Ata do COPOM: há espaço para queda.
A ata da 142° reunião do COPOM, divulgada hoje, reitera uma visão mais desaquecida da economia brasileira. Após a última ata, que veio meio truncada, não apontando de forma clara a visão do colegiado e jogando para a “evolução futura da economia” boa parte da explicação do corte de 150 pontos base, esta atual ata coloca os pontos nos is de forma mais clara. Vale lembrar que a última decisão estava sob o calor do PIB do 4° tri de 2008 derretendo e de uma Produção Industrial pífia. Nesta última reunião não houve estes elementos de coerção ao colegiado.
A diretoria do BC dá a entender na ata que há espaço para a continuação da política monetária expansionista e que mais cortes estão na pauta do dia. Os motivos são basicamente:
• A desaceleração econômica recente criou considerável capacidade ociosa, o que retira parte da pressão inflacionária via a ponta da oferta,
• O mercado de trabalho mais desaquecido evita pressões inflacionárias adicionais pelo lado da demanda,
• A deterioração da pressão via demanda também se dá através de condições piores de financiamento e da confiança dos agentes em baixa
• As expectativas futuras da inflação apontam para a convergência à meta de 4,50% já em 2009,
• A retomada do crescimento no país deve ser gradual, evitando que a ociosidade d fatores seja esgotada muito rapidamente.
Segundo suas próprias palavras no item 24:
“O Comitê entende que o desaquecimento da demanda, motivado pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, ainda que nos dois casos se observe alguma melhora na margem, bem como pela contração da economia global, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica. Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias, mesmo diante das conseqüências do processo de ajuste do balanço de pagamentos e da presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia, abrindo espaço para flexibilização da política monetária.”
O BC vai além e manda um recado para o Planalto e a Fazenda e diz, no mesmo item 24 (negrito nosso):
“Adicionalmente, o Comitê entende que a continuidade do processo de flexibilização monetária torna premente a atualização de aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional.”
O recado é que será necessário alterar as regras da poupança para o BC continuar a política de corte de juros, caso contrário esta “memória inflacionária” institucionalizada servirá como piso para a taxa básica.
Além de todos estes sinais que o BC emitiu na recente ata, mais um vem fazer coro: o dólar vem registrando queda expressiva nos últimos dias. Os motivos deste movimento são muitos (Balança Comercial positiva, entrada de dólares que estavam fora do país de exportadores, percepção positiva do Brasil por parte de estrangeiros, possível classificação do país pela Moody´s, e por aí vai). O fato é que da máxima em março de R$ 2,44, para ontem, em R$ 2,11, o tombo na moeda norte-americana foi de 13,55%.
Mais uma boa notícia no front inflacionário.
O IGP-DI divulgado hoje veio em linha com nossa expectativa. O índice anterior havia apresentado deflação de 0,84%. Nossa projeção apontava para 0,0%, veio um pouco mais acima, em 0,04%.
A inflação está bem comportada, e não apresenta razões de preocupação adicional. A boa notícia veio do IPC (preços ao consumidor) que apresentou queda de 0,61% em março, para 0,47% em abril.
Nossa projeção para o IPCA que será divulgado amanhã está mantida em 0,37%, alta em relação ao índice anterior em 0,20%.
No mundo a distensão monetária segue. No Velho Continente o Banco da Inglaterra mantém inalterada sua taxa básica em míseros 0,50. Já o Banco Central Europeu amplia o corte e fica em 1,00, uma queda de 25 pontos base em relação a taxa anterior de 1,25.
Para ler a ata do COPOM na íntegra acesse:
http://www.bcb.gov.br/?COPOM142
Para ver o resultado do IGP-DI, acesse:
http://www.fgv.br/mailing/IBREMKT/dsp_arquivo.asp?arquivo=1AB710ED20EC6B69



