Vendo o movimento.
Na Europa os dados do varejo e do atacado dão o tom da desaceleração econômica recente. Na ponta do varejo as vendas continuam em franca queda e tomba estonteantes 4,00% ao ano. Já na ponta do atacado, após da alta via bolha de commodities no ano passado, os preços desincham na mesma velocidade – na verdade até mais rápido. Os preços no atacado (Producer Price Índex) deflacionam em termos anuais em 1,8%.
O gráfico acima conta bem boa parte da história desta crise. Se pegarmos os dados do período de 2007 em diante vemos do lado da economia “real” a desaceleração econômica, via um comércio varejista cada vez menor. Observando, no entanto, o preço no atacado vemos o momento de alta substancial das commodities. Neste período surgiram terias sobre o descolamento das economias emergentes uma vez que a demanda chinesa manteria em alta praticamente perpétua das matérias primas básicas. O tal do descolamento se mostrou pura especulação (tanto quanto a própria bolha especulativa de commodities). O ajuste veio, e veio com força.
Este mesmo movimento pode ser observado na evolução dos Riscos Países dos emergentes (medido pelo CDS de 5 anos destas economias), porém com o sinal trocado. Após o choque de risco, traduzido em aversão generalizada aos ativos emergentes, e principalmente das suas moedas, o risco dispara. No gráfico abaixo vemos a evolução destes Riscos tendo como base 100 janeiro de 2008.
Outubro de 2008 foi o início da disparada que jogou por terra as formulações mais ingênuas da teoria do descolamento emergente. No caso da Rússia, país praticamente mono-exportador (petróleo), o ataque ao Rublo foi brutal, fazendo aquela nação perder mais de centena de bilhão de dólar na luta contra o mercado. No fim do dia o Kremlin jogou a toalha.
No caso brasileiro o baque foi mais suave e entre estes países selecionados nossa situação é relativamente melhor. Apesar do nosso CDS ser, em termos absolutos, maior que algumas economias, a percepção do mercado quanto as nossas fragilidades foi que estamos melhor que nossos pares.
Chamamos a atenção ao gráfico mais uma vez e à queda generalizada no risco percebidos dessas economias. Seria leviano sentenciar um retorno à normalidade; no entanto é prudente observar com atenção a evolução destas variáveis (juntamente com a posição de estrangeiros na Bovespa, como apontamos no Comentário Diário de sexta-feira última intitulado “Volta do Estrangeiro?”).
O relatório Focus divulgado hoje pelo BC dá continuidade ao nosso cenário básico com queda na inflação e no produto. As expectativas para o IPCA para fim de 2009 está caindo há 5 semanas e fica em 4,26%, abaixo da meta oficial de 4,50%. A surpresa fica por conta do PIB. Nossa projeção divulgada semana passada – juntamente com nosso call de corte na Selic de 150 pontos base na próxima reunião de abril – é de queda entre 0,50 e 1,00 para 2009. Pela primeira vez a mediana dos economistas consultados pelo BC deu PIB negativo: em -0,19%. Aos poucos fica mais claro à todos que o ajuste será mais severo no país.
Para ler o relatório Focus acesse:
http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090403.pdf
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: cds, comérico europa, emergentes


Meu caro:
Seus graficos são muito pequenos, impossiveis de se ler, entao minha sugestao é aumenta-los ou entao quando explica-los se referir as cores das diferentes curvas, pois o seu comentario de hoje é impossivel de acompanhar.
abracos
Marcos
Olá Marcos.
basta clicar que a imagem amplia.
Abs