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20/11/2009 - 13:39

Baco e a arte culinária

Baco não nasceu em Pasadena.

Baco nunca clarificou manteiga.

Baco nunca colocou uma lagosta viva na água fervendo. Mas ele teria coragem, sem dúvida.

Baco não sabe fritar miolos.

Baco nunca usou sapatos fantásticos.

Baco nunca trabalhou para o governo americano.

Baco não tem 1,88.

Baco nunca pré-aqueceu o forno a 230°C.

Baco até que gosta de omeletes com tomates… mas prefere sem, muito obrigado.

Baco não teve um marido chamado Paul.

Baco não sabe rechear um pato.

Se Baco encontrar um sapato sensacional pela frente, ele come.

Baco não está nem aí para saber quantas bocas tem o fogão.

Baco não tem nem a mais remota idéia do que venha a ser  Fois de Volailles em Aspic.

Baco nunca comeu bolo de gengibre – ele iria odiar.

Baco nunca acrescentou leite quente à mistura de farinha e manteiga que escurece rápido na panela.

Baco não resolver entrar para a escola de culinária aos 37 anos de idade.

Baco nunca dourou pedaços de cordeiro.

Baco adora crepes farcies, roulées e flambées. Infelizmente, ele tem poucas oportunidades de apreciá-los.

Baco nunca tentou fazer um Boeuf Bourguignon. Mas ele adoraria comer.

Baco não é Julia Child.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/11/2009 - 00:42

Fabia

É tão estranho estar frente a frente com um homem que você amou tanto tanto tanto tanto, porque ele continua o mesmo, o mesmo sorriso, a mesma gargalhada, os mesmos olhos, o mesmo nariz (um belo nariz, gostaria de deixar registrado), as mesmas mãos (idem), sim, ele é o mesmo e você também, que diabo. Os dois mais velhos, mais gordos, cheios de cicatrizes e rugas e contas para pagar, mas os mesmos e, ao mesmo tempo, tudo mudou. Você não o ama mais. É tão simples, é tão cruel, é tão vida real, não dá romance, nem novela, a Nora Ephron não vai querer dirigir essa merda. Entre vocês xícaras de café com leite ou vodcas ou cocas-colas, algumas reminiscências, um certo ressentimento (há muitos anos atrás namorei um médico chamado Marcus que me ensinou: não existe paixão sem ressentimento), alguma dor (ora bolas), mas amor, não, de jeito nenhum. A vida é mesmo um troço esquisito. Talvez a Nora Ephron fizesse alguma coisa com isso, afinal.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/11/2009 - 16:26

Maura

 

— Eu não sei quem é você e você não sabe quem sou eu — ele bate na mão da outra com a condescendência mais nojenta do planeta — mas cada vez que eu olho para você, penso no que eu já fui, em como eu era, em como eu vivia.

A outra tem que fingir que aprecia muitíssimo aquela lição de vida de quinta categoria, porque viver em sociedade é isso, é suportar as imbecilidades alheias e sorrir, ainda que não com os olhos.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/11/2009 - 11:36

Beatriz

Ela vive cada dia cada dia sem surpresas, poupada e poupando-se das grandes dores, pagando o telefone, levando o menor pra natação, fazendo depilação na chilena sexta-sim, sexta-não, comprando colchas de cores fortes, bebendo outra taça de vinho. E cada gesto, cada página navegada pela internet, cada suspiro, cada maria-chiquinha feita na filha, tudo têm tanto significado, tanto sentido, tanta importância, tanta. Invejo sua agenda estufada, sua força, seu cabelo impecável, sua água com gás, seus sapatos de couro creme e bicos finos. Invejo sua relevância.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/11/2009 - 19:55

Pedacinhos

Meu pai para a mãe dele, que toma Valium desvairadamente:

- Velha, não pode ficar tomando isso, vicia!

- Imagina, Nelsinho, eu tomo Valium há 30 anos, nunca me viciei!

*

Assumo devagar a casa que foi de meu pai. Sem solavancos, sem grandes vitórias. Deito na cama, no quarto que foi dele, e olho pro teto. Que será que ele pensava deitado aqui? Os carpetes do quarto e do escritório cheios de marcas de cigarro que ele fez ao longo dos anos. Devagar deixo minhas marcas também.

*

André, o filho, e Maria Inês, a mãe:

- André, o que você vai ser quando crescer?

- Surfista.

- Hum, tá, querido, surfar é muito legal, mas pra ganhar dinheiro você vai fazer o quê?

- Ser corredor de kart.

- Mas, meu amor, essas não são profissões viáveis, pelo menos para a maior parte da população do mundo. Você tem que viver de alguma coisa que dê sustento, pague suas contas. Por exemplo, onde você vai morar?

E o André, rápido:

-         Com a mãe!

*

Fui com a mamãe à casa da minha tia-avó e não foi nada mal. Além de comer deliciosa coxinha de frango e olhar para aqueles lindos olhos azuis, soube que o primeiro sapato titia calçou no dia da sua Primeira Comunhão. Aos 11 anos.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/11/2009 - 09:07

Ana Carolina

Ana Carolina não tem mais um pingo de paciência. Com ela, com ninguém. Com quem não tem dinheiro trocado. Com quem tem medo de atravessar a rua. Com os jargões empresariais. Com os que não respeitam o cronograma e com os que fazem o cronograma também. Com o que pedem tempo no meio da partida. Com quem não provou e não gostou. Com os mudernos deste mundo. Com os caretas do planeta. Com as certezas. Com as incertezas. Ana Carolina não tem mais paciência com os que vão pensar um pouco nisso. Ana Carolina não tem mais tempo, créditos no celular, um guarda-chuva decente ou paciência. E é isso aí.

Autor: fal - Categoria(s): Sem categoria Tags:
06/11/2009 - 15:37

A primeira vez que vi Lisboa – trecho de uma carta para a Vera

A primeira vez que vi Lisboa, Lisboa não me viu. Era uma noite de inverno, o céu estava cor de chumbo, sem estrela nenhuma e eu, que desci a escadinha do avião toda-toda (no meu tempo a gente saía do avião pela escadinha), esperando ver as sete maravilhas do mundo duma vez só — mais ou menos isso que meu pai havia prometido — não vi coisa alguma. Mas o velho jurou por Deus que era questão de horas.
Hotel, banho, sopa, cama.
Na manhã seguinte, acordamos às vinte para as seis da manhã (meu pai não acreditava em Deus, em alergias e nem em jet-lag e eu herdei suas crenças religiosas. Macho que é macho levanta da cama, toma banho e café, anda, anda, anda, anda e depois vai pro museu). Depois do café, botamos o pé na calçada.
A primeira vez de verdade que vi Lisboa foi como levar um choque, encontrar o primeiro amor, comprar a primeira dúzia de rosas amarelas para si mesma, dar o primeiro beijo, pintar as unhas de cor de uva pela primeira vez, tomar a primeira limonada feita de limão cravo, passar a primeira noite comendo polenta e fazendo fofoca com o amigo num bar gostosinho. A primeira vez que vi Lisboa, cheirei o ar. Nenhum ar do mundo tem o cheiro do ar de Lisboa. Foi uma dessas primeiras vezes, foi cheia de esperança do que estava por vir, do que ainda poderia acontecer, das muitas e muitas possibilidades que a vida encerra.
A primeira vez que qualquer um viu Lisboa faz tanto, tanto tempo, que ninguém sabe quando foi. Lisboa tem um rio, o Tejo e foi ele quem primeiro atraiu gente pra lá, nos remotos tempos que meu velho pai não era vivo e que, portanto, ainda não era o embaixador extraoficial da cidade. Não só o que viraria Lisboa, mas toda a península Ibérica, é habitada desde sempre, primeiro pelos neandertais, depois por nós – o que, na minha modesta opinião, não representou nenhum avanço. Mil anos antes de Cristo (pouco mais, pouco menos, porque historiador é bicho que não se entende… você vai ver o tanto de e-mail que eu vou receber, concordando com a data, discordando da data), meus favoritos, os fenícios, passam por ali em direção à Inglaterra para comprar estanho. Eles compravam e vendiam, fazendo negócio com os moradores locais. Os fenícios, estou cansada de encher seus ouvidos com isso, Vera Maria, foram os caras mais sensacionais que já existiram.
Bão, o Tejo ali por Lisboa formava um porto natural muito do bacana. A moçada local e os fenícios se encontravam ali pra vender uns lances, comprar outros, fofocas, fumar seja lá que a moçada fumava na época, beber uma bebidinha e tale e cousa. Ali mess, os fenicinhos fundaram Alis Ubbo, que no idioma fenício queria dizer “porto seguro”. E o ria ele chamaram de Taghi que quer dizer “boa pescaria”. E aquilo, Verinha, fervia. Nativos iberos, fenícios, judeus, celtas, e miles doutros negos chegando e partindo, adouro.
Os gregos também passaram por lá. Mas eis que gregos e cartagineses (os herdeiros fenícios, também donos de meu amor imorredouro) não iam um coa cara do outro. E por isso os gregos não ficaram ficando, só ficaram passando. O posto de comércio grego não vingou ali. Fosse vivo, meu velho além de te contar isso no ouvidinho sem dar a mínima pro fato do Tarcísio andar armado e ser mau, inda te diria (pois Camões adorava a história de ter sido Lisboa fundada pelo Ulisses, de Homero ):

Ulisses é o que faz a santa casa
A Deusa, que lhe dá língua facunda;
Que, se lá na Ásia Tróia insigne abrasa,
Cá na Europa Lisboa ingente funda.

Hum, mesmo não ficando assim, pra valer, em Lisboa, os gregos tinham um nome prela: Olios hippon – que quer dizer ‘o lugar onde se encontram cavalos’ (os cavalos da Península Ibérica são espetaculares até hoje, Vera – mais uma coisa espetacular numa península espetacular). Os gregos tinham nome para tudo.
Eu queria pensar junto com você, qual seria o nome deles pro estado no qual me encontro, mas deixemos para lá, né mess?
Amo você,
Eu.

***a foto é de 1988, Nelsão no Castelo de São Jorge, Lisboa. Nossa última viagem para lá.

Autor: fal - Categoria(s): Há um tesouro na casa ao lado Tags:
04/11/2009 - 13:20

Seu cachorro

Seu cachorro ama você.
Seu cachorro foi programado biologicamente pra amar você.
Ele ama você, mesmo quando você se atrasa ou esquece de botar água pra ele.
Mesmo que você tenha fraquejado.
Mesmo que você fraqueje todos os dias.
Mesmo que você ceda e se perca, mesmo que você minta.
Mesmo que você tenha tanto ódio dentro de você, que doa.
Mesmo que você tenha tanta dor dentro de você, que você odeie.
Mesmo que você tenha estragado tudo.
Mesmo que um ex-caso seu fique noivo duma moça lindíssima, na frente das câmeras da revista Caras, seu cachorro ama você.
Mesmo que você brigue no trânsito e mande o cara do AUDI vir chupar seu pau.
Mesmo que você chegue em casa sujo, pobre, humilhado, mal humorado.
Mesmo que os outros riam de você.
Mesmo que você esteja de ressaca.
Mesmo que você tenha gatos, muitos gatos.
Seu cachorro ama você, mesmo quando você não está com saco pra ele e tranca o bichinho na área de serviço.
Seu cachorro ama você, mesmo quando seu maldito computador dá pau e você perde as imagens das aulas.
Mesmo que você tenha medo de sair de casa.
Mesmo que você tenha medo de falar com as pessoas.
Mesmo quando seu rímel está borrado.
E sabe quando você, com o gato no colo, manda que ele desça da cama?
Mesmo assim, seu cachorro ama você.
Seu cachorro ama você mesmo quando você se odeia.
Mesmo quando você é mesquinha, seu cachorro vai amar você.
Mesmo quando você foge do seu ex-namorado no supermercado.
Mesmo quando todos os seus amigos de infância viraram uns caras emproados e esnobam você solenemente.
Mesmo quando você programa o aparelho de som e ouve a mesma música novecentas vezes.
Mesmo que você trabalhe 15 horas por dia, chegue em casa, caia morto na cama e não brinque com ele.
Mesmo que o amor da sua vida tenha casado com uma menina 10 anos mais nova e 40 quilos mais magra que você.
Mesmo que seu bebê tenha morrido.
Seu cachorro ama você, mesmo quando ele come seu sapato cor de rosa.
Mesmo que o Brad Pitt não responda seus telefonemas.
Mesmo quando você fala com ele na mais irritante voz de bebê desse mundo.


Mesmo que você não veja o que está bem debaixo do seu nariz.
Mesmo que a Laura Guimarães tenha razão e o que mais move você não pode ser dito .
Mesmo quando tanto amor irrita e ofende.
Mesmo quando você está muito doente.
Mesmo quando você esquece de comprar leite.
Mesmo que você tenha sido assaltada por um motoqueiro no farol da Rebouças.
Mesmo que você ponha o bichinho de estimação dele na máquina de lavar roupa e o brinquedo encolha. Mesmo que você não saiba o que fazer com os verbos “competir” e “polir” no presente do indicativo.
Mesmo quando você come chocolate demais.
Mesmo quando você chora olhando no espelho.
Mesmo quando você queima a lasanha, seu cachorro ama você.
Mesmo que você perca o prazo do cliente.
Mesmo quando você toma soníferos demais misturados com martini e, lá no fundo, sabe que não foi sem querer.
Mesmo que você seja caipira no telefone.
Mesmo que, no meio da crise de insônia, você vá lá acordá-lo pra não ficar sozinha.
Mesmo que você tenha desistido da faculdade de veterinária e de mais 6 faculdades.
Seu cachorro ama você, mesmo quando seu saldo está 3.874,98 negativos no banco, mesmo quando sua perna está terrivelmente inchada.
Mesmo que você seja viciada em listas que não servem para nada.
Mesmo que seu aluno repita o ano.
Mesmo que você repita o ano.
Mesmo que você tenha lavado seu teclado encardido no tanque, quebrado a máquina digital, perdido o controle remoto do DVD e que não saiba programar o vídeo cassete.
Mesmo que você xingue seu cachorro de “fedido”, mande ele tomar banho na loja e ele volte com dor de ouvido e com uma gravata patética do Piu-Piu, ele ama você.
Mesmo quando todas as suas amigas de infância têm bebês e você não.
Seu cachorro ama você, mesmo quando sua mãe nem tanto.
Mesmo quando você voltou a roer unhas.
Mesmo quando você o atrai com beijocas e biscoitos e daí passe remédio de pulga na nuquinha dela na maior trairagem.
Mesmo quando você chora debaixo do chuveiro, pra sua cara não ficar inchada, seu cachorro vai te amar.
Seu cachorro ama você para sempre, mesmo que nada, nada, nada tenha salvação e que, em parte, a culpa seja sua.

*** Na primeira imagem, Freud, a foto mais linda que o Nelsinho já fez. Na segunda imagem, Baco e Alexandre, a foto mais linda que eu já tirei.

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags:
02/11/2009 - 13:40

Rodrigo

O que mata é que ele pode ver o próprio reflexo na janela do escritório de casa: descabelado, com olheiras, uns 5 quilos mais magro, patético. Devia haver uma lei proibindo a gente de se apaixonar depois dos quarenta. Ou depois de estar casado. Mas não. Ele ali, perdido de amor, checando seus mails a cada meia hora, feito um guri. Fumando, sem comer, sem dormir, sem ouvir nem uma palavra do que a mulher tinha dito o final de semana todo. Isso depois de ter sido pego pelo gerente de produtos desenhando corações no bloco durante a reunião da sexta-feira. Ah, e de pau duro, mas isso, graças a Deus, o gerente não tinha como saber. Ou tinha? E por causa de quem? De uma menina, quase uma desconhecida, quase vinte anos mais nova, quase noiva, quase maluca. Maluca. Malucos, os dois. Maluco o mundo, que não percebia nada. Porra, ninguém vai notar essa magreza, essas olheiras, essas noites sem dormir, a risada frouxa, os sumiços? Ninguém vai notar a culpa, a irritação com as crianças, os olhares perdidos no horizonte? E cadê esse e-mail que ela não responde?

** foto linda de Nelson Biagio Jr.

Autor: fal - Categoria(s): força na subida Tags:
30/10/2009 - 12:14

Bonne Table – uma coisinha que faltou ao falarmos da França no século XVIII

A Revolução Francesa, além de gerar mudanças políticas e sociais, afetou nossas mesas, muito mais do que você possa imaginar.
Mesmo antes da Revolução Francesa, os restaurantes já existiam em Paris. Durante a Revolução Francesa, porém, os deputados das províncias, em sua maioria, não tinham casa em Paris. Não tinham onde fazer suas refeições, tinham que comer na rua, em lugares próximos ao Palais Royal, onde faziam suas reuniões. Formavam uma clientela assídua, porém heterogênea – esses deputados vinham de pontos muito diferentes da França, com hábitos alimentares variados. Isso obrigava a cidade, não só a aumentar o número de estabelecimentos que possuía, como também seu repertório culinário. Ao mesmo tempo, vários chefes, antes empregados por famílias aristocráticas, caídas em desgraça, migram para estabelecimentos comerciais, o que leva a comida servida à população a um nível de excelência nunca dantes navegado.
Restaurantes de monte e alta culinária – os franceses devem muito à Revolução. E nós também, beibe, nós também.

Uma das histórias nos diz que o termo restaurant foi criado em 1765, pelo proprietário de um estabelecimento que servia sopas quentes anunciadas como restaurantes, ou seja, restaurativas, que restauravam a saúde e o bem-estar.
O Alexandre conhecia outra história: a versão de que o termo viria do fato de se restaurar comida velha para ser reaproveitada. Enfim.
Os restaurantes eram diferentes das tavernas, albergues e cabarets. Eram mais limpos, mais tranquilos e tinham decoração aprimorada. Punham a comida bem feita ao alcance de quem pudesse pagar por ela.

Napoleão não era um gourmet, mas considerava a boa mesa um importante instrumento da diplomacia. Quando seu capelão, Dominique de Pradt, partiu para o exterior, para negociar a paz numa questão do Estado, Napoleão, como última recomendação, lhe disse “Surtout, Monsieur, tenez bonne table” (E, principalmente, meu caro, tenha uma boa mesa).

O grande chef da época, que só trabalhava em casas particulares e serviu, dentre outros o Czar Alexandre I, o Barão Rothschild, Jorge IV da Inglaterra e Luís XVIII, era Marc-Antoine Careme. Abandonado pelos seus pais, paupérrimos, esse francês, nascido em 1754, começou sua carreira com um famoso patissier da época e propôs, ao longo de sua carreira, simplificação, só. Substituiu os complicados coulis do século XVIII por molhos básicos, como maionese, hollandaise, bechamel, bearnaise. Muitos gourmets do fim do século XVIII haviam se arruinado com a Revolução. Não podendo mais manter boas mesas, fundam sociedades de estudo da gastronomia. Seus trabalhos escritos satisfazem a demanda criada pela nova classe alta, gerada pela Revolução. O século XIX abriga muitos escritores de gastronomia e muitas inovações no preparo e na apresentação das refeições.

Uia, deu fome em vocês? Em mim deu. Té segunda, môs fios.

Fontes:
De Caçador a Gourmet, de Ariovaldo Franco, Ed. SENAC
A Saga da Comida, receitas e história, de Gabriel Bolaffi, Ed. Record

Autor: fal - Categoria(s): Há um tesouro na casa ao lado Tags:
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