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Arquivo de março, 2009

30/03/2009 - 11:30

Não é justo

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Há, claro, os que nos amam. São os caras que vão sofrer ao nos ver sofrendo. São os caras que dizem “se eu pudesse, tirava a sua dor com a mão” (acho linda essa expressão). São os caras que nos pegam no colo e nos levam pra jantar no indiano e no português e nos levam ao cinema e para passear de carro e mandam e-mails engraçados e doces sobre a deles com amizade com Caetano Veloso e trazem filmes pra nossa casa pra ver conosco, pezinhos enrolados nos nossos, tigela de pipoca. Talvez eles não entendam a nossa dor, nem sua profundidade, nem seu sentido, nem porque dura tanto e nem nada, mas eles nos amam, ponto.

Há os que já passaram pelo que passamos. Eles entendem. Às vezes eles nos amam, às vezes não. Mas esses caras tem um mover de cabeça solidário, ele estendem. Eles já estiveram aqui onde estamos. Os conselhos deles geralmente são os melhores e seus abraços são os que nos tomam por inteiro, porque eles sabem.

Há os que, nos amando ou não, acham um saco. Toda essa dor, todo esse nhenhenhem, lágrimas, lencinhos, fungadelas. Eles não tem paciência, eles não entendem o porque de tanta onda, eles acham que deveríamos botar uma roupa bonita ir ao show do Rio Negro e Solimões com eles.

Mas há outros. Há os que ao se depararem com a nossa dor, tem a própria dor revelada. A dorzinha deles tão adormecida, soterrada por caixas de picles e cadeiras de praia, por revistas velhas e entulho da última reforma, fareja a nossa dor, tão clara, arejada, revelada. E jogando longe tudo o que  cobria, exige o que é dela, urra, atira vasos na parede. Faz o que toda dor deveria fazer, ela dói. E o dono dessa dor, desamparado e surpreso, inevitavelmente vai se voltar contra nós. Nós, que com nossa dor, despertamos a dele. Nós, que com nossos horrores particulares, acabamos por jogá-lo no abismo. E ele fica doido da vida. Vem para cima de nós, o dono dessa dor recém-desperta, nós o angustiamos. Nós o deixamos num estado que ele chama de “desarmonioso”. A culpa é nossa e não dele, que soterrou o próprio sofrimento. É nossa dor que o ‘deixa mal’, não a dor dele, trancada num porão frio e úmido, há tanto, tanto tempo. Como é que ousamos sofrer em público? Chorar com a boca quadrada no meio da rua, ficar com os olhos marejados na frente de vendedores, mostrar fotos dos que se foram para o gerente do banco, quando ele, modesto, limpo, cumpridor de deus deveres e mantenedor da ordem e da lei, passou todo esse tempo quieto, controlado, cuspindo frases prontas do picaretíssimo mundo motivacional, lendo Lya Luft, divulgando power-points inspiracionais e tecendo conceitos incrivelmente vazios sobre a vida e suas filosofias? Nossa falta de limites, nossa declaração pública sobre a vida e seus estados, nossa absoluta falta de pundonor frente ao que dilacera, altera o parco equilibilío, o frágil equilíbrio, o nada-equilíbrio no qual vive há tanto tempo nosso amigo. E assim, a miséria da vida dele vem à tona, junto com seus medos, sua falta de capacidade para tomar decisões, seus pudores – coisas aliás, comuns a todos, todos, todos nós, mas ah, as dele estavam tão bem trancadinhas. E nós, com nossa dor, não tínhamos o direito de cutucar nada disso. ‘Não é justo! Eu não queria voltar a sentir tudo isso! Eu odeio vocês’, ele brada. Coberto de razão.

“Conclusão: a própria dor deve ter sua medida: É feio, é imodesto, é vão, é perigoso ultrapassar a fronteira da nossa dor.”                                                                                                                                      

Paulo Mendes Campos

 

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags: , , , , , , , , , ,
27/03/2009 - 21:16

Flor de Laranjeira – I

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Querido Paul:

Meu lindo! Que saudades!
Estou mandando essa cartinha junto com as flores para me desculpar de não ter podido ir à sua festa surpresa de aniversário. Eu fui madrinha de casamento de uma colega de trabalho, o Henrique te explicou? Quando ele ligou para falar da festa eu contei para ele. Como foi sua festa? Foi surpresa mesmo? Você adorou? Espero que um de nós tenha se divertido.
Madrinha, Paul, agora você imagine, euzinha de madrinha. Mas eu fui, Paul. Eu fui. Você iria se orgulhar de ter criado uma moça tão séria. Vencendo todos os obstáculos, cruzando todos os rios, atravessando todos os desertos, enfrentando todas as dificuldades, espremi meu rechonchudo (digamos assim) corpinho de sereia num vestido cinza-prateado, e lá fui eu. Nunca lamentei tanto não ter ido ao aniversário de alguém, você pode acreditar. Sinta-se feliz em não ter sido você o padrinho. Primeiro, a ida. Para que um ser humano vai se casar na Nossa Senhora do Brasil ou na Igreja do Calvário, que são fáceis de chegar e que constam até do mapa da cidade, se pode casar numa igrejinha “linda”, “despojada” e “meiga”, que fica num ponto perdido entre a Penha e São Miguel Paulista? Tudo que eu sei, Paul, é que depois de uma certa avenida, o caminho é indicado por flechas incandescentes. Ainda bem que cheguei à Igreja antes da indicação por estacas com crânios dos inimigos, mas foi assustador mesmo assim. Eu sei que Deus é onipresente, mas acho que tão longe ele não chega não.
Enfim, com a ajuda dos deuses protetores das madrinhas, eu encontrei a tal Igreja. E mal entrei, Dona Carmem, mãe da noiva, mais rápida que um raio me catou pelo cotovelo e me arrastando por tudo que é canto, foi me apresentando aos parentes de um lado e de outro, sempre com comentários pertinentes: “Aquela ali, minha filha, é noiva do irmão da namorada do ex-genro da nora do primo em segundo grau do pai do noivo. Mas não é mesmo uma gente esquisita? Eu falei para a Ana Paula ver bem onde ela estava se enfiando, mas ninguém me escuta naquela casa. Olha o tecido do vestido daquela moça ali. Prima da mãe do noivo. Cetim vagabundo e eu não sei? Aquilo ali éSaldão de Retalhos, eu nunca me engano”. Mas não pense, Paul, que foi só a família do adversário, digo, do noivo, que ela arrasou não! Dona Carmem também não perdoou a família dela: “Vem aqui, minha querida, vou te apresentar o menino mais novo do meu irmão, sabe aquele que tem problemas? O menino tem problemas, não meu irmão. Pois é, mas graças a Deus, descobriram que não era epilepsia, era só uso de drogas pesadas, o menino já está em tratamento.”
Esse reconhecimento de terreno durou horas, Paul. Tá exagero, não foram horas, mas pareceram. Quando a Dona Carmem, finalmente, me depositou no altar (não sem antes um “Você engordou, minha querida, ou é esse vestido que tem um corte esquisito?”), eu estava zonza. Mas a culpa do meu enjôo não era só falatório da Dona Carmem, eu entendi isso assim que olhei em volta com atenção. Paul, a Igreja estava coalhada de flores! Uma florzinha roxa, com o cheiro mais doce do mundo, desses de dar diabetes em pedra. Em meia hora minha curva glicêmica tinha se transformado em um planalto glicêmico. Um pavor. Não, calma, pensando bem, isso não foi um pavor não. Pavor foi quando me apresentaram para o padrinho que seria meu par, um primo da Ana Paula. Paul-de-Deus!
Assim que os peritos da UNICAMP descobrirem se aquele ser pertence à alguma era geológica ou à alguma nave mãe, eu mando avisar. Olha, ser solteira não é nada fácil, viu, Paul? A gente tem que fazer par para madrinha com qualquer imbecil que mandam, ao invés de fazer par com o marido da gente, que pelo menos é um imbecil conhecido. O homem não falava, grunhia. Até os dedos dele eram peludos e ele tinha uns quinze centímetros de testa. Grunhiu alguns sons na minha direção, esmagou minha mão no cumprimento e depois desistiu de mim. Que todos os anjinhos do céu digam amém.
Eu fiquei ali, atordoada, com cara de pato, a bordo de uma sapato com salto estratosférico. O salto do meu sapato não tinha centímetros, tinha andares. Até super bonder e durex eu havia carregado na bolsa para qualquer eventualidade de abalo sísmico nos alicerces do sapato, mas não precisou. Minha única diversão era observar os homens perto de mim. Quem fala mal da moda feminina nos casamentos devia estar ali. Só para te dar uma leve idéia, em volta do altar, três exemplares assustadores: o pai da noiva trajava um inesquecível terno de veludo azul marinho com ombreiras quilométricas, ostentando por baixo do paletó, uma camisa florida de motivos havaianos, a maior gravata borboleta que eu já vi e para arrematar, sapatos de duas cores. O irmão do noivo apavorava num terno branco usado com camisa azul marinho e uma genial gravata borboleta branca com pintinhas azuis. E, prepare-se, Paul, para o modelito do noivo. O noivo, acredite você ou não, estava envolto por um smoking dourado (é, Paul, dourado), camisa branca de babadinhos e gravata borboleta de brocado… acertou, dourada também. Ou melhor, o que havia restado do noivo estava trajado assim. Durante a recepção (sim, tivemos uma festa depois, calma que eu chego lá), eu fui informada dos pormenores escabrosos que fizeram com que o noivo estivesse com aquele ar acabado. Reza a lenda, entre outras coisas, que o galalau consumiu nada mais que uma garrafa e um quarto de vodka durante os festejos de despedida de solterice o que, junto com outras cositas (dançarinas exóticas saindo de dentro de bolos, etc), explicava sua expressão de morte próxima e dolorosa. Outro fato que foi-me esclarecido durante a festa: o atraso da noiva. Tudo bem que é folclórico noivinhas chegando atrasadas e esbaforidas aos seus casamentos, mas a Ana Paula se atrasou duas horas e quarenta minutos! Paul, tudo isso. E eu de salto alto, sem ter para onde correr. Ainda bem, porque meus pés não aguentariam mesmo correr. O que eu apurei depois, durante a festa, foi que o irmão dela, que iria dirigir o Galaxie da família, conduzindo a noiva até a igreja, resolveu comemorar o desencalhe, digo, o casamento da irmã antes, e “amarrou um foguinho” com vinho branco roubado da recepção, o que o levou juntamente com a carro de vinte anos do papai e uma irmã histérica, mal humorada e vestida de noiva de quase trinta primaveras, para debaixo de um ônibus inter-municipal. Comoção geral na família. Ninguém sofreu nada, graças a Deus, a não ser o carro, que ficou irreconhecível, e a pressão de papai, que também ficou irreconhecível. No fim das contas, a Ana Paula teve que ir numa pick-up da Garra para a Igreja (depois dizem que polícia não serve para nada) e o aprendiz de fora-da-lei passou a noite toda prestando esclarecimentos na delegacia. Bem que eu tinha notado o brilho assassino nos olhinhos da Ana Paula ao entrar na Igreja, rebocando seu pobre pai atônito, mas eu estava tão preocupada tentando trazer meus pés de volta à vida, que não fiz muito caso. No final, o que fez com que meus pés voltassem a falar comigo, foi o susto. Sim, Paul, o susto. Nada, nem todos os anos de terapia, nem a leitura dos clássicos, nem a observação do cotidiano, nem os sábios conselhos de minha avó, haviam me preparado para o que eu vi. O vestido de noiva. Aquele vestido de noiva, Paul. Nelson Rodrigues teria escrito umas dez peças sobre ele, caído de joelhos. Não era um vestido de noiva, era o vestido de noiva. Fazia com que a Ana Paula parecesse um “merengue-revortado-fujão-da-padaria”. As camadas e camadas de tule da saia poderiam ter vestido todo um corpo de baile de companhia de dança russa. Seu estilo era neutro-básico-simples-casual, o que quer dizer que tinha decote estilo princesa revestido de tule (mais tule), com acabamento em marabu, babado, sinhaninha, renda rebordada de pérolas, brocado, passamanaria, manga bufante, passa-fita, jabor (não o cineasta, o plissadinho de organza), chamalotte, lacinho, florzinha, pedrinha, ajour, bordado richelier, anquinha, saia rodada, aplicação, sobre-saia de cetim, luvas de organza com botão de pérolas, um véu que levava metros e metros para acabar (devidamente carregado por duas primas mal-humoradas), grinalda, mantilha, terço, aplique, um buquê que desfalcou a Floresta Amazônica por gerações, e coroa. Pensou que ela se esqueceria da coroa? Jamais. A Coroa era de strass.
Enfim, depois de certa agitação, aquele mostruário do Conrado Segreto se posicionou em frente ao altar com o futuro marido e a cerimônia começou. O acabamento do decote em marabu fez a Ana Paula espirrar e ela ainda chorou todo o tempo (não sei se de emoção de vergonha, ou de raiva), o que quer dizer que ela ficou parecendo o Jason, do Sexta Feira 13 depois da chuva. Ela deve ter ficado linda no filme do casamento. Aliás a cerimônia começou e parecia que não ia terminar nunca mais. E pela cara de pânico dos circunstantes, eu não era a única com essa certeza. A Igreja estava numa temperatura média de 41 graus. Padre recém-ordenado, louco para se mostrar, fez um sermão longo, enrolado, cheio de citações em latim. Olha, não foi fácil. Uma tia do noivo desmaiou com o calor e o cheiro das flores e teve que ser carregada para fora e deitada na graminha da frente da Igreja. Os convidados (vamos chamá-los de sobreviventes), se mexia sem parar nos bancos, eu sentia vertigens do alto dos meus intermináveis saltos e meus pezinhos que normalmente já são redondinhos, pareciam duas broas de fubá. Além disso, meu sutiã estava me apertando, a meia calça me pinicava, meu penteado debaixo da casquete (não ria, madrinha tem que usar aquela coisa ridícula), desabava centímetro a centímetro. Quando finalmente, o pré-Papa disse “Pode beijar a noiva”, meu suspiro de alívio foi ouvido por toda a congregação.
De lá a Nau dos Insensatos rumou para a recepção. Dei carona para uma tia do noivo, que me fez um longo e maravilhoso relatório sobre todas as suas doenças e achaques, dores e ossos descalcificados. Cheguei na festa doutora em geriatria e sentindo todos os sintomas das doenças que a boa velhinha falou. Você sabe, não é, Paul, que a única doença que eu não tenho é hipocondria. Bom, pensa você, ela chegou à festa, relaxou, bateu um rango e dançou com algum primo bonitão e hetero do noivo. Sinto decepcioná-lo, Paul, mas a realidade é sempre cruel.

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags: , , ,
27/03/2009 - 21:15

Flor de Laranjeira II

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(cont.)

A recepção foi num clube que fica mais distante ainda do mundo real do que Igreja, imagine você. Eu acho que era na fronteira. Não era alto Goiás, era baixa Bolívia. O clube tinha um desses salões enormes, até os garçons se perdiam ali dentro. Além disso, uma manada de crianças insuportáveis e super ativas, corria para todo lado, pisando no meu pé e me aterrorizando. Demorei uns bons vinte minutos para encontar minha mesa. Quando a encontrei, surpresa! Era a mesa das solteironas! O que você esperava, Paul? Que eu ficasse na mesa dos solteiros-grisalhos-bem-resolvidos-e-bonitões? A escalação do time era a seguinte: do lado do noivo a tal da tia às portas da morte para quem eu dei carona e uma prima em segundo grau, freira. Do lado da noiva, uma irmã sapatão, uma tia encalhada, aparentemente muda e eu, que lentamente sentia as forças me abandonando. Se bem que devo confessar, até que a conversa foi animada. Quebrado o gelo inicial, garramos a falar mal dos homens em geral e dos nossos ex em particular e demos gargalhadas, até a tia aparentemente muda se animou e falou.
Mas nossa animação duraria pouco. Muito pouco. Pois quando eu já ia perguntar a que horas a janta ergueria a sua horrível cabeça, o jantar foi anunciado. Paul, apesar da minha dor e do meu trauma, vou tentar descrever para você essa experiência mística e assustadora. Primeiro, claro, a entrada. Uma pasta vagamente cor-de-rosa, com um sabor vagamente marinho, em cima de uma torradinha de dieta, cercada por uma floresta de cenoura ralada sem tempero. Meu desespero foi tanto que eu quase comi o arranjo de flores com vela dourada do centro da mesa. Mas ainda bem que eu não comi o arranjo, porque no fim da festa a tia muito doente resolveu levá-lo de brinde. Meia hora depois que a pasta e sua amiga inseparável, a torrada de dieta, se debatiam em meu estômago, chegou o primeiro prato. Só posso lhe dizer, Paul, que senti saudades da pasta. Num prato enorme, uma porção ridícula de algo quente, esperava que desbravadores se lançassem ao desafio. Com a audácia que me é peculiar, tomei a iniciativa e investiguei o espécime. Era pato. Caramelado. Com suflê de kiwi. Com a certeza de estar no pesadelo de algum chef tailandês, olhei em volta. Minhas companheiras de mesa e infortúnio estavam estranhamente quietas. Mas como diz o poeta, a fome era negra e eu, nessa experiência com o desconhecido, não fiz feio. Mastiguei vigorosamente a maçaroca e com a coragem que sempre me caracterizou, engoli aquele rango com energia. Sensibilizadas com minha atitude, as companheiras resolveram seguir meu exemplo e em pouco tempo, estávamos melancólicas e lânguidas à espera do segundo prato. Assim que o segundo prato chegou, sentimos falta do jejum. Era um macarrãozinho pálido e desanimado, cujo único acompanhamento eram lasquinhas de azeitona preta que comi sem sentir o gosto, enquanto meu estômago pedia para sair. Quando a sobremesa chegou, uma assustadora sopa fria de morangos (estamos em fevereiro, Paul, sabe Deus a idade desses morangos), eu estava quase inconsciente. Passei o resto da festa numa espécie de pesadelo em câmera lenta, induzida pelos delírios da fome. Depois daquilo0 que convencionou-se chamar de jantar, veio a hora da dança. O primo de Neanderthal veio me chamar para dançar e eu aceitei, Paul, naquela altura do campeonato toda a dignidade que eu possuí um dia já havia me abandonado. Além disso era ele ou outro primo da noiva, um louro de dez anos. E sabe que o espécime até que não dança mal? Ele tem braços fortes. Dançamos um tempão. Até tivemos o que na tribo dele deve ser uma conversa animada, cheia de sons e grunhidos. Além disso eu já fiz os exames de gravidez, está tudo bem. O Baile da Saudade só foi interrompido, aliás rudemente, quando o pai da noiva todo suado, de pifão, sem paletó, a bordo da sua inominável camisa de Bora-Bora, resolveu que o casamento da sua única filha era o lugar ideal para se montar uma lavanderia e dar um tapa na roupa suja da família. O adjetivo mais doce que ele usou para descrever sua sogra, a venerável avozinha da noiva, só é encontrado em compêndios atualizados de medicina. Veterinária. O vendaval de recriminações parecia interminável. Foi tão constrangedor, Paul, que eu senti saudades da minha família, imagine você. Por fim, conseguiram tirar o microfone da mão do pé-de-cana e um surreal show de calouros teve início, com uma senhora, a avó do noivo, cantando árias de ópera num italiano que parecia espanhol. Cantoria essa, imediatamente seguida de um concurso da dança do Tchan. Depois de mais uns números que envergonharam o mundo dos espetáculos de toda parte, veio a hora do buquê. Eu, boa madrinha solteirona que sou, me posicionei na linha de frente, cheia de esperança. Mas não peguei o buquê. Ninguém pegou. A Ana Paula se entusiasmou na hora de jogá-lo e dando um passo para trás, tropeçou e caiu na piscina. Novo corre-corre. Resolvi que era demais para mim e iniciei um discreto processo de saída à francesa. Peguei minha bolsinha (forrada com o mesmo tecido do vestido e do sapato), minha lembrancinha de casamento (um porta retrato, made in Taiwan, em formato de coração dourado), e fui lentamente arrastando o que restava deste pobre corpo em direção à saída quando… certo, a tia doente me alcançou e com olhos tristes e pidões me convenceu a lhe dar nova carona, jurando que morava bem pertinho. Em vez de perguntar pertinho de onde, eu concordei. Fomos nós três (eu, a velha e o enorme arranjo do centro da mesa que ela surrupiou), rumo ao cafofo da velhinha, que jurou em falso, porque morava longe. Mesmo. Rodei boa parte da madrugada com a piedosa senhora no carro, passando por todas as pontes, favelas e blitz policiais dessa cidade, enquanto ela tentava se lembrar em que floresta miserável ela se escondia. Eu só queria me arrastar para debaixo de uma pedra e morrer. Quando finalmente encontramos a casa dela, lágrimas me vieram aos olhos. Ela pensou que fosse de saudades antecipadas dela e me consolou dizendo que me faria uma surpresa em breve e me visitaria. Chorei mais e mais alto, empurrei a velha para fora do meu carro e rumei para o meu lar, onde me joguei na cama, sem sapatos e com balão de oxigênio, e de onde só tenho saído para me consultar com um adorável e competente psiquiatra que aceita cheque pré-datado para 2005. Mas uma coisa me consola. Em breve eu e o primo de Neanderthal (o nome dele é Gusmão) vamos nos casar (ele me deu uma aliança linda feita de osso e grunhiu o mais romântico pedido de casamento que já ouvi), e eu me vingarei de vocês na minha cerimônia de casamento. Hahahahaha

Beijos alucinados,
Ass: EU

 

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags: , , , , ,
25/03/2009 - 07:55

Porta-retratos

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Na foto do porta-retratos, aí, na prateleira tá vendo?

É sim; todos daí já morreram.

 

Este gorducho louro, de olhos azuis foi substituído, dizem, por um ciclista magrelo.

Esta menina linda me amava, sabia? Morta também. Sua alma foi morar em Coimbra, e até onde se sabe, a tal alma me odeia.

Este aqui morreu praticando jogging numa avenida da cidade. Foi tolhido por um ônibus na flor da idade, a mãe dele nunca se recuperou.

Este aqui era gago, chato e bom para mim. Daí ele se tornou mau, foi embora, e, de vez em quando, assombra meus pesadelos e arrasta correntes nas minhas cicatrizes.

Esta aqui, uns dizem que morreu, outros dizem que não. Seus olhos de morta-viva sempre me dão arrepios, mas eu gosto dela, é como ter um zumbi particular.

Este, era o mais querido de todos nós. Tá vendo a cara, o sorriso? Um doce. Ele se suicidou numa clínica para doentes mentais, dia mais triste das nossas vidas. Às vezes penso que o mundo não estava preparado para ele. E ele sabia disso.

Aquele ali, no canto, era nosso cineasta. Quando morreu, um dentista gordo e feliz tomou seu lugar. É o fantasma mais agradável que eu conheço.

Este moço alto, de lindas mãos, nariz ligeiramente torto e sorriso luminoso, foi o que eu mais amei. Suicídio. Quantos suicídios, pois não? Seu fantasma volumoso, cabeludo, infeliz, agora uiva conceitos vazios quer a lua esteja cheia ou não e transmite o legado de sua maldição para as gerações futuras.

Este era um palhaço adorável, inquieto, rápido no gatilho. Morreu, claro, mas só um pouquinho. O essencial permanece. Ele pisca para mim em meus sonhos, com seus olhos castanhos. Real, assustadoramente real.

E esta menina de azul, sentada no chão? Linda, gordinha, olhos caídos. De muitas formas, a melhor dentre eles todos. Mas a pior também. A que mais ria, a que mais chorava. A mais leal, a primeira a trair. Ela amava demais, ela odiava demais. Ela não sabia nada, mas tinha todas as respostas. A mais safa, a mais tola. Grupo estranho esse, onde uma medrosa tomava todas as decisões. Ela durou pouco, muito pouco, não deixou marcas, nem deixou saudades em ninguém além de mim. Foi a primeira a morrer.

Também eu tenho sangue nas mãos

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
23/03/2009 - 01:36

Baco – II

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Baco não canta “Adiós Muchachos” quando está bêbado.

Baco não sabe a diferença entre “pez” e “pescado”, mas Baco gosta de comer os dois.

Baco nunca comeu salada de tomate.

Baco não é a estrela de Belém.

Baco não sabe quem foi Ptolomeu.

Baco não sabe o que é o Primium Mobile.

Baco não é El Jefe

Baco não foi introduzido pelos árabes no norte da África.

Baco não é membro da gangue salvadorenha “La Vida Mala”.

Baco não sabe qual é a temperatura de Dublin em janeiro.

Baco adora bacon e não tem pena do porquinho.

Baco não tem panelas de inox.

Baco não tem conta no banco.

Baco não sabe que Rodin morreu aos 90 anos, ainda trabalhando.

Baco não sabe o que é anarco-sindicalismo.

Baco não veio da região da Toscana.

A laranja tem cálcio, fósforo, potássio, vitaminas do complexo B, vitaminas A e C, criptoxantina, ácido cítrico e pectina, mas Baco não sabe disso.

Baco nunca comeu Red Angus Beef, ostras, tiramissu, pato com laranja, feijão-manteiga, risoto de alho poró, aspargo, vagem, endívia, durião, amêndoas filetadas, repolho roxo, ovos benedict, javali, champignons, savarin, peach melba, frangipani ou sachertorte.

Baco não sabe onde fica o lago Tanganica.

Baco não comete atos falhos.

Baco não está procurando atingir o Nirvana.

Baco não possui conhecimentos técnicos especializados.

O equilíbrio entre a estrutura racional e ideal não foi preconizado por Baco.

Baco nunca viu um Caititu.

Não foi Baco quem publicou em 1798 a primeira obra em português sobre economia política.

Baco não é defensor do legalismo e da centralização do poder.

Baco não proporciona interpretações da derivada.

Baco não pertence à família dos bovídeos e fim de papo.

Baco nunca integrou a cavalaria medieval.

Baco não morreu em Guildford, Surrey, em 14 de janeiro de 1898.

Baco não se tornou escasso em todo o mundo, a partir do século XVI.

Baco nunca foi apoiado pelos lombardos.

Baco adora mexerica.Baco não é objeto de intenso comércio sendo, inclusive cotado nas bolsas mundiais.

O casamento entre Baco e Maria de Borgonha, não levou a uma acentuada ampliação do território.

Em 1826, Baco não comprovou que a borracha é um hidrocarboneto, assim como a gasolina, o gás natural e o querosene.

Baco não é uma estrofe curta inserida nos versos de um salmo.

Baco não fala espanhol.

 

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
20/03/2009 - 18:15

Elas

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Elas têm cheiro de flor. Sempre. Elas têm mais de 30, uma porção de sonhos malucos, alguns projetos sensatos e uma fragilidade encantadora. Elas têm sardas e primas que com a idade delas já estavam casadas e cheias de bebês. Têm famílias barulhentas e um irmão caçula com cara de mau, que insistem em chamar de irmãozinho. Fazem questão de apresentar você para todo mundo. Aliás, uma coisa sobre elas: elas não têm um pingo de vergonha nem de você, nem da sua careca, nem da sua idade. Elas têm uma certa arrogância que só a juventude permite, às vezes enternecedora, na maioria das vezes irritante, mas que você acaba tolerando porque você gosta mesmo dessa menina. Elas têm colegas do tempo da escola que vão se casar mês que vem e pedem, num sussurro envergonhado, que você vá com elas à igreja e à recepção. E você vai, sabendo que as conversas irão cansá-lo, que os amigos dela vão rir disfarçadamente quando você levá-la para a pista de dança e que todo mundo na festa vai pensar que você é um monstro tarado. Elas têm a vida toda pela frente. Elas têm pudores engraçados e um pouco de medo de ir para a cama com você. São bem-humoradas e doces, acanhadas e encrenqueiras, turbulentas e quietas, tudo ao mesmo tempo. Têm cabelos macios e grandes olhos de bebê, e você se pega no meio do dia querendo saber o que aquela carinha bonita está fazendo. Elas declaram que são donas da própria vida, mas, quando cortam o cabelo, vêm correndo pedir sua opinião. É fácil gostar delas. Fácil demais. Um pouco cômodo também e por isso você tem que tomar cuidado para não se perder sem perceber. Elas recebem seus últimos beijos suspirados nas palmas das mãos com os olhos cheios d’água, a respiração presa. Elas sacodem a cabeça com incredulidade enquanto você expõe seus motivos, e saem do carro com muita raiva de você, mesmo que não admitam. E quando saem deixam impregnado nos bancos do seu carro, no seu terno e no seu coração aquele maldito cheiro de flor.

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags: , , ,
18/03/2009 - 08:34

Eles

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Eles têm filhos. Sempre. E são casados, quase sempre. Eles têm uma porção de assuntos pendentes, uma secretária intrometida, um sócio picareta, medicação para o ácido úrico e horário no dentista, quinta –feira, às 17 horas.
Eles têm medo. Muito medo. De se apaixonar por você. Que você se apaixone por eles. Eles têm carequinhas e óculos de perto e de longe, e suspiram, porque já passaram por tanta, tanta coisa e você ainda não (bom, isso é o que eles pensam sobre você). Eles não a querem apaixonada. Não querem compromissos, nem cobranças, nem uma gravidez indesejada. Eles têm 40, 50 anos, mas quando fecham os olhos se sentem com mais de 100, cansados, vividos, machucados. Eles sentem um pouco de vergonha de apresentá-la aos amigos deles e, quando o fazem, vão logo listando seus predicados, falando sobre o cargo que você ocupa e de toda a sua capacidade intelectual. De apresentá-la aos filhos deles, eles não têm medo. Têm pavor. Eles têm rugas nos cantos dos olhos. Uma calma infinita para levá-la para a cama e pés quentinhos. Eles têm dívidas. Histórias engraçadas e um pouco maçantes sobre a infância dos filhos.
Eles se despedem pela última vez de você, com um discursinho em voz baixa dizendo o quanto você é maravilhosa, que você vai encontrar alguém da sua idade, alguém que vai ver a pessoa fantástica que você é e tratá-la como você merece. Depois eles beijam a sua testa e as palmas da sua mão e dizem “Deus te abençoe”, antes de você descer do carro.

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags:
16/03/2009 - 01:17

L&F

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F.,

esta semana trabalhei tanto que nem MSN estou acessando. Mas coisas me alfinetam e eu preciso da sua palavra sábia, eu não sei o que é que te dá credenciais para resolver os meus problemas, mas é sobrenatural, de repente você diz uma palavra, até sem intenção , e bingo, era isso mesmo que eu precisava ouvir.

É a mesma velha história, eu te disse, estou embarcando. Lá vou eu de novo, exercitar meu masoquismo. O que nos leva a fazer isso? É inato, isso? A gente já nasce com o gene da insistência? Ou será que o dia-a-dia, a rotina, são tão engolidores que precisamos sair, subir pra respirar, nem que seja só um pouquinho? E isso acontece com todo mundo ou sou só eu que sou doida varrida? É, porque eu fico pensando, deve até ter gente que pensa: “puxa, eu bem que podia ir ali e fazer isso”, mas fica só nisso, wondering,  eu não, vou lá e faço mesmo, será que eu vou para o inferno? E ai, F., acho o céu tãaaaaaaao monótono. Lembra que eu te disse que eu ia sair correndo e gritando e você gostou da idéia? É hora, colega. Vamos sair correndo e gritando porque ou a gente põe a intensidade no volume máximo ou vai pro churrasco do Freitas da Contabilidade amanhã.

 Folgo em saber que você e o Torresmo não explodiram, apesar das explosões metafóricas que, eu tenho certeza, estão ocorrendo as we speak. Beijos

L.

 

L., minha doce L.

Beibe, fazer o quê?

Vai lá.

Se doer, você volta correndo, que eu não sirvo pra grande coisa, mas aqui sempre tem torta e coca-cola e colo e filme. Só tem isso, mas isso tem. E se a G. tiver pavor de vir aqui (e ela tem, né, me parte o coração ela não  querer vir aqui) eu vou pra tua casa e te encho o saco lá mess. Vai, dá a cara a tapa (ui, delicia), daí você volta. Ou não. Mas se você não voltar, favor deixar documento passando a G. pro meu nome, sim?

Amor, nem todo mundo é assim, você sabe.  A maioria de nós é covarde demais. Sempre covardes. Você, como você mesma disse, vai lá e vê qualé. Eu só vejo vantagens em ser assim, eu te acho do cacete. Deus nos livre do churrasco do Freitas, com os adoráveis pequeninos sobrinhos do Freitas gritando e jogando a tartaruga na piscina, com as encantadoras cunhadas grávidas do Freitas falando de bebês enquanto os machos tostam o pau na grelha, falam de carros (eu posso falar do meu porque o meu quase explodiu) e das tetas da Cynthia, do departamento pessoal. Querida, que Deus nos defenda dessa vida, do Freitas e, já que falamos nisso, do departamento de contabilidade também.

Acho sim, que a gente paga um preço alto demais (hahaha, olha eu me botando na sua turma, como se à sua altura estivesse), acho mesmo, mas a consciência, Lyrão e eu chegamos a esta conclusão, é um caminho sem volta. Talvez seja arrogância falar isso. Tudo bem, é arrogância. Mas quer saber? Dane-se. Eu não vou nunca mais pedir desculpa pelas minhas qualidades, só pelos meus defeitos (o que, convenhamos, ocupa boa parte das minhas escassas horas de vida). E sugiro aos chatinhos de plantão que, em vez de se cutucarem no msn pra dizer “Ih, lá vem a Fal de novo”, pura e simplesmente parem todos, por favor, todos, de falar comigo e de, principalmente, ouvir o que eu tenho a dizer.

Eu acho você do cacete, E., vezes mil. Vai lá. Vai doer, você sabe. Mas você sabe, então, diabos, você também sabe que vai doer se você não for. A vida, minha pequenina e hippe L., a vida dói. Dói em quem vai e em quem não vai. Nós, que escolhemos enxergar a dor, temos mais sorte do que esse bando de leitor de best –seller, “ai, que lindo, o filho da Sarajane tá um rapazinho” (você sabe com qual sotaque eu digo isso), levadores de criança em shopping. Não gosto nada desta música (embora o Rui me faça cantá-la prele quase toda semana), mas a imagem é linda: eu pus os meus pés no riacho e acho que nunca os tirei. Nós colocamos os pés no riacho, dona L. Vai doer pra cacete e não tem volta, não tem volta, não tem volta. Não tem volta nunca mais. Amém.

Amo você

 

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags: , , , ,
13/03/2009 - 01:36

Arriba equipo

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 “Ana, socorro. O cara insiste. Insiste, manda e-mail torpedo, telefona, insiste mais um pouco. Quando a donzela diz ‘Então, tudo bem, vamos lá’, o galente cavaleiro em sua prateada armadura manda dizer que ‘ah, bem… então… não era bem isso… sabe como é…. estou no meio de um lance aí pra resolver com alguém e não… bem… problemas de conexão e… viajei a trabalho e… problemas pessoais e…’.  Ana, mesmo não pedindo filhos, documentos assinados e certidões negativas, mesmo esperando apenas algum café e umas risadas, a donzela entende a sua aflição (e por que não, o seu desespero) e recua. Ela já perdeu mais nessa vida. E ‘rá rá rá, então tá, galante cavaleiro medieval’, pensa nossa donzelinha zoró, né, Ana, só pensa, ela não fala nada. Quer dizer, quando não é com a gente é rá rá rá. Quando é, dizemos ‘Putz, não acredito que eu cai nessa de novo’.

Beijos meus, sua amiga mais desiludida.”                                                                                                                            *

” (…) e de mais a mais, o que eu não entendo, pra quem ficava naquele discursinho-punheta ‘eu tenho horror de magoar os outros’, té que o cara magoa legal, viu? Benza Deus. Eu só não posso jurar de cruz que a culpa é dele e não minha, porque, como sabemos, me magoar é tão facinho que devia ser proibido por lei. Sou feito aqueles jacarés cretinos que param com a luz da lanterna. O IBAMA devia cuidar de mim, na mesma gaiolinha que o mico leão dourado. Nhé. A.”
*
“Fal, o Capital Inicial tá no BBB, Fal. Ai que o Dinho me faz passar mal. Mas depois que ele tá se dando ao desfrute com aquelas desclassificadas, capaz que eu aceito ele de volta. Cabô. beijos, Sil”
*
“Adelson, na quinta-feira em que você toma uma porrada emocional (e você nem mereceu, entende, você tava ali quieto no seu canto. Mas é como me disse a Claudia Lyra ‘Nego bate sem dó’. E bate mesmo, viu Adelson, e bate mesmo), mas enfim, você tá ali, já tava caído, apanhou, caiu mais caído ainda. E liga a tevê pra ver seu seriado favorito. E no final do seu seriado favorito, um cachorrinho é sacrificado. E aí você chora tanto que tem ânsia de vômito e não, você não chora só pelo cachorrinho, mas Adelson, você não acha que numa quinta-feira assustadora, seu seriado favorito devia vir com uma plaquinha, logo antes de começar dizendo
“Hoje, em seu seriado favorito, um cachorrinho vai morrer. O telespectador que escolher continuar, segue por sua conta e risco.” ?
Eu juro, Adelson, eu não teria continuado. Eu achei que tava tudo bem. Beijos. Fal”
*
“Fal, eu comi mousse de amendoim hoje no almoço. Nada não, só pra contar. Sil”
*
“E quando foi que vc valeu alguma coisa, Sil? Beijos, Fal”
*
“Fal, hoje fui caminhar… faço isso ouvindo música, fone de ouvido, coisa e tal.. e aí que toca uma música da Cassia Eller… bobeira, nem sei o nome da música… é uma que fala de All Star azul… só que essa música me lembra a época que comecei a namorar o ***… ele morava em Laranjeiras, no 12º andar, como na música… e eu ia lá… e também ficava feliz quando entrava no elevador…  blábláblá, Fal… já estou chorando de novo, droga… vou desidratar. Eu só me pergunto como é que tudo ficou assim… eu não vi… não percebi… Beijos, eu.”
*
 ”Ah, Fal, depois da conversa, na hora de desligar o telefone, ele me disse ‘Tem uma coisa que quero te falar – era pra você estar aqui comigo’. Fal, Fal, hoje eu não podia ouvir isso… já tinha chorado muito por causa do leite derramado… hoje não… Amor, L.”
*
“Fal, meu irmão, que mora na Florida me contou uma historia linda: o ajudante chileno dele estava participando de futebol e estavam perdendo de 5 a 1 e o cara só dizia: “Vamos equipo! Todavia tenemos chance! Arriba equipo!!” Não é um primor? Dá pra adotar como lema de vida.
Sempre: todavia tenemos chance!
beijo
Adelson”
Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags:
11/03/2009 - 09:25

Meio de semana

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Ah, nada como um diazim da moleres pra gente relembrar que o machismo continua vivo, bem, robusto e manda lembranças, né?

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Graças aos céus, inda tem gente pensando nesse país. Não eu, né, mas alguém.

*

A minha amiga Rô com a mãezinha no hospital. Entra o médico:

- Olha doutor, como é linda a minha caçula?

O médico quase morre de vergonha, a Rô quase morre de vergonha e a Dona Ercília, que inda num tava contente, manda:

- Pois doutor, é linda, só não deu sorte com marido.

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Tiroteio com várias mortes aqui em São Paulo tem sempre, mas nessa madrugada teve um tão pertinho da minha casa… aí a Gabi me conta que em Portugal a coisa também assusta, de modos que eu não tenho mais pronde fugir.

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Mais de seis milhões pagos em hora extra pros Senadores braseleros – horas extras referentes ao mês de janeiro, mês que não tem sessão. “Mas houve plantão!”, acaba de explicar na Bandnews um senador cujo nome me escapou. Plantão de seis milhões? Pô, que plantão bacana.

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Eu não entendo a onda com uns tantos “cozinheiros de tevê”. Tem um carinha aqui, que só faltam chamar de profeta, que faz aquela “comidinha limpinha”, manja?, de de luva!! Onde já se viu isso? Cozinha boa era a da sua avó (bom, a da minha, pelo menos) que usava as mãos e colher de pau, belo. E inda tem um outro que para que jamais esqueçamos que ele é cozinheiro, porém heterossexual, cozinha de boné o tempo todo, ensinando relevâncias tipo sanduíche de carne assada. Ah, e mais um sensacional que eu vi essa madrugada: ele vai pra India, pro Paquistão, sei lá, pro mundo todo. Daí ele mostra umas comidinhas de rua. E depois ele mostra a si mesmo fazendo comidas típicas do lugar onde ele tá, com um toque pessoal (sic). Oi? Meu filho, se é pra mostrar a si mesmo cozinhando, economize a grana da passagem. Eu quero ver o indiano da barraquinha de rua cozinhando, dá pra sair da frente da câmera? Grata.

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O PIB no segundo trimestre de 2008 caiu, acabo de ouvir uma moça bonita dizendo isso na tevê. O PIB cai e eu não tenho nada inteligente pra falar sobre isso. Tá, tá, sobre coisa nenhuma.

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Leitorzíneo, força na peruca, a semana tá na metade, jajá acaba. Té sexta.

 

 

Autor: fal - Categoria(s): No olho do furacão Tags:
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