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18/05/2009 - 13:39

CAGED veio bom? Eu acho que não.

Os dados divulgados agora a pouco do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) dão conta da criação de 106 mil novos empregos.

Devemos comemorar? Eu acho que não. Historicamente o mês de abril é o que registra a maior alta da série e esta centena de milhar de empregos ainda não superam o tamanho do tombo que vimos nos últimos meses. E pior: ainda representa uma queda em relação ao comportamento sazonal.

A série do CAGED é extremamente sazonal e deve ser filtrada para termos a real dimensão do seu número. O gráfico abaixo mostra a evolução e a série dessazonalizada. O método empregado foi o X-12 Census Aditivo.

Na verdade não criamos 106 mil vagas, mas perdemos 38 mil, uma vez que abril é o mês de maior contartação no país.

O governo vai comemorar, mas não devemos nos iludir neste momento. De forma alguma. A questão não é ser arauto do apocalipse, mas quem simplesmente acha que o pior já passou e por aí vai, pode induzir ao erro muita gente. O número veio, e não é bonito.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
06/05/2009 - 16:18

Sobre previsões e previsibilidades.

Se alguém dissesse, no início do ano, que a bolsa brasileira estaria em 51 mil pontos no começo de maio, fatalmente este sujeito estaria condenado ao descrédito público. Afinal, no começo do ano o cenário era para lá de sombrio: o PIB norte-americano havia derretido mais de 6% no ano, o nosso PIB também havia amargado um tombo de 3,6% no trimestre e Obama era apenas uma promessa no horizonte. Tudo estava carregado com uma pesada nuvem de imprevisibilidade.

Os economistas estavam desorientados (e em grande medida ainda estão) naquele início de ano. Os modelos simplesmente se tornaram obsoletos da noite para o dia, reduzindo a capacidade de previsão à praticamente zero. O motivo deste desarme é simples.

Os economistas se valem do instrumental estatístico e aplicam isto às variáveis econômicas, é isto que chamamos de econometria. Resumindo a questão de forma sumária o que nós fazemos é simplesmente assumir que o que foi continuará sendo. Extrapolamos para o futuro o que nos pareceu constante no passado. Porém, a crise criou um evento novo e de proporções gigantescas, que fez uma quebra estrutural nas séries observadas. O que foi explica pouco sobre o que vai ser.

Esta divagação se faz necessária para deixar claro para o leitor deste relatório que, sob qualquer hipótese, os números que apresentamos estão sob constante revisão. Simplesmente não existem informações suficientes para determinar alguma tendência clara sobre os eventos dos próximos meses.

Exemplo disso é nossa projeção para o PIB brasileiro. Nosso modelo base pondera o PIB sendo função da Produção Industrial e das Vendas no Varejo. As vantagens desta abordagem são muitas: além de serem metodologicamente coesos (todos são elaborados pelo IBGE), reduzir o número de variáveis ao mínimo possível evita erros e sobreposições desnecessárias. Em econometria menos é mais.

Tendo em mãos os dados da Produção Industrial divulgados ontem, temos um quadro mais preciso da situação da economia neste primeiro trimestre. Nossa projeção aponta para uma queda de 0,70% o PIB do primeiro trimestre e, no ano, uma retração de 1,20%.

Nossa expectativa é que o a economia comece a reagir já no segundo semestre, apresentando um crescimento de 0,50 e sendo seguido de mais dois de 0,80. Contribui sobremaneira para esta queda no PIB a evolução esperada do componente Investimento. Como apontou os dados de ontem a produção de Bens de Capital retraiu no mês 6,3% (dados dessazonalizados) o que deve jogar fortemente para baixo o componente Investimento.

Por sua vez o mercado acionário tenta dar preço e capturar uma possível retomada. Este processo nos parece ter sido exagerado no início deste ano. Em 2009 a Bovespa subiu 36% em Reais, e estonteantes 49% em Dólar. Nosso Departamento de Análise acredita que devemos fechar 2009 com 55 mil pontos. Em outras palavras: ao longo do ano fatalmente a bolsa deve recuar e devolver parte destes ganhos.

Nos parece otimismo em excesso alguns movimentos recentes na bolsa. Fora o anedótico episódio na Bolsa norte-americana, que no dia que foi divulgado o PIB do 1° tri de 2009 em queda livre de 6,1%, ficou animado com a alta de 2,2% no Consumo Pessoal, outros movimentos seguem a mesma lógica naíve.

Hoje aconteceu algo parecido. Foram divulgados o número de corte de vagas pela ADP nos EUA. O anterior tinha dado conta de 708 mil vagas a menos por lá. A expectativa era que mais 650 mil americanos seguissem o mesmo destino. No entanto, “apenas” 490 mil foram cortadas e isso animou os mercados no período da manhã. Quando se vê o gráfico, e não as expectativas, se tem noção do tamanho da deterioração no mercado de trabalho por lá.

Esta notícia, equivocadamente boa (desde fevereiro do ano passado 5.260.000 vagas foram cortadas), tira o foco de algo muito mais relevante. Amanhã será divulgado o Teste de Estresse nos EUA sobre a situação dos principais bancos. Existe a expectativa que algumas instituições precisem se capitalizar de forma adequada para passar nos piores cenários construídos. Vamos supor que, por exemplo, o Citi precise reforçar o caixa. O CDS daquela instituição – que aponta o custo de captação para aquele banco – está em patamares altíssimos, tornando esta geração de caixa extremamente penosa.

Logo, se de fato o gigante financeiro norte-americano precisar de caixa, teremos um problema sério nas mãos.

Existem sinais de melhora efetiva na economia mundial, e em particular para o Brasil? Claro que há. Entre eles citamos a evolução das commodities. Elas praticamente voltaram aos preços de um ano atrás, como mostra o gráfico. Isto sugere que a situação econômica – via Balança Comercial –, e a Bolsa – via produtores de commodities – pode melhorar.

Mas isto é apenas mais uma previsão, e como vimos a previsibilidade anda em baixa.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
20/04/2009 - 10:44

Uma discussão em pauta.

Nos últimos dias uma discussão tem rodado as mesas de operação do país inteiro e ocupado a mente dos gestores de renda fixa: afinal, o BC vai continuar com a política monetária expansionista e dar mais 150 pb de corte, ou vai segurar o ímpeto e cortar apenas mais 50 ou 100 pb.?

Em entrevista à um jornal de grande circulação nacional neste fim de semana, o presidente do BC, Henrique Meirelles, deu a entender que o corte será menor que o mercado precificou no contratos futuros de DI, ou seja 150. A linha geral do raciocínio é que o necessário nesse momento é que os juros ao consumo e investimento caiam, e não exatamente a Selic que deve cair. O culpado da distorção? O enorme Spread bancário. Fora isso, Meirelles pondera que existem motivos estruturais na economia brasileira que não foram exatamente sanados e trabalhar apenas com razões conjunturais seria temerário dado o enorme grau de incerteza quanto aos rumos da economia. Soma-se a isso o fato do ano que vem ser um ano eleitoral e que não seria agradável aumentar juros em pleno pleito.

Obviamente saber das opiniões do presidente do BC é relevante quando se trata de taxa de juros. No entanto, cabe aqui trazer alguns elementos para pensar – e tentar prever – a decisão do COPOM nos dias 28 e 29 de abril.

Em primeiro lugar o Spread bancário, por mais altos que seja, está no lugar. O Spread é, grosso modo, o lucro dos bancos. Neste “a mais” em cima do juro livre de risco, além do lucro do banco, está outras coisas, entre elas o risco de emprestar dinheiro. O risco de emprestar dinheiro efetivamente aumentou nos últimos meses: a economia desacelerou, o desemprego aumentou, e o câmbio disparou. Qual motivo um banco teria para diminuir o componente risco nestes tempos incertos como bem apontou Henrique Meirelles? Hoje em dia é mais arriscado emprestar dinheiro do que era há dois anos; se não diminuiu de forma mais agressiva naquela época, não seria agora que iria diminuir.

Dos outros componentes do Spread, entre eles o lucro, aí é uma questão de mercado. Há pouca competição bancária o que evita que os juros caiam de forma mais agressiva. Se houvesse no sistema financeiro uma ampla competição por correntistas, fatalmente os juros pessoais cairiam via “promoções”, ou “queima de estoque”. Porém, sabemos que não há o que fazer neste front no curto prazo, e especular sobre isso é perda de tempo.

Quanto ao fato de 2010 ser um no eleitoral isso faz pouca diferença. Claro, é impopular aumentar os juros em plena campanha, no entanto é pior ver a economia desacelerando e o governo não fazendo nada. Além do mais é fácil vender a idéia que o aumento de juros é “culpa” da crise.

O presidente Lula deu a entender de forma clara que quer ver os juros cair na ponta final, para o consumo. Tanto que até fez a troca de guardas no BB para atingir este objetivo. Essa medida foi vista com muita desconfiança pelo mercado porque, ao fim e ao cabo, representa diminuir a margem de lucro do BB, justamente porque o lucro é o único componente que o novo presidente do banco pode mexer. A única forma de conciliar o lucro atual com juros menor é com a queda da taxa básica.

Muitos argumentam que a política fiscal anti-cíclica está indo além do razoável e que seria papel do BC segurar a gastança da administração federal. Porém, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, já mandou o recado e espera juros menores para diminuir o serviço da dívida e tirar parte do peso das contas públicas. Aumentar os juros não seguraria os gastos, mas aumentaria a necessidade de um superávit maior, coisa que já está descartada vista a recente redução da meta de superávit. Logo, seria temerário manter os juros num patamar muito alto. O mais importante é manter a relação dívida PIB declinante, e isto aparentemente está sob controle, nas palavras do próprio Meirelles (algo em torno de 37%).

Existe a questão de a poupança competir com os fundos de renda fixa por investidores, no famigerado TR mais 6%. A expectativa de que haja migração destes fundos para a poupança soa um tanto quanto inflacionada já que o presidente Lula sinalizou que vai alterar as regras da poupança, de tal sorte que continue sendo interessante para pequenos investidores, e mau negócio para a classe média para cima. Não seria sábio realocar os investimentos para um ativo que vai ter as regras alteradas em breve, e, fatalmente, por MP.

Existem pressões adicionais para que os juros caiam. Citamos aqui o Carry Trade, ou seja, a arbitragem entre taxas de juros internacionais. Hoje o risco Brasil (medido em CDS de 5 anos), está em 272, e nossa taxa de curto prazo está em 10,06. No caso da Coréia do Sul o risco país é de 273, e sua taxa curta de míseros 2,41. No caso chinês o risco está em 138, porém a taxa curta está em 0,91. Alguma coisa está fora do lugar, ou o risco país, ou a taxa de juros. Acreditamos que não é o risco que está fora do lugar.

Devemos ter em mente que a política de meta de inflação tem como razão de ser a condução da política monetária responsável para atingir uma inflação pré-estabelecida, e vemos claramente queda nos índices de inflação. Questiona-se que, em breve, será necessário aumentar as taxas de juros para dar conta da inflação por causa do volume de liquidez despejada nos mercados. A questão é que hoje a inflação está controlada, por isso não há razão da manutenção de juros tão altos. Lá na frente, se a inflação subir, basta subir os juros de novo. Talvez nem isso seja necessário. Se o BC cortar parte das facilidades que criou – entre elas compulsório menor –, isso talvez até de conta do recado. Não raramente os problemas econômicos de hoje, foram as soluções econômicas de ontem.

Como vemos são uma série de questões que estão na mesa. A decisão do BC na próxima reunião do COPOM será difícil, e cheia de significados. Vale lembrar que no dia 29 será divulgado o PIB dos EUA do primeiro trimestre de 2009 e a expectativa é de queda de 5% (anualizada). Não existe resposta certa e resposta errada quando se trata de juros básicos. Mais importante é o que se argumenta em favor daquele número; e neste caso a decisão é delicada.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
12/03/2009 - 13:28

Sobre o corte de 150 do BC

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
11/03/2009 - 11:26

Espaço para cair.

Hoje, como sabemos, é o dia D na condução da política monetária no Brasil. Esta reunião do COPOM (que começou ontem com o PIB caindo 3,59%, e termina hoje com o IGP-M do 1° decêndio derretendo -0,45%), tem um peso maior do que as anteriores. Pouco importa o tamanho do corte, o que importa é saber o que o BC acha do atual momento econômico.

Se cortar pouco a Selic, o colegiado do COPOM estará comunicando que a inflação é o maior problema por ora. Porém, se a faca cortar mais fundo ele deixará claro que o nível de atividade preocupa, e que a redução deverá ser prolongada.

Nosso departamento econômico anunciou dia 9 de fevereiro que a queda esperada na Selic era de 150 pontos base. Víamos que o PIB do 4° trimestre estava comprometido por conta dos dados da indústria, que no período havia caído 9%, e que a inflação estava se comportando bem, a despeito das pressões dos reajustes de mensalidade e transporte (com um IGP-M turbinado via bolha de commodities em meados de 2008), e dos problemas climáticos em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Porém, além de inflação e atividade em viés baixista, observávamos os nossos pares no mundo emergente, e a constatação era que havia espaço para cair. A tabela abaixo ilustra o fato. Peguemos como exemplo a Coréia do Sul. O país asiático teve um choque no câmbio severo, uma desvalorização de 55,20% – a nossa foi 37,64% -, possui um Risco País maior que o nosso em 457,57 (medido via CDS de maturação de 5 anos) e mesmo assim pratica uma taxa de juros básica de 2%.

Estes dados estão detalhados em relatório distribuído ontem sob o título “Por trás da linha Maginot”, onde é consolidada nossa visão sobre os desdobramentos da economia brasileira, e do nosso equívoco para combater a crise mundial. Par ler o relatório basta acessar no link no fim deste Comentário Diário.

A inflação por aqui continua na trajetória imaginada. O IGP-M do 1° decêndio literalmente devolveu o aumento do mês passado. Na medição anterior o índice havia registrado uma alta de 0,45%. Agora a deflação foi de exatos 0,45%. O IPCA, medida oficial dos preços no país, veio um pouco acima da nossa expectativa. Imaginávamos uma estabilidade em torno de 0,48% (resultado do mês anterior), mas veio um pouco acima e fecha em 0,55% no mês de fevereiro.

Na Alemanha a desaceleração se aprofunda de forma violenta. Os Pedidos da Indústria fecham com queda de 38% ao ano e demonstram de forma cabal o tamanho da desarticulação da produção para um novo ponto de equilíbrio com a demanda. Infelizmente este ponto é muito, mas muito, baixo. O estoque de capital (e a oferta que isto representa) terá que se adequar à este novo nível de consumo – reprimido via crédito escasso e desemprego crescente.

Não há como fugir da realidade econômica atual. Com a palavra o BC.

Para acessar “Por trás da linha Maginot”, acesse o link abaixo. Caso não consiga, me mande um email solicitando que envio uma cópia.

http://www.gradualinvestimentos.com.br/portal/pdfs/Por%20tr%C3%A1s%20da%20linha%20Maginot_FINAL.pdf?utm_source=Zartana&utm_medium=emailmarketing&utm_campaign=Relat%F3rio+-+Depto+Econ%F4mico+-+10-03&utm_content=Andr%E9+Guilherme+P.+Perfeito+aperfeito%40gradualcorretora.com.br

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
02/12/2008 - 11:28

Produção Industrial e inflação ladeira abaixo.

Hoje de manhã foram divulgados importantes dados sobre a economia brasileira que lançam luz definitiva sobre o atual estado econômico do país. A inflação é um problema? Vamos continuar crescendo à taxas crescentes? Agora temos mais pistas sobre os próximos meses.

Primeiro a inflação. Ontem, nesse mesmo Comentário Diário, havíamos chamado atenção ao comportamento mais “fundamental” dos juros futuros com vencimento curto (principalmente em janeiro de 2010). Argumentamos que cada vez mais esses contratos estarão sujeitos aos movimentos domésticos, e menos ligados aos temores da expectativa sinistra do futuro econômico mundial. Agora parece claro que a deflação mundial chegou ao Brasil com mais força. De um lado a deflação das commodities em plano mundial cumpre parte da queda; do outro a retração da demanda doméstica pressiona as margens. Soma-se a isso as liquidações desse Natal “em crise”, onde os comerciantes foram extremamente agressivos para manter seus volumes de venda. Nem a disparada do dólar apresenta hoje uma ameaça séria aos preços domésticos. Fosse noutro tempo, a desvalorização do Real seria motivo de pânico nos corredores do BC.

Resultado: o IPC-FIPE de novembro derreteu e atingiu 0,39%. Nossa projeção apontava para uma alta de 0,54%. Os analistas ouvidos pela Bloomberg variavam entre 0,47% e 0,60%, ou seja, nem o mais baixista projetava tão baixo. Por conta desse novo dado revisamos nossa projeção para o IPCA de novembro, que será divulgado na sexta-feira. Saímos de 0,49% e apontamos para 0,40%. O IPCA de outubro foi de 0,45%. Se confirmada nossa projeção isso representará uma queda na inflação oficial que levará cada vez mais para dentro da meta a inflação de 2008.

Já a Produção Industrial apresentou forte queda de 1,7% no mês de outubro. Em 12 meses apresenta leve alta, de 0,8%. Este dado reafirma o atual momento de desaceleração econômica. Porém, vale lembrar, que a Produção Industrial veio tão baixa, pois a base de comparação é muito alta. Tanto os meses anteriores, quanto o igual período do ano passado, foram excepcionais, logo, para vir um resultado nulo, ou mesmo negativos, é muito fácil. Fatalmente o PIB do 2º semestre de 2008 irá cair muito mais que os analistas estavam inicialmente prevendo.

Os juros futuros já reagiram a essa nova realidade e os contratos com vencimento em janeiro de 2010 já caem mais de 1,70% no início dessa manhã, sendo cotados a 13,80.

Pelo visto não há realmente mais clima algum para o BC aumentar a taxa básica na próxima reunião.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , ,
28/11/2008 - 15:49

Inflação desacelera na Europa.

Hoje foi divulgada a inflação na Zona do Euro e, como não podia deixar de ser, veio abaixo das expectativas e abaixo do índice anterior. A inflação ao ano está em 2,1% em novembro, contra 3,2% em outubro.

Esse movimento era esperado e faz coro com a tendência geral de deflação de forma mais ampla: commodities, ações, salários. Esse processo é um reflexo claro e inequívoco da desaceleração econômica em escala mundial, e deve continuar por alguns meses.

Hoje também foi divulgada a taxa de desemprego também na Europa que subiu em relação ao mês passado. Hoje 7,7% da força de trabalho no Velho Continente está sem emprego.

Não há mais dados relevantes na agenda econômica de hoje.

Semana que vem termos a divulgação do IPCA que segundo nossas estimativas deve acelerar um pouco na margem e atingir 0,49%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
27/11/2008 - 12:21

Joy to the world

Pra ver se espanta de vez a urucubaca!

Sem contar o bigodão style do vocalista. Um dia deixo o meu.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
27/11/2008 - 12:00

IGP-M surpreende economistas

Hoje foi divulgado pela manhã o IGP-M de novembro e o resultado surpreendeu todos os analistas. Segundo o terminal Bloomberg, nenhum economista que participou da coleta de expectativas imaginava um valor tão baixo. Nossa estimativa apontava para uma forte desaceleração, saindo de 0,98% em outubro, para 0,44% em novembro. Porém, o índice veio bem abaixo, aos 0,38%.

O grupo que mais desacelerou foi o IPA (Índice de Preço no Atacado), saindo de 1,24% em outubro, para 0,30% agora em novembro. A queda abrupta pode ser creditada a acomodação do choque de câmbio nos preços no atacado. Boa parte dos custos já foram reajustados a essa nova realidade, e fatalmente a indústria não irá repassar custos adicionais ao consumidor nesse natal em crise.

Persiste, porém, a alta nos preços ao consumidor, capturados pelo o IPC-M. A inflação neste grupo subiu o dobro entre e outubro e novembro, saindo de 0,25% para 0,52%. Podemos ter um IPCA mais acelerado no mês de novembro.

Hoje não haverá pregão em Nova York por conta do Dia de Ações de Graças. Vimos nos últimos quatros dias altas consecutivas no Dow Jones, fato que não acontecia desde setembro pelo menos. É uma ótima notícia, principalmente porque o mercado aparentemente não deu tanta importância aos números de nível de atividade nos EUA. Os Pedidos de Bens Duráveis recuaram mais de 6% segundo dados divulgados essa semana. Apesar disso o mercado seguiu em alta, apontando, em alguma medida, que a recessão já está no preço dos ativos em bolsa.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
14/11/2008 - 15:30

Volatilidade, as usual…

Os analistas e economistas parecem ter sempre uma carta na manga quando explicam o atual comportamento errático do mercado. É a volatilidade, dizem lacônicos. Parece um tanto quanto vazia a explicação; afinal de contas falar que algo que oscila muito é volátil é o mesmo que dizer que uma bola é redonda. Soa falsa essa explicação pela definição. Um tanto quanto tautológico.

No entanto não é tão frugal essa explicação. O que podemos observar no mercado é justamente a volatilidade em patamares muito altos, e mais, inéditos em muito tempo. O gráfico abaixo é uma boa medida do que queremos dizer quando apontamos a volatilidade como uma explicação definitiva do momento.

A volatilidade medida pelo índice VIX (elaborado pela Boomberg) é a média ponderada da oscilação dos contratos futuros de ações em alguns mercados importantes nos EUA. Observamos que, a partir de outubro, o índice explodiu, denunciando assim o que os economistas têm dito todos os dias: volatilidade, e mais volatilidade. Não por acaso Nova York registrou alta de quase 7% ontem, após quedas consecutivas no índice.

Esse movimento volátil aponta para algo mais interessante, pelo menos do ponto de vista econômico. O mercado está procurando acertar os preços relativos dos ativos (bolsa, commodities, moedas, etc…), e esse movimento entrou em um momento de extrema instabilidade. Além do viés de deflação de ativos (quedas generalizadas), veremos associado a esse movimento repiques para baixo e para cima sem maiores explicações, a não ser essa: volatilidade.

O acerto de contas no mercado ainda está longe de chegar ao fim, e até lá viveremos em águas revoltas.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
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