02/12/2008 - 11:28
Hoje de manhã foram divulgados importantes dados sobre a economia brasileira que lançam luz definitiva sobre o atual estado econômico do país. A inflação é um problema? Vamos continuar crescendo à taxas crescentes? Agora temos mais pistas sobre os próximos meses.
Primeiro a inflação. Ontem, nesse mesmo Comentário Diário, havíamos chamado atenção ao comportamento mais “fundamental” dos juros futuros com vencimento curto (principalmente em janeiro de 2010). Argumentamos que cada vez mais esses contratos estarão sujeitos aos movimentos domésticos, e menos ligados aos temores da expectativa sinistra do futuro econômico mundial. Agora parece claro que a deflação mundial chegou ao Brasil com mais força. De um lado a deflação das commodities em plano mundial cumpre parte da queda; do outro a retração da demanda doméstica pressiona as margens. Soma-se a isso as liquidações desse Natal “em crise”, onde os comerciantes foram extremamente agressivos para manter seus volumes de venda. Nem a disparada do dólar apresenta hoje uma ameaça séria aos preços domésticos. Fosse noutro tempo, a desvalorização do Real seria motivo de pânico nos corredores do BC.
Resultado: o IPC-FIPE de novembro derreteu e atingiu 0,39%. Nossa projeção apontava para uma alta de 0,54%. Os analistas ouvidos pela Bloomberg variavam entre 0,47% e 0,60%, ou seja, nem o mais baixista projetava tão baixo. Por conta desse novo dado revisamos nossa projeção para o IPCA de novembro, que será divulgado na sexta-feira. Saímos de 0,49% e apontamos para 0,40%. O IPCA de outubro foi de 0,45%. Se confirmada nossa projeção isso representará uma queda na inflação oficial que levará cada vez mais para dentro da meta a inflação de 2008.

Já a Produção Industrial apresentou forte queda de 1,7% no mês de outubro. Em 12 meses apresenta leve alta, de 0,8%. Este dado reafirma o atual momento de desaceleração econômica. Porém, vale lembrar, que a Produção Industrial veio tão baixa, pois a base de comparação é muito alta. Tanto os meses anteriores, quanto o igual período do ano passado, foram excepcionais, logo, para vir um resultado nulo, ou mesmo negativos, é muito fácil. Fatalmente o PIB do 2º semestre de 2008 irá cair muito mais que os analistas estavam inicialmente prevendo.

Os juros futuros já reagiram a essa nova realidade e os contratos com vencimento em janeiro de 2010 já caem mais de 1,70% no início dessa manhã, sendo cotados a 13,80.
Pelo visto não há realmente mais clima algum para o BC aumentar a taxa básica na próxima reunião.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: crise? que crise?, deflação, economia, inflação, produção industrial
28/11/2008 - 15:49
Hoje foi divulgada a inflação na Zona do Euro e, como não podia deixar de ser, veio abaixo das expectativas e abaixo do índice anterior. A inflação ao ano está em 2,1% em novembro, contra 3,2% em outubro.
Esse movimento era esperado e faz coro com a tendência geral de deflação de forma mais ampla: commodities, ações, salários. Esse processo é um reflexo claro e inequívoco da desaceleração econômica em escala mundial, e deve continuar por alguns meses.
Hoje também foi divulgada a taxa de desemprego também na Europa que subiu em relação ao mês passado. Hoje 7,7% da força de trabalho no Velho Continente está sem emprego.
Não há mais dados relevantes na agenda econômica de hoje.
Semana que vem termos a divulgação do IPCA que segundo nossas estimativas deve acelerar um pouco na margem e atingir 0,49%.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: crise? que crise?, deflação, desemprego, europa
26/11/2008 - 14:23
Foi divulgado na manhã de hoje o PIB do Reino Unido, e como não poderia deixar de ser, ele desacelerou no terceiro trimestre. Os dados ainda são preliminares, mas já apontam com clareza para o movimento na queda dos produtos nacionais.
Tal qual aconteceu com a Alemanha, que divulgou ontem seus números, o Reino Unido manteve no terreno positivo todos os componentes da demanda interna (consumo das famílias, consumo do governo, etc…), no entanto o setor que contribuiu de forma negativa de forma mais expressiva foram as exportações. Não por acaso a Chanceler alemã, Ângela Merkel, disse aos jornais há um mês que não interessa à Europa que os países em desenvolvimento tenham um câmbio tão fragilizado. Ela sabe muito bem que o calcanhar de Aquiles das economias centrais será a exportação, uma vez que é apenas questão de tempo que o consumo doméstico desacelere.

A importação nos países centrais continua em alta e o motivo é a queda abrupta dos preços de importados. A evolução dos preços de importados da Alemanha ilustra bem dois momentos distintos que o mundo viveu nesse histórico ano de 2008. Num primeiro momento os preços de importados subiram na esteira das commodities em alta vertiginosa. Logo depois os mesmo preços despencam das alturas e apresentaram forte desaceleração na última medição, denunciando assim a deflação generalizada das commodities. Preços mais convidativos evitaram uma queda mais acentuada no consumo.

Já no Brasil a inflação ao consumidor, medida pelo IBGE, apresentou aceleração menor que nossa projeção de 0,53%. O IPCA-15, prévia do IPCA, registrou em novembro alta de 0,49%. Amanhã será a vez da divulgação do IGP-M, pela FGV, e este deve cair bastante, saindo dos atuais 0,98% para algo em toro de 0,44%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria
Tags: alemanha, deflação, economia, inglaterra, ipca-15