“O desfile é um gasto muito grande, para ter apenas algumas fotos nas revistas e alguns parágrafos de jornal”
Teri Agins, autora de “O Fim da Moda” em entrevista à Folha
24/04/2009 - 16:08
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16/02/2009 - 18:47

Feridas nas pernas e na barriga de Paula e a advogada antes da suposta agressão (Arquivo Pessoal/AE)
O caso da brasileira Paula Oliveira, 26 anos, supostamente atacada por neonazistas na Suíça, na segunda-feira passada, dia 9 de fevereiro, recebeu cobertura repleta de falhas de técnica jornalística, cometidas pelo Último Segundo, a área jornalística do iG. Em decorrência das violências que a brasileira teria recebido, Oliveira, grávida, segundo sua família, teria perdido os bebês que esperava.
Especialmente nos primeiros dias, o iG acreditou e endossou inteiramente as informações de que Paula fora atacada por fanáticos xenófobos de extrema direita. Também reproduziu sem críticas as informações e posicionamentos do governo brasileiro em apoio às versões de Paula e de sua família.
Somente quando a polícia suíça, baseada em exames e laudos de médicos e legistas, afirmou que se tratava de uma mutilação auto-provocada, o Último Segundo passou a adotar uma atitude mais distanciada e cautelosa. Só aí passou a citar as fontes e adotar princípios básicos do jornalismo, como o de jamais afirmar a existência de um fato sem checar a sua existência de maneira rigorosa e independente. Jamais acreditar inteiramente nas primeiras versões. Duvidar de tudo, ressaltando as incertezas existentes em torno de qualquer evento. Usar sempre adjetivos acauteladores, como “suposto”, até que se tenha absoluta certeza de que um fato realmente ocorreu.
Agora, depois das negativas da polícia suíça (tanto de que Paula tenha sido atacada por xenófobos, quanto de ela estivesses grávida e abortado), o fenômeno se inverte. O Último Segundo passou a reproduzir de maneira pouco crítica as versões da polícia suíça, que vem, como ressalta o colunista Regis Bonvicino, adiantando conclusões da investigação, de forma a desacreditar Paula Oliveira. Segue abaixo, numa cronologia da comédia de erros, com as omissões de fontes e de informações relevantes ao caso.
Quarta-feira, 11 de fevereiro
O iG publica a notícia com o titulo tachativo: “Brasileira grávida de gêmeos é atacada na Suíça”. O texto aceita integralmente uma versão como se fosse o fato: a brasileira foi atacada. O texto, além disso, não deixa claro quais as fontes em que se apóia. São informações de agências? Quais? Brasileiras ou estrangeiras? A notícia jamais usa a palavra “suposto” nem nenhum correlato. Nem suposto ataque, nem suposta gravidez, nem suposto aborto. Não há também qualquer “outro lado”, com a versão da polícia suíça, por exemplo.
Quinta-feira, 12 de fevereiro
Ainda sem o lado suíço, o iG destaca nota da governista Agência Brasil (“Brasileira agredida na Suíça é internada novamente”). Texto da BBC Brasil afirma que a agressão existiu (”‘Caso de agressão na Suíça é grave e chocante’, diz Amorim”), com as declaração de Celso Amorim sobre o caso e da redação. A Agência Estado traz informações sobre o partido suíço cujas siglas teriam sido marcadas na brasileira por supostos neonazistas. Esta última nota traz uma remissão que já dava como certeza que o ato estava ligado à xenofobia: “Relatório mostra que racismo e xenofobia estão acentuados na Europa”. O mais absurdo, porém, é que o relatório é de maio de 2007!
Sexta-feira, 13 de fevereiro
Começam as surgir as primeiras dúvidas sobre a existência da agressão. Só na manhã de sexta-feira, com base em informações da imprensa suíça, o iG destaca notícia da BBC Brasil: “Imprensa suíça levanta dúvidas sobre o caso da brasileira”. O relato no condicional surge somente após uma entrevista coletiva dada pela polícia suíça, obtida pelo iG por meio de agências internacionais (não identificadas na reportagem): “Brasileira ferida na Suíça não estava grávida, diz polícia”. O “outro lado” finalmente recebe espaço dentro da reportagem.
Sábado, 14 de fevereiro
A essa altura, a tendência tinha virado no sentido oposto. Há uma tendência a demonizar Paula, sua família e até o governo brasileiro. Não há menções ao fato de que, nos dias anteriores, o iG havia concedido status de verdade à versão de Paula. O iG agora reproduz a repercussão do caso com notícias atribuídas à Agência Estado: “Pai de Paula Oliveira ameniza críticas da polícia suíça” , “Jornal suíço contra-ataca e diz que Brasil é xenófobo” e “Paula pode ser indiciada se atestada farsa, diz oficial”.
Domingo, 15 de fevereiro
Ainda baseada em informações de “agências” não identificadas e com o relato requentado de uma entrevista dada ao Fantástico, da Rede Globo, o iG noticia somente que “Itamaraty pode ajudar a tirar Paula da Suíça”.
Hoje, 16 de fevereiro
Em mais um dia de reportagens escassas, o tema tende a sumir da capa do portal. O iG noticia que “Ato por brasileira ferida na Suíça é suspenso em Pernambuco” e mantém em destaque notícia da véspera. Agora à tarde, engrossou com mais detalhes entrevista do pai de Paula, Paulo Oliveira, dada ao Fantástico. Um cozido do Blog do Noblat diz que a brasileira afirmou a maigos que pode ter abortado antes da suposta agressão.
Somente hoje, a opinião do iG falou sobre o caso com Régis Bonvicino e Observatório da Imprensa.
Desde o primeiro momento levantou-se a questão da xenofobia, sem aprofundá-la. Agora, questionada a veracidade da versão de Paula Oliveira, o caso toma outro rumo. Não está em questão se o iG tem ou pode ter acesso direto às fontes. Não tem e o problema principal nem é este. A questão é a inocência, a superficialidade e o fôlego curto desse tipo de jornalismo que falha nos princípios, cedendo facilmente ao sensacionalismo e a um instinto de manipulação e revanche nacionalista.
Se no começo comprava-se a versão da suposta vítima brasileira ataca em país estrangeiros por um grupo de covardes, intolerantes, agora predomina a fé nas versões ainda não confirmadas de policiais e da imprensa suíças.
Fazer jornalismo equilibrado é só aparentemente simples. É preciso ter firmeza de princípios para duvidar das versões, correr o risco de manter a serenidade, não atirar-se sofregamente para juntar-se ao coro de cegos que grita em uníssono. Requer distanciamento das emoções, ouvir antes sempre todos os lados envolvidos na notícia. O jornalismo é, portanto, o oposto do sensacionalismo.
Enviado por: Ombudsman - Categoria(s): Coberturas
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13/02/2009 - 11:27

O antigo Blog do Nassif (acima) e o novo
Recebi do internauta Joaquim Branco a seguinte manifestação, questionando as mudanças do blog do Luis Nassif e pedindo mais destaque:
“Acesso o blog do Nassif há bastante tempo, porém, após as mudanças no blog efetuadas pelo iG, estou tendo cada vez mais dificuldades para fazê-lo. As mudanças também prejudicaram muito a qualidade do blog e a sua interatividade.
Além disso, parece que o objetivo é escondê-lo no portal, pois torna-se muito difícil, entrando pelo portal do iG, localizá-lo.”
A manifestação do internauta foi transmitida ao Diretor de Conteúdo do iG, Caique Santana Severo, que enviou a seguinte resposta, pela qual agradeço:
“O blog do Luis Nassif migrou para a nova plataforma de blogs editoriais do iG no final do ano passado, onde também está hospedado o blog do ombudsman. Essa plataforma é muito superior à anterior em muitos aspectos, como o arquivamento por palavra-chave, assunto, data e uma busca que funciona bem. A nova plataforma também melhorou muito a indexação dos textos dos blogs pelos buscadores. Como resultado, a audiência vinda de resultados orgânicos aumentou para todos os blogs.
Não houve nenhuma mudança na visibilidade que o blog do Nassif tem. O colunista continua aparecendo no canal Blogs e Colunistas e dentro de várias páginas do Último Segundo, assim como chamadas eventuais na home do portal, como qualquer outro colunista.
O que o leitor pode ter sentido foram os efeitos de três semanas de problemas técnicos no sistema de blogs editoriais. Em muitos momentos durante esse período os blogs ficaram fora do ar, os colaboradores não puderam publicar novos textos e os participantes não conseguiram enviar comentários. Desde terça à noite, os blogs foram movidos para um novo conjunto de servidores em um novo data center do iG e não tivemos nenhum novo problema técnico.”
Enviado por: Ombudsman - Categoria(s): Blogs do iG
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12/02/2009 - 16:59

Manuscrito de Charles Darwin (Darwin Online)
O iG destaca em sua capa um “especial” dos 200 anos de Charles Darwin, produzido pelo iG Educação. Quem clica no especial se decepciona duas vezes. Não há, a rigor, uma página especial para o fato, apresentado como uma nota comum dentro do site de Educação. Além disso, o material produzido não esta à altura da importância do homenageado.
O registro feito pelo iG deveria privilegiar pesquisa e reportagens, mostrar didaticamente detalhes da teoria da evolução genialmente proposta por Darwin. Era a oportunidade para dar voz a especialistas e proporcionar ao leitor uma descrição mais completa do cenário histórico em que os estudos revolucionários de Darwin foram desenvolvidos.
Até hoje a teoria de Darwin, que põe em dúvida a origem divina da vida, enfrenta grande oposição de grupos religiosos, inclusive no Brasil. Mostrar essa oposição seria obrigatório para fazer jus à radicalidade do debate.
Como o próprio iG relata, parte importante da viagem de pesquisas de Darwin percorreu o litoral brasileiro. O que haveria de novidades, memórias e imagens dessa passagem?
Um especial sobre Darwin e sua teoria deveria obrigatoriamente trazer uma profusão de ilustrações, desenhos, quadros e gráfico. Informação visual e é valiosa tanto para o jornalismo como para a pesquisa científica. A rigor, sem os esquemas visuais, alguns dos quais foram criados e são parte essencial da pesquisa darwiniana, fica muito mais difícil compreender a revolução criada pelo pesquisador britânico.
Suas idéias mudaram para sempre a maneira como o ser humano encara a si mesmo e entende a religião. Poucas efemérides justificariam tanto que o iG desse ao tema tratamento realmente nobre.
Enviado por: Ombudsman - Categoria(s): Ciência, Especiais
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11/02/2009 - 16:39
A capa do iG destacava na tarde de hoje texto, produzido pelo iG Música, que fala de cantoras que já sofreram agressões físicas por parte de seus namorados. A notícia aborda o assunto com o viés da curiosidade em torno dos famosos e do entretenimento, quando se sabe que violência contra a mulher demanda também cuidado e envolve outros valores bem mais sérios.

Chamada na capa do iG
Não tem qualquer sentido nem nenhuma graça, por exemplo, a chamada na página do iG Música, que aplica às cantoras Rihanna, Tina Turner e Whitney Houston o rótulo de “mulheres de malandros”. A expressão refere-se a mulheres que gostam de apanhar, que toleram esse tipo de violência, justamente quando as três mulheres citadas reagiram e denunciaram agressões de seus companheiros.

Chamada no iG Música
O caso de Rihanna e de Chris Brown merece uma abordagem mais séria por parte do iG, que deve cultivar um jornalismo que estimule explicitamente a divulgação dos casos de agressão, nos quais as mulheres são as vítimas. Nesses casos não cabe qualquer graça, piada ou ambiguidade sobre quem está com a razão.
Enviado por: Ombudsman - Categoria(s): Sem Categoria
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11/02/2009 - 12:04
Felipão se irrita com jogo do Chelsea contra o Liverpool
Após sete meses no comando do time inglês Chelsea, o técnico Luiz Felipe Scolari foi demitido, o que merece, evidentemente, destaque no noticiário esportivo mundial. Todos - inclusive este iG - usaram como fonte central da notícia o comunicado oficial da direção do clube, que atribuiu a saída de Felipão aos maus resultados obtidos no Campeonato Inglês. Sem outras informações, sobrararam especulações.
O iG,apoiou-se apenas em notas de agências, com seus textos em geral frios e distribuídos para todos os portais - o que tornou a informação muito semelhante em sites comcorrentes. Faltava nas notas um retrospecto completo da carreira do técnico (campeão pelo Grêmio, pelo Palmeiras, pelas seleções brasileira e portuguesa) e não havia nenhum texto mais aprofundado, no sentido de tentar entender sua inadaptação ao futebol inglês.
Por se tratar de uma mídia brasileira e próxima de boas fontes (jogadores, outros técnicos, amigos de Felipão, o próprio técnico), surpreende que não se tenham recuperado informações exclusivas sobre personagem tão célebre.
Dar atenção à imprensa esportiva inglesa, bem superior à média da mídia brasileira, é essencial agora. Nas reportagens do iG Esporte há informações do Times e do The Sun (também enviadas por agências), mas na tarde de segunda - dia da demissão, no calor da notícia, os artigos mais interessantes apareciam em outros jornais.
O The Guardian, por exemplo, entrevistou Acaz Fellegger, agente de Felipão, que afirmou que a demissão foi ordem direta do dono do Chelsea, o russo Roman Abramovich. Além disso, informou que o técnico deve permanecer na Europa pelos próximos dois ou três anos.
O mesmo Guardian e o Times foram além do comunicado oficial do Chelsea e levantaram mais prováveis motivos para a demissão de Felipão. O primeiro mostra um vídeo falando dos problemas de Felipão com a direção do clube e a inadaptação ao futebol inglês. O segundo dedica reportagem para a relação muitas vezes conflituosa entre Felipão e alguns jogadores, o que também pode ter atrapalhado sua performance no Chelsea.
A Folha de hoje, por exemplo, analisa estes e outros jornais ingleses que afirmam que a direção do clube reprovava os métodos de trabalho do treinador e relatam casos de “traição” dentro do elenco. A coluna de Tostão, no mesmo jornal, analisa o estilo do técnico e como isso pode ter atrapalhado em seu trabalho no Chelsea.
Opinião
Infelizmente, a área de opinião de Esportes teve problemas com os blogueiros em razão de uma instabilidade apresentada pela ferramenta de publicação do iG , o que também tem afetado este blog. Alberto Helena “previu” a saída de Felipão. Mas somente hoje o blogueiro de futebol inglês, Rogério Andrade, pode veicular sua opinião sobre a notícia.
Enviado por: Ombudsman - Categoria(s): Esporte
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