07/05/2009 - 11:53
A ata da 142° reunião do COPOM, divulgada hoje, reitera uma visão mais desaquecida da economia brasileira. Após a última ata, que veio meio truncada, não apontando de forma clara a visão do colegiado e jogando para a “evolução futura da economia” boa parte da explicação do corte de 150 pontos base, esta atual ata coloca os pontos nos is de forma mais clara. Vale lembrar que a última decisão estava sob o calor do PIB do 4° tri de 2008 derretendo e de uma Produção Industrial pífia. Nesta última reunião não houve estes elementos de coerção ao colegiado.
A diretoria do BC dá a entender na ata que há espaço para a continuação da política monetária expansionista e que mais cortes estão na pauta do dia. Os motivos são basicamente:
• A desaceleração econômica recente criou considerável capacidade ociosa, o que retira parte da pressão inflacionária via a ponta da oferta,
• O mercado de trabalho mais desaquecido evita pressões inflacionárias adicionais pelo lado da demanda,
• A deterioração da pressão via demanda também se dá através de condições piores de financiamento e da confiança dos agentes em baixa
• As expectativas futuras da inflação apontam para a convergência à meta de 4,50% já em 2009,
• A retomada do crescimento no país deve ser gradual, evitando que a ociosidade d fatores seja esgotada muito rapidamente.
Segundo suas próprias palavras no item 24:
“O Comitê entende que o desaquecimento da demanda, motivado pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, ainda que nos dois casos se observe alguma melhora na margem, bem como pela contração da economia global, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica. Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias, mesmo diante das conseqüências do processo de ajuste do balanço de pagamentos e da presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia, abrindo espaço para flexibilização da política monetária.”
O BC vai além e manda um recado para o Planalto e a Fazenda e diz, no mesmo item 24 (negrito nosso):
“Adicionalmente, o Comitê entende que a continuidade do processo de flexibilização monetária torna premente a atualização de aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional.”
O recado é que será necessário alterar as regras da poupança para o BC continuar a política de corte de juros, caso contrário esta “memória inflacionária” institucionalizada servirá como piso para a taxa básica.
Além de todos estes sinais que o BC emitiu na recente ata, mais um vem fazer coro: o dólar vem registrando queda expressiva nos últimos dias. Os motivos deste movimento são muitos (Balança Comercial positiva, entrada de dólares que estavam fora do país de exportadores, percepção positiva do Brasil por parte de estrangeiros, possível classificação do país pela Moody´s, e por aí vai). O fato é que da máxima em março de R$ 2,44, para ontem, em R$ 2,11, o tombo na moeda norte-americana foi de 13,55%.

Mais uma boa notícia no front inflacionário.
O IGP-DI divulgado hoje veio em linha com nossa expectativa. O índice anterior havia apresentado deflação de 0,84%. Nossa projeção apontava para 0,0%, veio um pouco mais acima, em 0,04%.

A inflação está bem comportada, e não apresenta razões de preocupação adicional. A boa notícia veio do IPC (preços ao consumidor) que apresentou queda de 0,61% em março, para 0,47% em abril.
Nossa projeção para o IPCA que será divulgado amanhã está mantida em 0,37%, alta em relação ao índice anterior em 0,20%.
No mundo a distensão monetária segue. No Velho Continente o Banco da Inglaterra mantém inalterada sua taxa básica em míseros 0,50. Já o Banco Central Europeu amplia o corte e fica em 1,00, uma queda de 25 pontos base em relação a taxa anterior de 1,25.

Para ler a ata do COPOM na íntegra acesse:
http://www.bcb.gov.br/?COPOM142
Para ver o resultado do IGP-DI, acesse:
http://www.fgv.br/mailing/IBREMKT/dsp_arquivo.asp?arquivo=1AB710ED20EC6B69
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: ata copom, desaceleração, ocioso, Selic
28/04/2009 - 10:46
Começa hoje a reunião do colegiado do COPOM e segue até amanhã quando será anunciada a nova taxa de juros básica da economia brasileira. Mantemos nosso call de corte de 150 pontos base na taxa, de tal sorte que a meta fique em 9,75. A maioria dos economistas do mercado apostam num corte menor, em torno de 100 pontos base na taxa, fazendo a meta ficar em 10,25.
Especular sobre a taxa Selic sempre é uma tarefa ingrata, pois trata-se de tentar pensar com a cabeça de um determinado grupo de economistas. No caso a diretoria do BC. Não se trata de uma taxa ótima, mas sim a possível dentro de uma conjuntura muita ampla de fatores; onde fenômenos econômicos e a agenda política se entrelaçam.
O que é interessante em observar na decisão da Selic não é exatamente o número em si, mas antes de tudo a justificativa em torno dele. Seria útil ao mercado saber com mais clareza o que a autoridade monetária pensa sobre o estado geral da economia brasileira, e sobre os desdobramentos futuros. Este tipo de informação não está necessariamente contida num número. Se vier um corte de 150, isso não quer dizer automaticamente que o BC acha que a economia está indo ladeira abaixo. Pode ser até mesmo o contrario.
Nosso cenário base aponta uma desaceleração econômica em 2009 na ordem de -0,75%. Levando em conta nossas expectativas, e nas do mercado, a inflação este ano deve confluir de forma tranqüila para o centro da meta, dada a deflação mundial na esteira desaceleração econômica.
Este cenário é mais pessimista do que as declarações da nossa autoridade monetária, o que elava a probabilidade de um corte menor amanhã.
O que continua jogando a favor de um corte da mesma magnitude nesta reunião são alguns pontos: 1-) há espaço para o corte na taxa , haja vista a inflação sob controle e o nível de atividade modesto no país, 2-) pressões políticas – novo presidente do BB, e redução do superávit primário –, 3-) queda no nível de atividade econômica no mundo (amanhã será divulgado a estimativa do PIB dos EUA no 1° trimestre de 2009, e o resultado não deve ser animador), e 4-) taxas de juros historicamente baixas ao redor do globo.
Não fosse tudo isso, ainda temos agora a ameaça da gripe suína que, pânico aparte, deve realocar recursos escassos para combater a enfermidade; recursos esses que vão fazer falta no esforço econômico mundial.
Seja como for, a decisão da Selic encerra em torno de um número singelo a formação de diversas expectativas, e sinaliza para várias direções. O BC tem nas mãos uma decisão importante nas mãos, entre elas se anda junto com a política econômica do governo, ou se pretende ser o contra-ponto. Não existem respostas certas e erradas neste caso, o que importa é o sinal.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: COPOM, Selic
20/04/2009 - 10:44
Nos últimos dias uma discussão tem rodado as mesas de operação do país inteiro e ocupado a mente dos gestores de renda fixa: afinal, o BC vai continuar com a política monetária expansionista e dar mais 150 pb de corte, ou vai segurar o ímpeto e cortar apenas mais 50 ou 100 pb.?
Em entrevista à um jornal de grande circulação nacional neste fim de semana, o presidente do BC, Henrique Meirelles, deu a entender que o corte será menor que o mercado precificou no contratos futuros de DI, ou seja 150. A linha geral do raciocínio é que o necessário nesse momento é que os juros ao consumo e investimento caiam, e não exatamente a Selic que deve cair. O culpado da distorção? O enorme Spread bancário. Fora isso, Meirelles pondera que existem motivos estruturais na economia brasileira que não foram exatamente sanados e trabalhar apenas com razões conjunturais seria temerário dado o enorme grau de incerteza quanto aos rumos da economia. Soma-se a isso o fato do ano que vem ser um ano eleitoral e que não seria agradável aumentar juros em pleno pleito.
Obviamente saber das opiniões do presidente do BC é relevante quando se trata de taxa de juros. No entanto, cabe aqui trazer alguns elementos para pensar – e tentar prever – a decisão do COPOM nos dias 28 e 29 de abril.
Em primeiro lugar o Spread bancário, por mais altos que seja, está no lugar. O Spread é, grosso modo, o lucro dos bancos. Neste “a mais” em cima do juro livre de risco, além do lucro do banco, está outras coisas, entre elas o risco de emprestar dinheiro. O risco de emprestar dinheiro efetivamente aumentou nos últimos meses: a economia desacelerou, o desemprego aumentou, e o câmbio disparou. Qual motivo um banco teria para diminuir o componente risco nestes tempos incertos como bem apontou Henrique Meirelles? Hoje em dia é mais arriscado emprestar dinheiro do que era há dois anos; se não diminuiu de forma mais agressiva naquela época, não seria agora que iria diminuir.
Dos outros componentes do Spread, entre eles o lucro, aí é uma questão de mercado. Há pouca competição bancária o que evita que os juros caiam de forma mais agressiva. Se houvesse no sistema financeiro uma ampla competição por correntistas, fatalmente os juros pessoais cairiam via “promoções”, ou “queima de estoque”. Porém, sabemos que não há o que fazer neste front no curto prazo, e especular sobre isso é perda de tempo.
Quanto ao fato de 2010 ser um no eleitoral isso faz pouca diferença. Claro, é impopular aumentar os juros em plena campanha, no entanto é pior ver a economia desacelerando e o governo não fazendo nada. Além do mais é fácil vender a idéia que o aumento de juros é “culpa” da crise.
O presidente Lula deu a entender de forma clara que quer ver os juros cair na ponta final, para o consumo. Tanto que até fez a troca de guardas no BB para atingir este objetivo. Essa medida foi vista com muita desconfiança pelo mercado porque, ao fim e ao cabo, representa diminuir a margem de lucro do BB, justamente porque o lucro é o único componente que o novo presidente do banco pode mexer. A única forma de conciliar o lucro atual com juros menor é com a queda da taxa básica.
Muitos argumentam que a política fiscal anti-cíclica está indo além do razoável e que seria papel do BC segurar a gastança da administração federal. Porém, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, já mandou o recado e espera juros menores para diminuir o serviço da dívida e tirar parte do peso das contas públicas. Aumentar os juros não seguraria os gastos, mas aumentaria a necessidade de um superávit maior, coisa que já está descartada vista a recente redução da meta de superávit. Logo, seria temerário manter os juros num patamar muito alto. O mais importante é manter a relação dívida PIB declinante, e isto aparentemente está sob controle, nas palavras do próprio Meirelles (algo em torno de 37%).
Existe a questão de a poupança competir com os fundos de renda fixa por investidores, no famigerado TR mais 6%. A expectativa de que haja migração destes fundos para a poupança soa um tanto quanto inflacionada já que o presidente Lula sinalizou que vai alterar as regras da poupança, de tal sorte que continue sendo interessante para pequenos investidores, e mau negócio para a classe média para cima. Não seria sábio realocar os investimentos para um ativo que vai ter as regras alteradas em breve, e, fatalmente, por MP.
Existem pressões adicionais para que os juros caiam. Citamos aqui o Carry Trade, ou seja, a arbitragem entre taxas de juros internacionais. Hoje o risco Brasil (medido em CDS de 5 anos), está em 272, e nossa taxa de curto prazo está em 10,06. No caso da Coréia do Sul o risco país é de 273, e sua taxa curta de míseros 2,41. No caso chinês o risco está em 138, porém a taxa curta está em 0,91. Alguma coisa está fora do lugar, ou o risco país, ou a taxa de juros. Acreditamos que não é o risco que está fora do lugar.
Devemos ter em mente que a política de meta de inflação tem como razão de ser a condução da política monetária responsável para atingir uma inflação pré-estabelecida, e vemos claramente queda nos índices de inflação. Questiona-se que, em breve, será necessário aumentar as taxas de juros para dar conta da inflação por causa do volume de liquidez despejada nos mercados. A questão é que hoje a inflação está controlada, por isso não há razão da manutenção de juros tão altos. Lá na frente, se a inflação subir, basta subir os juros de novo. Talvez nem isso seja necessário. Se o BC cortar parte das facilidades que criou – entre elas compulsório menor –, isso talvez até de conta do recado. Não raramente os problemas econômicos de hoje, foram as soluções econômicas de ontem.
Como vemos são uma série de questões que estão na mesa. A decisão do BC na próxima reunião do COPOM será difícil, e cheia de significados. Vale lembrar que no dia 29 será divulgado o PIB dos EUA do primeiro trimestre de 2009 e a expectativa é de queda de 5% (anualizada). Não existe resposta certa e resposta errada quando se trata de juros básicos. Mais importante é o que se argumenta em favor daquele número; e neste caso a decisão é delicada.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: crise? que crise?, juros, meirelles, Selic
15/04/2009 - 11:35
Foi divulgada na manhã de hoje os dados da Produção Industrial nos EUA no mês de março. O resultado veio pior que a queda esperada de 0,9%, e fechou o mês com a mesma queda registrada no mês passado, em -1,5%. Na comparação entre março de 2009 versus março de 2008 o tombo é de 12,8%.

Dos grupos apurados, a maior queda se deu na indústria de Bens para Negócios (Business Equipment) com queda mensal de -2,3%. Isto aponta, em grande medida, o grau de “desinvestimento” que a economia norte-americana ainda passa. A recuperação econômica por lá ainda não está no horizonte; tanto que vimos a inflação ao consumidor (CPI) registrar deflação de 0,1%, apontando – de forma indireta – o desaquecimento econômico.
Não fosse só os dados ruins do lado da produção, ontem vimos dados do comércio virem tão ruim quanto. As Vendas no Varejo registraram queda de 1,1% em março, frustrando a expectativa de muitos economistas de uma recuperação mais vigorosa na margem nos dados da economia dos EUA.

Ao fim, e ao cabo, fica uma incômoda e persistente sensação de que o pior da crise ainda não passou quando se tem na lupa a economia real. Se de um lado é verdade que a volatilidade vem diminuindo nos mercados financeiros e que o fluxo de crédito em alguns mercados volta à normalidade, não deixa de ser verdadeiro também que ainda falta muito para “ficar bom”. Os esforços de recuperação econômica ainda estão sendo colocados em prática, e demora algum tempo até os efeitos serem sentidos no tecido econômico.
Com estes dados em mão, Produção Industrial e Vendas no Varejo, já se pode ter alguma idéia do PIB norte-americano do 1° trimestre de 2009. A expectativa não é das mais animadoras e deve furar a maioria das previsões até então elaboradas. Será divulgada uma versão preliminar do PIB dos EUA do 1°tri no dia 29 de abril, mesmo dia da decisão da taxa de juros por lá e também o mesmo dia do anúncio da taxa SELIC aqui.
Nosso call é de corte na taxa Selic de 150 pontos base – fazendo a taxa sair de 11,25 para 9,75 –, tendo em vista o nível de atividade doméstico e a inflação comportada. Soma-se a este cenário o peso simbólico da queda continuada do PIB norte-americano sobre a formulação de políticas econômicas no país.
Existe luz no fim do túnel? Na margem, ou seja, na variação mensal dos indicadores, há espaço sim para melhoras. Uma vez que a base de comparação é baixa o resultado pode aparentar melhora. Este é o caso do Empire Manufacturing, índice do nível de atividade da região de Nova York. O resultado foi bem melhor que o inicialmente projetado (esperava-se uma queda de -35, acabou se verificando uma queda de apenas -14).

Vale lembrar que a melhora é da piora. Ainda está ruim, mas “menos pior” do que antes. Devemos olhar esses dados com muito cuidado e neste momento devemos nos ater aos dados mais sólidos e tradicionais para evitar erros de julgamentos. Entre estes o principal: o PIB.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: EUA, produção industrial, Selic
12/03/2009 - 13:28
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: 150, COPOM, crise? que crise?, Selic
11/03/2009 - 11:26
Hoje, como sabemos, é o dia D na condução da política monetária no Brasil. Esta reunião do COPOM (que começou ontem com o PIB caindo 3,59%, e termina hoje com o IGP-M do 1° decêndio derretendo -0,45%), tem um peso maior do que as anteriores. Pouco importa o tamanho do corte, o que importa é saber o que o BC acha do atual momento econômico.
Se cortar pouco a Selic, o colegiado do COPOM estará comunicando que a inflação é o maior problema por ora. Porém, se a faca cortar mais fundo ele deixará claro que o nível de atividade preocupa, e que a redução deverá ser prolongada.
Nosso departamento econômico anunciou dia 9 de fevereiro que a queda esperada na Selic era de 150 pontos base. Víamos que o PIB do 4° trimestre estava comprometido por conta dos dados da indústria, que no período havia caído 9%, e que a inflação estava se comportando bem, a despeito das pressões dos reajustes de mensalidade e transporte (com um IGP-M turbinado via bolha de commodities em meados de 2008), e dos problemas climáticos em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Porém, além de inflação e atividade em viés baixista, observávamos os nossos pares no mundo emergente, e a constatação era que havia espaço para cair. A tabela abaixo ilustra o fato. Peguemos como exemplo a Coréia do Sul. O país asiático teve um choque no câmbio severo, uma desvalorização de 55,20% – a nossa foi 37,64% -, possui um Risco País maior que o nosso em 457,57 (medido via CDS de maturação de 5 anos) e mesmo assim pratica uma taxa de juros básica de 2%.

Estes dados estão detalhados em relatório distribuído ontem sob o título “Por trás da linha Maginot”, onde é consolidada nossa visão sobre os desdobramentos da economia brasileira, e do nosso equívoco para combater a crise mundial. Par ler o relatório basta acessar no link no fim deste Comentário Diário.
A inflação por aqui continua na trajetória imaginada. O IGP-M do 1° decêndio literalmente devolveu o aumento do mês passado. Na medição anterior o índice havia registrado uma alta de 0,45%. Agora a deflação foi de exatos 0,45%. O IPCA, medida oficial dos preços no país, veio um pouco acima da nossa expectativa. Imaginávamos uma estabilidade em torno de 0,48% (resultado do mês anterior), mas veio um pouco acima e fecha em 0,55% no mês de fevereiro.
Na Alemanha a desaceleração se aprofunda de forma violenta. Os Pedidos da Indústria fecham com queda de 38% ao ano e demonstram de forma cabal o tamanho da desarticulação da produção para um novo ponto de equilíbrio com a demanda. Infelizmente este ponto é muito, mas muito, baixo. O estoque de capital (e a oferta que isto representa) terá que se adequar à este novo nível de consumo – reprimido via crédito escasso e desemprego crescente.
Não há como fugir da realidade econômica atual. Com a palavra o BC.
Para acessar “Por trás da linha Maginot”, acesse o link abaixo. Caso não consiga, me mande um email solicitando que envio uma cópia.
http://www.gradualinvestimentos.com.br/portal/pdfs/Por%20tr%C3%A1s%20da%20linha%20Maginot_FINAL.pdf?utm_source=Zartana&utm_medium=emailmarketing&utm_campaign=Relat%F3rio+-+Depto+Econ%F4mico+-+10-03&utm_content=Andr%E9+Guilherme+P.+Perfeito+aperfeito%40gradualcorretora.com.br
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: 150, COPOM, crise? que crise?, IPCA, Selic
10/03/2009 - 10:43
Os dados do PIB do 4° trimestre, divulgados hoje de manhã pelo IBGE, dão conta de uma desaceleração muito mais abrupta do que inicialmente projetado. Esperávamos uma queda de 2,18% na variação trimestral dessazonalizada. No entanto a queda foi significativamente maior; em -3,59%.

Dos componentes da demanda (consumo das famílias, consumo do governo, investimento, exportação e importação) apenas o consumo do governo apresentou alta. Foi uma elevação modesta e apenas 0,54%.
O carry over desta desaceleração no PIB do 4° trimestre é da ordem de -1,45%, ou seja: se o país tiver crescimento zero (0%) trimestre contra trimestre ao longo de 2009, fecharemos o ano com uma queda de 1,45%.
A inflação continua sob controle e o IPC-FIPE apontou aceleração de 0,24%, nossa projeção era de 0,25%. Destaque para o grupo alimentação, que após alta expressiva por conta de fatores climáticos, volta a uma trajetória adequada.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: 150, ops..., recssão, Selic
06/03/2009 - 12:48
Acabado o carnaval o ano começa por aqui, e pelo visto a quarta-feira de cinzas terminou foi hoje com o anúncio da Produção Industrial no país. Os economistas, que de forma geral viam no ciclo de estoques a razão fundamental do desaquecimento econômico no fim de 2008, viram a produção em janeiro apresentar um resultado pífio. A expectativa era de uma alta de 10% em média na variação mensal, no entanto, o resultado veio em 2,3%. No ano a queda é de 17,23%.

O governo vai ter que mudar a fantasia e trabalhar de forma mais coesa no campo econômico. Já foi objeto deste Comentário Diário o descompasso entre a política monetária e fiscal no governo Lula. Se de um lado há expansão de gastos via PAC e liberação de compulsórios – por exemplo –, do outro as taxas de juros continuam abusivamente altas, e a cada nova queda nas taxas básicas do mundo a nossa fica ainda mais alta relativamente (vide os cortes na Inglaterra, Europa, Japão, EUA, Chile…).
A solução encontrada pelo BC para “dar alívio” à economia é praticar uma espécie de regime de câmbios múltiplos. Todos nós lembramos a época onde havia no país várias taxas de câmbio; uma para exportadores, outra para turismo, outra para importação de bens de capital, e por aí vai (ainda resiste entre nós o charmoso e sinistro câmbio paralelo). O BC pratica coisa semelhante abrindo tantas exceções às condições de crédito. Existe uma política para pequenos bancos, outra para exportadores via ACC, outra ainda para dívida externa do setor privado – que, diga-se de passagem, é maior que a pública e com a explosão do câmbio transmitiu o estresse financeiro para dentro da blindagem brasileira. Todas em regime extraordinário, dada a crise mundial em plena potência.
O governo reclama amiúde do alto spread bancário praticado pelo sistema financeiro. No entanto, pensando pela lógica de um tesoureiro de banco, realmente o spread deve aumentar. O risco de emprestar aumentou consideravelmente nos últimos meses dado a deterioração nas condições econômicas e não seria sensato considerar o mesmo risco de antes da crise com o período de crise.
Não é uma questão moral, muito menos de simples concorrência (como o ministro Guido Mantega deu a entender ao autorizar que a CEF praticasse juros menores). Não podemos esquecer, como muitos gostam de não lembrar, que um banco é uma empresa, e que uma empresa visa lucro. Esperar que estes ajam “contra o patrimônio” é equivocado e ingênuo. Se o BC praticar uma política de juros menores, ou indicasse isso de forma clara, além de diminuir o custo de oportunidade do dinheiro – que, grosso modo é a Selic – ele estaria melhorando as expectativas sobre os desdobramentos futuros do nível de atividade no Brasil, gerando assim um alívio sobre o spread.
Neste sentido, e tendo em mente uma inflação comportada por conta da deflação mundial, acreditamos num corte de 150 pontos base na próxima reunião do COPOM, levando a taxa à 11,25. Nosso cenário considera uma queda no PIB do 4° trimestre de 2008 de 2,18%, e o PIB de 2009 fechando em -0,20%. Vale lembrar que o PIB do 4° trimestre vai ser divulgado no primeiro dia de reunião do colegiado do COPOM. Se confirmado este resultado horrível no produto, imagine a pressão na ante-sala do BC (na reunião anterior teve até churrasco na frente da sede do BC patrocinada por sindicatos). O presidente Lula fatalmente vai enviar recados ao BC. E ele faz isso geralmente pelo correio elegante da imprensa, através de uma nota aqui, um depoimento acolá e assim vai.
Enquanto isso o mundo segue ao pé da letra o script do Credit Crunch. Nos EUA o desemprego sobe para 8,1%, maior que a anterior de 7,6%, e ainda acima da expectativa de 7,9% do mercado.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: bancos, derretimento, fantasia, produção industria, Selic
22/01/2009 - 15:50
A decisão de corte em 100 pontos base da taxa Selic, anunciada ontem pelo COPOM e dentro da nossa expectativa, foi amplamente usada pelo governo para atingir mais de um objetivo simultâneo. Um verdadeiro circo foi aramado para o BC começar o afrouxamento monetário, com direito até a churrasco promovido por sindicalistas em frente a sede da instituição em Brasília. Antes de continuar, vamos à nota divulgada.
“Brasília – Avaliando as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, neste momento, reduzir a taxa Selic para 12,75% a.a., sem viés, por cinco votos a favor e três votos pela redução da taxa Selic em 0,75 p.b. Com isso, o Comitê inicia um processo de flexibilização da política monetária realizando de imediato parte relevante do movimento da taxa básica de juros, sem prejuízo para o cumprimento da meta para a inflação.”
Fora o tom lacônico típico desse comunicado, chama atenção alguns pontos. O primeiro é a decisão não unânime pelo corte de 100 pontos. Com o colegiado rachado em 5 contra 3, o BC indica ao mercado que pode fazer um afrouxamento mais gradual. A nota segue no tom precavido e afirma que “parte relevante” da queda da Selic já foi feito.
Cabe perguntar por que tanta cautela por parte do BC.
Neste mesmo Comentário Diário de ontem deixamos claro que não compartilhamos da visão equivocada que a redução simples da taxa Selic pode, per se, reequilibrar os agregados econômicos no mesmo ponto anterior; onde renda, emprego, câmbio e investimento estavam num nível adequado. Muitos economistas, políticos e sindicalistas tentam vender a idéia vulgar que o simples corte pode operar milagres. Isso é desonesto e transmite uma falsa idéia a população e aos trabalhadores.
Estamos enfrentando, e vamos enfrentar, uma desaceleração econômica vigorosa no Brasil e não há como escapar disso no curto prazo. Acreditamos, no entanto, que há espaço para a queda da taxa de juros em 2009. Porém, centrar todas as atenções econômicas neste único indicador seria miopia e um sério equívoco.
O governo usou o corte para atender um clamor popular e valorizou ao máximo o momento. Sindicalistas paralisaram avenidas no país, e, após o corte, grandes bancos anunciaram imediatamente a redução nos empréstimos à pessoa física. Tudo junto, para ter o efeito máximo do corte.
Era muito claro que haveria um corte na taxa Selic; mas da forma que foi anunciada o corte parece maior do que foi (e uma vitória da FIESP e dos Sindicatos), e ao mesmo tempo um corte menor, com tantos “senões” por parte do BC. Agradou a gregos e troianos.

O desemprego no Brasil recuou em dezembro segundo o IBGE e fechou dezembro em 6,8%, o menor dado da série.

No entanto, não devemos nos iludir com este resultado. Como bem apontou os números do CAGED a queda nos postos de trabalho está em andamento.
Na Europa os Pedidos da Indústria caíram drasticamente em termos anuais e fecham novembro com uma queda de 26,2% . Não há dúvidas que o Velho Continente está em forte desaceleração.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: churrasco, política, Selic
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