Relatório BC: Inflação 2009 rigorosamente na meta.
Foi divulgado na manhã de hoje o Relatório Trimestral de Inflação, a publicação mais importante do BC no que tange o estado geral da economia brasileira. O relatório, um calhamaço de 172 páginas, abrange praticamente todos os aspectos relevantes da economia doméstica e externa, com o objetivo de fornecer subsídio à condução da política monetária do governo. Vale lembrar que este é o primeiro relatório pós PIB do 4° trimestre, que apresentou queda substancial. Segue abaixo um resumo tópico do Sumário Executivo:
• Queda no PIB dos países desenvolvidos deve persistir em 2009,
• PIB brasileiro deve arrefecer na margem, seguindo a trajetória mundial,
• Crise foi transmitida para o país via obstrução nos canais de crédito,
• Confiança de consumidores e do empresariado no país caiu dada a restrição da demanda doméstica,
• Crédito em baixa, vendas de automóveis em baixa (-20,2% no 4º tri),
• Investimento idem (tombo de 9,8%),
• Utilização da Capacidade Instalada em queda, denunciando queda na produção,
• Efeito da desaceleração econômica é defasada no mercado de trabalho, mas deve atingir o setor,
• Crédito teve expansão apenas no segmento direcionado, já nos recursos livres houve queda dada as incertezas mundiais e no futuro da economia,
• Bens de maior valor agregado, e dependentes de crédito para sua demanda, sofreram mais, forçando assim uma readequação dos estoques,
• Contas públicas em ordem (superávit garantido), e relação Dívida/PIB declinante,
• Utilização do PPI (Projeto Piloto de Investimentos) fora do orçamento deve ajudar ainda mais a manutenção do superávit,
• Qualidade da dívida pública melhor devido ao câmbio e ao alongamento do perfil da dívida,
• Reservas Internacionais estáveis e em patamar robusto a despeito do agravamento da crise,
• Incertezas sobre o desenvolvimento da crise global tornam difícil prever comportamento das exportações e do câmbio,
• Cenário do BC prevê condições de financiamento da Balança de Pagamentos e a redução no déficit nas Transações Correntes via ingresso de capitais na forma de IED (Investimento Estrangeiro Direto),
• Cenário de Referência do BC projeta IPCA para 2009 em 4,0%, para o 1° tri de 2010 a inflação acumulada em 12 meses é de 4,4%,
• Previsão para o PIB de 2009 cai de 3,2% para 1,2%,
Em conjunto as novas informações contidas no relatório sintetizam as mudanças ocorridas nos últimos três meses, onde a inflação desacelerou via redução da demanda (doméstica e externa), que por sua vez é subproduto da restrição generalizada do crédito mundial. Vemos neste Relatório que o BC “mudou a mão” no que toca seu cenário básico. Se antes dava-se a impressão de que a inflação era ainda um problema sério neste ano, agora vemos um BC muito mais preocupado com a desaceleração econômica doméstica e externa, e seus efeitos deletérios sobre o nível de emprego.
Para ratificar a visão baixista da inflação, foi divulgado hoje o IGP-M da FGV. O índice anterior era de 0,26% em fevereiro, o mercado previa uma deflação de 0,35% e nossa projeção apontava para uma queda ainda mais substancial: de -0,42%. No entanto, o IGP-M furou até o piso das expectativas e fechou março em queda livre de -0,74%.
A principal influencia negativa foi o IPA (Índice de Preços do Atacado) que saiu de 0,20% para -1,24%, a maior queda desde junho de 2003.
O Relatório Focus também apresentou queda generalizada nas expectativas de inflação e é a primeira vez que tanto o Agregado quanto o TOP 5 prevêem o IPCA em 2009 abaixo da meta oficial de 4,50%. Um ótimo sinal sem dúvida.
Para ler o Relatório Focus no original, acesse:
http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090327.pdf
Fica claro que a partir de agora o BC sinaliza uma mudança no seu “modo de ver” a economia brasileira. Já vemos uma pressão forte sobre os juros no sentido de derrubá-los. Fora isso, iniciativas como o pacote para os bancos médios (cuja principal medida foi o aumento da parcela “segurada” pelo governo para R$ 20 milhões por instituição), criam um bom cenário sobre como o nosso BC deve atuar daqui para frente. Claro, se a economia mundial não azedar de vez no meio do caminho.
Para ler o Relatório Trimestral de Inflação na íntegra, acesse:
http://www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2009/03/ri200903P.pdf

