Produção Industrial confirma desaceleração.
Os dados da Produção Industrial frustram, mais uma vez, os prognósticos oficiais e de mercado. O resultado dessazonalizado aponta um crescimento medíocre em fevereiro ante janeiro; apenas 1,8% (o mercado esperava algo em torno de 3,5%). A queda na comparação com fevereiro do ano passado chega a 17,0%, no acumulado do ano o tombo é de 17,2%.
Com este resultado, a Produção Industrial no país fica próxima ao obtido em junho de 2004. A difusão da desaceleração na indústria chegou à 77%, ou seja, de todos os 755 produtos investigados, 582 tiveram resultados negativos na comparação de fevereiro de 2009 contra igual período do ano passado.
Chama particular atenção a redução abrupta da produção de Bens de Capital, registrando desaceleração de 24,4%, mostrando de forma clara que o choque no crédito – somada a deterioração nas expectativas sobre a saúde da economia – abortaram parte significativa da demanda doméstica e a mais sensível as alterações na taxa básica: a Formação Bruta de Capital Fixo, o Investimento.
O Banco Central alterou sua previsão para o PIB de 2009 no último Relatório Trimestral de Inflação, saindo de 3,2% para 1,2% no acumulado no ano. A expectativa dos técnicos do BC agora é que o PIB, sob a ótica da oferta industrial, fosse de 0,01% em 2009. Com os resultados de hoje não resta dúvida que as contas terão que ser refeitas.
Nosso modelo para o PIB – que pondera Produção Industrial e Vendas no Varejo – do 1° trimestre de 2009 aponta uma retração no produto, na variação trimestral e dessazonalizada, na ordem de 0,30%. O modelo assume que não haja variação nas Vendas no Varejo em fevereiro e março, e que a Produção Industrial cresça os mesmos 1,8% em março em relação a fevereiro.
Este resultado faz que nosso cenário de maior probabilidade (ainda parcial, o número final será anunciado na próxima semana) registre um PIB para 2009 entre -0,50% e -1,00%; uma leitura mais pessimista que a do mercado que está em 0,01% (FOCUS) e a do BC em 1,2%.
Por conta destes resultados medíocres na atividade econômica, e dos nossos cenários para o ano de 2009, acreditamos que o BC vá manter o afrouxamento na política monetária. O próprio BC, no Relatório Trimestral de Inflação, vê como adequada – e que há espaço – uma ação anticíclica por parte da alteridade monetária. Em suas palavras:
“Nesse quadro de redução da atividade, a melhora das perspectivas para a inflação permitiu ao Banco Central iniciar um processo de flexibilização monetária que, aliado a outras políticas públicas, terá resultados anticíclicos. Assim, assinalem-se, além do processo de redução da taxa básica de juros da economia, a introdução de mecanismos objetivando garantir tanto o dinamismo das exportações e a normalização da liquidez em moeda estrangeira, quanto o aumento dos gastos, em especial, os relacionados a investimentos em infra-estrutura. Assinalem-se, ainda, as medidas voltadas à liberação de recursos visando elevar a liquidez do sistema financeiro nacional, de forma a incentivar o crescimento dos empréstimos domésticos. Embora persista a questão fundamental a respeito do alcance das medidas mencionadas e da extensão efetiva da crise mundial, resultados recentes mostram relativa recuperação, na margem, da economia brasileira.”
(Relatório Trimestral de Inflação, volume 11, página 29)
Acreditamos que o BC deverá rever ainda mais para baixo sua expectativa para 2009. A última parte do trecho citado (em negrito, grifo nosso), onde o documento aponta que há melhora na margem de alguns resultados, nos parece um tanto quanto otimista sob a luz dos novos dados.
Ponderando todo este conjunto de dados, e a evolução recente da economia doméstica e internacional, anunciamos nosso call de corte de 150 pontos base na próxima reunião do COPOM (que se realizará entre os dias 28 e 29 de abril), fazendo a taxa básica cair dos atuais 11,25% para 9,75%. A implementação da política monetária sofre defasagem temporal significativa, e seria mais adequado e eficiente fazer de forma tempestiva o afrouxamento monetário.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
