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12/11/2008 - 12:51

Porque o Brasil não é a Rússia.

A economia russa vem enfrentando um momento difícil esses últimos dias. O principal ponto de estresse é a queda abrupta da balança comercial devido ao derretimento do preço do petróleo no mundo. Hoje o barril tipo Brent pode ser comprado por menos de US$ 60,00 nos mercados futuros, um valor bem abaixo dos US$ 200,00 que alguns gurus de mercado previam no início desse ano quando o ouro negro deu um rali fantástico rumo aos US$ 146,00.

A queda na balança comercial tornou ainda mais aguda a fragilidade do Rublo frente as moedas fortes, Dólar e Euro, que compõe a cesta de moeda de referência à moeda russa. O BC de lá já estava agindo mercado de câmbio na tentativa de estabilizar a moeda num patamar mais adequado, basicamente pelo mesmo motivo que ocorre no Brasil: evitar que o poder de compra da moeda se deteriore e se perca poder de compra de importados, elevando assim a pressão nos preços domésticos.

Porém as autoridades monetárias russas jogaram a toalha quando gastaram US$ 100 bilhões de suas reservas nessa luta contra a desvalorização, aproximadamente um sexto das suas reservas em moeda forte. Quando o mercado percebeu o vacilo do BC atacaram a moeda. A turbulência na moeda russa criou forte estresse entre algumas moedas.

Porém, a situação brasileira é bem diferente dos nossos camaradas russos. Em primeiro lugar não somos exportadores de petróleo, apesar da commodity ter forte correlação com o resultado da nossa Bolsa de Valores, que é vista aos olhos estrangeiros, e mesmo por brasileiros, como uma Bolsa de Mercadorias, uma vez que as duas principais empresas do índice são ligadas à exploração de matérias primas.

Em segundo lugar o Brasil goza de maior credibilidade junto ao mundo industrializado, e prova disso foi a recente ajuda dada pelo FED, via uma linha de SWAP no valor de US$ 30 bilhões, e mais US$ 20 bilhões pelo FMI. Ambas as linhas sem nenhuma contrapartida adicional, dando extrema liberdade ao nosso BC para agir da forma mais adequada. O governo russo não possui a mesma credibilidade.

Logo, apesar de semelhanças, nossa situação difere radicalmente do estado que a Rússia se encontra. No entanto o mercado tende a homogeneizar essas informações e tratar o Brasil e Rússia no mesmo saco de emergentes. A volatilidade em alta contribui para essa miopia e os efeitos são severos por aqui também, com dólar em alta e bolsa em queda.

Soma-se a isso o resultado industrial no velho continente vindo extremamente baixo, apontando para uma recessão por lá nos próximos trimestres. A volatilidade continuará em alta e com viés de baixa nas bolsas, no mundo inteiro.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
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