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26/05/2009 - 11:21

Alemanha mergulha na recessão.

Os dados divulgados na manhã de hoje sobre o produto Alemão (ainda preliminares) não deixam dúvidas; o gigante europeu está passando no meio da maior tormenta em décadas. O PIB cai, na comparação anual e dessazonalizada, nada mais, nada menos, que 6,9%. O tombo trimestral foi de nada modestos 3,8%, configurando assim o quarto trimestre consecutivo da economia alemã.

Dos componentes da demanda, apenas o Consumo das Famílias apresentou algum alento e subiu irrisórios 0,5% na variação trimestral (1° tri de 2009 versus o 4° tri de 2008). O Consumo do Governo nem de perto compensou o efeito, com um crescimento na mesma comparação de apenas 0,3%.

Sob a ótica da demanda salta aos olhos o recuo expressivo do Investimento (Formação Bruta de Capital Fixo). Este componente despencou 7,9% e reafirma de forma clara que o produto da Alemanha deve continuar se arrastando por algum tempo até superar seus patamares anteriores.

Porém, o baque mesmo veio do setor externo da economia alemã. Uma vez que sua pauta de exportação é de alto valor agregado, a economia da Alemanha vem sofrendo sobremaneira – tal qual outros países industrializados – por conta da depressão econômica dos seus principais compradores. O recuo nas exportações tem sido fonte comum de estresse do produto interno das nações desenvolvidas, e ponto de intenso debate em círculos acadêmicos e empresariais. Muitos economistas vêm, por exemplo, como objetivo implícito do FED a desvalorização do dólar (através de uma política monetária francamente expansionista) frente outras moedas, numa tentativa de reverter o fluxo comercial e aliviar a recessão em casa.

A queda nas exportações chegou a colossais 9,7%.

Observando o setor externo alemão vê-se um incômodo cenário que aflige o Brasil de forma indireta. As importações do gigante europeu caíram de forma robusta (4,1% no 4° tri de 2008 e, agora, mais 5,4% de queda), denunciando assim a desaceleração do comércio mundial.

Cabe apontar também que não estamos falando apenas de volume, mas também de preço. Foi divulgado hoje também a inflação de importados naquele país e, em abril, recuou 8,6% ao ano. No último trimestre o tombo nos preços foi de 7,1%.

Vemos no gráfico acima o comportamento típico desta crise quando se trata de preços. Ao longo de 2008 o preço de importados explode na esteira da alta expressiva do petróleo e outras commodities, que se tornaram esporadicamente fonte de especulação no pós-derretimento do mercado imobiliário. Após um movimento de alta exarcebada, os preços das commodities recua frente a realidade econômica de desaceleração.

Os efeitos na nossa balança comercial é o recuo da Torrente do Comércio. No entanto, os superávit recente é resultado de quedas expressivas nas importações do Brasil; de um lado depreciadas pela queda no nível de atividade, e, por outro, da desvalorização do Real frente ao Dólar (cito especificamente o choque no câmbio verificado pós agosto de 2008 por conta da quebra da Lehman Brothers; de lá até hoje o Real caiu 30%).

Dá certo alívio, o que pode conduzir a erros de julgamento, a situação do emprego na Alemanha. Apesar de estar em franca expansão, ainda não apresenta os patamares históricos mais elevados. No entanto esta atual crise é histórica (tal qual foi o período de unificação daquele país), e a possibilidade de vermos uma deterioração no emprego é enorme.

Na Europa como um todo a situação não é diferente. Os Pedidos de Bens Duráveis recuaram em 12 meses 26,9%, jogando sombra sobre o futuro econômico europeu.

No Brasil o IPC-FIPE veio em linha com as nossas expectativas. Esperávamos que viesse em 0,33% na medição desta semana. Veio um pouco acima, em 0,34%.

O momento é muito grave no Velho Continente. Infelizmente não há sinal no nevoeiro, pelo menos um sinal convincente, de que o pior já passou por lá.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
21/05/2009 - 10:32

Desemprego surpreende e vem estável.

Acaba de ser divulgado na manhã de hoje a Taxa de Desemprego no Brasil, e o resultado surpreende positivamente. Nossa expectativa era de aumento no desemprego no país, uma vez que os sinais são de deterioração no mercado de trabalho. A taxa caiu de 9% em março para 8,9% em abril, uma queda estatisticamente irrelevante segundo as palavras do próprio IBGE.

Infelizmente é impossível fazer uma comparação mais longa da taxa de desemprego no Brasil, uma vez que houve mudança na metodologia do índice. No entanto, é uma boa notícia ver que, a despeito das pressões em contrário, o emprego medido pelo IBGE manteve-se estável.

Na Europa as boas notícias vêm do mundo dos negócios. Foi divulgado o PMI (Purchasing Managers Index) que visa capturar a oscilação nas condições gerais dos negócios. Os administradores de grandes empresas são convidados a responder um questionário simples, com perguntas do tipo: sua empresa vendeu mais que o mês passado? Os estoques estão maiores do que no mês passado? sua empresa exportou mais que o mês passado? E por aí vai. Caso tenha sido igual ao período anterior o PMI registra 50, se for pior vem abaixo de 50, melhor vem acima.

Como vemos no gráfico acima, aparentemente , atingimos um fundo e, a partir de agora, deve registrar alta. O PMI é extremamente útil para antecipar tendências do nível de atividade e fornece informações preciosas sobre o tecido econômico. Porém cabe ressaltar que, apesar de estar numa trajetória ascendente, ainda estamos no campo abaixo de 50. Ou seja: em abril a situação ainda foi pior que março.

Nos EUA os dados do mercado de trabalho continuam deteriorando. Os pedidos de Auxílio Desemprego vieram acima das expectativas e jogaram uma nuvem de mau humor no início dos negócios de hoje.

Estamos em patamares históricos quando se trata desta variável econômica. Até o dia 15 de maio (no acumulado em 4 semanas) a quantidade de norte-americanos que pegaram a fila da Previdência Social chegou a 631 mil.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
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