11/05/2009 - 11:24
Na oportunidade da divulgação do Plano Geithner, que visava estancar a crise de confiança e os distúrbios financeiros mais severos, sugerimos neste Comentário Diário que uma boa media da eficácia do plano seria acompanhar a evolução do risco do Citi através do seu CDS de 5 anos. A razão era simples, este tipo contrato “precificava” o risco percebido sobre o gigante financeiro norte-americano, e, por tabela, de boa parte do sistema financeiro mundial.
Um dos últimos episódios do Plano Geithner, costurado em conjunto com o FED e o FDIC, foi a divulgação do Teste de Estresse semana passada. Por mais que pesem críticas a metodologia aplicada e aos cenários avaliados, melhor com este teste do que sem nenhum. O objetivo central do teste era resolver “de uma vez por todas” as necessidades de caixa das principais instituições financeiras dos EUA e eliminar assim as dúvidas que pairavam sobre os balanços dos bancos e seus ativos podres e remediados.
Como esperado pela boataria pré-divulgação o resultado foi, de fato, positivo. Como podemos ver na evolução recente do CDS do Citi, o custo de captação pela aquela instituição norte-americana caiu sensivelmente, apontando assim o “novo preço” deste risco menor.

Não foi só o risco do Citi que caiu nestes últimos dias. Na verdade os riscos estão em queda de forma mais generalizada, denunciando que parte da crise de confiança foi debelada e que o congelamento do crédito começa a derreter. É o que aponta a evolução do CDS dos países emergentes. Após distúrbios fortes na percepção de risco dessas economias (em especial a Rússia que passou por um teste de fogo com sua moeda uma vez que aquele país é exportador massivo de petróleo), os patamares voltam a cair e já estão em equilíbrio uns com os outros.

Parece que os momentos mais dramáticos da crise financeira ficaram para trás, onde toda semana o mundo ficava no fio da navalha da bancarrota generalizada; é o que sugere a diminuição da volatilidade do S&P medido pelo CBOE. Após o estouro da manada com a quebra do mitológico Lehman Brothers a volatilidade subiu às alturas. Nas últimas semanas, no entanto, o nervosismo está caindo.

A crise acabou? É claro que não, e a situação econômica ainda inspira cuidados atentos por parte das autoridades econômicas. Existe a possibilidade – não desprezível – que o mercado tenha se antecipado cedo demais à melhora econômica. Isto aponta para uma realização de parte da alta registrada nestes últimos meses. Toda atenção é pouca.
No país a inflação segue como esperado e continua comportada, denunciando assim uma situação econômica deprimida e, mais recentemente, a valorização do Real frente ao Dólar.
O IPC-FIPE divulgado hoje de manhã veio acima da nossa expectativa, mas em linha com o mercado. Esperávamos que o índice caísse de 0,38% para 0,27%. Porém fechou em 0,34%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: acabou?, inflação, mind the gap
24/04/2009 - 10:56
Uma agenda econômica lotada na manhã de hoje lança luz sobre alguns movimentos da economia neste 1° trimestre de 2009. No Brasil o desemprego de março volta a crescer e chega a casa dos 9%, reiterando assim nosso cenário base, onde desaceleração econômica atinge o mercado de trabalho cada vez mais.

Vimos a evolução negativa do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), e, apesar de uma melhora marginal – mas extremamente sazonal –, os dados já apontavam para a deterioração do mercado de trabalho. Soma-se a isto o aumento do retorno de cheques, que subiu 6% na comparação com o mesmo período do ano passado.
Até aí nenhuma grande novidade, alguns países estão sofrendo muito mais que o país que nós. A Espanha, por exemplo, amarga quase o dobro: 17,4% da sua mão de obra está de braços cruzados.
Desemprego é conseqüência, não é fim. O choque de crédito e de confiança é que jogou na lona a economia mundial. Prova disso é a temperatura baixa da atividade econômica. A inflação continua comportada e o IPCA-15 veio em linha com nossa expectativa e fecha abril em 0,36% (nossa projeção revisada era de 0,35%). O IPC-FIPE da 3ª quadrissemana também vem comportado e desacelera em relação a semana anterior ficando em 0,38% (nossa projeção era de 0,40%).

Na Inglaterra vem o grande número do dia: o PIB do 1° trimestre de 2009, e, infelizmente, as notícias nãos são boas na ilha. A variação trimestral apresentou queda de 1,9%. Já na variação anual o tombo chega a 4,1%, o pior resultado desde os sombrios anos 80 e a era Thatcher.

O dado do PIB inglês ganha relevância extra uma vez que teremos, semana que vem, a divulgação do PIB dos EUA do 1° trimestre. Deve vir bem machucado o resultado por lá também e joga mais pressão sobre o BC. O resultado do PIB sai justamente no dia da decisão dos juros nos EUA e no último dia de reunião COPOM.
Como vemos, a desaceleração econômica, associada a inflação comportada, parece ser o tom predominante deste primeiro trimestre. No Brasil e no mundo.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: COPOM, desemprego, inflação, pib inglaterra
08/04/2009 - 11:36
O índice de inflação oficial – o IPCA – reagiu conforme esperado e capturou a desaceleração generalizada dos preços no país no mês de março. Após um início de ano em alta, devido às pressões típicas da época (reajuste de mensalidades, aluguéis, etc.) turbinada via IGPs mais altos por conta da explosão do preço do petróleo/commodities em meados de 2008, os preços domésticos declinam. A variação do IPCA foi de 0,20% em março (nossa projeção era de 0,25%) contra 0,55% em fevereiro. No acumulado em 12 meses o índice sai do teto da meta e vai de encontro ao centro.

Outro índice divulgado hoje foi o IGP-M do 1° decêndio pela FGV. A prévia apontou deflação acentuada e sai de -0,45% em março para -0,53% em abril puxado, principalmente, pelo IPA (Índice de Preços no Atacado) que caiu quase 1%. Em 2009 o índice está em deflação de 2,90%.

A deflação verificada no país é o outro lado da moeda da desaceleração econômica; como apontou dados da CNI, o emprego industrial recuou 1,1% na última medição.
Na Alemanha, os Pedidos à Industria continuam em queda, se bem que num ritmo mais fraco do que antes. No entanto, o tombo em 12 meses chega a quase 40%, deixando claro o tamanho desaceleração no Velho Continente.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: alemanha, inflação, IPCA
31/03/2009 - 11:10
O mundo tem vivido de sobressalto em sobressalto, e de pacote em pacote. Neste período de exceção, onde a interferência política manda até demitir presidente de gigantes industriais – como foi o ocaso do presidente mundial da GM ontem – o investidor comum, e a população de forma geral, ficam perdidos no tiroteio teórico e retórico.
Semana passada, ao ser anunciado o detalhamento do plano do Tesouro norte-americano para a compra dos ativos tóxicos aninhados nos balanços bancários, sugerimos como termômetro da crise o CDS (Credit Deposit Swap) do gigante financeiro Citi. O CDS serve de proxi para sabermos o custo de captação de recursos pelo banco, e, em grande medida, mede a aversão ao risco que os agentes têm em relação àquela instituição. O CDS é, grosso modo, quanto uma instituição tem que pagar a mais (em pontos base) em relação ao ativo livre de risco.
Vemos no gráfico abaixo que há uma relação inversa entre o preço das ações do banco e seu custo de captação,; o que faz muito sentido uma vez que, com maior custo de captação de recursos (a matéria prima por excelência de um banco), o lucro daquela empresa deve ser menor.

Apesar do esforço do governo Obama em tornar mais claro e eficiente possível o plano de salvamento do sistema bancário (que, diga-se de passagem, é a versão final do Plano Paulson), os eventos na economia se sobrepõe, e dificilmente há como isolar as variáveis e tratá-las uma-a-uma. Ontem, por conta das notícias ruins vindas da GM, o Citi viu seu CDS disparar ao nível mais alto já registrado, fechando o dia em 633,60 contra uma média pré-crise de 13,51.
Isto aponta que, apesar de agir no sentido certo, o plano de ação da administração Obama ainda passará por um verdadeiro este de estresse, numa curiosa reversão de papéis.
Prova da demanda desacelerada é a inflação declinante no Velho Continente. Após um período de alta significativa por conta de commodities no lato da bolha, o movimento se inverte de um lado via commodities em queda e salário em queda também. A inflação estimada para março ficou em míseros 0,6% ao ano (9 meses atrás a inflação anual era de 4%).
No Brasil as medidas do governo continuam no sentido anti-cíclico, como aponta o fluxo de caixa do orçamento federal. Segundo os dados divulgados hoje a média nos últimos 12 meses (linha verde) já reverteu a tendência de alta registrada, e, por conta do PIB em queda – deteriorando a arrecadação – e os gastos com incentivos variados – o último foi o corte do IPI –, temos uma reorientação do gasto público.

A Relação Dívida PIB ainda continua comportada e fecha fevereiro em 37%, uma ligeira alta em relação à janeiro que ficou em 36,6% (vale lembrar que esta relação já chegou à 56% em 2002). Porém, toda atenção é pouca quando se trata de política fiscal. O Brasil já sofreu demais, e pagou caro demais, para colocar em ordem as contas. Usar este “cacife” mercê atenção redobrada.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: cds, inflação
03/03/2009 - 12:14
Pouca coisa sobra ao comentário diário nestes tempos de desaceleração ampla e irrestrita. O noticiário econômico se acumula num enorme déjà vu, reiterando uma sensação desagradável em muitos investidores.
De tempo em tempo o susto piora e algum gigante espirra sobre a banca. Ontem foi a vez do AIG e do HSBC apresentarem parte da fatura da crise financeira ao constatarem o óbvio: banco e seguradora não é um bom negócio hoje em dia (pelo menos no mundo industrializado, onde a taxa de juros básica não existe e emprestar só se for na base do juramento).
Desaceleração como sempre e ativos para baixo – preços idem. Hoje foi divulgado os preços no atacado na Alemanha e no acumulado do ano a queda já chega a 6%.

No Brasil a banda toca no mesmo tom, e os preços, capturados na pesquisa da FIPE para o mês de fevereiro, reiteram o bom comportamento do dragão em sono profundo. Em janeiro era 0,46%, em fevereiro chegou a 0,27% (nossa projeção era de 0,25%). Destaco aqui a queda do grupo alimentação, que pesa 22,7% no índice e foi a vilão por excelência da inflação em 2008. Comer subiu menos em fevereiro: 0,33%.

Nossos modelos apontam que o IPCA deve, no entanto, registrar leve alta em relação ao mês passado. O índice deve subir de 0,48% para 0,50% em fevereiro, o que representa em termos econométricos estabilidade.
Lembramos a todos que a Produção Industrial no Brasil será divulgada na sexta-feira, o que deve reiterar o tom de desaceleração econômica.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: crise, deja vu, inflação
09/02/2009 - 11:34
Em tempos de crise velhos sinais mudam de sinal, e mais que isso, antigos sinais tomam outro viés. Resultado de tempos de pernas para o ar onde o que costumava ser diz muito pouco sobre o que pode ser.
Caso deste revertério são os dados divulgados na semana passada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria) sobre a Utilização da Capacidade Instalada. Até então parte dos economistas viam neste indicador um antecessor da inflação doméstica. Se, por acaso, o nível de utilização estivesse muito alto isto queria dizer que a oferta estaria chegando ao seu limite e, por conseqüência, haveria pressão inflacionária.
Hoje fica um tanto quanto indelicada essa afirmação. A deterioração da atividade no Brasil chegou a um patamar tão agudo que dificilmente podemos olhar o mesmo dado com a mesma percepção. O que este dado aponta, hoje, é antes de tudo a desaceleração econômica.
A boa notícia, só para fazer o jogo do contente, é que – num segundo momento – o país poderá crescer sem pressões inflacionárias adicionais. Isso pode fazer toda a diferença lá em 2010 quando o fluxo internacionais de capitais e o estresse financeiro (leia-se aversão ao risco) estejam num patamar mais civilizado.
Hoje o IPC-S da Fundação Getúlio Vargas interrompeu um ciclo de alta que se estendia desde a última semana de 2008. O índice fechou em 0,81% contra 0,83% da semana anterior. As pressões pontuais típicas do mês de janeiro estão se arrefecendo, entre elas educação. A alta está em declínio, mas continua elevada: 2,91% disparada na frente entre os grupos.
No que toca a inflação temos uma má notícia no horizonte. Hoje está previsto o início da nova tarifa de metrô e trem metropolitano em São Paulo (a passagem de metrô foi reajustada em 6,25%, saindo de R$2,40 para R$2,55). Este aumento deve impactar fortemente os IPCs tanto da FGV quanto da FIPE.
No entanto, este reajuste é sazonal e não deve retirar a inflação brasileira de uma trajetória adequada. O maior perigo, por ora, é o grupo alimentos que pode ser afetado por eventos exóticos, em especial mudanças climáticas agudas como os temporais recentemente observados no Rio Grande do Sul.
Para ler o comunicado do índice acesse:
http://www.fgv.br/mailing/IBREMKT/arq/temporario/893060098.pdf
Hoje o Relatório Focus não apresentou mudanças significativas. Chamo atenção, no entanto, à queda na expectativa na produção industrial no Brasil em 2009, agora em 1,50% (semana passada estava em 2,00%). Nossa expectativa é de uma retração severa no produto brasileiro em 2009, como já anunciamos. Esperamos que o PIB venha em 0% durante este ano, ou até uma leve queda de -0,22%.
Para ler o relatório na íntegra acesse:
http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090206.pdf
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: capacidade instalada, gradual investimentos, inflação
02/12/2008 - 11:28
Hoje de manhã foram divulgados importantes dados sobre a economia brasileira que lançam luz definitiva sobre o atual estado econômico do país. A inflação é um problema? Vamos continuar crescendo à taxas crescentes? Agora temos mais pistas sobre os próximos meses.
Primeiro a inflação. Ontem, nesse mesmo Comentário Diário, havíamos chamado atenção ao comportamento mais “fundamental” dos juros futuros com vencimento curto (principalmente em janeiro de 2010). Argumentamos que cada vez mais esses contratos estarão sujeitos aos movimentos domésticos, e menos ligados aos temores da expectativa sinistra do futuro econômico mundial. Agora parece claro que a deflação mundial chegou ao Brasil com mais força. De um lado a deflação das commodities em plano mundial cumpre parte da queda; do outro a retração da demanda doméstica pressiona as margens. Soma-se a isso as liquidações desse Natal “em crise”, onde os comerciantes foram extremamente agressivos para manter seus volumes de venda. Nem a disparada do dólar apresenta hoje uma ameaça séria aos preços domésticos. Fosse noutro tempo, a desvalorização do Real seria motivo de pânico nos corredores do BC.
Resultado: o IPC-FIPE de novembro derreteu e atingiu 0,39%. Nossa projeção apontava para uma alta de 0,54%. Os analistas ouvidos pela Bloomberg variavam entre 0,47% e 0,60%, ou seja, nem o mais baixista projetava tão baixo. Por conta desse novo dado revisamos nossa projeção para o IPCA de novembro, que será divulgado na sexta-feira. Saímos de 0,49% e apontamos para 0,40%. O IPCA de outubro foi de 0,45%. Se confirmada nossa projeção isso representará uma queda na inflação oficial que levará cada vez mais para dentro da meta a inflação de 2008.

Já a Produção Industrial apresentou forte queda de 1,7% no mês de outubro. Em 12 meses apresenta leve alta, de 0,8%. Este dado reafirma o atual momento de desaceleração econômica. Porém, vale lembrar, que a Produção Industrial veio tão baixa, pois a base de comparação é muito alta. Tanto os meses anteriores, quanto o igual período do ano passado, foram excepcionais, logo, para vir um resultado nulo, ou mesmo negativos, é muito fácil. Fatalmente o PIB do 2º semestre de 2008 irá cair muito mais que os analistas estavam inicialmente prevendo.

Os juros futuros já reagiram a essa nova realidade e os contratos com vencimento em janeiro de 2010 já caem mais de 1,70% no início dessa manhã, sendo cotados a 13,80.
Pelo visto não há realmente mais clima algum para o BC aumentar a taxa básica na próxima reunião.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: crise? que crise?, deflação, economia, inflação, produção industrial
27/11/2008 - 12:00
Hoje foi divulgado pela manhã o IGP-M de novembro e o resultado surpreendeu todos os analistas. Segundo o terminal Bloomberg, nenhum economista que participou da coleta de expectativas imaginava um valor tão baixo. Nossa estimativa apontava para uma forte desaceleração, saindo de 0,98% em outubro, para 0,44% em novembro. Porém, o índice veio bem abaixo, aos 0,38%.
O grupo que mais desacelerou foi o IPA (Índice de Preço no Atacado), saindo de 1,24% em outubro, para 0,30% agora em novembro. A queda abrupta pode ser creditada a acomodação do choque de câmbio nos preços no atacado. Boa parte dos custos já foram reajustados a essa nova realidade, e fatalmente a indústria não irá repassar custos adicionais ao consumidor nesse natal em crise.
Persiste, porém, a alta nos preços ao consumidor, capturados pelo o IPC-M. A inflação neste grupo subiu o dobro entre e outubro e novembro, saindo de 0,25% para 0,52%. Podemos ter um IPCA mais acelerado no mês de novembro.

Hoje não haverá pregão em Nova York por conta do Dia de Ações de Graças. Vimos nos últimos quatros dias altas consecutivas no Dow Jones, fato que não acontecia desde setembro pelo menos. É uma ótima notícia, principalmente porque o mercado aparentemente não deu tanta importância aos números de nível de atividade nos EUA. Os Pedidos de Bens Duráveis recuaram mais de 6% segundo dados divulgados essa semana. Apesar disso o mercado seguiu em alta, apontando, em alguma medida, que a recessão já está no preço dos ativos em bolsa.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: crise? que crise?, igp-m, inflação
25/11/2008 - 11:37
Dados divulgados hoje pela FIPE sobre a inflação apontam, em grande medida, que há alguma desaceleração na margem dos preços no país. O IPC-FIPE registrou alta de 0,54%, contra 0,58% da semana anterior. Nossa projeção apontava para uma inflação de 0,58%, praticamente em linha com os dados apresentados.
No entanto, o aumento dos alimentos continua persistente. Claro, em níveis bem inferiores ao começo/meio deste ano onde o choque exógeno da alta das commodities puxou todos os índices ao consumidor.
Os Índices gerais de Preços, calculados pela FGV, estão em franca queda e o IGP-M que será divulgado na quinta-feira deverá desacelerar fortemente, saindo de 0,98% para algo em torno de 0,44% segundo nossos modelos. A desaceleração pode ser creditada a relativa estabilidade do dólar no atual patamar e as correções passadas do choque de câmbio nos custos das empresas.
Porém, deve-se notar, que altas persistentes em alimentos solapam o poder de compra do consumidor ao infringir ao mesmo uma despesa irremediável e constantemente alta. Como não há escapatória desse grupo de produtos (alimentos), fatalmente a correção do poder de compra dar-se-á nos outros produtos, havendo inadimplência e redução na compra.
Outro fator que pode adicionar estresse à evolução dos preços é a recente tragédia em Santa Catarina. Fora o flagelo humano que a catástrofe representa, muitos danos econômicos sérios foram feitos. Entre eles a interrupção de rodovias, paralisação de fábricas e até a interrupção do gasoduto Brasil-Bolívia. Fora esses danos, soma-se a isso que Santa Catarina é um importante produtor de grão e carne, e que boa parte do escoamento terrestre da região Sul está comprometida.
Aproveitamos a oportunidade e estendemos nosso pesar a todas as vítimas da tragédia e nosso respeito e carinho aos sobreviventes e ao povo catarinense. Acreditamos que a ação do poder público, juntamente com a sociedade brasileira, poderá ajudar a minimizar os danos materiais e humanos.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: inflação, santa catarina, tragédia
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