O livro que eu quero ler – I

Essa é a única lista que eu acredito, talvez porque seja a única lista que eu consigo cumprir: O livro que eu quero ler.
Todos os anos, ela está lá na minha agenda nova, no dia primeiro de janeiro e, durante o ano, ela vai sendo lentamente riscada, circulada, e flechinhas são puxadas e comentários são feitas às margens, cada um duma com uma cor de caneta, cada um num estado de espírito.
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Os e-mails e recados sobre assunto foram muitos, temos material para três colunas, o que me deixa feliz. O que vem a seguir, nessa e nas próximas duas ou três colunas de sexta-feira, são nossas listas, embaralhadas como os pezinhos que assistem o filme no domingo de tarde deveriam ficar - para que compartilhemos nossas expectativas presse ano novo, para que nos conheçamos melhor, para que uns inspirem os outros (às vezes livro é citado sem a editora que o lançou, sem o escritor que o escreveu, às vezes ou autor é citado sem a obra e sim, por uma vez pelo menos, a editora é simplesmente indicada, como quem indica um bairro para um amigo, não um restaurante específico. Esta não é uma lista acadêmica e formal – nada em mim é acadêmico e formal):
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O João P. mandou uma lista enorme e variada, que ele fez, enquanto andava na rua, ou via tevê ou vadiava por aí, de caderninho na mão. Da lista dele me chamou a atenção que ele pretende ler Caio Fernando Abreu – Inventário de um Escritor Irremediável, de Jeanne Callegari. CFA foi um grande escritor, João, e um cara importante pra minha geração. Eu dei esse livro pra minha amiga Ana Paula recentemente, e queria que todo mundo, no mundo todo, lesse a obra dele e a biografia dele. Ele teve uma vida linda e trágica, cheia de riso e de dor, as boas vidas são assim. Além do mais, foi a irmã que indicou e, João, as irmãs tem sempre razão.
))). Ele também quer ler Encontro Marcado (Fernando Sabino), um livro importante, de um escritor importante pra geração da minha mãe – primeiro – e depois pra todas as gerações. Se você não leu o menino no espelho, também dele, João, leia, é lindo.
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A Vera, que é uma delícia, quer ler pelo menos um escritor lusófono da África (eu também, Vera!); jornal, todos os dias; um livro do Nobel do ano, o DROPS (hahaha, elogio em boca própria é vitupério, mas eu não poderia resistir); minha coluna do IG; e as revistas de fofocas de celebridades, em todas as salas de espera do planeta (porque a Vera é como eu e não paga quase dez reais pra ler, de novo, que a atriz casou). Faço minha a sua lista, Verinha.
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Para acabar, a Ana Paula, que foi quem ganhou o CFA, não faz lista de livros. Ela faz pilha mesmo. Ela acabou de ler Sob o sol da Toscana, está no turbilhão de O tempo e o vento (de onde só sai quando terminar o último tomo do último volume, o Arquipélago) e o próximo da fila é Caio Fernando Abreu, porque ela diz que se comove toda vez que espia a dedicatória.
Mais do que bons livros, leitorzinho igueano, eu tenho bons amigos.
Boa sexta. Bom final de semana.
Té segunda.
PS: Será que os livros que escolhemos para ler durante o ano tem de alguma forma a ver com o que esperamos dele? Se for assim, meu amigo Gustavo vai viver num 2009 completamente diferente do meu, porque o único item da lista dele é: “Obras completas de Carlos Zéfiro”.
Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
ainda tá valendo,fal? minha lista: invasor , marçal aquino; a vida breve-juan carlos onetti; a pérola, john steinbeck e um dia, quem sabe, eu termine os sertões. (que vergonha!!).
Fal, quero reclamar de vc para vc! Comprei em agosto o minusculo assassinato (na fnac em campinas) e achei q ia ler tranquila em casa, degustando. O livro não me deixou em paz: fui lendo no café, na volta prá casa, no sofá e até no banheiro! Nem durou nada!
Grande beijo!