Marli

Comunista sim, senhor, como não? Comunista de proibir Sílvio Santos e Pato Donald, os mais temíveis agentes do capitalismo imperialista. Não comia criancinha, mas bem que mascava uns pés de criancinhas, prelas verem o que era bão. Érico Veríssimo na cama, depois da escola, antes do almoço. Chico Buarque no carro, buscando as crianças na escola. Ah, sim, crianças ainda, ambos com mais de trinta. Cachorros enormes. Banho nos cachorros enormes. Internacional Comunista era canção de ninar. Quando todo mundo tinha patins de botas, a filha ganhou patins de tênis, lindos, azuis, sensação, “foi minha mãe que escolheu”. Cabelo tão fininho, paina, “pêlo” de pintinho. Italiano sem sotaque, francês de moça de colégio de freiras, latim dos césares. Mãos lindas, de fazer comercial, frias, frias, unhas com esmalte clarinho, gelatina e complexo B. Pés tão magrinhos que, segundo o genro, não têm meio, só começo e fim. Peitos lindos, um dos orgulhos da vida da filha. Perfume de limão. Sobrancelha que, erguida, vale por uma bronca de duas mil laudas, sobrancelha de cinema. Voz que treme um pouquinho às vezes, de gripe, de choro, de fome, de sono. Jogos de tênis, corridas do Ayrton Senna. Yoga. Muito pouca paciência com os imbecis desse mundo, o que quer dizer que vive impaciente. Veemência, apoio incondicional, discursos pelo telefone. Óculos, luvas, chapéus e carro doirado, a escola parava na hora da saída, o coração da menina explodindo de orgulho, de prazer com a exibição, “é a MINHA mãe”. Tom de voz ideal para manter à distância as setembrinas deste mundo. A melhor oradora do mundo, a melhor cantora do mundo. Nenhuma crença em Deus. Nem no diabo. Nem na Terra do Sol. Filmes do Fred Astaire, livros do Loyola, paixonite pelo Dr. Reis dividida com a filha. Remédio para diabetes engolido com Coca-Cola, enlatados americanos na TV “pela curiosidade sociológica”, claro, claro. Plantas que nunca morrem. Cabecices, livros de mitologia germânica, filósofos alemães, teólogos tchecos, filmes insuportáveis, vindos d’alguma parte suculenta e remota da Rússia, rádio do carro fixo em estações de música experimental, a filha suspirando de saco cheio, tapas na testa da filha. Feijoada, claro, mas light. Café com leite docinho. Teorias da conspiração borbulhantes, gritos de “Coisa da máfia, eu sabia, eu sabia!”, sempre que alguém morre ou se dá bem. Rins preguiçosos, críticas implacáveis, melhor amiga com câncer, pastora alemã com a barriga cheia de cachorrinhos, netos pouco vistos, filho genial, nora que sorri, filha mal-educada, genro perfeito, óculos na ponta do nariz, pudim de sobremesa, aniversário, anivrsário, aniversário.

Mãe maravilhosa, filha maravilhosa – nem sempre é assim, mas quando acontece, pode crer que a filha deve muito à mãe….
Parabéns para as duas!!!
Com carinho,
Cláudia.
gente guarda um pedacim do bolo pra mim!
Parabens para mae da Fal!!!!!!!
Feliz aniver Maliu!!!!
BJOS PRA MALIU!
Ah, que legal, parabéns Maliu! Fal, hoje seria aniversário do meu pai tbm – João Batista, né, lógico. Até escrevi um coiso lá no meu canto tbm; BJK.
Parabéns para a mamãe pelo momento e pela família. Eterna boa sorte.
Que coisa mais estranha, Fal. Eu não suporto minha mãe e adoro a sua.
Felicidades pra Maliu !
Feliz Aniversário atrasado para Maliu!
Beijão e abraço bem apertado, felicidades sempre, muita saúde e muita paz.
Delícia se ter mãe né? Beijo nela, hoje e amahã e depois, depois depois…
ah, fal, eu parei no comentário da K: eu não suporto a minha mãe, mas tb adouro a sua! kkkkkkk
parabéns pra maliu!
tô com saudades suas… espero que esteja tudo bem aí. está?
e vc viu o michael jackson e a farrah fawcett? ah, fal, esse mundo tá ficando besta e sem graça mesmo…
bjs sinceros (;op)
Beijos na sua mamãe.
O texto tá lindo Falzuca, mamis é a maior. Bj enorme pra ela e outro pra ti.