Bovespa melhor na margem?
Os investidores, principalmente as pessoas físicas, estão ansiosos com os novos patamares que o Bovespa pode chegar. Muitos imaginam que 70 mil pontos seja a meta até o fim do ano. Não por menos, em 2009 a bolsa brasileira deu um rali de 20% em reais, e de 30% em dólar, que deixou comendo poeira a maioria das bolsas do mundo.
Seria leviano afirmar que chegaríamos, ou não, a este valor. Que pese que a probabilidade maior ainda tende para não chegar neste patamar, as incertezas inerentes à dinâmica das bolsas versus a temperatura econômica ainda estão muito voláteis. Perigos claros ainda rondam os mercados, entre eles citamos: a situação delicada do sistema financeiro nos países desenvolvidos, a possível quebra da gigante automobilística norte-americana e o nível de atividade mundial. Sobre este último tópico o FMI divulgou ontem um relatório – um calhamaço de 174 páginas – onde aponta um futuro difícil para o mundo, numa desaceleração de 1,3% em 2009.
No entanto, vemos, aos poucos, o índice fazendo a curva. O gráfico abaixo mostra a dispersão da valorização percentual do Bovespa ao mês e ao ano desde o dia 28-12-2006.
Conseguimos ver claramente o movimento da bolsa saindo de uma situação onde o índice apresentava valorização positiva tanto no mês quanto no ano, e migrando drasticamente para o quadrante que aponta desvalorização tanto ao mês quanto no ano. O último resultado é do dia 20-04-09, e já aponta para uma recuperação gradual e a caminho de uma situação positiva mês/ano.
Este tipo de leitura deve ser feita de forma criteriosa. O gráfico acima mostra o caminho que percorrermos nestes últimos anos, não necessariamente aponta para onde vamos nos próximos. Porém, vale apontar esta dinâmica e ter em mente que já andamos bastante rumo a uma situação melhor; e se é verdade que o “pior já passou”, conseguimos ver que ainda falta uma razoável distancia até estar “bom”.
Os dados da economia brasileira sugerem que teremos um crescimento negativo este ano. O FMI, no relatório citado acima (para acessar o original, em inglês, acesse http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2009/01/index.htm) prevê que o Brasil desacelere 1,3%. Nosso call continua de desaceleração de -0,75% para 2009.
Ver as coisas melhorando na margem é um bom sinal, mas operar no curto prazo é por demais volátil e arriscado. Sugerimos prudência e que, na medida do possível, ancoremos nossos olhares nas tendências mais longas que, por ora, estão ainda em baixa.
No Brasil foram divulgados os dados do setor externo. Estes vieram até que positivos dado o tamanho do estresse econômico atual. Se não são excelentes, também não chegam a atrapalhar o prognóstico positivo do país.
Em relação a agenda econômica de amanhã, queremos registrar nossa revisão para o IPCA-15. O índice ficou em março em 0,11% e nossa projeção inicial dava conta de uma alta de 0,13% em abril. No entanto, frente a novos dados, revisamos o número para 0,35%. Esta alta na nossa expectativa não representa, de forma alguma, alteração no nosso cenário base de desaceleração econômica e inflação em baixa. Antes de tudo é um resultado simples das nossas regressões econométricas.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

