Housing Starts recorde de baixa; CAGED confirma desaceleração.
As notícias ruins continuam a se avolumar no front econômico e fica cada vez mais evidente que a deterioração econômica está atingindo o mercado de trabalho no país. Isto é o que aponta os dados do CAGED (Cadastro geral de Desempregados e Empregados) divulgado ontem. Em abril, segundo a estatística, foram criados cerca de 106 mil novas vagas no país.
No entanto, a leitura rasa deste dado pode levar a equívocos desnecessários. O comportamento do CAGED é extremamente sazonal, e para termos a real dimensão da evolução do emprego no país devemos dessazonalizar a série. O gráfico abaixo mostra a série do CAGED e a série dessazonalizada através do método X-12 Census (Aditivo).
Desde o início da série, em janeiro de 2003, o país vinha aumentando o efetivo de trabalhadores empregados a despeito da sazonalidade existente no mercado de trabalho. Foi justamente este acréscimo de trabalhadores/consumidores que proporcionou o resultado positivo da economia brasileira nos últimos anos. Porém, dede dezembro de 2008, esta evolução se reverteu acendendo a luz amarela do crescimento econômico.
A série dessazonalizada contraria a retórica oficial. Não foram criadas 106 mil novas vagas, mas sim 38 mil a menos do que seria de se esperar para um mês de abril típico. È verdade que enfrentamos tempos excepcionais, onde a crise financeira, e agora econômica, estabeleceu uma nova realidade. No entanto não deixa de ser menos verdadeiro, e por isso mesmo, que o desemprego está aumentando.
Quinta-feira será divulgado o desemprego no país, que atualmente é de 9,00% da mão de obra. Talvez o índice aponte a desaceleração no mercado de trabalho, denunciando assim a piora no quadro macro.
Outro dado oficial que aponta na mesma direção é a coleta de impostos. Em abril o governo arrecadou cerca de R$ 57 bilhões, no mesmo período do ano passado a arrecadação foi de quase R$ 60 bilhões.
Menos impostos coletados servem de aproximação do nível de atividade no país, e os resultados apontam para a queda na produção. É a primeira vez desde 2001 que o mês não supera seu igual período do ano passado
O interessante destes dois dados é que ambos são de abril, ou seja, após o primeiro trimestre de 2009, e ambos continuam deteriorados, jogando areia na leitura de “que o pior já passou”. Nossa expectativa é que o Brasil já apresente resultado positivo no PIB do segundo trimestre (variação trimestral dessazonalizada), mas isso não sanciona de forma alguma uma leitura excessivamente otimista sobre o atual momento.
Nos EUA péssimas notícias no mercado imobiliário. O Housing Starts (Início de Construção de Novas Casas) atingiu o piso histórico desde 1973, ao registrar apenas 458 mil novas moradias em construção. A evolução do gráfico é desconcertante e dá a real dimensão do tombo da economia norte-americana.
Desde o início desta crise os analistas e economistas olham com atenção redobrada o mercado imobiliário. Afinal, este setor concentra a etapa final de uma série de processos e ativa um tantos outros. O sinal não é bom.
No Brasil a inflação continua comportada. O IPC-FIPE, divulgado hoje de manhã, veio em linha com nossa expectativa. Esperávamos que o índice viesse em 0,36% e veio em 0,34%. O destaque de baixa ficou por conta do grupo Alimentação que registro deflação de 0,47%.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: mind the gap, seis por uma dúzia, the house has fallen


