Espaço para cair.
Hoje, como sabemos, é o dia D na condução da política monetária no Brasil. Esta reunião do COPOM (que começou ontem com o PIB caindo 3,59%, e termina hoje com o IGP-M do 1° decêndio derretendo -0,45%), tem um peso maior do que as anteriores. Pouco importa o tamanho do corte, o que importa é saber o que o BC acha do atual momento econômico.
Se cortar pouco a Selic, o colegiado do COPOM estará comunicando que a inflação é o maior problema por ora. Porém, se a faca cortar mais fundo ele deixará claro que o nível de atividade preocupa, e que a redução deverá ser prolongada.
Nosso departamento econômico anunciou dia 9 de fevereiro que a queda esperada na Selic era de 150 pontos base. Víamos que o PIB do 4° trimestre estava comprometido por conta dos dados da indústria, que no período havia caído 9%, e que a inflação estava se comportando bem, a despeito das pressões dos reajustes de mensalidade e transporte (com um IGP-M turbinado via bolha de commodities em meados de 2008), e dos problemas climáticos em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Porém, além de inflação e atividade em viés baixista, observávamos os nossos pares no mundo emergente, e a constatação era que havia espaço para cair. A tabela abaixo ilustra o fato. Peguemos como exemplo a Coréia do Sul. O país asiático teve um choque no câmbio severo, uma desvalorização de 55,20% – a nossa foi 37,64% -, possui um Risco País maior que o nosso em 457,57 (medido via CDS de maturação de 5 anos) e mesmo assim pratica uma taxa de juros básica de 2%.
Estes dados estão detalhados em relatório distribuído ontem sob o título “Por trás da linha Maginot”, onde é consolidada nossa visão sobre os desdobramentos da economia brasileira, e do nosso equívoco para combater a crise mundial. Par ler o relatório basta acessar no link no fim deste Comentário Diário.
A inflação por aqui continua na trajetória imaginada. O IGP-M do 1° decêndio literalmente devolveu o aumento do mês passado. Na medição anterior o índice havia registrado uma alta de 0,45%. Agora a deflação foi de exatos 0,45%. O IPCA, medida oficial dos preços no país, veio um pouco acima da nossa expectativa. Imaginávamos uma estabilidade em torno de 0,48% (resultado do mês anterior), mas veio um pouco acima e fecha em 0,55% no mês de fevereiro.
Na Alemanha a desaceleração se aprofunda de forma violenta. Os Pedidos da Indústria fecham com queda de 38% ao ano e demonstram de forma cabal o tamanho da desarticulação da produção para um novo ponto de equilíbrio com a demanda. Infelizmente este ponto é muito, mas muito, baixo. O estoque de capital (e a oferta que isto representa) terá que se adequar à este novo nível de consumo – reprimido via crédito escasso e desemprego crescente.
Não há como fugir da realidade econômica atual. Com a palavra o BC.
Para acessar “Por trás da linha Maginot”, acesse o link abaixo. Caso não consiga, me mande um email solicitando que envio uma cópia.
http://www.gradualinvestimentos.com.br/portal/pdfs/Por%20tr%C3%A1s%20da%20linha%20Maginot_FINAL.pdf?utm_source=Zartana&utm_medium=emailmarketing&utm_campaign=Relat%F3rio+-+Depto+Econ%F4mico+-+10-03&utm_content=Andr%E9+Guilherme+P.+Perfeito+aperfeito%40gradualcorretora.com.br
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: 150, COPOM, crise? que crise?, IPCA, SelicPIB Brasil: recessão na mesa.
Os dados do PIB do 4° trimestre, divulgados hoje de manhã pelo IBGE, dão conta de uma desaceleração muito mais abrupta do que inicialmente projetado. Esperávamos uma queda de 2,18% na variação trimestral dessazonalizada. No entanto a queda foi significativamente maior; em -3,59%.
Dos componentes da demanda (consumo das famílias, consumo do governo, investimento, exportação e importação) apenas o consumo do governo apresentou alta. Foi uma elevação modesta e apenas 0,54%.
O carry over desta desaceleração no PIB do 4° trimestre é da ordem de -1,45%, ou seja: se o país tiver crescimento zero (0%) trimestre contra trimestre ao longo de 2009, fecharemos o ano com uma queda de 1,45%.
A inflação continua sob controle e o IPC-FIPE apontou aceleração de 0,24%, nossa projeção era de 0,25%. Destaque para o grupo alimentação, que após alta expressiva por conta de fatores climáticos, volta a uma trajetória adequada.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: 150, ops..., recssão, Selic


