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25/05/2009 - 12:47

O risco de optar pelo atraso.

Por essas e por outras que Mário Henrique Simonsen era o “cara” da economia.

Matéria publicada em Veja em 14 de outubro de 1987.

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A Nova República está embarcando numa aventura perigosa – a tentativa de reinventar a roda. No ano passado ela produziu o Plano Cruzado, que poderia ter sido hábil anestesia às vésperas de uma cirurgia antiinflacionária. Como o anestesista esqueceu-se de convocar o cirurgião, o plano arquivou-se como mais uma tentativa frustrada de combater a inflação pelos seus efeitos. Passada a euforia messiânica, a economia brasileira tornou-se uma espécie de catálogos de vírus: taxas centenárias de inflação, recordes de déficit público, fúteis tentativas de congelamento e o mais robusto arrocho salarial da História.

Para quem gosta de anarquia, fez-se pequena obra-prima, mas neste ano resolvemos fazer ainda mais. A aventura perigosa continuou quando o governo saiu-se com a idéia de jogar duro com os credores de nossa dívida externa, declarando a moratória dos juros e anunciando aos quatro ventos que iríamos renegociar o débito com desconto, como se promissória amarela pudesse valer mais que uma promissória verde, exatamente com as mesma características e garantias – ou, mais precisamente, falta de garantias. Errar não é prova de falta de inteligência. É por tentativa e erro que se aprende, e só não erra quem nada faz. Burrice é repetir erros comprovados, e é essa a síndrome que parece contaminar hoje as elites dominantes brasileiras, que, se nunca foram brilhantes, raramente foram tão criadoras em sua capacidade de fabricar desastres como neste final dos anos 80. Infelizmente, tudo isso vem sucedendo num ano em que o Congresso prepara uma nova Constituição, concebe um novo regime, inventa um novo sistema tributário, e desenha um novo paraíso. O Brasil está hoje diante do risco de ratificar simultaneamente uma opção irracional pelo atraso tecnológico, pela xenofobia, pelo estatismo e pelo mais nefando dos tipos de capitalismo cartorial que já se abateram sobre sua História. Tudo isso em nome de um “progressismo” que ninguém sabe o que significa – porque, na verdade, não significa coisa alguma além de um progressivo estado de tumulto mental.

Para ler o resto da matéria, clique aqui

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

2 comentários para “O risco de optar pelo atraso.”

  1. argo disse:

    Em compensação, Caro André, seu Brasil 2001 compõe-se de erros sobre erros.

    Um comentário sobre ele, feito pelo Augusto Ramos (talvez voce o tenha conhecido, ele foi candidato a presidente do Fluminense – ah, ele é professor de economia na Suécia) é muito interessante:

    “AH, as projeções econômicas…

    Funcionam assim: o economista quer – a priori – demonstrar que um certo resultado deve ser alcançado num certo espaço de tempo, por algum espaço econômico. Ele pinta o quadro com o resultado e, depois, vai procurar um caminho que conduza até ele – traçado sob a luz de alguma ideologia que, na verdade, é o que deseja ressaltar. Fácil! Já fiz diversas e já quase acertei algumas… quase, quase.”

    Caso não tenha lido o livro (ou se leu e quer recordar-se) ele está à disposição em:

    http://www.portaldocriador.org/forum/viewtopic.php?f=75&t=2677&p=12642&hilit=simonsen#p12642

  2. André Perfeito disse:

    Argo,

    Não discordo do que você disse; no mais das vezes a gente vê o que quer ver, ouve o que quer escutar e gosta do que lhe é familiar.

    Até aí tudo bem. Nietzsche já resolveu essa angústia para mim lá no Crepúsculo dos Ídolos.

    Só queria que você me mostrasse, então, qual seu instrumento objetivo de ver e medir o palmo a frente do nariz.

    Tateio o escuro na minha frente – pelo menos no que toca a economia – com uma bengala matricial, dessas que, na pior das hipóteses, explodem na cara se não são bem manuseadas.

    Acredite, se quiser ou não, mas os modelos que construí são poucos, e mais desconfio do que credito no instrumental econométrico. São basicamente dois modelos em quais confio e fiz de próprio punho (sob orientação preciosa de professores e colegas): um para o PIB, que pondera produção industrial e Vendas no Varejo, e outro, este sim bem precário, para inflação. Ambos os modelos eu uso com a parcimônia devida e apenas para T + 1, ou seja: para o período imediatamente seguinte.

    Para previsões mais longas uso o bom senso e a macroeconomia de Keynes e Simonsen. Vejo também os trabalhos de colegas de profissão (tanto na academia quanto no mercado), e fuço à exaustão esta tal de internet, misto de consciente coletivo e sebo intergaláctico.

    No mais, sobre previsões e vislumbramentos, fica o óbvio: não sou cartomante, nem me filio ao turbante cor grená de alguns especialistas sobre o rumo das sociedades e seus trapos decadentes.

    Falô?

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