13/05/2009 - 10:37
A Produção Industrial continua apresentando queda no mundo, reiterando a percepção de que ainda não passamos pelo pior da crise. É verdade que várias medidas de risco estão melhorando, e mesmo a crise de confiança parece estar se diluindo na esteira dos pacotes de estímulo e ações governamentais. No entanto os sinais continuam fracos no mundo e devemos ver desenrolar ainda mais dados ruins no que tange o nível de atividade.
Para ilustrar este aspecto serve como exemplo a Produção Industrial na China e da Europa. Em ambos os casos o resultado frustrou a expectativa positiva dos analistas.
No gigante asiático a queda foi na alta. Esperava-se que a Produção Industrial no ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, viesse em alta de 6,2%. Porém a alta registrada foi de 5,5% em abril.

No Velho Continente a situação é muito mais dramática, e os dados de março estabeleceram o novo recorde de baixa na série histórica com -20,2% ao ano.

O momento é de cautela e ainda não há, de forma evidente pelo menos, melhora significativa na produção industrial mundial.
Amanhã teremos a divulgação na Vendas no Varejo no Brasil e a expectativa é de alta, na variação mensal, na ordem de 0,7%. Come este dado em mão poderemos finalizar – de forma mais completa – nossa projeção para o PIB do 1° trimestre no país. Por ora nossa expectativa é de queda de 0,70%, seguida por recuperações trimestrais até o fim do ano (dados dessazonalizados). No entanto, estas altas esperadas – e consecutivas – não devem reverter o tombo do fim do ano passado, e 2009 deve fechar em queda de 1,19%.

As Vendas no Varejo nos EUA, divulgada hoje de manhã, foi melhor que o índice anterior, mas frustrou as expectativas mais otimistas. O índice anterior era de -1,1% em março. Em abril esperava-se variação nula, em 0%, porém o resultado fechou em -0,4%.
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05/03/2009 - 11:18
Um espectro ronda a Europa: o espectro da recessão. Os dados do PIB divulgados hoje no Velho Continente não deixam dúvidas quanto ao fato. A desaceleração fica clara em ambas as pontas. Do lado do produto a retração foi de 1,5% - a maior da série. Já na demanda todos os componentes internos retrocedem: Consumo das famílias, Consumo do governo e Investimento.

São dados preocupantes, e que seguem a risca o script da desaceleração econômica via Choque de Crédito. A crise financeira secou o crédito disponível o que acertou em cheio o investimento privado, expresso na conta Formação Bruta de Capital Fixo (FBKF). Crédito escasso é igual a crédito caro, logo os fluxos de caixa projetados tiveram que ser revistos sob este novo prisma, deprimindo os investimentos. Do lado do Consumo das Famílias a combinação perversa de desemprego em alta e crédito ralo fizeram o trabalho sujo da contração no consumo; num primeiro de bens duráveis (imóveis e veículos por exemplo) e agora ameaça a chegar a bens não-duráveis.
A surpresa ficou por conta na redução dos gastos do governo. A expectativa era que houvesse um aumento dos gastos governamentais no sentido de patrocinar uma política anti-cíclica. Esperava-se uma elevação de 0,3%, no entanto verificou-se uma retração de 0,6%. Isto pode apontar para duas coisas: a queda na PIB minou a arrecadação destes países, de tal sorte que o gasto ficou comprometido; ou uma estratégia dos governos europeus em esperar para ver qual país começa a gastar de forma mais agressiva, e evitar assim de ser o primeiro – ou único – a fazê-lo. Teoria dos jogos pura num cenário de terra arrasada.
Por conta do mau estar instalado no coração da Europa, os Bancos Centrais do continente resolveram continuar com a política monetária expansionista e anunciaram, ambos, corte de 0,50% na taxa básica. A esperança é que, com um maior volume de papel moeda em circulação na economia, a liquidez volte a circular.

O Banco Central Europeu está reagindo, em nossa opinião, de forma tímida frente ao desafio posto. Apesar de esta ser a menor taxa praticada pela instituição, ela ainda deixa a desejar. Alguns economistas advogam que é perigoso baixar demais as taxas básicas por dois motivos: de um lado ela piora a situação do sistema financeiro que fica sem uma remuneração mínima para o seu capital, afinal não é bom negócio emprestar para o consumo e investimento num cenário de recessão e o governo pagando zero fica impraticável a atividade bancária. O outro argumento, na nossa opinião, é um tanto quanto falacioso. Dizem que não se deve baixar a zero a taxa básica par não perder este instrumento de política monetária. Ora, se o paciente precisa de um remédio, não é prudente dar uma dose menor para não perder a eficiência do próprio remédio no futuro. Neste caso estaríamos salvando o emprego de médico à custa da vida do paciente.
Amanhã sai a Produção Industrial no Brasil e deve dar o tom dos eventos da semana que vem: divulgação do PIB do 4° trimestre e da taxa SELIC. Nosso call é de uma queda nos dados dessazonalizados do 4° trimestre 2008 de -2,18% e de uma redução de 150 pontos base na SELIC para dar conta da desaceleração econômica doméstica.
Resta saber se nosso BC é mais Inglês, ou Europeu.
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28/11/2008 - 15:49
Hoje foi divulgada a inflação na Zona do Euro e, como não podia deixar de ser, veio abaixo das expectativas e abaixo do índice anterior. A inflação ao ano está em 2,1% em novembro, contra 3,2% em outubro.
Esse movimento era esperado e faz coro com a tendência geral de deflação de forma mais ampla: commodities, ações, salários. Esse processo é um reflexo claro e inequívoco da desaceleração econômica em escala mundial, e deve continuar por alguns meses.
Hoje também foi divulgada a taxa de desemprego também na Europa que subiu em relação ao mês passado. Hoje 7,7% da força de trabalho no Velho Continente está sem emprego.
Não há mais dados relevantes na agenda econômica de hoje.
Semana que vem termos a divulgação do IPCA que segundo nossas estimativas deve acelerar um pouco na margem e atingir 0,49%.
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