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13/05/2009 - 10:37

Produção Industrial no mundo em baixa.

A Produção Industrial continua apresentando queda no mundo, reiterando a percepção de que ainda não passamos pelo pior da crise. É verdade que várias medidas de risco estão melhorando, e mesmo a crise de confiança parece estar se diluindo na esteira dos pacotes de estímulo e ações governamentais. No entanto os sinais continuam fracos no mundo e devemos ver desenrolar ainda mais dados ruins no que tange o nível de atividade.

Para ilustrar este aspecto serve como exemplo a Produção Industrial na China e da Europa. Em ambos os casos o resultado frustrou a expectativa positiva dos analistas.

No gigante asiático a queda foi na alta. Esperava-se que a Produção Industrial no ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, viesse em alta de 6,2%. Porém a alta registrada foi de 5,5% em abril.

No Velho Continente a situação é muito mais dramática, e os dados de março estabeleceram o novo recorde de baixa na série histórica com -20,2% ao ano.

O momento é de cautela e ainda não há, de forma evidente pelo menos, melhora significativa na produção industrial mundial.

Amanhã teremos a divulgação na Vendas no Varejo no Brasil e a expectativa é de alta, na variação mensal, na ordem de 0,7%. Come este dado em mão poderemos finalizar – de forma mais completa – nossa projeção para o PIB do 1° trimestre no país. Por ora nossa expectativa é de queda de 0,70%, seguida por recuperações trimestrais até o fim do ano (dados dessazonalizados). No entanto, estas altas esperadas – e consecutivas – não devem reverter o tombo do fim do ano passado, e 2009 deve fechar em queda de 1,19%.

As Vendas no Varejo nos EUA, divulgada hoje de manhã, foi melhor que o índice anterior, mas frustrou as expectativas mais otimistas. O índice anterior era de -1,1% em março. Em abril esperava-se variação nula, em 0%, porém o resultado fechou em -0,4%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
12/05/2009 - 11:45

Os dois lados da moeda.

A desaceleração econômica é um fato corrente nestes últimos meses e, apesar de melhoras marginais, estamos ainda longe de qualquer volta à um período pré-estouro da bolha imobiliária. Podemos ver este fenômeno se manifestar de formas diversas; na produção industrial, nas vendas no varejo ou mesmo no nível de emprego.

A Produção Industrial da Inglaterra divulgada hoje, por exemplo, faz coro com esta leitura de queda econômica. Veio melhor que as expectativas de mercado, mas isto não quer dizer – de forma alguma – que estas expectativas eram boas. A produção inglesa retrocedeu 12,4% ao ano e reforça os sinais já emitidos anteriormente pela economia da ilha.

Existem várias formas de “medir o pulso” da economia mundial, mas hoje uma feliz coincidência de agendas econômicas nos brindou com um sinal claro do desaquecimento mundial. Estamos nos referindo à evolução do comércio mundial, tema especialmente sensível à economia brasileira.

Foram divulgados os resultados das Balanças Comerciais dos EUA e da China, os dois lados da moeda global e fiéis depositários da esperança na recuperação econômica mundial. O resultado é simétrico e esperado: diminuição do déficit de um em compasso com a diminuição do superávit do outro, ambos convergindo para o zero do nível.

Numa perspectiva de longo prazo poderia se argumentar que a diminuição do déficit comercial norte-americano é algo saudável, uma vez que traz sanidade às contas públicas daquele país. Porém este argumento ignora que o mundo desde o pós-guerra é calcado na demanda norte-americana por bens e serviços, e mudar este fluxo da circulação mundial é algo novo e que deve ser pensado em perspectiva, ponderando entre outras coisas o papel do dólar como moeda mundial, tema que está em voga nos círculos acadêmicos (de forma escancarada ou não).

Do lado chinês podemos ver na queda do superávit uma situação duplamente perigosa. Mostra que o motor do mundo na última década desacelerou, e – ainda pior – saldos comerciais chineses menores representam um impacto futuro para o financiamento da dívida norte-americana que, apesar da redução do déficit comercial, está em franca expansão por conta da política fiscal expansionista (hoje, às 15:00, será divulgado o orçamento norte-americano e mais recordes de gastos são esperados).

No que concerne propriamente ao nosso quintal, nos preocupa a evolução das importações chinesas, uma vez que o gigante asiático caminha à passos largos para se tornar nosso principal cliente. As importações daquele país recuaram 23% em 12 meses, acendendo a luz amarela no nosso setor externo (que por uma combinação preciosa de exportações com leve recuperação, e importação em declínio, apresenta bem-vindos saldos positivos).

Alguns economistas externaram nos últimos meses a expectativa que a economia chinesa em aceleração poderia aliviar a situação brasileira no curto e médio prazo, fazendo barreira à tsunami mundial. Esta leitura precisa ainda de confirmação mais profunda dos dados econômicos e não devemos imaginar que estamos insulados da tormenta econômica. Seria naíve da nossa parte nos entregarmos ao otimismo neste momento.

É bem verdade que o Brasil está numa situação atípica; onde gozamos de uma situação externa relativamente confortável (reservas em alta, superávit comercial e, agora, o Real que volta a se valorizar), e interna tranqüila (inflação sob controle e com perspectiva de quedas continuadas na taxa de juros básica, o que reforça uma expectativa de crescimento no médio prazo).

Porém o jogo das superpotências ainda está em andamento e o casamento deste déficit e deste superávit é uma relação delicada e ainda indefinida. Só esperamos que ambos os lados da moeda não caiam, ao mesmo tempo, com a face para baixo.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
11/05/2009 - 11:24

Arrefecimento na crise de confiança?

Na oportunidade da divulgação do Plano Geithner, que visava estancar a crise de confiança e os distúrbios financeiros mais severos, sugerimos neste Comentário Diário que uma boa media da eficácia do plano seria acompanhar a evolução do risco do Citi através do seu CDS de 5 anos. A razão era simples, este tipo contrato “precificava” o risco percebido sobre o gigante financeiro norte-americano, e, por tabela, de boa parte do sistema financeiro mundial.

Um dos últimos episódios do Plano Geithner, costurado em conjunto com o FED e o FDIC, foi a divulgação do Teste de Estresse semana passada. Por mais que pesem críticas a metodologia aplicada e aos cenários avaliados, melhor com este teste do que sem nenhum. O objetivo central do teste era resolver “de uma vez por todas” as necessidades de caixa das principais instituições financeiras dos EUA e eliminar assim as dúvidas que pairavam sobre os balanços dos bancos e seus ativos podres e remediados.

Como esperado pela boataria pré-divulgação o resultado foi, de fato, positivo. Como podemos ver na evolução recente do CDS do Citi, o custo de captação pela aquela instituição norte-americana caiu sensivelmente, apontando assim o “novo preço” deste risco menor.

Não foi só o risco do Citi que caiu nestes últimos dias. Na verdade os riscos estão em queda de forma mais generalizada, denunciando que parte da crise de confiança foi debelada e que o congelamento do crédito começa a derreter. É o que aponta a evolução do CDS dos países emergentes. Após distúrbios fortes na percepção de risco dessas economias (em especial a Rússia que passou por um teste de fogo com sua moeda uma vez que aquele país é exportador massivo de petróleo), os patamares voltam a cair e já estão em equilíbrio uns com os outros.

Parece que os momentos mais dramáticos da crise financeira ficaram para trás, onde toda semana o mundo ficava no fio da navalha da bancarrota generalizada; é o que sugere a diminuição da volatilidade do S&P medido pelo CBOE. Após o estouro da manada com a quebra do mitológico Lehman Brothers a volatilidade subiu às alturas. Nas últimas semanas, no entanto, o nervosismo está caindo.

A crise acabou? É claro que não, e a situação econômica ainda inspira cuidados atentos por parte das autoridades econômicas. Existe a possibilidade – não desprezível – que o mercado tenha se antecipado cedo demais à melhora econômica. Isto aponta para uma realização de parte da alta registrada nestes últimos meses. Toda atenção é pouca.

No país a inflação segue como esperado e continua comportada, denunciando assim uma situação econômica deprimida e, mais recentemente, a valorização do Real frente ao Dólar.

O IPC-FIPE divulgado hoje de manhã veio acima da nossa expectativa, mas em linha com o mercado. Esperávamos que o índice caísse de 0,38% para 0,27%. Porém fechou em 0,34%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
08/05/2009 - 12:05

IPCA sobe pontualmente.

O IPCA de abril subiu mais que nossa expectativa, mas em linha com a do mercado. Projetávamos o IPCA à 0,37%, alta em relação ao índice anterior de 0,20%. A mediana do mercado esperava uma elevação de 0,46%, porém o mês de abril fechou acima disso: em 0,48%.

Apesar de ter furado as projeções iniciais, este resultado não representa uma reversão de tendência. Antes de tudo a alta mais forte neste mês foi resultado da alta pontual dos cigarros, via aumento tanto do IPI quanto do PIS/CONFINS. A alta do cigarro puxou o grupo Despesas Pessoais que atingiu 2,14%,

A agenda econômica continua dando muito trabalho para interpretação, fazendo muitos investidores ficar na dúvida se estamos afundando, ou saindo do buraco. Nós últimos dias estamos alertando que os dados propriamente econômicos não estão ainda bons, e dizer que melhorou na margem é um tanto quanto exagerado.

Prova disso é o dado da Produção Industrial na Alemanha que veio acima das expectativas. Só esta notícia fez que parte do Velho Continente acordasse de bom humor e as bolsas subissem (claro, houve também a boa notícia do Teste de Estresse). Olhando a variação mensal pode se ter até certo alívio, mas vendo a série anual vê-se o quanto falta.

Dizer que aquele último ponto na curva é sinal de recuperação é verdadeiro, mas apostar suas fichas nisso pode ser temerário.

Outro dado que animou agora de manhã o mundo financeiro foi o Payroll. Este dado contabiliza a criação, ou destruição, de vagas de trabalho. Veio melhor que a expectativa e fechou o mês com 540 mil vagas de trabalho a menos por lá. Como a expectativa era de 600 mil a menos, os agentes se animaram e saíram às compras. De novo vale a pena ajustar a luneta e ver o quadro geral.

Desde janeiro de 2008 foram destruídas 5.738.000 vagas de trabalho por lá. Como conseqüência o desemprego sobe e fecha para 8,9%.

Em resumo: muita cautela nesta hora de euforia. Ainda falta, e muito, para melhorar. Nem que seja na margem.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/05/2009 - 11:53

Ata do COPOM: há espaço para queda.

A ata da 142° reunião do COPOM, divulgada hoje, reitera uma visão mais desaquecida da economia brasileira. Após a última ata, que veio meio truncada, não apontando de forma clara a visão do colegiado e jogando para a “evolução futura da economia” boa parte da explicação do corte de 150 pontos base, esta atual ata coloca os pontos nos is de forma mais clara. Vale lembrar que a última decisão estava sob o calor do PIB do 4° tri de 2008 derretendo e de uma Produção Industrial pífia. Nesta última reunião não houve estes elementos de coerção ao colegiado.

A diretoria do BC dá a entender na ata que há espaço para a continuação da política monetária expansionista e que mais cortes estão na pauta do dia. Os motivos são basicamente:

• A desaceleração econômica recente criou considerável capacidade ociosa, o que retira parte da pressão inflacionária via a ponta da oferta,
• O mercado de trabalho mais desaquecido evita pressões inflacionárias adicionais pelo lado da demanda,
• A deterioração da pressão via demanda também se dá através de condições piores de financiamento e da confiança dos agentes em baixa
• As expectativas futuras da inflação apontam para a convergência à meta de 4,50% já em 2009,
• A retomada do crescimento no país deve ser gradual, evitando que a ociosidade d fatores seja esgotada muito rapidamente.

Segundo suas próprias palavras no item 24:

“O Comitê entende que o desaquecimento da demanda, motivado pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, ainda que nos dois casos se observe alguma melhora na margem, bem como pela contração da economia global, criou importante margem de ociosidade dos fatores de produção que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica. Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias, mesmo diante das conseqüências do processo de ajuste do balanço de pagamentos e da presença de mecanismos de realimentação inflacionária na economia, abrindo espaço para flexibilização da política monetária.”

O BC vai além e manda um recado para o Planalto e a Fazenda e diz, no mesmo item 24 (negrito nosso):

“Adicionalmente, o Comitê entende que a continuidade do processo de flexibilização monetária torna premente a atualização de aspectos, resultantes do longo período de inflação elevada, que subsistem no arcabouço institucional do sistema financeiro nacional.”

O recado é que será necessário alterar as regras da poupança para o BC continuar a política de corte de juros, caso contrário esta “memória inflacionária” institucionalizada servirá como piso para a taxa básica.

Além de todos estes sinais que o BC emitiu na recente ata, mais um vem fazer coro: o dólar vem registrando queda expressiva nos últimos dias. Os motivos deste movimento são muitos (Balança Comercial positiva, entrada de dólares que estavam fora do país de exportadores, percepção positiva do Brasil por parte de estrangeiros, possível classificação do país pela Moody´s, e por aí vai). O fato é que da máxima em março de R$ 2,44, para ontem, em R$ 2,11, o tombo na moeda norte-americana foi de 13,55%.

Mais uma boa notícia no front inflacionário.

O IGP-DI divulgado hoje veio em linha com nossa expectativa. O índice anterior havia apresentado deflação de 0,84%. Nossa projeção apontava para 0,0%, veio um pouco mais acima, em 0,04%.

A inflação está bem comportada, e não apresenta razões de preocupação adicional. A boa notícia veio do IPC (preços ao consumidor) que apresentou queda de 0,61% em março, para 0,47% em abril.

Nossa projeção para o IPCA que será divulgado amanhã está mantida em 0,37%, alta em relação ao índice anterior em 0,20%.

No mundo a distensão monetária segue. No Velho Continente o Banco da Inglaterra mantém inalterada sua taxa básica em míseros 0,50. Já o Banco Central Europeu amplia o corte e fica em 1,00, uma queda de 25 pontos base em relação a taxa anterior de 1,25.

Para ler a ata do COPOM na íntegra acesse:
http://www.bcb.gov.br/?COPOM142

Para ver o resultado do IGP-DI, acesse:
http://www.fgv.br/mailing/IBREMKT/dsp_arquivo.asp?arquivo=1AB710ED20EC6B69

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
06/05/2009 - 16:18

Sobre previsões e previsibilidades.

Se alguém dissesse, no início do ano, que a bolsa brasileira estaria em 51 mil pontos no começo de maio, fatalmente este sujeito estaria condenado ao descrédito público. Afinal, no começo do ano o cenário era para lá de sombrio: o PIB norte-americano havia derretido mais de 6% no ano, o nosso PIB também havia amargado um tombo de 3,6% no trimestre e Obama era apenas uma promessa no horizonte. Tudo estava carregado com uma pesada nuvem de imprevisibilidade.

Os economistas estavam desorientados (e em grande medida ainda estão) naquele início de ano. Os modelos simplesmente se tornaram obsoletos da noite para o dia, reduzindo a capacidade de previsão à praticamente zero. O motivo deste desarme é simples.

Os economistas se valem do instrumental estatístico e aplicam isto às variáveis econômicas, é isto que chamamos de econometria. Resumindo a questão de forma sumária o que nós fazemos é simplesmente assumir que o que foi continuará sendo. Extrapolamos para o futuro o que nos pareceu constante no passado. Porém, a crise criou um evento novo e de proporções gigantescas, que fez uma quebra estrutural nas séries observadas. O que foi explica pouco sobre o que vai ser.

Esta divagação se faz necessária para deixar claro para o leitor deste relatório que, sob qualquer hipótese, os números que apresentamos estão sob constante revisão. Simplesmente não existem informações suficientes para determinar alguma tendência clara sobre os eventos dos próximos meses.

Exemplo disso é nossa projeção para o PIB brasileiro. Nosso modelo base pondera o PIB sendo função da Produção Industrial e das Vendas no Varejo. As vantagens desta abordagem são muitas: além de serem metodologicamente coesos (todos são elaborados pelo IBGE), reduzir o número de variáveis ao mínimo possível evita erros e sobreposições desnecessárias. Em econometria menos é mais.

Tendo em mãos os dados da Produção Industrial divulgados ontem, temos um quadro mais preciso da situação da economia neste primeiro trimestre. Nossa projeção aponta para uma queda de 0,70% o PIB do primeiro trimestre e, no ano, uma retração de 1,20%.

Nossa expectativa é que o a economia comece a reagir já no segundo semestre, apresentando um crescimento de 0,50 e sendo seguido de mais dois de 0,80. Contribui sobremaneira para esta queda no PIB a evolução esperada do componente Investimento. Como apontou os dados de ontem a produção de Bens de Capital retraiu no mês 6,3% (dados dessazonalizados) o que deve jogar fortemente para baixo o componente Investimento.

Por sua vez o mercado acionário tenta dar preço e capturar uma possível retomada. Este processo nos parece ter sido exagerado no início deste ano. Em 2009 a Bovespa subiu 36% em Reais, e estonteantes 49% em Dólar. Nosso Departamento de Análise acredita que devemos fechar 2009 com 55 mil pontos. Em outras palavras: ao longo do ano fatalmente a bolsa deve recuar e devolver parte destes ganhos.

Nos parece otimismo em excesso alguns movimentos recentes na bolsa. Fora o anedótico episódio na Bolsa norte-americana, que no dia que foi divulgado o PIB do 1° tri de 2009 em queda livre de 6,1%, ficou animado com a alta de 2,2% no Consumo Pessoal, outros movimentos seguem a mesma lógica naíve.

Hoje aconteceu algo parecido. Foram divulgados o número de corte de vagas pela ADP nos EUA. O anterior tinha dado conta de 708 mil vagas a menos por lá. A expectativa era que mais 650 mil americanos seguissem o mesmo destino. No entanto, “apenas” 490 mil foram cortadas e isso animou os mercados no período da manhã. Quando se vê o gráfico, e não as expectativas, se tem noção do tamanho da deterioração no mercado de trabalho por lá.

Esta notícia, equivocadamente boa (desde fevereiro do ano passado 5.260.000 vagas foram cortadas), tira o foco de algo muito mais relevante. Amanhã será divulgado o Teste de Estresse nos EUA sobre a situação dos principais bancos. Existe a expectativa que algumas instituições precisem se capitalizar de forma adequada para passar nos piores cenários construídos. Vamos supor que, por exemplo, o Citi precise reforçar o caixa. O CDS daquela instituição – que aponta o custo de captação para aquele banco – está em patamares altíssimos, tornando esta geração de caixa extremamente penosa.

Logo, se de fato o gigante financeiro norte-americano precisar de caixa, teremos um problema sério nas mãos.

Existem sinais de melhora efetiva na economia mundial, e em particular para o Brasil? Claro que há. Entre eles citamos a evolução das commodities. Elas praticamente voltaram aos preços de um ano atrás, como mostra o gráfico. Isto sugere que a situação econômica – via Balança Comercial –, e a Bolsa – via produtores de commodities – pode melhorar.

Mas isto é apenas mais uma previsão, e como vimos a previsibilidade anda em baixa.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
05/05/2009 - 15:50

Produção industrial sobe em março, mas tem maior perda acumulada desde 1990

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/05/2009 - 11:57

Produção Industrial decepciona.

Quem imaginava que a recuperação econômica no Brasil seria questão de tempo terá que refazer as contas e, infelizmente, adicionar um pouco mais de calma no andar da carruagem. Os dados da Produção Industrial reafirmam o desaquecimento econômico no país e reiteram nosso cenário base de PIB com desaceleração em 2009.

Além do fraco resultado na variação mensal dessazonalizada, com crescimento de apenas 0,7% (o mercado esperava o dobro disso, em 1,5%), chama atenção o resultado pífio da produção de Bens de Capital, que na mesma comparação, tombou 6,3%.

O retrocesso na produção de bens de capital foi tão sério que voltamos aos patamares de março de 2006, recuando três anos de avanço neste setor central das contas nacionais.

Este resultado, de Bens de Capital, deixa claro o tamanho da desaceleração existente num dos componentes chave da demanda doméstica: o investimento. Se de um lado o investimento foi frustrado, num primeiro momento, pelo congelamento de crédito via desconfiança generalizada; agora ele desacelera, em grande medida, por conta dos prognósticos negativos em relação à demanda futura por bens e serviços.

O resultado só não foi pior por conta dos incentivos ao setor automobilístico. Só esta rúbrica registrou alta de 7% em março contra fevereiro (dados dessazonalizados), e desde dezembro a alta é de estonteantes 56,5%. Não fosse por este estímulo anti-cíclico por parte do governo estaríamos amargando uma desaceleração de magnitude muito maior.

Este primeiro trimestre tem sido palco de dados truncados sobre os rumos da economia, tanto doméstica quanto internacional. A dúvida é: na margem estamos melhor? Ou colocado de uma forma mais noticiosa: o pior já passou? Ilustra bem este tipo de situação os dados da Balança Comercial de abril.

O saldo bateu recordes em diversas medidas de comparação e fechamos o mês com superávit de US$ 3,712 bilhões, acima de qualquer expectativa, por mais otimista que fosse.

No entanto cabe notar que a Torrente do Comércio está em queda acentuada. Isto fica óbvio ao observamos a evolução das exportações e importações.

A variação mensal as exportações subiram 4,34%, porém as importações afundaram 14,23%, o que explica este ótimo resultado do saldo. Se observarmos as variações anuais tem-se a real dimensão da contração do setor externo. As exportações caíram 12,35% e as importações estonteantes 30,12%.

Se de um lado temos a sensação de segurança no front externo, afinal saldos recorrentemente altos somados à valorização do Real frente ao Dólar (movimento que deve ser visto com atenção), do outro vemos que a queda abrupta das importações irá impor ao país um produto menor em 2009 uma vez que boa parte dos insumos e bens de capital são de origem externa.

Esta é armadilha contida nos dados econômicos neste primeiro semestre. Muitas vezes um bom sinal é por motivos adversos, o que pode concorrer para um entusiasmo equivocado. Vale ter em mente que teremos uma desaceleração econômica sim em 2009 e que alguns outros dados macroeconômicos devem apresentar piora nos próximos meses, entre eles o desemprego.

A inflação continua na sua trajetória comportada. O IPC-FIPE de abril veio em 0,31%, nossa projeção era de 0,35% contra 0,40% do mês anterior. Os destaques de queda foram o grupo Alimentação (com deflação de 0,26% contra uma alta de 0,18% no mês anterior) e Habitação (com deflação de 0,02% contra uma alta de 0,04% no mês anterior). O destaque de alta foi despesas pessoais com alta de 1,92%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
04/05/2009 - 14:15

Falta muito? Sem dúvida.

Os mercados acionários andam ávidos por boas notícias. Qualquer gracejo que seja acaba tomando uma proporção exagerada, demonstrando assim o apetite por crescimento a qualquer custo. Este movimento altista acaba tomando ares naíve quando se confronta aos dados reais da economia.

Se por um lado é verdade que os mercados acionários tendem a estar “a frente da curva”, na medida em que precificam as notícias e expectativas alheias, por outro há indicadores de que este mesmo mercado queimou a largada neste movimento de recuperação.

Prova deste auto-engano em curso pode ser ilustrado pelo PMI Manufacturing da região do Euro. O PMI é uma pesquisa conduzida junto aos administradores de grandes empresas que são convidados a responder singelas perguntas do tipo: sua empresa vendeu mais do que o mês passado?, sua empresa exportou mais do que o mês passado?, seus estoques estão mais altos que o mês passado?, e por aí vai. Se for igual ao mês anterior o resultado aponta o valor de 50. Se melhor o resultado fica acima de 50; se pior, por exclusão, fica abaixo.

O resultado surpreendeu os analistas e veio ligeiramente acima do projetado: ao invés de 36,7, veio em 36,8. Um resultado pífio, porém que aponta – visto em série – para um retorno à normalidade.

Acreditar, vendo o gráfico acima, que o pior já passou é um tanto quanto exagerado. Este dado é uma pesquisa que não leva em conta fatores mais estáveis da economia e que vão influenciar por mais tempo o tecido econômico. O investimento continua deprimido, o desemprego só agora começa a subir (no Brasil este movimento ainda nem começou), e a maioria das projeções apontam para uma queda continuada do PIB dos países desenvolvidos nos próximo 2 anos.

O pior já passou?, é a pergunta de um bilhão de dólares. Existe a possibilidade de que as coisas voltem a melhorar, mas se melhorar rápido demais terá que haver alguma correção mais dia menos dia, para chegar ambas as pontas (mercado acionário e economia) ao mesmo tempo no mesmo lugar.

Todo cuidado é pouco neste momento.

Hoje deve ser divulgado o Teste de Estresse nos EUA sobre a situação dos principais bancos. Tudo indica que o Citi e o Bank of America devem precisar de recursos adicionais.

O Relatório Focus, divulgado hoje, consolidou a visão da Selic em 9,25 no final de 2009. Para acessar o relatório na íntegra, acesse:

http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090430.pdf

O IPC-S, da FGV, recuou em relação à semana passada e fechou a semana em 0,47%. O destaque do recuo foi a queda no grupo alimentação que saiu de 1,12% para 0,47% (queda acentuada no grupo Frutas e no grupo Hortaliças e Legumes).

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
04/05/2009 - 13:14

Grau de investimento faz um ano.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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