Produção Industrial decepciona.
Quem imaginava que a recuperação econômica no Brasil seria questão de tempo terá que refazer as contas e, infelizmente, adicionar um pouco mais de calma no andar da carruagem. Os dados da Produção Industrial reafirmam o desaquecimento econômico no país e reiteram nosso cenário base de PIB com desaceleração em 2009.
Além do fraco resultado na variação mensal dessazonalizada, com crescimento de apenas 0,7% (o mercado esperava o dobro disso, em 1,5%), chama atenção o resultado pífio da produção de Bens de Capital, que na mesma comparação, tombou 6,3%.
O retrocesso na produção de bens de capital foi tão sério que voltamos aos patamares de março de 2006, recuando três anos de avanço neste setor central das contas nacionais.
Este resultado, de Bens de Capital, deixa claro o tamanho da desaceleração existente num dos componentes chave da demanda doméstica: o investimento. Se de um lado o investimento foi frustrado, num primeiro momento, pelo congelamento de crédito via desconfiança generalizada; agora ele desacelera, em grande medida, por conta dos prognósticos negativos em relação à demanda futura por bens e serviços.
O resultado só não foi pior por conta dos incentivos ao setor automobilístico. Só esta rúbrica registrou alta de 7% em março contra fevereiro (dados dessazonalizados), e desde dezembro a alta é de estonteantes 56,5%. Não fosse por este estímulo anti-cíclico por parte do governo estaríamos amargando uma desaceleração de magnitude muito maior.
Este primeiro trimestre tem sido palco de dados truncados sobre os rumos da economia, tanto doméstica quanto internacional. A dúvida é: na margem estamos melhor? Ou colocado de uma forma mais noticiosa: o pior já passou? Ilustra bem este tipo de situação os dados da Balança Comercial de abril.
O saldo bateu recordes em diversas medidas de comparação e fechamos o mês com superávit de US$ 3,712 bilhões, acima de qualquer expectativa, por mais otimista que fosse.
No entanto cabe notar que a Torrente do Comércio está em queda acentuada. Isto fica óbvio ao observamos a evolução das exportações e importações.
A variação mensal as exportações subiram 4,34%, porém as importações afundaram 14,23%, o que explica este ótimo resultado do saldo. Se observarmos as variações anuais tem-se a real dimensão da contração do setor externo. As exportações caíram 12,35% e as importações estonteantes 30,12%.
Se de um lado temos a sensação de segurança no front externo, afinal saldos recorrentemente altos somados à valorização do Real frente ao Dólar (movimento que deve ser visto com atenção), do outro vemos que a queda abrupta das importações irá impor ao país um produto menor em 2009 uma vez que boa parte dos insumos e bens de capital são de origem externa.
Esta é armadilha contida nos dados econômicos neste primeiro semestre. Muitas vezes um bom sinal é por motivos adversos, o que pode concorrer para um entusiasmo equivocado. Vale ter em mente que teremos uma desaceleração econômica sim em 2009 e que alguns outros dados macroeconômicos devem apresentar piora nos próximos meses, entre eles o desemprego.
A inflação continua na sua trajetória comportada. O IPC-FIPE de abril veio em 0,31%, nossa projeção era de 0,35% contra 0,40% do mês anterior. Os destaques de queda foram o grupo Alimentação (com deflação de 0,26% contra uma alta de 0,18% no mês anterior) e Habitação (com deflação de 0,02% contra uma alta de 0,04% no mês anterior). O destaque de alta foi despesas pessoais com alta de 1,92%.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: balança comercial, ipc-fipe, mind the gap, produção industrial




A análise dos dados indica um próximo periodo de estagnação mais acentuada vez que em razão do aumento do desemprego o consumo tende a diminuir, além do que as notícias do front externo, leia-se Europa e EUA, não são das mais animadoras.
Ou seja, a exportação não será a tábua da salvação. Para além das políticas anti-ciclicas pontuais e pró-capital, espera-se do governo Lula e respectivos governos estaduais, um plano de estabilidade no emprego, com redução de jornada, sem redução de salário e avanço na execução de fato das obras públicas necessárias, outros pontos como uma intervenção mais incisiva no setor financeiro e o enfrentamento do latifundio para implementar uma verdadeira reforma agrária, nos permitiria dar uma resposta satisfatória a crise garantindo que o país não evolua para um quadro de colapso sócio-político pela visível acentuação das desigualdades, da miséria e do descaso com a coisa pública (p.ex.: veja a situação do congresso e do STF)
Excelente análise!
O Brasil está numa escala crescente de perda de cultura industrial. Agravado por esta crise, onde se perderam em vários setores industriais, bons profissionais. Corremos o risco de um empobrecimento geral e aumento de concentração de renda: Funcionários públicos-Trabalhadores no setor de comodities e extração mineral.
A cultura técnica-industrial-produtividade não se recupera em menos de 2 anos.
Marc,
Se vai demorar dois anos, não sei. Só sei que está havendo uma reorganização da cadeia produtiva internacional, e da mesma forma que há oportunidade, os riscos são enormes.
Espero que o país não durma no ponto.
E espero mais, que BC, Fazenda e Planalto tenham uma visão clara do que esteja ocorrendo.
Abs.
Dori.
Acredito que o PIB brasileiro vá recuar cerca de 1,20% em 2009. Só no 1°tri vai cair 0,70%
Abs