai sistema, aqui na minha mão.

O sistema é solar?

É neurológico?

É nervoso, coitado?

Cai onde, como foi?

Escorregou no xixi do gato, caiu, bateu a cabeça?

Torceu o pé no estacionamento do Carrefour e ficou engessado 50 dias ?

Foi mordido por um cachorro furioso, caiu e teve que reconstituir o tendão?

Se estabacou no banheiro, entalou no box, tiveram que chamar a vizinha do 403 pra levar o sistema ao pronto socorro?

O Sistema caiu, quebrou os dentinhos da frente, mas tudo bem, eram dentes de leite?

O Sistema caiu lamentavelmente nas mais recentes avaliações do pessoal?

Despencou do oitavo andar?

Caiu na rede? É peixe?

Caiu no meu conceito?

Caiu em si?

Caiu em desgraça?

Caiu na boca do povo?

Caiu no crime?

Caiu como uma luva?

Caiu na gandaia?

Caiu na real?

Caiu na malha fina do imposto de renda?

Ele que levante, sacuda a poeira e dê a volta por cima.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/11/2009 - 13:23

Seu Azevedo

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Seu Azevedo é chefe do almoxarifado. Vinte e cinco anos de firma.
Seu Azevedo dirige um Corcel II.
Seu Azevedo vai ao estádio assistir a partida com rádio pilha no ouvido.  
Seu Azevedo só bebe café no copo. Sempre o mesmo copo.
Seu Azevedo tem um cachorro, que ele não diz que é viralata de jeito nenhum. Ele diz que é mestiço de dálmata com cão policial. Chama Atlas.
Seu Azevedo usa lenços de pano.
Seu Azevedo tem um caso com a Dona Cidinha. É ela quem assina os cheques da firma.
Seu Azevedo odeia o Barbosa, do financeiro.
Seu Azevedo fuma roliúde.
Seu Azevedo ouve Julio Iglesias.
Seu Azevedo não usa sabonete líquido. Leva saboneteira quando vai jogar bola no clube.
Seu Azevedo penteia o cabelo pra cima da careca.
Seu Azevedo acha que esse negócio de papel higiênico com cheirinho de baunilha e aloe vera é sinal dos tempos.
Seu Azevedo usa o termo “punguista”.
Seu Azevedo gosta de usar sandália Franciscano no final de semana. Ganha uma nova todo Dia dos Pais.
Seu Azevedo nunca entra no amigo secreto da firma. Nunca.
Seu Azevedo cultiva um bigode sensacional.
Seu Azevedo usa pente Flamingo no bolso de trás da calça para ajeitar o cabelo e o bigode..
Seu Azevedo joga bola com o Pedrão e com o sogro do Pedrão no Tijuca Tênis Clube.
Seu Azevedo cutuca a orelha com a tampa da caneta bic.
Seu Azevedo acha que não se fazem mais músicas como antigamente
Seu Azevedo tem gastrite. E um princípio de gota.
Seu Azevedo torce pro América. Que ele chama de “Ameriquinha”.
Seu Azevedo não tem muita paciência para os jovens de hoje
Seu Azevedo acha que o pai dele tinha razão. Em tudo.
Seu Azevedo é tijucano. Mora ali numa transversal da Santo Afonso.
A senhora de Seu Azevedo faz compras no Mundial, mas gostava mesmo era da Casas da Banha. Aquilo sim é que era mercado.
A esposa do Seu Azevedo se chama Mirtes.
Dona Mirtes é professora aposentada.
Dona Mirtes chama o marido de Azevedo.
Seu Azevedo chama a esposa de ‘minha filha’.
Seu Azevedo come empadinha escondido porque o médico proibiu. A perdição do seu Azevedo são as empadinhas.
Seu Azevedo tem uma filha que faz enfermagem.
Seu Azevedo engraxa os sapatos e os arruma em ordem de cor.
Seu Azevedo manda baixar o som quando o vizinho de baixo resolve fazer festa.
Quando soube que Seu Azevedo tinha um caso há 18 anos com a Dona Cidinha do Financeiro, dona Mirtes chorou no meio da rua. Seu Freitas, gerente do açougue da Rua Pinto de Figueiredo ofereceu um ombro amigo. E daí eles começaram um caso que já dura sete anos.
Seu Azevedo cria canários.
Seu Azevedo preferia a Band quando era “o canal do esporte”
Seu Azevedo curte uma colcha de chenille.
Seu Azevedo acha que o mundo está perdido. Mas ainda assim, faz uma fezinha no Bicho todo santo dia. E sempre nos mesmos números.
Seu Azevedo é síndico do prédio.
Seu Azevedo odeia o namorado da filha porque ele dirige moto e é mecânico.
Seu Azevedo esconde um filho fora do casamento chamado Júnior. Se dona Mirtes souber, o mundo de seu Azevedo se acaba.
A filha do seu Azevedo tem uma poodle chamada Lady. Seu Azevedo de-tes-ta o latido agudo da Lady. Dona Mirtes odeia os cachorros.
Seu Azevedo dança bolerão com dona Mirtes nos jantares dançantes do Tijuca. Aí ela fica com dor na consciência, mas passa.
Seu Azevedo usa desodorante avanço
Seu Azevedo não entende nada de internet e confunde e-mail com endereço, www com @ e só comprou computador porque a filha insistiu. No setor de seu Azevedo, na firma, é tudo feito na mão.
Seu Azevedo não sabe o que é Twitter. E se soubesse, ia achar que é coisa de desocupado.
Seu Azevedo finge que escuta e responde “hã hã” quando dona Mirtes comenta alguma coisa.
Seu Azevedo faz a piada do pavê no natal. Todo natal.
Seu Azevedo, espirra “uassshsaúde”, para vergonha da filha universitária. Ela tem vergonha do carro dele também. Ela se chama Melissa e é meio ingratinha.
Dona Mirtes crocheta paninhos para cobrir os móveis.
Seu Azevedo sente saudade de um passado mais simples.
Seu Azevedo usa shampoo de ovo da Colorama (dizem que fortalece os fios), sabonete Phebo e Polvilho Granado nos pés.
Num ato de rebeldia, ao invés do PF no refeitório da firma, hoje Seu Azevedo almoçará bolinho de ovo. Se o médico souber, mata o seu Azevedo.
Seu Azevedo ofereceu carona para a Juju, das vendas, e ela recusou.
De manhã, dona Mirtes ouve o Padre Marcelo Rossi na Rádio Globo.
Seu Azevedo acha que os meninos do 201 usam tóchico.
Seu Azevedo come joelho de porco.
Seu Azevedo acha que a Yoná Magalhães é que é mulher.
Seu Azevedo janta sopa de aveia e pão recheado com a carne desfiada que sobra do almoço e dona Mirtes se sente secretamente vingada. 
Seu Azevedo ouve os elepês do Ray Conniff e quase chora.
Seu Azevedo solta pum e põe a culpa no cachorro.
Seu Azevedo usa calculadora de mesa, daquelas com bobina de papel.
Seu Azevedo é fã de rabada. Desse prato ele nunca dá nada para seu cão Atlas, que fica todo macambúzio.
Seu Azevedo e Dona Mirtes se chamam de pai e mãe na frente da filha.
Dona Mirtes tem uma samambaia de plástico, que fica no quarto, sobre a televisão de 14 polegadas. “É para neutralizar as ondas”, diz. Isso porque a samambaia anterior morreu.
Seu Azevedo sonha em soltar o coque da Salete do 31, mas não confessa nem para as paredes. quando fica sozinho com ela no elevador, Seu Azevedo repassa a escalação do América de 1952 em silêncio, para se controlar
Seu Azevedo confessa todo domingo durante a missa. É perdoado, comunga e tudo está bem.

 (colaboraram – e muito – os amigos do Twitter @cseslaf @luzdelfuego @telinha @agentelaranja @Staciarini @criscerdera @samcunha @fatorell @cseslaf @samcunha @ticcia @ludelfuego @aomirante  @rpenariol @apoubell@dehcapella @@prisfoggiato @helenagozzano @alepicoli @carolmarzagao  @GalMilano @ferfonseca @BiaFrancisco @gugagomes  @FrauGlaeser @Constance_J @telinha mabouzada @Nelsonb @jujubalandia @ferfonseca )

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/11/2009 - 13:39

Baco e a arte culinária

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Baco não nasceu em Pasadena.

Baco nunca clarificou manteiga.

Baco nunca colocou uma lagosta viva na água fervendo. Mas ele teria coragem, sem dúvida.

Baco não sabe fritar miolos.

Baco nunca usou sapatos fantásticos.

Baco nunca trabalhou para o governo americano.

Baco não tem 1,88.

Baco nunca pré-aqueceu o forno a 230°C.

Baco até que gosta de omeletes com tomates… mas prefere sem, muito obrigado.

Baco não teve um marido chamado Paul.

Baco não sabe rechear um pato.

Se Baco encontrar um sapato sensacional pela frente, ele come.

Baco não está nem aí para saber quantas bocas tem o fogão.

Baco não tem nem a mais remota idéia do que venha a ser  Fois de Volailles em Aspic.

Baco nunca comeu bolo de gengibre – ele iria odiar.

Baco nunca acrescentou leite quente à mistura de farinha e manteiga que escurece rápido na panela.

Baco não resolver entrar para a escola de culinária aos 37 anos de idade.

Baco nunca dourou pedaços de cordeiro.

Baco adora crepes farcies, roulées e flambées. Infelizmente, ele tem poucas oportunidades de apreciá-los.

Baco nunca tentou fazer um Boeuf Bourguignon. Mas ele adoraria comer.

Baco não é Julia Child.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/11/2009 - 00:42

Fabia

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É tão estranho estar frente a frente com um homem que você amou tanto tanto tanto tanto, porque ele continua o mesmo, o mesmo sorriso, a mesma gargalhada, os mesmos olhos, o mesmo nariz (um belo nariz, gostaria de deixar registrado), as mesmas mãos (idem), sim, ele é o mesmo e você também, que diabo. Os dois mais velhos, mais gordos, cheios de cicatrizes e rugas e contas para pagar, mas os mesmos e, ao mesmo tempo, tudo mudou. Você não o ama mais. É tão simples, é tão cruel, é tão vida real, não dá romance, nem novela, a Nora Ephron não vai querer dirigir essa merda. Entre vocês xícaras de café com leite ou vodcas ou cocas-colas, algumas reminiscências, um certo ressentimento (há muitos anos atrás namorei um médico chamado Marcus que me ensinou: não existe paixão sem ressentimento), alguma dor (ora bolas), mas amor, não, de jeito nenhum. A vida é mesmo um troço esquisito. Talvez a Nora Ephron fizesse alguma coisa com isso, afinal.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/11/2009 - 16:26

Maura

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— Eu não sei quem é você e você não sabe quem sou eu — ele bate na mão da outra com a condescendência mais nojenta do planeta — mas cada vez que eu olho para você, penso no que eu já fui, em como eu era, em como eu vivia.

A outra tem que fingir que aprecia muitíssimo aquela lição de vida de quinta categoria, porque viver em sociedade é isso, é suportar as imbecilidades alheias e sorrir, ainda que não com os olhos.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/11/2009 - 11:36

Beatriz

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Ela vive cada dia cada dia sem surpresas, poupada e poupando-se das grandes dores, pagando o telefone, levando o menor pra natação, fazendo depilação na chilena sexta-sim, sexta-não, comprando colchas de cores fortes, bebendo outra taça de vinho. E cada gesto, cada página navegada pela internet, cada suspiro, cada maria-chiquinha feita na filha, tudo têm tanto significado, tanto sentido, tanta importância, tanta. Invejo sua agenda estufada, sua força, seu cabelo impecável, sua água com gás, seus sapatos de couro creme e bicos finos. Invejo sua relevância.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/11/2009 - 19:55

Pedacinhos

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Meu pai para a mãe dele, que toma Valium desvairadamente:

- Velha, não pode ficar tomando isso, vicia!

- Imagina, Nelsinho, eu tomo Valium há 30 anos, nunca me viciei!

*

Assumo devagar a casa que foi de meu pai. Sem solavancos, sem grandes vitórias. Deito na cama, no quarto que foi dele, e olho pro teto. Que será que ele pensava deitado aqui? Os carpetes do quarto e do escritório cheios de marcas de cigarro que ele fez ao longo dos anos. Devagar deixo minhas marcas também.

*

André, o filho, e Maria Inês, a mãe:

- André, o que você vai ser quando crescer?

- Surfista.

- Hum, tá, querido, surfar é muito legal, mas pra ganhar dinheiro você vai fazer o quê?

- Ser corredor de kart.

- Mas, meu amor, essas não são profissões viáveis, pelo menos para a maior parte da população do mundo. Você tem que viver de alguma coisa que dê sustento, pague suas contas. Por exemplo, onde você vai morar?

E o André, rápido:

-         Com a mãe!

*

Fui com a mamãe à casa da minha tia-avó e não foi nada mal. Além de comer deliciosa coxinha de frango e olhar para aqueles lindos olhos azuis, soube que o primeiro sapato titia calçou no dia da sua Primeira Comunhão. Aos 11 anos.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/11/2009 - 09:07

Ana Carolina

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Ana Carolina não tem mais um pingo de paciência. Com ela, com ninguém. Com quem não tem dinheiro trocado. Com quem tem medo de atravessar a rua. Com os jargões empresariais. Com os que não respeitam o cronograma e com os que fazem o cronograma também. Com o que pedem tempo no meio da partida. Com quem não provou e não gostou. Com os mudernos deste mundo. Com os caretas do planeta. Com as certezas. Com as incertezas. Ana Carolina não tem mais paciência com os que vão pensar um pouco nisso. Ana Carolina não tem mais tempo, créditos no celular, um guarda-chuva decente ou paciência. E é isso aí.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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