Confiança versus expectativa.
A Confiança do Consumidor no país avançou de forma significativa no mês de maio, e consegue romper de forma convincente a marca dos 100 pontos (a base 100 foi estabelecida em setembro de 2000).
Não precisamos tecer comentários adicionais, o gráfico acima já é bastante claro em apontar que, apesar da melhora na margem, falta – e muito – para chegarmos aos patamares antes verificados. O que, via de regra, não seria de esperar outra coisa neste momento de crise.
Na Alemanha verificou-se coisa parecida na manhã de hoje. O Clima dos Negócios é uma pesquisa conduzida junto a 7000 empresas daquele país que são convidadas a responder duas perguntas, uma sobre a situação atual contra o mês passado, e a outra sobre as expectativas para os próximos 6 meses. O resultado surpreendeu as expectativas, mas, tal qual o gráfico anterior, fica claro o relativismo desta melhora.
Os movimentos de melhora na margem, alardeados por muitos como o “princípio do fim da crise” devem ser pesados de forma criteriosa, e entregar-se a um otimismo exagerado pode ser fatal. A situação inspira cuidados demais.
Podemos observar este quadro pessimista na evolução das expectativas de Inflação (IPCA) e PIB coletados pelo Relatório Focus, elaborado pelo Banco Central. Pegamos as medianas das expectativas para podermos comprar de forma mais adequada.
A inflação esperada para os próximos 12 meses já está significativamente abaixo da meta (linha tracejada) de 4,5% e hoje a expectativa é de 4,1%. Para o fim de 2009 a inflação é ainda menor: 4,02%.
Já no caso do PIB o quadro é mais severo. A expectativa vem derretendo na esteira da crise global e hoje aponta que o PIB de 2009 deve recuar 0,53%.
Em conjunto, inflação baixa e PIB em queda, corroboram para um cenário de queda continuada na SELIC. A Reunião do COPOM será nos dias 9 e 10 de junho. O PIB do 1° trimestre de 2009 sai dia 9. O IPCA dia 10. Entre a confiança e a expectativa fica com a palavra o BC.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: confianças, expectativas, mind the gap




Ai está o que está sustentando o emprego, os consumidores continuam mantendo a demanda aquecida e isso está contribuindo para que a econômia não aprofunde a crise. Os dados do otimismo do consumidores é uma prova disso.