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Arquivo da Categoria Sem categoria

21/05/2009 - 10:32

Desemprego surpreende e vem estável.

Acaba de ser divulgado na manhã de hoje a Taxa de Desemprego no Brasil, e o resultado surpreende positivamente. Nossa expectativa era de aumento no desemprego no país, uma vez que os sinais são de deterioração no mercado de trabalho. A taxa caiu de 9% em março para 8,9% em abril, uma queda estatisticamente irrelevante segundo as palavras do próprio IBGE.

Infelizmente é impossível fazer uma comparação mais longa da taxa de desemprego no Brasil, uma vez que houve mudança na metodologia do índice. No entanto, é uma boa notícia ver que, a despeito das pressões em contrário, o emprego medido pelo IBGE manteve-se estável.

Na Europa as boas notícias vêm do mundo dos negócios. Foi divulgado o PMI (Purchasing Managers Index) que visa capturar a oscilação nas condições gerais dos negócios. Os administradores de grandes empresas são convidados a responder um questionário simples, com perguntas do tipo: sua empresa vendeu mais que o mês passado? Os estoques estão maiores do que no mês passado? sua empresa exportou mais que o mês passado? E por aí vai. Caso tenha sido igual ao período anterior o PMI registra 50, se for pior vem abaixo de 50, melhor vem acima.

Como vemos no gráfico acima, aparentemente , atingimos um fundo e, a partir de agora, deve registrar alta. O PMI é extremamente útil para antecipar tendências do nível de atividade e fornece informações preciosas sobre o tecido econômico. Porém cabe ressaltar que, apesar de estar numa trajetória ascendente, ainda estamos no campo abaixo de 50. Ou seja: em abril a situação ainda foi pior que março.

Nos EUA os dados do mercado de trabalho continuam deteriorando. Os pedidos de Auxílio Desemprego vieram acima das expectativas e jogaram uma nuvem de mau humor no início dos negócios de hoje.

Estamos em patamares históricos quando se trata desta variável econômica. Até o dia 15 de maio (no acumulado em 4 semanas) a quantidade de norte-americanos que pegaram a fila da Previdência Social chegou a 631 mil.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
20/05/2009 - 19:06

Em tempo:

1-) A inspiração deste texto abaixo vem das teorias de James Tobin sobre decisões de risco e portifólio. Assim ninguém me acusa de plágio.

2-) Para os mal humorados que vez por outra opinam no blog, não se preocupem: os comentários são livres e pode esculhambar o autor aqui. Mas tirar sarro do Perfeito é sacanagerm. Meu nome é esse mesmo: André Guilherme Pereira Perfeito. Com um sobrenome desse você não queria que eu usasse o Pereira, né?

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/05/2009 - 14:44

Uma explicação para a alta da bolsa.

O atual comportamento da bolsa brasileira parece contrariar o bom senso econômico. Os sinais da economia doméstica mostram claros sinais de fraqueza e, no entanto, o mercado acionário continua de “bom humor”, fazendo a posição comprada vencer da vendida em 2009 de longe (a alta do iBovespa chega a 38% no ano, em dólar a bolsa brasileira acumula estonteantes 57%).

As razões deste movimento são muitas; entre estas cito a posição relativamente melhor do país em relação aos nossos colegas emergentes e industrializados, e, em especial, ao próprio Brasil de alguns anos atrás. Existem outros pontos relevantes que merecem atenção: a valorização do Real frente ao dólar e as reservas cambiais do Banco Central, que no último dia 18 contabilizavam US$ 203 bilhões (em tempo: o BC voltou as compras de dólar nas últimas semanas, o que deve aumentar nossas reservas).

A questão das reservas é controversa entre alguns economistas; muitos argumentam que é temerário acumular reservas num ativo (dólar) que tende a se desvalorizar nos próximos anos, uma vez que o FED vem conduzindo uma política monetária expansionista (inundando os EUA e o mundo com dólares) para combater a crise econômica aguda que aquele país passa. Estes mesmos economistas acreditam que estas reservas seriam melhores aplicadas se fossem destinadas à investimentos diretos, em especial financiando os planos de expansão de empresas brasileiras no exterior.

O fato novo é que, com reservas volumosas em moeda forte (se o dólar não é moeda forte, qual seria?) neste montante, o Brasil criou um mecanismo financeiro até agora eficiente de amortecimento de impactos externos, ficando comprado em dólar quando preciso, ou vendido se necessário. A estratégia deliberada do BC de acumular reservas tem tido sucesso e é bem vinda; imaginem se o país tivesse que, neste momento, aumentar a taxa de juros para fechar as contas externas como era de praxe anos atrás. Estaríamos hoje em franca depressão econômica.

Porém o objetivo deste comentário é avaliar um único aspecto da economia brasileira: a taxa de juros. Para falar de taxa de juros temos que ter em mente que hoje vigora no país o Sistema de Metas de Inflação. O instrumento por excelência da implementação da política monetária hoje é a manipulação de um elemento exógeno da economia, ou seja, a taxa de juros básica, a SELIC. Se não há perigo de inflação o BC abaixa a taxa básica; assim ele “libera” recursos para a economia, estimulando o desencaixe de moeda em posições menos líquidas (depósito a prazo, títulos e etc..) para posições mais líquidas. Desta forma ele incentiva o consumo, seja na forma de consumo final ou em investimentos.

Caso a inflação esteja alta o BC age no sentido inverso. No caso brasileiro, nosso BC tende a ver a inflação como resultado de demanda exagerada, pressionando assim os preços uma vez que a oferta é inelástica – não se altera – no curto prazo. Neste caso o BC aumenta a taxa de juros para retirar da forma líquida o dinheiro (moeda em poder do público e depósitos à vista), e evitar o consumo. É como se o BC criasse uma “recessão de laboratório” e jogasse no tecido econômico, de tal sorte que a demanda recue para um patamar adequado que pare de pressionar os preços.

O BC tradicionalmente também observa com atenção a evolução do câmbio, uma vez que o Real desvalorizado encarece as importações, fazendo que o país “importe” inflação. Foi este o medo da maioria dos economistas quando o câmbio disparou no final do ano passado: que a inflação viesse na forma de bens importados, que pressionam os custos das empresas (uma vez que muitos insumos são importados) e o consumo das famílias (alimentos e bens industrializados).

Vamos então supor que sejam apenas estes dois elementos que o BC observa, fora a inflação em si, para determinar a taxa de juros básica:

• Demanda
• Câmbio

Primeiro vamos observar a demanda doméstica. Os dados disponíveis apontam para uma deterioração da capacidade de compra dos indivíduos por duas frentes. Num primeiro momento a crise de crédito no país, um sub-produto da crise de confiança generalizada que o mundo enfrentou, diminuiu a capacidade de endividamento das famílias. O Brasil vivia até bem pouco tempo uma explosão no consumo de bens duráveis (carros, geladeiras, motos, TV´s, celulares, etc..) e este consumo tende a cair uma vez que o crédito enfraqueça. O governo se esforçou bastante para reverter esta tendência, reduzindo impostos e ajudando setores chave, em especial a indústria automotiva. Mesmo que o crédito esteja disponível, a confiança do consumidor está deprimida, fazendo este indivíduo ficar menos disposto a se endividar.

Observamos que desde novembro de 2008 a confiança está abaixo do valor verificado no início da série, apontando uma percepção muito ruim sobre a atual situação econômica, frustrando assim muitas decisões de consumo. Observamos também melhora da confiança na margem, no entanto ainda abaixo do início da pesquisa.

Outro determinante da demanda é a renda disponível. Para observar este fenômeno iremos abordar sob dois critérios: renda habitual e emprego.

A Renda Nominal habitualmente recebida pelos trabalhadores brasileiros está relativamente estável nos últimos meses segundo o IBGE, não apresentando dessa forma fonte de estresse aos preços.

Do lado do emprego vimos que a deterioração da economia chegou ao mercado de trabalho. È o que aponta os dados do CAGED divulgados essa semana e, como apontamos no Comentário Diário de ontem, a série dessazonalizada apresenta perda de empregos em abril em relação ao que é habitualmente observado (foram 106 mil vagas contra 140 mil vagas normalmente criadas). Em outras palavras: o desemprego deve aumentar, retirando mais uma vez fôlego da demanda (amanhã será divulgada a taxa de desemprego no Brasil, atualmente está em 9%).

Pelo que expomos aqui o problema não é do lado da demanda.

Agora vamos observar o comportamento do câmbio. O gráfico abaixo mostra a evolução da moeda norte-americana nos últimos meses.

Após a disparada em setembro/outubro de 2008 por conta do arrefecimento da crise de confiança, o Dólar volta a sua trajetória descendente e retira por completo receios de “importação de inflação”. O motivo desta valorização do Real frente ao dólar tem uma explicação mais ligada ao mercado mundial que a questões domésticas. O Dólar está perdendo força de forma constante frente às moedas do mundo.

Fora estes dois fatores (demanda e câmbio) a desaceleração econômica recente produziu mais um efeito desagradável do ponto de vista econômico, mas benigno do lado inflacionário: o aumento da não utilização da capacidade instalada. Isto indica que o país poderá crescer ocupando a capacidade instalada, evitando assim pressões de custo na inflação.

Em decorrência deste conjunto de fatores, onde a demanda, o câmbio e o nível de atividade econômica conspiram para uma inflação menor, a taxa de juros acompanha o movimento e cai frente a esta realidade.

Prova disso são os contratos de juros futuros. Pegamos para ilustrar o fato o DI futuro com vencimento em janeiro de 2010.

O BC, que habitualmente observa estes parâmetros, já demonstra interesse em continuar com a política de corte de juros. Por todos estes sinais que acreditamos que os juros no país devem continuar caindo no país.

Mas onde Juros e Bolsa se encontram? De diversas maneiras, mas neste momento vamos nos ater a apenas duas formas. Antes, porém, devemos reiterar o que significa uma ação negociada na Bolsa de Valores para termos claro o ponto de partida.

Ao comprar uma ação de uma empresa o indivíduo adquire a propriedade privada dos ganhos futuros desta empresa. Ou seja, ele vira sócio daquele negócio daquele ponto em diante. Se o histórico daquela empresa era bom ou ruim pouco importa sob esta perspectiva. O que importa é o futuro desta empresa, não seu passado.

Neste momento é que temos a primeira relação entre Juros e Bolsa. Qual o preço justo de uma ação? O preço justo dessa ação é a valorização esperada deste papel de hoje até um futuro predeterminado (um ano, dois anos, vinte anos, tanto faz), comparado as outras opções possíveis de investimento. Para calcular o ganho potencial desta empresa temos que comparar a evolução esperada deste ativo (ação) contra a aplicação financeira livre de risco, no caso papéis atrelados a dívida pública que variam em torno da taxa básica de juros. Quando a taxa de juros cai, e as projeções futuras sobre essa taxa são de queda, o preço do ativo (ação) descontado a valor presente aumenta.

Para exemplificar isso vamos trabalhar com um exercício hipotético. Imagine que a taxa de juros básica seja de 10% ao ano e que no dia primeiro de janeiro você compre uma ação de uma empresa. Você espera, segundo sua expectativa, que esta ação valorize ao longo deste ano 15%. No dia primeiro de janeiro o preço desta ação era, vamos supor, de R$ 20,00. Este preço equilibra a expectativa de ganho com este ativo (ação) e a taxa livre de risco, que no caso é de 10% ao ano.

Se, por acaso, a taxa de juros começa baixar – e tudo indica que ela vai cair – o que acontece com aquele ativo (ação) que você tem em mãos? Ele começa a subir, uma vez que o ganho potencial entre o ganho esperado entre a valorização daquele ativo (ação) e os juros aumentou.

Este é o primeiro efeito, e quase que imediato, de alta que a bolsa sofre com a queda dos juros.

Se a primeira forma descrita representa uma dinâmica inscrita na própria esfera da bolsa, a segunda forma acaba relacionando a bolsa com outras formas de aplicação financeira.

Se os juros caem, e tudo indica que vai, a rentabilidade da Renda Fixa, atrelada a evolução da taxa básica de juros da economia, perde frente aos ganhos potenciais da Bolsa de Valores. A Renda Variável (Bolsa) fica mais atraente que a Renda Fixa (Juros) e isto faz que recursos que antes se encontravam numa dada aplicação sejam canalizadas para os investimentos em ativos (ações) na Bolsa de Valores.

Este movimento explica parte da volta dos estrangeiros para a Bolsa brasileira, uma vez que a taxa de juros em sues países de origem é praticamente nula (claro, devemos ponderar ainda nesta equação para os estrangeiros o risco cambial, que não é desconsiderável). Após um período em que o estrangeiro liquidou suas posições em países emergentes para tentar sanar os prejuízos em suas matrizes, o movimento agora é de volta destes capitais. O ano passado a fuga de capitais chegou a R$ 24 bilhões de reais. Neste ano o saldo até o dia 14 de maio é positivo em R$ 7,3 bilhões, praticamente o recorde histórico de 2003, que fechou o ano com R$ 7,5 bilhões.

Este movimento dos juros em baixa influenciando a bolsa também incentiva um novo investidor: a pessoa física. Após anos renegado ao segundo plano entre os grandes investidores do mercado, a pessoa física conquista um lugar de destaque no cenário. A busca é de uma rentabilidade maior que as aplicações financeiras tradicionais.

Hoje este segmento representa cerca de 32% do volume da bolsa (dez anos atrás era metade disso), trazendo mais estabilidade ao mercado acionário uma vez que as decisões deste tipo de investidor não é centralizada.

Só este dois movimentos, da volta do estrangeiro e do crescimento da pessoa física, já explicam boa parte deste movimento de alta da bolsa.

Esta explicação de alta na bolsa, como conseqüência da queda nos juros, é apenas uma das causas possíveis do fenômeno. Não há dúvida de existem outros motivos que interferem na alta recente das bolsas.

O objetivo deste comentário é deixar claro que as bolsas estão subindo impulsionadas, em grande medida, por um motivo negativo. A queda na taxa de juros neste momento representa a reação da autoridade monetária (BC) aos sinais ruins da economia.

Logo reiteramos nosso cenário de nível de atividade ruim este ano no país.

Nos dias 9 e 10 de junho o COPOM se reúne para determinar a nova taxa SELIC. No dia 9 de junho será divulgado o PIB do primeiro trimestre. É esperar pra ver.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/05/2009 - 12:20

O tal do CAGED de tempo em tempo

Causou certa polêmica um dos meus últimos posts sobre os dados do CAGED. Nele eu afirmo que de fato não foram cridas 106 mil vagas, o que contraria certa leitura otimista da economia e parte do senso comum ao se deparar com dados econômicos.

Disse e reafirmo. Realmente o resultado de abril foi pífio e, na verdade produzimos 38 mil vagas a menos do que seria esperado para um mês de abril típico.

Vamos por etapas.

Em primeiro lugar olhemos a série de dados do CAGED.

Estes dados começam em janeiro de 2003 e termina em abril de 2009.

Podemos ver que, de tempos em tempos, algum movimento se repete. Este tipo de comportamento recorrente aponta que há na série algum comportamento sazonal que deve ser “limpado”, para assim podermos a evolução real do fenômeno.

No gráfico abaixo temos aglutinados os valores mensais de todos os anos. Ou seja, todos os janeiros, os fevereiros, os marços, os abris (nem sabia que esta palavra existia; abris…) e por aí vai. O objetivo é detectar, na média, qual é o volume contratado em cada mês específico, ignorando-se os anos em questão. A linha vermelha é a média do período.

Vemos que dezembro é o mês de maior perda de vagas na média, e abril o de maior alta. Existem várias técnicas econométricas que capturam este tipo de oscilação recorrente e “desconta” do número efetivamente observado. Dessa forma podemos saber de forma correta o que está acontecendo.

No caso utilizo um software chamado E-Views para fazer este cálculo, e o método utilizado chama-se X-12 Census no modo Aditivo. Este método foi criado pelo Census norte-americano para dessazonalizar sua séries e é alplamente utilizado no mundo. Até nosso IBGE usa algo muito parecido para criar suas séries dessazonalizadas.

Basicamente ele elimina o componente sazonal. No caso este método aponta que o emprego, medido pelo CAGED, tem este comportamento sazonal.

O que este gráfico mostra é que é usual a criação de cerca de 140 mil vagas em abril Logo 106 mil vagas não dão conta de “zerar” a posição e ainda fica faltando vagas a serem preenchidas.

Através deste método é que podemos concluir que houve criação de empregos de forma ininterrupta desde janeiro de 2003 até novembro de 2008. O que não é o caso agora. Abaixo as duas séries: CAGED e CAGED_SA (dessazonalizado).

Não é questão de eu ser tucano, petista ou o escambau. Ignorar a evidência econômica tão trivial é tolice para quem quer que seja. No limite, este tipo de leitura dos dados do CAGED reitera a urgência no corte de juros básicos, já que a inflação pelo lado da demanda está aliviada (uma vez que o desemprego está aumentando), e pelo lado da oferta também está comportado (desemprego nesta situação aponta para aumento da capacidade ociosa).

O resto é trocida

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
19/05/2009 - 11:34

Housing Starts recorde de baixa; CAGED confirma desaceleração.

As notícias ruins continuam a se avolumar no front econômico e fica cada vez mais evidente que a deterioração econômica está atingindo o mercado de trabalho no país. Isto é o que aponta os dados do CAGED (Cadastro geral de Desempregados e Empregados) divulgado ontem. Em abril, segundo a estatística, foram criados cerca de 106 mil novas vagas no país.

No entanto, a leitura rasa deste dado pode levar a equívocos desnecessários. O comportamento do CAGED é extremamente sazonal, e para termos a real dimensão da evolução do emprego no país devemos dessazonalizar a série. O gráfico abaixo mostra a série do CAGED e a série dessazonalizada através do método X-12 Census (Aditivo).

Desde o início da série, em janeiro de 2003, o país vinha aumentando o efetivo de trabalhadores empregados a despeito da sazonalidade existente no mercado de trabalho. Foi justamente este acréscimo de trabalhadores/consumidores que proporcionou o resultado positivo da economia brasileira nos últimos anos. Porém, dede dezembro de 2008, esta evolução se reverteu acendendo a luz amarela do crescimento econômico.

A série dessazonalizada contraria a retórica oficial. Não foram criadas 106 mil novas vagas, mas sim 38 mil a menos do que seria de se esperar para um mês de abril típico. È verdade que enfrentamos tempos excepcionais, onde a crise financeira, e agora econômica, estabeleceu uma nova realidade. No entanto não deixa de ser menos verdadeiro, e por isso mesmo, que o desemprego está aumentando.

Quinta-feira será divulgado o desemprego no país, que atualmente é de 9,00% da mão de obra. Talvez o índice aponte a desaceleração no mercado de trabalho, denunciando assim a piora no quadro macro.

Outro dado oficial que aponta na mesma direção é a coleta de impostos. Em abril o governo arrecadou cerca de R$ 57 bilhões, no mesmo período do ano passado a arrecadação foi de quase R$ 60 bilhões.

Menos impostos coletados servem de aproximação do nível de atividade no país, e os resultados apontam para a queda na produção. É a primeira vez desde 2001 que o mês não supera seu igual período do ano passado

O interessante destes dois dados é que ambos são de abril, ou seja, após o primeiro trimestre de 2009, e ambos continuam deteriorados, jogando areia na leitura de “que o pior já passou”. Nossa expectativa é que o Brasil já apresente resultado positivo no PIB do segundo trimestre (variação trimestral dessazonalizada), mas isso não sanciona de forma alguma uma leitura excessivamente otimista sobre o atual momento.

Nos EUA péssimas notícias no mercado imobiliário. O Housing Starts (Início de Construção de Novas Casas) atingiu o piso histórico desde 1973, ao registrar apenas 458 mil novas moradias em construção. A evolução do gráfico é desconcertante e dá a real dimensão do tombo da economia norte-americana.

Desde o início desta crise os analistas e economistas olham com atenção redobrada o mercado imobiliário. Afinal, este setor concentra a etapa final de uma série de processos e ativa um tantos outros. O sinal não é bom.

No Brasil a inflação continua comportada. O IPC-FIPE, divulgado hoje de manhã, veio em linha com nossa expectativa. Esperávamos que o índice viesse em 0,36% e veio em 0,34%. O destaque de baixa ficou por conta do grupo Alimentação que registro deflação de 0,47%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
18/05/2009 - 13:39

CAGED veio bom? Eu acho que não.

Os dados divulgados agora a pouco do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) dão conta da criação de 106 mil novos empregos.

Devemos comemorar? Eu acho que não. Historicamente o mês de abril é o que registra a maior alta da série e esta centena de milhar de empregos ainda não superam o tamanho do tombo que vimos nos últimos meses. E pior: ainda representa uma queda em relação ao comportamento sazonal.

A série do CAGED é extremamente sazonal e deve ser filtrada para termos a real dimensão do seu número. O gráfico abaixo mostra a evolução e a série dessazonalizada. O método empregado foi o X-12 Census Aditivo.

Na verdade não criamos 106 mil vagas, mas perdemos 38 mil, uma vez que abril é o mês de maior contartação no país.

O governo vai comemorar, mas não devemos nos iludir neste momento. De forma alguma. A questão não é ser arauto do apocalipse, mas quem simplesmente acha que o pior já passou e por aí vai, pode induzir ao erro muita gente. O número veio, e não é bonito.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
18/05/2009 - 11:47

em tempo:

Dólar já derreteu 11% em 2009.

Interessante, muito interessante….

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/05/2009 - 11:45

Inflação comportada no país.

Os dados de inflação continuam reiterando o cenário de desaceleração nos preços ao consumidor. Não há no horizonte curto nenhum sinal de volta da alta de preços, uma vez que não existem pressões nem do lado da oferta (uma vez que a capacidade ociosa da indústria está aumentando), e do lado da demanda (com o infeliz aumento no desemprego e na contração do crédito).

O IPC-S, divulgado hoje pela FGV, caiu em relação a medição da semana anterior e fecha o período em alta de 0,48%, com destaque na queda do grupo Alimentação.

O Relatório Focus, divulgado também no início desta manhã, dá conta de uma percepção benigna em relação a evolução futura da inflação doméstica. Após algumas semanas de altas nas expectativas inflacionárias, o mercado prevê que o IPCA feche 2009 em 4,33%.

No que toca o crescimento do PIB em 2009 o Relatório Focus desacelerou mais uma vez e hoje está em -0,49%.

Para ler o relatório Focus no original basta acessar:
http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090515.pdf

Hoje a agenda econômica é fraca, tendo apenas evento relevante às 14:00 nos EUA, quando será divulgado dados sobre o mercado imobiliário. No entanto as estrelas do mercado imobiliário serão divulgadas apenas amanhã (Housing Starts e Building Permits). Os números de hoje servem de prévia dos de amanhã.

Está previsto para ser divulgado ao longo desta semana os dados do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Nossa expectativa é que as figuras apontem para uma situação deteriorada no mercado de trabalho, apontando assim que a crise econômica tenha chegado com força ao mercado de trabalho. Na quinta-feira será divulgado a Taxa de Desemprego no país, onde teremos – aí sim – a real dimensão da desaceleração econômica.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/05/2009 - 11:27

Três trilhões de dólares depois…

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
15/05/2009 - 11:30

Europa confirma desaceleração. EUA reage na margem.

As notícias não são boas no Velho Continente. A economia da Europa caiu mais que o inicialmente esperado e contraria as expectativas de alguns economistas que o “pior já passou”. A queda na comparação anual registrada no quarto trimestre de 2008 foi de 1,5%, para o 1° trimestre de 2009 o tombo projetado era de 4,1%; afundou mais, em 4,6%. O gigante europeu – a Alemanha – foi quem mais sofreu, cai 6,9% na mesma comparação anual.

Dos elementos do PIB alemão os que mais contraíram, ao ano, foram as exportações (-5,6%), produção industrial sem contar construção (-8,0%) e rendas de capital (-7,5%). A Alemanha sofre por ter uma pauta de exportação de alto valor agregado, e cujos principais clientes são justamente os que mais sofrem com a atual crise: os países industrializados.

Muita coisa ainda deve acontecer antes dos dados econômicos começarem a vir melhores de forma consistente. O importante é notar que a realidade furou as previsões, apontando assim para a inconsistência da leitura do “pior já passou”. A desaceleração deve ser mais persistente que inicialmente projetado.

Já nos EUA dados de margem (variações mensais e não trimestrais) apontam algum alívio. O Empire Manufacturing que mede o nível de atividade da região de Nova York veio bem melhor que as expectativas em maio. Esperava-se uma queda de 12, mas registrou-se uma que de apenas 4,55.

A Produção Industrial veio em linha com as expectativas e melhor que o índice anterior. A produção caiu apenas 0,5% em abril, contra 1,7% em março.

As figuras superaram as expectativas, no entanto o quadro permanece sóbrio. A Utilização da Capacidade instalada continua apresentando queda, o que deixa claro que o tombo na economia anda está em andamento.

Com ociosidade na capacidade produtiva dificilmente os empresários estarão dispostos a voltar a investir, o que retarda e aborta o crescimento num horizonte curto de tempo.

No Brasil foi divulgado o IGP-10, e este veio em linha com nossas expectativas. O anterior havia fechado em forte deflação, em -0,71%, puxado pelo IPA (Índice de Preço do Atacado) em queda livre de -1,23%. O IGP-10 de maio ficou em 0,17% (nossa projeção era de 0,15%). O IPA voltou a subir, mas a boa notícia veio do IPC (Índice de Preço ao Consumidor) que caiu de 0,59% em abril para 0,48% em maio.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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