Arquivo de novembro, 2009
23/11/2009 - 13:23
Seu Azevedo é chefe do almoxarifado. Vinte e cinco anos de firma.
Seu Azevedo dirige um Corcel II.
Seu Azevedo vai ao estádio assistir a partida com rádio pilha no ouvido.
Seu Azevedo só bebe café no copo. Sempre o mesmo copo.
Seu Azevedo tem um cachorro, que ele não diz que é viralata de jeito nenhum. Ele diz que é mestiço de dálmata com cão policial. Chama Atlas.
Seu Azevedo usa lenços de pano.
Seu Azevedo tem um caso com a Dona Cidinha. É ela quem assina os cheques da firma.
Seu Azevedo odeia o Barbosa, do financeiro.
Seu Azevedo fuma roliúde.
Seu Azevedo ouve Julio Iglesias.
Seu Azevedo não usa sabonete líquido. Leva saboneteira quando vai jogar bola no clube.
Seu Azevedo penteia o cabelo pra cima da careca.
Seu Azevedo acha que esse negócio de papel higiênico com cheirinho de baunilha e aloe vera é sinal dos tempos.
Seu Azevedo usa o termo “punguista”.
Seu Azevedo gosta de usar sandália Franciscano no final de semana. Ganha uma nova todo Dia dos Pais.
Seu Azevedo nunca entra no amigo secreto da firma. Nunca.
Seu Azevedo cultiva um bigode sensacional.
Seu Azevedo usa pente Flamingo no bolso de trás da calça para ajeitar o cabelo e o bigode..
Seu Azevedo joga bola com o Pedrão e com o sogro do Pedrão no Tijuca Tênis Clube.
Seu Azevedo cutuca a orelha com a tampa da caneta bic.
Seu Azevedo acha que não se fazem mais músicas como antigamente
Seu Azevedo tem gastrite. E um princípio de gota.
Seu Azevedo torce pro América. Que ele chama de “Ameriquinha”.
Seu Azevedo não tem muita paciência para os jovens de hoje
Seu Azevedo acha que o pai dele tinha razão. Em tudo.
Seu Azevedo é tijucano. Mora ali numa transversal da Santo Afonso.
A senhora de Seu Azevedo faz compras no Mundial, mas gostava mesmo era da Casas da Banha. Aquilo sim é que era mercado.
A esposa do Seu Azevedo se chama Mirtes.
Dona Mirtes é professora aposentada.
Dona Mirtes chama o marido de Azevedo.
Seu Azevedo chama a esposa de ‘minha filha’.
Seu Azevedo come empadinha escondido porque o médico proibiu. A perdição do seu Azevedo são as empadinhas.
Seu Azevedo tem uma filha que faz enfermagem.
Seu Azevedo engraxa os sapatos e os arruma em ordem de cor.
Seu Azevedo manda baixar o som quando o vizinho de baixo resolve fazer festa.
Quando soube que Seu Azevedo tinha um caso há 18 anos com a Dona Cidinha do Financeiro, dona Mirtes chorou no meio da rua. Seu Freitas, gerente do açougue da Rua Pinto de Figueiredo ofereceu um ombro amigo. E daí eles começaram um caso que já dura sete anos.
Seu Azevedo cria canários.
Seu Azevedo preferia a Band quando era “o canal do esporte”
Seu Azevedo curte uma colcha de chenille.
Seu Azevedo acha que o mundo está perdido. Mas ainda assim, faz uma fezinha no Bicho todo santo dia. E sempre nos mesmos números.
Seu Azevedo é síndico do prédio.
Seu Azevedo odeia o namorado da filha porque ele dirige moto e é mecânico.
Seu Azevedo esconde um filho fora do casamento chamado Júnior. Se dona Mirtes souber, o mundo de seu Azevedo se acaba.
A filha do seu Azevedo tem uma poodle chamada Lady. Seu Azevedo de-tes-ta o latido agudo da Lady. Dona Mirtes odeia os cachorros.
Seu Azevedo dança bolerão com dona Mirtes nos jantares dançantes do Tijuca. Aí ela fica com dor na consciência, mas passa.
Seu Azevedo usa desodorante avanço
Seu Azevedo não entende nada de internet e confunde e-mail com endereço, www com @ e só comprou computador porque a filha insistiu. No setor de seu Azevedo, na firma, é tudo feito na mão.
Seu Azevedo não sabe o que é Twitter. E se soubesse, ia achar que é coisa de desocupado.
Seu Azevedo finge que escuta e responde “hã hã” quando dona Mirtes comenta alguma coisa.
Seu Azevedo faz a piada do pavê no natal. Todo natal.
Seu Azevedo, espirra “uassshsaúde”, para vergonha da filha universitária. Ela tem vergonha do carro dele também. Ela se chama Melissa e é meio ingratinha.
Dona Mirtes crocheta paninhos para cobrir os móveis.
Seu Azevedo sente saudade de um passado mais simples.
Seu Azevedo usa shampoo de ovo da Colorama (dizem que fortalece os fios), sabonete Phebo e Polvilho Granado nos pés.
Num ato de rebeldia, ao invés do PF no refeitório da firma, hoje Seu Azevedo almoçará bolinho de ovo. Se o médico souber, mata o seu Azevedo.
Seu Azevedo ofereceu carona para a Juju, das vendas, e ela recusou.
De manhã, dona Mirtes ouve o Padre Marcelo Rossi na Rádio Globo.
Seu Azevedo acha que os meninos do 201 usam tóchico.
Seu Azevedo come joelho de porco.
Seu Azevedo acha que a Yoná Magalhães é que é mulher.
Seu Azevedo janta sopa de aveia e pão recheado com a carne desfiada que sobra do almoço e dona Mirtes se sente secretamente vingada.
Seu Azevedo ouve os elepês do Ray Conniff e quase chora.
Seu Azevedo solta pum e põe a culpa no cachorro.
Seu Azevedo usa calculadora de mesa, daquelas com bobina de papel.
Seu Azevedo é fã de rabada. Desse prato ele nunca dá nada para seu cão Atlas, que fica todo macambúzio.
Seu Azevedo e Dona Mirtes se chamam de pai e mãe na frente da filha.
Dona Mirtes tem uma samambaia de plástico, que fica no quarto, sobre a televisão de 14 polegadas. “É para neutralizar as ondas”, diz. Isso porque a samambaia anterior morreu.
Seu Azevedo sonha em soltar o coque da Salete do 31, mas não confessa nem para as paredes. quando fica sozinho com ela no elevador, Seu Azevedo repassa a escalação do América de 1952 em silêncio, para se controlar
Seu Azevedo confessa todo domingo durante a missa. É perdoado, comunga e tudo está bem.
(colaboraram – e muito – os amigos do Twitter @cseslaf @luzdelfuego @telinha @agentelaranja @Staciarini @criscerdera @samcunha @fatorell @cseslaf @samcunha @ticcia @ludelfuego @aomirante @rpenariol @apoubell@dehcapella @@prisfoggiato @helenagozzano @alepicoli @carolmarzagao @GalMilano @ferfonseca @BiaFrancisco @gugagomes @FrauGlaeser @Constance_J @telinha mabouzada @Nelsonb @jujubalandia @ferfonseca )
Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria
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20/11/2009 - 13:39

Baco não nasceu em Pasadena.
Baco nunca clarificou manteiga.
Baco nunca colocou uma lagosta viva na água fervendo. Mas ele teria coragem, sem dúvida.
Baco não sabe fritar miolos.
Baco nunca usou sapatos fantásticos.
Baco nunca trabalhou para o governo americano.
Baco não tem 1,88.
Baco nunca pré-aqueceu o forno a 230°C.
Baco até que gosta de omeletes com tomates… mas prefere sem, muito obrigado.
Baco não teve um marido chamado Paul.
Baco não sabe rechear um pato.
Se Baco encontrar um sapato sensacional pela frente, ele come.
Baco não está nem aí para saber quantas bocas tem o fogão.
Baco não tem nem a mais remota idéia do que venha a ser Fois de Volailles em Aspic.
Baco nunca comeu bolo de gengibre – ele iria odiar.
Baco nunca acrescentou leite quente à mistura de farinha e manteiga que escurece rápido na panela.
Baco não resolver entrar para a escola de culinária aos 37 anos de idade.
Baco nunca dourou pedaços de cordeiro.
Baco adora crepes farcies, roulées e flambées. Infelizmente, ele tem poucas oportunidades de apreciá-los.
Baco nunca tentou fazer um Boeuf Bourguignon. Mas ele adoraria comer.
Baco não é Julia Child.
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18/11/2009 - 00:42
É tão estranho estar frente a frente com um homem que você amou tanto tanto tanto tanto, porque ele continua o mesmo, o mesmo sorriso, a mesma gargalhada, os mesmos olhos, o mesmo nariz (um belo nariz, gostaria de deixar registrado), as mesmas mãos (idem), sim, ele é o mesmo e você também, que diabo. Os dois mais velhos, mais gordos, cheios de cicatrizes e rugas e contas para pagar, mas os mesmos e, ao mesmo tempo, tudo mudou. Você não o ama mais. É tão simples, é tão cruel, é tão vida real, não dá romance, nem novela, a Nora Ephron não vai querer dirigir essa merda. Entre vocês xícaras de café com leite ou vodcas ou cocas-colas, algumas reminiscências, um certo ressentimento (há muitos anos atrás namorei um médico chamado Marcus que me ensinou: não existe paixão sem ressentimento), alguma dor (ora bolas), mas amor, não, de jeito nenhum. A vida é mesmo um troço esquisito. Talvez a Nora Ephron fizesse alguma coisa com isso, afinal.
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16/11/2009 - 16:26
— Eu não sei quem é você e você não sabe quem sou eu — ele bate na mão da outra com a condescendência mais nojenta do planeta — mas cada vez que eu olho para você, penso no que eu já fui, em como eu era, em como eu vivia.
A outra tem que fingir que aprecia muitíssimo aquela lição de vida de quinta categoria, porque viver em sociedade é isso, é suportar as imbecilidades alheias e sorrir, ainda que não com os olhos.
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13/11/2009 - 11:36
Ela vive cada dia cada dia sem surpresas, poupada e poupando-se das grandes dores, pagando o telefone, levando o menor pra natação, fazendo depilação na chilena sexta-sim, sexta-não, comprando colchas de cores fortes, bebendo outra taça de vinho. E cada gesto, cada página navegada pela internet, cada suspiro, cada maria-chiquinha feita na filha, tudo têm tanto significado, tanto sentido, tanta importância, tanta. Invejo sua agenda estufada, sua força, seu cabelo impecável, sua água com gás, seus sapatos de couro creme e bicos finos. Invejo sua relevância.
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11/11/2009 - 19:55
Meu pai para a mãe dele, que toma Valium desvairadamente:
- Velha, não pode ficar tomando isso, vicia!
- Imagina, Nelsinho, eu tomo Valium há 30 anos, nunca me viciei!
*
Assumo devagar a casa que foi de meu pai. Sem solavancos, sem grandes vitórias. Deito na cama, no quarto que foi dele, e olho pro teto. Que será que ele pensava deitado aqui? Os carpetes do quarto e do escritório cheios de marcas de cigarro que ele fez ao longo dos anos. Devagar deixo minhas marcas também.
*
André, o filho, e Maria Inês, a mãe:
- André, o que você vai ser quando crescer?
- Surfista.
- Hum, tá, querido, surfar é muito legal, mas pra ganhar dinheiro você vai fazer o quê?
- Ser corredor de kart.
- Mas, meu amor, essas não são profissões viáveis, pelo menos para a maior parte da população do mundo. Você tem que viver de alguma coisa que dê sustento, pague suas contas. Por exemplo, onde você vai morar?
E o André, rápido:
- Com a mãe!
*
Fui com a mamãe à casa da minha tia-avó e não foi nada mal. Além de comer deliciosa coxinha de frango e olhar para aqueles lindos olhos azuis, soube que o primeiro sapato titia calçou no dia da sua Primeira Comunhão. Aos 11 anos.
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09/11/2009 - 09:07
Ana Carolina não tem mais um pingo de paciência. Com ela, com ninguém. Com quem não tem dinheiro trocado. Com quem tem medo de atravessar a rua. Com os jargões empresariais. Com os que não respeitam o cronograma e com os que fazem o cronograma também. Com o que pedem tempo no meio da partida. Com quem não provou e não gostou. Com os mudernos deste mundo. Com os caretas do planeta. Com as certezas. Com as incertezas. Ana Carolina não tem mais paciência com os que vão pensar um pouco nisso. Ana Carolina não tem mais tempo, créditos no celular, um guarda-chuva decente ou paciência. E é isso aí.
Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria
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06/11/2009 - 15:37

A primeira vez que vi Lisboa, Lisboa não me viu. Era uma noite de inverno, o céu estava cor de chumbo, sem estrela nenhuma e eu, que desci a escadinha do avião toda-toda (no meu tempo a gente saía do avião pela escadinha), esperando ver as sete maravilhas do mundo duma vez só — mais ou menos isso que meu pai havia prometido — não vi coisa alguma. Mas o velho jurou por Deus que era questão de horas.
Hotel, banho, sopa, cama.
Na manhã seguinte, acordamos às vinte para as seis da manhã (meu pai não acreditava em Deus, em alergias e nem em jet-lag e eu herdei suas crenças religiosas. Macho que é macho levanta da cama, toma banho e café, anda, anda, anda, anda e depois vai pro museu). Depois do café, botamos o pé na calçada.
A primeira vez de verdade que vi Lisboa foi como levar um choque, encontrar o primeiro amor, comprar a primeira dúzia de rosas amarelas para si mesma, dar o primeiro beijo, pintar as unhas de cor de uva pela primeira vez, tomar a primeira limonada feita de limão cravo, passar a primeira noite comendo polenta e fazendo fofoca com o amigo num bar gostosinho. A primeira vez que vi Lisboa, cheirei o ar. Nenhum ar do mundo tem o cheiro do ar de Lisboa. Foi uma dessas primeiras vezes, foi cheia de esperança do que estava por vir, do que ainda poderia acontecer, das muitas e muitas possibilidades que a vida encerra.
A primeira vez que qualquer um viu Lisboa faz tanto, tanto tempo, que ninguém sabe quando foi. Lisboa tem um rio, o Tejo e foi ele quem primeiro atraiu gente pra lá, nos remotos tempos que meu velho pai não era vivo e que, portanto, ainda não era o embaixador extraoficial da cidade. Não só o que viraria Lisboa, mas toda a península Ibérica, é habitada desde sempre, primeiro pelos neandertais, depois por nós – o que, na minha modesta opinião, não representou nenhum avanço. Mil anos antes de Cristo (pouco mais, pouco menos, porque historiador é bicho que não se entende… você vai ver o tanto de e-mail que eu vou receber, concordando com a data, discordando da data), meus favoritos, os fenícios, passam por ali em direção à Inglaterra para comprar estanho. Eles compravam e vendiam, fazendo negócio com os moradores locais. Os fenícios, estou cansada de encher seus ouvidos com isso, Vera Maria, foram os caras mais sensacionais que já existiram.
Bão, o Tejo ali por Lisboa formava um porto natural muito do bacana. A moçada local e os fenícios se encontravam ali pra vender uns lances, comprar outros, fofocas, fumar seja lá que a moçada fumava na época, beber uma bebidinha e tale e cousa. Ali mess, os fenicinhos fundaram Alis Ubbo, que no idioma fenício queria dizer “porto seguro”. E o ria ele chamaram de Taghi que quer dizer “boa pescaria”. E aquilo, Verinha, fervia. Nativos iberos, fenícios, judeus, celtas, e miles doutros negos chegando e partindo, adouro.
Os gregos também passaram por lá. Mas eis que gregos e cartagineses (os herdeiros fenícios, também donos de meu amor imorredouro) não iam um coa cara do outro. E por isso os gregos não ficaram ficando, só ficaram passando. O posto de comércio grego não vingou ali. Fosse vivo, meu velho além de te contar isso no ouvidinho sem dar a mínima pro fato do Tarcísio andar armado e ser mau, inda te diria (pois Camões adorava a história de ter sido Lisboa fundada pelo Ulisses, de Homero ):
Ulisses é o que faz a santa casa
A Deusa, que lhe dá língua facunda;
Que, se lá na Ásia Tróia insigne abrasa,
Cá na Europa Lisboa ingente funda.
Hum, mesmo não ficando assim, pra valer, em Lisboa, os gregos tinham um nome prela: Olios hippon – que quer dizer ‘o lugar onde se encontram cavalos’ (os cavalos da Península Ibérica são espetaculares até hoje, Vera – mais uma coisa espetacular numa península espetacular). Os gregos tinham nome para tudo.
Eu queria pensar junto com você, qual seria o nome deles pro estado no qual me encontro, mas deixemos para lá, né mess?
Amo você,
Eu.
***a foto é de 1988, Nelsão no Castelo de São Jorge, Lisboa. Nossa última viagem para lá.
Autor: fal - Categoria(s): Há um tesouro na casa ao lado
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04/11/2009 - 13:20

Seu cachorro ama você.
Seu cachorro foi programado biologicamente pra amar você.
Ele ama você, mesmo quando você se atrasa ou esquece de botar água pra ele.
Mesmo que você tenha fraquejado.
Mesmo que você fraqueje todos os dias.
Mesmo que você ceda e se perca, mesmo que você minta.
Mesmo que você tenha tanto ódio dentro de você, que doa.
Mesmo que você tenha tanta dor dentro de você, que você odeie.
Mesmo que você tenha estragado tudo.
Mesmo que um ex-caso seu fique noivo duma moça lindíssima, na frente das câmeras da revista Caras, seu cachorro ama você.
Mesmo que você brigue no trânsito e mande o cara do AUDI vir chupar seu pau.
Mesmo que você chegue em casa sujo, pobre, humilhado, mal humorado.
Mesmo que os outros riam de você.
Mesmo que você esteja de ressaca.
Mesmo que você tenha gatos, muitos gatos.
Seu cachorro ama você, mesmo quando você não está com saco pra ele e tranca o bichinho na área de serviço.
Seu cachorro ama você, mesmo quando seu maldito computador dá pau e você perde as imagens das aulas.
Mesmo que você tenha medo de sair de casa.
Mesmo que você tenha medo de falar com as pessoas.
Mesmo quando seu rímel está borrado.
E sabe quando você, com o gato no colo, manda que ele desça da cama?
Mesmo assim, seu cachorro ama você.
Seu cachorro ama você mesmo quando você se odeia.
Mesmo quando você é mesquinha, seu cachorro vai amar você.
Mesmo quando você foge do seu ex-namorado no supermercado.
Mesmo quando todos os seus amigos de infância viraram uns caras emproados e esnobam você solenemente.
Mesmo quando você programa o aparelho de som e ouve a mesma música novecentas vezes.
Mesmo que você trabalhe 15 horas por dia, chegue em casa, caia morto na cama e não brinque com ele.
Mesmo que o amor da sua vida tenha casado com uma menina 10 anos mais nova e 40 quilos mais magra que você.
Mesmo que seu bebê tenha morrido.
Seu cachorro ama você, mesmo quando ele come seu sapato cor de rosa.
Mesmo que o Brad Pitt não responda seus telefonemas.
Mesmo quando você fala com ele na mais irritante voz de bebê desse mundo.

Mesmo que você não veja o que está bem debaixo do seu nariz.
Mesmo que a Laura Guimarães tenha razão e o que mais move você não pode ser dito .
Mesmo quando tanto amor irrita e ofende.
Mesmo quando você está muito doente.
Mesmo quando você esquece de comprar leite.
Mesmo que você tenha sido assaltada por um motoqueiro no farol da Rebouças.
Mesmo que você ponha o bichinho de estimação dele na máquina de lavar roupa e o brinquedo encolha. Mesmo que você não saiba o que fazer com os verbos “competir” e “polir” no presente do indicativo.
Mesmo quando você come chocolate demais.
Mesmo quando você chora olhando no espelho.
Mesmo quando você queima a lasanha, seu cachorro ama você.
Mesmo que você perca o prazo do cliente.
Mesmo quando você toma soníferos demais misturados com martini e, lá no fundo, sabe que não foi sem querer.
Mesmo que você seja caipira no telefone.
Mesmo que, no meio da crise de insônia, você vá lá acordá-lo pra não ficar sozinha.
Mesmo que você tenha desistido da faculdade de veterinária e de mais 6 faculdades.
Seu cachorro ama você, mesmo quando seu saldo está 3.874,98 negativos no banco, mesmo quando sua perna está terrivelmente inchada.
Mesmo que você seja viciada em listas que não servem para nada.
Mesmo que seu aluno repita o ano.
Mesmo que você repita o ano.
Mesmo que você tenha lavado seu teclado encardido no tanque, quebrado a máquina digital, perdido o controle remoto do DVD e que não saiba programar o vídeo cassete.
Mesmo que você xingue seu cachorro de “fedido”, mande ele tomar banho na loja e ele volte com dor de ouvido e com uma gravata patética do Piu-Piu, ele ama você.
Mesmo quando todas as suas amigas de infância têm bebês e você não.
Seu cachorro ama você, mesmo quando sua mãe nem tanto.
Mesmo quando você voltou a roer unhas.
Mesmo quando você o atrai com beijocas e biscoitos e daí passe remédio de pulga na nuquinha dela na maior trairagem.
Mesmo quando você chora debaixo do chuveiro, pra sua cara não ficar inchada, seu cachorro vai te amar.
Seu cachorro ama você para sempre, mesmo que nada, nada, nada tenha salvação e que, em parte, a culpa seja sua.
*** Na primeira imagem, Freud, a foto mais linda que o Nelsinho já fez. Na segunda imagem, Baco e Alexandre, a foto mais linda que eu já tirei.
Autor: fal - Categoria(s): força na subida
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02/11/2009 - 13:40

O que mata é que ele pode ver o próprio reflexo na janela do escritório de casa: descabelado, com olheiras, uns 5 quilos mais magro, patético. Devia haver uma lei proibindo a gente de se apaixonar depois dos quarenta. Ou depois de estar casado. Mas não. Ele ali, perdido de amor, checando seus mails a cada meia hora, feito um guri. Fumando, sem comer, sem dormir, sem ouvir nem uma palavra do que a mulher tinha dito o final de semana todo. Isso depois de ter sido pego pelo gerente de produtos desenhando corações no bloco durante a reunião da sexta-feira. Ah, e de pau duro, mas isso, graças a Deus, o gerente não tinha como saber. Ou tinha? E por causa de quem? De uma menina, quase uma desconhecida, quase vinte anos mais nova, quase noiva, quase maluca. Maluca. Malucos, os dois. Maluco o mundo, que não percebia nada. Porra, ninguém vai notar essa magreza, essas olheiras, essas noites sem dormir, a risada frouxa, os sumiços? Ninguém vai notar a culpa, a irritação com as crianças, os olhares perdidos no horizonte? E cadê esse e-mail que ela não responde?
** foto linda de Nelson Biagio Jr.
Autor: fal - Categoria(s): força na subida
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