Queridinhos, quase acabando, todos bons por aí? Animados com o feriado?
Então, coragem. Vale lembrar, que a Revolução Francesa teve três fases. Então, como diria o cara do crime da mala, vamos por partes.
Fase 1:
Período da Assembléia (junho de 1789- 1792)
Desde que os debates tornaram-se de conhecimento público, os preços tinham disparado. Estima-se que uma família pobre, que em agosto de 1788 gastava 50% de seu orçamento para comprar pão, entre fevereiro e julho de 1789 gastaria 80% de seu orçamento para comprar a mesma quantidade.
Aquela parte da sociedade que ficaria como sans-cullotes (o nome vem do fato desses caras não usarem os calções da aristocracia e quer dizer, literalmente “sem calções”), ou seja, os artesãos, pequenos funcionários e pequenos comerciantes, professores mais pobrinhos – a raia miúda, todos estão revoltados. Tão revoltados que resolveram invadir o Hôtel des Invalides, onde havia um depósito de armas. Invadem, armam-se e vão à Bastilha à procura de munição. A Bastilha era uma antiga fortaleza construída na Idade Média. Os populares marcharam até a fortificação. Exigiram que o comandante, o Marques de Launay, lhes desse armas. O comandante se negou e ordenou que se abrisse fogo contra a população. O populacho invadiu o troço na unha, matou o comandante e cortou fora a sua cabeça e pegou um montão de munição e pólvora. Uia, fome é um negócio seriíssimo. Gente com fome é capaz de tudo. Até de tomar a Bastilha, em 14 de julho de 1789. Luis de la Rochefoucauld, o Duque de Liancourt, vai comunicar ao rei o que está acontecendo, que a situação é seriíssima e que o bicho pegou. O que eles conversam? (e isso tá nos documentos oficiais, não saiu da minha cabeça)
- Calma, é só uma revolta, meu caro.
- Não, Majestade, é uma revolução.
Que mais o povo fez?
Ansiosos por notícias do que acontecia na capital e na Assembléia, os camponeses começaram a temer que talvez a classe média não se interessasse por seus problemas. Também eles estavam desesperados. Invadem e incendeiam residências nobres, solares, mosteiros e residências de bispos entre julho e agosto de 1789, assassinando um monte de nobres em diversas partes da França.
A PARIS! A PARIS!
Em 5 de outubro de 1789, mulheres enlouquecidas com o preço do pão marcham sobre Versalhes, e exigem que o rei volte para Paris e resolva a situação. Invadem um pedaço do castelo, matam uns nobres. O rei, apavorado, cede. A guarda nacional, solidária com a multidão, volta para Paris com os populares e o cortejo tem, à sua frente, soldados que levavam pães e cabeças espetadas em suas baionetas. Dentro de sua carruagem, o rei e a rainha sabem que estão ferrados, embora o rei, mui digno, declarasse “Irei a Paris com minha mulher e meus filhos, confio o que tenho de mais precioso ao amor de meus bons e fiéis súditos”.
Foi aí, fios, só aí, que a nobreza entendeu que o trem estava feio. Foram necessárias três revoltas populares extremamente violentas para a ficha cair. Famílias nobres saem do país desesperadas. O rei manda seus irmãos e suas famílias irem embora, mas ele decide que vai ficar, e seus filhos também. Que ele quisesse ficar, vá lá, ele queria tentar manter a coroa, mas porque não tirou os meninos do país, seu besta??? (fácil falar agora, né?). Ainda não era tarde demais. Ele podia ter salvado seus filhos, ele podia ter salvado Maria Antonieta.
Como resultado direto das manifestações populares, o rei e os nobres foram convencidos a tratar a Assembléia Nacional como o órgão legislativo da França, a corvéia foi abolida, assim como os dízimos eclesiásticos, a servidão, a maioria das isenções de impostos e os privilégios de caça. Claro que os nobres não abriram mão de todos os seus privilégios, mas que ficaram com medo, ficaram.
Depois da derrubada dos privilégios, teve mais: a Assembléia preparou uma carta de liberdades, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, cujos pontos básicos diziam que a propriedade era um direito natural, assim como a liberdade, a segurança, e a resistência à opressão. A declaração considerou invioláveis a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, a tolerância religiosa. Afirmava que os cidadãos teriam direito a tratamento igual nos tribunais e estabeleceu que a soberania residia no povo e que os funcionários do governo seriam depostos em caso de abuso de poder.
Em novembro de 1789 as terras da Igreja foram confiscadas e usadas como lastro para emissão de assignats ou … papel-moeda – para que se controlasse a inflação.
Em julho de 1790, promulgou-se a constituição civil do clero, que colocava os membros do clero sob autoridade do Estado e estabelecia que padres e bispos deveriam ser eleitos pelo povo, receber salário do governo e jurar defender a nova constituição. A Igreja separou-se parcialmente de Roma, pois o que se queria estabelecer era a Igreja Católica da França, uma instituição nacional, submissa à Roma apenas em tese.
Em 1791, a Assembléia terminou de redigir a nova constituição. O governo transformou-se numa monarquia limitada e o poder era, principalmente, da classe média, ora, por quê? Porque, embora todos os cidadãos tivessem os mesmos direitos, só poderiam votar aqueles que pagassem certa quantidade de impostos. Hum.
O rei foi privado do controle que outrora exercera sobre o exército e a administração geral. Ele arma uma fuga meio estapafúrdia (finalmente), mas são todos apanhados e presos. Antes, viviam confinados numa residência, agora, são separados, presos, ele não vê mais a mulher e os dois filhos.
A constituição francesa era um reflexo do Iluminismo. Foi estabelecida a divisão de poderes sugerida por Montesquieu: o poder executivo seria exercido pelo rei, que indicaria seus ministros; o poder legislativo seria exercido por uma assembléia composta de 745 deputados eleitos; e o poder judiciário seria exercido por juizes eleitos. Bão, isso tudo queria dizer o quê? Que a burguesia estava bonita na fotografia. Eles votavam, tinham liberdade econômica e os obstáculos (as taxas) ao comércio haviam sido eliminados.
Mas escuta, e o povo? Hum. Isso nos leva à segunda fase da Revolução, conhecido como o Período da Convenção (que dura de 1792 a 1795) . Entendam uma coisa: o povo, os sans-cullottes, continuavam numa merda federal. As terras da Igreja confiscadas foram (divididas?) vendidas em terrenos tão grandes que eles não podiam comprar. A Assembléia, ainda por cima, manteve o fim das terras comuns para permitir que uma agricultura capitalista se instalasse. E o povo não votava, então, quem iria representá-lo no governo?
As classes baixas estavam loucas da vida com todo esse negócio. Novamente multidões saiam às ruas exigindo pão e trabalho.
E enquanto o povo estava na rua batendo panela, o que acontecia no resto do mundo?
Ah, na próxima semana saberemos sobre o resto do mundo e, finalmente, o que acontece com a nossa garota.
E segunda-feira, feirado, croniquinha aqui. Besos.