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28/04/2009 - 10:46

A espera da Selic.

Começa hoje a reunião do colegiado do COPOM e segue até amanhã quando será anunciada a nova taxa de juros básica da economia brasileira. Mantemos nosso call de corte de 150 pontos base na taxa, de tal sorte que a meta fique em 9,75. A maioria dos economistas do mercado apostam num corte menor, em torno de 100 pontos base na taxa, fazendo a meta ficar em 10,25.

Especular sobre a taxa Selic sempre é uma tarefa ingrata, pois trata-se de tentar pensar com a cabeça de um determinado grupo de economistas. No caso a diretoria do BC. Não se trata de uma taxa ótima, mas sim a possível dentro de uma conjuntura muita ampla de fatores; onde fenômenos econômicos e a agenda política se entrelaçam.

O que é interessante em observar na decisão da Selic não é exatamente o número em si, mas antes de tudo a justificativa em torno dele. Seria útil ao mercado saber com mais clareza o que a autoridade monetária pensa sobre o estado geral da economia brasileira, e sobre os desdobramentos futuros. Este tipo de informação não está necessariamente contida num número. Se vier um corte de 150, isso não quer dizer automaticamente que o BC acha que a economia está indo ladeira abaixo. Pode ser até mesmo o contrario.

Nosso cenário base aponta uma desaceleração econômica em 2009 na ordem de -0,75%. Levando em conta nossas expectativas, e nas do mercado, a inflação este ano deve confluir de forma tranqüila para o centro da meta, dada a deflação mundial na esteira desaceleração econômica.

Este cenário é mais pessimista do que as declarações da nossa autoridade monetária, o que elava a probabilidade de um corte menor amanhã.

O que continua jogando a favor de um corte da mesma magnitude nesta reunião são alguns pontos: 1-) há espaço para o corte na taxa , haja vista a inflação sob controle e o nível de atividade modesto no país, 2-) pressões políticas – novo presidente do BB, e redução do superávit primário –, 3-) queda no nível de atividade econômica no mundo (amanhã será divulgado a estimativa do PIB dos EUA no 1° trimestre de 2009, e o resultado não deve ser animador), e 4-) taxas de juros historicamente baixas ao redor do globo.

Não fosse tudo isso, ainda temos agora a ameaça da gripe suína que, pânico aparte, deve realocar recursos escassos para combater a enfermidade; recursos esses que vão fazer falta no esforço econômico mundial.

Seja como for, a decisão da Selic encerra em torno de um número singelo a formação de diversas expectativas, e sinaliza para várias direções. O BC tem nas mãos uma decisão importante nas mãos, entre elas se anda junto com a política econômica do governo, ou se pretende ser o contra-ponto. Não existem respostas certas e erradas neste caso, o que importa é o sinal.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,

5 comentários para “A espera da Selic.”

  1. Alexandre Olimpio Santos disse:

    Caras novas ! idéias velhas!!. Chegou a hora da reflexão: O que os chamados economistas do Brasil tem contribuido para nossa economia? Parece um orquestra, falam as mesmas bobagens e mudam de ponto de vista diante de uma gripe.

    Chega jacaré!!!, sai fora!!, assim não dá…, assim não pode…

    Está na hora de acabar com os ” Pais Diná”. ro, ro…ro…..

  2. André Perfeito disse:

    Alexandre

    Dizer que concordo contigo seria puro populismo intelectual. Não concordo de forma alguma. No entanto você tem razão na sua argumentação: entra ano, sai ano, as teorias em cima da mesma são as mesmas.

    Porém vale lembrar que entre os economistas existe uma fauna de tipos, gentes e idéias que não tem fim. Procuro aqui dar uma opinião mais centrada (quantas vezes deu vountade de esculhambar!!!). Quando sou centrado acabo sendo mais comum, logo menos inusitado.

    Existe uma discussão interessantíssima acontecendo na academia sobre as origens dessa crise, mas até agora – fora o velho Keynes, nada de importante aconteceu.

    Gostei do seu comentário porque é pra isso mesmo que serve um blog.

    Se quiser dar uma olhada em teorias alternativas procure por Chesnai ou Negri.

    Abs
    André

  3. Entendo pouco de economia como a maioria dos brasileiros, porém percebo que maior parte dos comentaristas fazem eco daquilo que interessa a seus “patrocinadores” portanto gostaria que voce usasse sua inteligencia para mudar esse panorama já que os meios de comunicaçôes tem o poder de formar opiniôes para que o cidadão pense c/ razão e ñ c/ massa de manipulados. Abs. Castro. Osório RS.

  4. Brasileiro disse:

    A diferença destes economistas citados nos texto (”No caso a diretoria do BC”), são que eles são centrados sim, e com muita razão até o momento.
    Diria até que sabiam que o Barco podia ir para o Buraco bem antes do início do fim.
    Poderiamos fazer o comparativo das oscilações das taxas de Juros, desde o tempo da “Berreira” desasserbadas do nosso vice -presidente “Alencar”, onde houve uma redução, depois uma forte elevação e agora redução.
    Se verificarmos que o crescimento das taxas de juros foi exatamente no “Boom econômico” do mundo(china pib de 10% ou mais), é facto de que os economistas do BC, sabem interpretar diferente as teorias econômicas, diferentemente dos neoliberiais.
    A grande sacada foi aumento da SELIC e aumento do Superávit primário, ou seja , “POUPNÇA”, para o tempo de vacas magras, que chegou no final do Governo Lula”.
    Por isso , quando se fala:
    “Seria útil ao mercado saber com mais clareza o que a autoridade monetária pensa sobre o estado geral da economia brasileira, e sobre os desdobramentos futuros”.
    Fica claro que o recado é o seguinte, para o mundo ser perfeito deve-se trabalhar com o dinheiro para que o mesmo gere riqueza para o Pais (Saúde, Educação , Cultura e Empregos), e não fortuna para alguns.
    Com essas ações os Banqueiros tem que reduzir o Spread, e as empresas tem que colocar em seus balanços ganhos de produção, excelência de gestão e não maquiar seus balanços com ganhos em aplicações financeiras.
    Essa é minha leitura atual.

    abs,

  5. André Perfeito disse:

    Castro

    Trabalho numa corretora de valores atualmente e não sei até que ponto isto “distorce” minha leitura sobre a economia. O economista de mercado tem a fama de fazer previsões “compradas” por conta da sua filiação, mas dicordo desta visão. E por dois motivos simples.

    O primeiro é simples: se alguém compra, alguém vendeu. Se alguém comprou e alguém vendeu essas duas pessoas tem opiniões radicalmente diferentes sobre o mesmo objeto no mesmo momento do tempo. Logo, o ambiente financeiro é extremamente democrático, cabe todo tipo de opinião e de leitura.

    O segundo motivo é até prozaico: se um economista de mercado erra muito ele simplesmente é demitido. Se faço previsões furadas para forçar a barra em determinada direção acabo ficando sozinho e minha empresa perde dinheiro. Então é rua.

    O que precisa mudar não é bem os economistas (estes também precisam, principalmente na comunicação menos obscura), na verdade quem precisa mudar são os leitores de notícias econômicas. Não dá para acreditar numa única fonte, nem muito menos terceirizar o bom senso.

    O que eu tento fazer com o blog é comunicazr de forma mais clara possível e, principalmente, abrir o espaço para discussão. Por isso não existe censura de idéias aqui ( a não ser que tenha palavrão, pelos motivos óbvios). A discussão é bem mais importante que o fato em si, principalmente em economia. Este é o único meio de criar juízo por algo.

    Abs,

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