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28/10/2008 - 10:43

Na véspera da super-quarta.

 

Hoje promete ser um dia de recuperações nos mercados mundiais. Após um início de semana em baixa, com as bolsas caindo em praticamente todos os mercados, é hora de recuperar parte dos prejuízos de ontem. Tóquio e Hong Kong já deram o sinal e recuperam boa parte do vale de ontem.

 

Hoje a agenda é magra tanto aqui como lá fora. Vale registrar que temos às 11:00 o índice de atividade do FED de Richmond, e, às 18:00, o índice de confiança medido pela ABC. Ambos prometem vir negativo, o que não é exatamente uma novidade nesses tempos em desaceleração.

 

Amanhã a agenda esquenta e já pode ser chamada de super-quarta, como a mídia recentemente batizou. O dia começa com dados de nível de atividade econômica nos EUA às 09:30, e mais tarde, às 15:15, o FED decide sobre sua taxa básica. Fatalmente deve vir por aí mais um corte, fazendo a taxa cair dos atuais 1,50% para 1,25%. O argumento é simples e contundente: o FED está conduzindo uma política monetária francamente expansionista para reanimar a economia doméstica, e mais uma ajuda agora – via corte de juros – seria extremamente bem vinda.

 

No fim do dia é a vez do COPOM anunciar a taxa básica por aqui. O mercado de juros futuros andou em alta os últimos dias e os juros com vencimento mais curto, em janeiro de 2010, comportavam uma estonteante alta de até 2 pontos percentuais na SELIC. Isso tudo por conta do estresse gerado no câmbio e das incertezas generalizadas no mundo.

 

É uma decisão difícil que está na mesa do Banco Central. Se observamos a inflação em si vemos que os índices aceleraram na margem, em grande medida pelo choque exógeno do câmbio acelerado. Porém, nada que possa desorganizar permanentemente a trajetória da inflação dentro da meta desse ano. Além do mais, a tendência mundial é de deflação, não de aceleração de preços, uma vez que a demanda global tende a desacelerar na média durante esse resto de ano e 2009. Vide preço das commodities.

 

Porém o nome do jogo agora é outro quando se trata de SELIC, agora a questão é o câmbio. A apreciação rápida e violenta jogou um custo surpresa nos balanços empresariais e ameaça chegar na ponta final do consumidor por dois canais: preços ou desemprego.

 

O BC está atento a isso e vem fazendo seguidos leilões de câmbio e swap na tentativa de segurar a moeda norte-americana num patamar não explosivo. O país tem reservas que até agora mal foram gasta nesse processo. O último dado disponível, do dia 24 de outubro, apontava as reservas num patamar expressivo, em US$ 204.727 bilhões. O BC tem munição e já demonstrou que pretende usá-la.

 

Há, no entanto, quem advogue que é necessário mais um aumento na SELIC para atrair capitais estrangeiros, de tal sorte que esse ingresso líquido ajude no combate ao câmbio nas alturas. Mais uma arma no arsenal do BC. Inicialmente achávamos que tal raciocínio fazia sentido, porém, dado o grau de aversão ao risco verificado nos mercados hoje em dia, um aumento de 0,50%, ou até mesmo 0,75%, pouco poderia ajudar. É mais prudente manter os juros onde estão e atacar o câmbio com o que temos de mais acessível e menos caro: as reservas.

 

Se o BC aumentar a taxa deve fazê-lo num patamar inédito, algo em torno de 1,50% ou 2,00%. Esse patamar pegaria o mercado de surpresa e faria as curvas longas de juro declinarem fortemente, além de poder ser realmente eficiente no combate ao câmbio. Porém, não há clima político para isso (nem no Planalto nem na FIESP).

 

No balanço dos riscos e possibilidades o BC deve optar pela cautela, e vir com a manutenção da taxa e acreditamos que assim o fará. Contudo a atual diretoria do BC costuma a surpreender, esperamos que caso seja tomada um decisão pela alta, que ela seja muito bem comunicada.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
27/10/2008 - 11:46

Uma semana típica.

Tudo indica que a semana que se inicia será mais uma semana típica. Os mercados já abriram em baixa levados pelo mau humor asiático que fechou em queda substancial, com Tóquio em queda de 6,36%. A Europa transmitiu o pessimismo e os futuros já estão em franca queda.

A semana promete ser típica por duas razões fundamentais. Em primeiro lugar não há mais muito que os governos e bancos centrais possam fazer. As principais medidas já foram noticiadas e agora estamos no momento de implementação dessas medidas. Os recursos destinados ao combate da crise financeira vão ser gastos ao longo desse mês e aos poucos veremos alguns indicadores melhorarem, em especial as taxas interbancárias (a Libor e o CDS de alguns bancos grandes nos EUA e na Europa) que indicam o grau de aversão ao risco e empoçamento da liquidez. Esse é o caso dos US$ 700 bilhões do Tesouro norte-americano, do pacote europeu ou do corte no compulsório brasileiro. Não há mágica. Agora só trabalho sério e continuado pode ajudar o sistema.

A outra razão típica é que as notícias ruins irão continuar a aparecer lá fora. Resultados de empresas nas bolsas dos EUA, Europa e Japão fatalmente irão refletir o atual novo equilíbrio macroeconômico num patamar significativamente mais baixo. Soma-se a isso dado da economia de fato, onde será constatado mais uma vez a desaceleração do produto mundial. Destaca-se aqui o PIB dos EUA na quinta-feira, que deve desacelerar 0,50%.

No mais é mais do mesmo em meio a muita volatilidade.

Indícios de inflação alta começa a refletir no índice de preços ao consumidor.

O IPC FIPE da terceira quadrissemana veio em 0,39%, acima da expectativa de mercado que esperava uma alta de 0,30% do índice. Todos os grupos que compõe o índice, comparados com a segunda quadrissemana de outubro, subiram, com exceção de Educação que manteve a mesma variação e Despesas Pessoais que caiu 0,01%. O grupo que mais subiu foi Saúde que de 0,38% foi para 0,60% seguido de Habitação que foi de 0,58% para 0,68%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , ,
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