Brasil X China
Alguns economistas traçaram recentemente um cenário que aponta para uma melhora substancial na economia brasileira no segundo semestre de 2009 via uma demanda chinesa mais robusta. Ponderam que a situação do crédito no gigante asiático teria dado sinais de melhora e que o preço baixo das commodities deu fôlego novo à indústria chinesa, aumentando o lucro de forma marginal. Também apontaram que os preços dos fretes marítimos estão acelerando (ainda que em comparação a uma base mais fraca), e isto seria sinal de uma recuperação discreta nos preços das commodities.
Não temos a intenção de desacreditar o relatório dos nossos colegas, mas frente a uma sensação no mercado de que o Brasil pode se recuperar mais rapidamente do que é razoável, é mister fazer uma ressalva que acreditamos relevante frente a novos dados. Foram divulgados na terça-feira última os números abertos da Balança Comercial chinesa que apresentou um saldo positivo em janeiro: US$ 39 bilhões. No entanto, essa melhora se deu através do recuo estratosférico de 43,1% nas importações e de 17,5% nas exportações, fazendo assim a equação fechar no azul.
Ao observamos no detalhe vemos lá uma mudança substancial na nossa relação comercial. A China exportou menos para o Brasil, porém o decréscimo das importações chinesas de produtos made in Brazil foi muito além.
Os gráficos falam por si, e são figuras contundentes. No entanto, ainda mais preocupante é a constatação de que o saldo comercial entre os dois países se inverteu em janeiro último. O Brasil que sempre acumulou saldos robustos com o parceiro asiático vê em janeiro uma reversão abrupta na tendência (algo que não acontecia desde fevereiro de 2002). Hoje o déficit é US$ 96 milhões pró-China.
A desaceleração nas commodities ainda deve permanecer por algum tempo e a China vai demorar para “puxar” a economia brasileira. Nossa expectativa é que o Brasil não cresça em 2009, ou melhor, que desacelere levemente, em -0,22% tudo mais constante.
Justamente por conta desta percepção que o país cresça tão pouco durante este ano, que esperamos uma atitude mais decidida do Banco Central e no corte de 1,50% na Selic na próxima reunião.
Dificilmente escaparemos da triste sina que ataca a economia mundial. A Europa viu em dezembro uma queda 12% na sua Produção Industrial.
Imaginar que o Brasil vá passar incólume – ou com interferência reduzida – por isso é um tanto quanto exagerado, e nesse momento preferimos reiterar o cenário mais baixista uma vez que o balanço de riscos pende perigosamente para o pior. Ainda mais com o mau humor nos EUA frente o pacote do presidente Obama (o que é precipitado, como apontamos no Comentário Diário de ontem).
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: china, crise, exportação




