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29/04/2009 - 11:08

O que está na mesa.

Foi divulgado o PIB dos EUA na manhã de hoje, e o número não foi dos mais interessantes. Além de ter furado a mediana das expectativas (que era de -4,7%) ele veio bem próximo do resultado anterior e fechou o 1° trimestre de 2009 em queda de 6,1%.

Os destaques para a redução do PIB foram exportações, estoques, investimentos (estruturas e software) e construção de imóveis. O destaque positivo ficou por conta do aumento 2,2% no Gastos dos Consumidores, que superou bastante a previsão de aumento de 0,9%.

Este resultado do PIB reitera o cenário base de desaceleração econômica, e joga mais luz sobre os desdobramentos recentes da economia mundial. Outro elemento relevante para o PIB norte-americano foi a redução aguda das importações pelos EUA, o que sinaliza para a diminuição da torrente do comércio mundial.

Para ler o resumo do PIB norte-americano acesse (em inglês):
http://www.bea.gov/newsreleases/national/gdp/gdpnewsrelease.htm

No Brasil foi divulgado ontem o INA (Indicador de Nível da Atividade) pela FIESP. O resultado de março foi marginalmente melhor, mas fica – e longe – de representar uma recuperação. A variação mensal foi de 0,55% na série de dessazonalizada. Já na variação com igual período do ano passado o tombo 12,85%. No trimestre a queda é de 15%.

No gráfico acima adicionamos a evolução da Produção Industrial do IBGE (série dessazonalizada) para mostrar a alta correlação entre os dois indicadores. É possível ver com clareza a quebra estrutural da série. Dizer que resultados marginais discretamente positivos são uma boa notícia diante deste quadro é um tanto quanto exagerado. Estamos ainda longe de qualquer patamar pré-crise.

A inflação por aqui continua pressionada para baixo por conta da atividade reprimida e da deflação mundial generalizada. Os efeitos são mais agudos nos Índices Gerais de Preços da FGV uma vez que os preços ao atacado têm um peso maior. O IGP-M de abril registrou queda de 0,15% contra uma queda maior no mês passado em -0,74%. Nossa projeção era uma queda maior do que a registrada, em -0,28%. No acumulado em 12 meses o IGP-M continua apresentando queda como mostra o gráfico abaixo.

Após um período de alta durante 2008, por conta da explosão das commodities – em especial o petróleo –, a inflação retornou à um patamar mais normal. Uma vez que o IGP-M reajusta parte dos contratos teremos pressões diluídas ao longo de 2009 para altas inflacionárias.

São estes os dados que estão na mesa do BC neste último dia de reunião do COPOM. No fim do dia o colegiado anunciará sua taxa básica e o mercado acredita que os diretores daquela instituição deverão optar por um corte menor que o registrado anteriormente e bater o martelo em 100 pontos base de corte, fazendo assim a taxa estacionar em 10,25. Mantemos nosso call (anunciado há um mês) de corte de 150 pontos base. Apesar de acreditarmos hoje que o BC deve confirmar a visão consensual de mercado, preferimos não alterar nossa projeção uma vez que está aponta para os elementos centrais da nossa leitura econômica atual.

Com a palavra o BC.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,

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