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14/04/2009 - 11:19

Estrangeiro e pessoa física dominam bolsa.

Este primeiro trimestre de 2009 foi palco de reversões de tendências verificadas durante o ano passado. Ou seria retorno à normalidade pós-choque? Como apontamos neste mesmo Comentário Diário do dia 3 de abril (Volta do estrangeiro?) o movimento de ingresso de capital estrangeiro à Bovespa tem sido significativo. Após um ano “zerando” posições, o investidor voltou ao mercado. O saldo entre posições compradas e posições vendidas fechou março em R$ 1,440 bilhão. Em abril – até o dia 7 – já se ultrapassou este valor; até agora o saldo é de R$ 1,458 bilhão.

No entanto, mais relevante que a volta do estrangeiro é observar que o investimento das pessoas físicas na bolsa brasileira já supera – e muito – os investidores institucionais nos negócios realizados, assinalando uma tendência interessante.

Este movimento pode ser explicado por uma série de razões (cautela por parte dos investidores institucionais, reorganização das carteiras de fundos de pensão, ousadia do investidor particular entre outros), mas o mais correto, talvez, é creditar este movimento de entrada de pessoas físicas na bolsa ao amadurecimento do mercado e a visão positiva que muitos brasileiros tem em relação ao futuro econômico do país.

A despeito das notícias ruins vindas do front econômico (desemprego, vendas em queda, só para citar algumas), o brasileiro acredita que seria pecar por prudência perder esta oportunidade de negócio. Não por menos. A bolsa brasileira já acumula em 2009 uma alta de 22% em Reais, e em Dólar a alta chega a praticamente a 30%. Que outro investimento daria isso num momento de juros em queda e inflação sob controle? Praticamente nenhum.

Este otimismo de estrangeiros e brasileiros com o futuro da economia brasileira se assenta sobre a percepção que o país está muito bem posicionado frente aos desafios mundiais. Se for verdade que o mundo vai entrar em recessão forte em 2009, não deixa de ser menos verdadeiro que o Brasil vai sofrer “menos” nesse processo. O sistema financeiro nacional, apesar da situação delicada dos bancos médios, está saudável. As reservas internacionais dão conforto extra ao nosso calcanhar de Aquiles; o setor externo. Em resumo: são muitos os sinais de melhora relativa do país em relação ao resto do mundo, e – principalmente – em relação ao que o país foi nas últimas décadas.

Porém cabe aqui alertar nossos clientes que os riscos ainda estão altos. É verdade que a volatilidade dos mercados está diminuindo, como apontamos no Comentário Diário de ontem, no entanto riscos consideráveis ainda estão no horizonte. A situação da indústria automobilística norte-americana ainda está longe de uma resolução, e não seria surpresa ver algum gigante tombar no caminho. No campo financeiro o estresse continua alto, e as medidas consolidadas pelo Secretário do Tesouro Tomothy Geithner ainda não surtiram o efeito desejado.

O otimismo é o melhor sinal que poderíamos ter neste momento; apesar do inferno estar cheio de boas intenções. Não queremos desencorajar o investidor. O momento é este. Porém devemos ter em mente os riscos de curto e médio prazo sempre em mente.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:

4 comentários para “Estrangeiro e pessoa física dominam bolsa.”

  1. Rafael S. Gonçalves disse:

    Excelente o gráfico do saldo estrangeiro. Eu que à alguns dias espero uma correção, mesmo que técnica, para comprar algumas ações bem posicionado, encontro nele alguma explicação para essa onda de alta mais forte que as anteriores.

    Essa entrada de capital pode estar prolongando esse movimento de alta que já dura quase um mês sem uma correção mais forte.

    A dúvida é, mesmo ocorrendo uma correção técnica esse mês, se entrar agora ou esperar a versão “advance” do PIB americano no final do mês. Já existe alguma previsão dos economistas para a versão “advance” do 1T09? Seria mesmo esse o número mais esperado do mês para identificarmos à quantas anda a crise?

  2. André Perfeito disse:

    Olá Rafael,

    Fatalmente os dados preliminares do PIB dos EUA (que será divulgado dia 29/4, ou seja, bem no dia do anuncio do COPOM)do primeiro tri deve vir em linha com o momento de desaceleração. Não há previsões ainda para o resultado preliminar do PIB. Pelo menos não entre os economistas que alimentam o bloomberg nos EUA.

    Estou é curioso com a possível falência de gigantes industrias nos EUA e efeito na bolsa. Será que isso fará os investidores estrangeiros zerarem posições de forma agressiva? É uma boa dúvida. Fatalmente não…

    Abs

  3. Por que o governo nao consegue baixar o preço dos conbustiveis, numa crise dessa o nosso conbustivel Brasileiro e uns dos mais caro do mundo porra o paraguai tem a gasolina mas parata do que a nossa e muito isso porque eles importam de outros paise, e nos temos a Petrobras, que tem varios reservas de conbustiveis e pagamos muito caro.

  4. André Perfeito disse:

    Salvador,

    Vale lembrar que o ano passado, quando o petróleo disparou, a Petrobrás não aumentou os preços. Agora, se poderia ser mais barato do que está sendo não sei ao certo, preço de combustíveis geralmente é distorcido no mundo inteiro, e só agora conseguimos autonomia frente a produção, o refino ainda não está no mesmo patamar.

    Abs.

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