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Arquivo de abril, 2009

30/04/2009 - 12:04

Grau de Investimento faz um ano.

Hoje faz um ano que o Brasil recebeu Grau de Investimento pela agência Standard & Poor´s. Nesse meio tempo sabemos a montanha russa que foi a bolsa brasileira (veja gráfico abaixo) e o furacão que varreu as economias mundiais, mexendo com os cenários e transformando tudo ao redor, nos jogando num mundo novo que ainda não sabemos ao certo onde vai dar.

Vendo o gráfico acima temos a incômoda sensação de que ainda não aproveitamos este Grau de Investimento da forma que gostaríamos. Afinal, pouco depois de ser concedido o mundo derreteu sob nossos pés, jogando tudo na vala comum da desconfiança generalizada.

O ano passado foi um ano difícil, muito difícil. O saldo da posição de estrangeiros derreteu em 2008, atingindo a marca histórica de R$ 24 bilhões a menos na bolsa e dando o tom do tamanho da aversão ao risco por parte deste tipo de investidor. E não é por menos; ao enfrentar sérios problemas nas suas matrizes os gestores de recursos resolveram simplesmente se desfazer dos papéis em bolsa e abocanhar os lucros, numa tentativa desesperada de minimizar os prejuízos nos seus países de origem.

Porém os ventos estão mudando e o Brasil volta a apresentar seu antigo brilho. Podemos ver isso na volta do estrangeiro ao país.

Qual o motivo deste repentino otimismo com a bolsa brasileira? Em grande medida é uma questão de perspectiva. O Brasil visto por quem está sentado numa cadeira em Nova York, ou em Londres, está cada vez mais atraente. Em termos relativos estamos “muito bem na foto”. As projeções da maioria dos economistas apontam para isso. Nós acreditamos que o país vai recuar o PIB em 2009 em 0,75%. Já o FMI imagina um tombo maior, de -1,3%.

Vamos supor que o PIB brasileiro caia 1% em 2009. Isto não é de forma alguma uma má notícia. Se o Brasil produzir em 2009 apenas 1% a menos dos bens e serviços que produziu em 2008 não será um mal resultado. Afinal, estamos atravessando uma das maiores crises desde os anos 30, e não seria de todo ruim este resultado.

No entanto, melhor que isso (cair apenas 1%, no exemplo), é ver que as principais economias vão cair ainda mais. Peguemos como parâmetro as projeções do FMI para algumas economias selecionadas.

Vemos que a expectativa do fundo é que o Brasil caia menos que estas economias e que desacelere na mesma proporção do mundo em 2009. Mais importante ainda: o Fundo vê nosso crescimento, a partir de 2010, constantemente positivo e crescente. Este tipo de informação faz os olhos dos investidores estrangeiros brilharem com o cenário e a perspectiva de ganhos futuros crescentes. Não à toa parte destes recursos estão voltando à bolsa brasileira; que em 2009 já registra alta de 27% em Reais, e 34% em Dólar. Este movimento de antecipação visa capturar os ganhos futuros esperados no país.

O Risco País apesar de alto foi o que menos estressou durante a tormenta de 2008. Podemos ver no gráfico abaixo a evolução do risco de alguns países emergentes (medido em CDS).

Os motivos de tanto bom humor com o país é a soma de diversos fatores, às vezes de difícil mensuração. Entre eles estão estabilidade democrática, ambiente empresarial saudável, respeito contratual, e por aí vai. Podemos apontar outros elementos mais objetivos para este movimento. O comércio mundial nos últimos anos foi particularmente benéfico com o país. A demanda mundial, em especial a chinesa, permitiu que nosso BC adotasse uma estratégia de acúmulo de reservas internacionais (que hoje estão em US$ 200 bilhões) que serve de colchão para eventuais choques externos. Fosse em outro tempo teríamos estourado nossas contas externas na esteira da aversão ao risco e teríamos – de novo – que ir ao FMI pedir recursos para fechar as contas. E pensar que hoje somos credores do Fundo… Além do mais praticamente zeramos o passivo externo do governo, gerando mais um ponto favorável ao país neste momento de crise.

Outro ponto importantíssimo é a sanidade fiscal adquirida; este sim um dos principais parâmetros observados pelas agências classificadoras de risco uma vez que dá a medida de solvência do país. A relação vem declinando consistentemente nos últimos anos demonstrando, mais uma vez, a conjunção de PIB crescente e uma estratégia consciente do governo federal. Hoje saiu a relação subiu para 37,6%. Não podemos perder esta evolução de vista, é nosso calcanhar de Aqules.

O Brasil não está descolado do mundo de forma alguma, mas temos nos beneficiado de uma conjuntura muito especial de fatores. Veja por exemplo o saldo comercial brasileiro. O superávit vem aumentando na combinação da queda das exportações e da queda – ainda maior – nas importações. O resultado líquido é positivo, mas o fundamento é negativo. Este tipo de situação verifica-se em outros exemplos e deixa claro a situação muito especial que vivemos.

Existe a possibilidade de outra agência nos conceder mais um título de Grau e Investimento, o que faria um enorme bem ao mercado de ações brasileiro e, em última análise, às empresas brasileiras. Seria a confirmação do momento positivo e do novo estado da arte da economia brasileira.

O que temos que ter em mente é que nunca voltaremos para a mesma situação de antes da crise. O que temos agora é que pensar uma “fuga para frente”, onde o Brasil vai conquistar cada vez mais espaço na economia mundial. É uma oportunidade única que é o acúmulo de anos de trabalho e de uma situação nova. Tal qual 1930 temos agora uma chance de avançar mais, e agora como muito mais qualidade e responsabilidade. Este novo lugar irá exigir dos brasileiros, e do governo, uma nova atitude onde as formas usuais não vão dar conta dos novos desafios. Inovação e aplicação nunca foi tão importante.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
29/04/2009 - 11:08

O que está na mesa.

Foi divulgado o PIB dos EUA na manhã de hoje, e o número não foi dos mais interessantes. Além de ter furado a mediana das expectativas (que era de -4,7%) ele veio bem próximo do resultado anterior e fechou o 1° trimestre de 2009 em queda de 6,1%.

Os destaques para a redução do PIB foram exportações, estoques, investimentos (estruturas e software) e construção de imóveis. O destaque positivo ficou por conta do aumento 2,2% no Gastos dos Consumidores, que superou bastante a previsão de aumento de 0,9%.

Este resultado do PIB reitera o cenário base de desaceleração econômica, e joga mais luz sobre os desdobramentos recentes da economia mundial. Outro elemento relevante para o PIB norte-americano foi a redução aguda das importações pelos EUA, o que sinaliza para a diminuição da torrente do comércio mundial.

Para ler o resumo do PIB norte-americano acesse (em inglês):
http://www.bea.gov/newsreleases/national/gdp/gdpnewsrelease.htm

No Brasil foi divulgado ontem o INA (Indicador de Nível da Atividade) pela FIESP. O resultado de março foi marginalmente melhor, mas fica – e longe – de representar uma recuperação. A variação mensal foi de 0,55% na série de dessazonalizada. Já na variação com igual período do ano passado o tombo 12,85%. No trimestre a queda é de 15%.

No gráfico acima adicionamos a evolução da Produção Industrial do IBGE (série dessazonalizada) para mostrar a alta correlação entre os dois indicadores. É possível ver com clareza a quebra estrutural da série. Dizer que resultados marginais discretamente positivos são uma boa notícia diante deste quadro é um tanto quanto exagerado. Estamos ainda longe de qualquer patamar pré-crise.

A inflação por aqui continua pressionada para baixo por conta da atividade reprimida e da deflação mundial generalizada. Os efeitos são mais agudos nos Índices Gerais de Preços da FGV uma vez que os preços ao atacado têm um peso maior. O IGP-M de abril registrou queda de 0,15% contra uma queda maior no mês passado em -0,74%. Nossa projeção era uma queda maior do que a registrada, em -0,28%. No acumulado em 12 meses o IGP-M continua apresentando queda como mostra o gráfico abaixo.

Após um período de alta durante 2008, por conta da explosão das commodities – em especial o petróleo –, a inflação retornou à um patamar mais normal. Uma vez que o IGP-M reajusta parte dos contratos teremos pressões diluídas ao longo de 2009 para altas inflacionárias.

São estes os dados que estão na mesa do BC neste último dia de reunião do COPOM. No fim do dia o colegiado anunciará sua taxa básica e o mercado acredita que os diretores daquela instituição deverão optar por um corte menor que o registrado anteriormente e bater o martelo em 100 pontos base de corte, fazendo assim a taxa estacionar em 10,25. Mantemos nosso call (anunciado há um mês) de corte de 150 pontos base. Apesar de acreditarmos hoje que o BC deve confirmar a visão consensual de mercado, preferimos não alterar nossa projeção uma vez que está aponta para os elementos centrais da nossa leitura econômica atual.

Com a palavra o BC.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , ,
28/04/2009 - 10:46

A espera da Selic.

Começa hoje a reunião do colegiado do COPOM e segue até amanhã quando será anunciada a nova taxa de juros básica da economia brasileira. Mantemos nosso call de corte de 150 pontos base na taxa, de tal sorte que a meta fique em 9,75. A maioria dos economistas do mercado apostam num corte menor, em torno de 100 pontos base na taxa, fazendo a meta ficar em 10,25.

Especular sobre a taxa Selic sempre é uma tarefa ingrata, pois trata-se de tentar pensar com a cabeça de um determinado grupo de economistas. No caso a diretoria do BC. Não se trata de uma taxa ótima, mas sim a possível dentro de uma conjuntura muita ampla de fatores; onde fenômenos econômicos e a agenda política se entrelaçam.

O que é interessante em observar na decisão da Selic não é exatamente o número em si, mas antes de tudo a justificativa em torno dele. Seria útil ao mercado saber com mais clareza o que a autoridade monetária pensa sobre o estado geral da economia brasileira, e sobre os desdobramentos futuros. Este tipo de informação não está necessariamente contida num número. Se vier um corte de 150, isso não quer dizer automaticamente que o BC acha que a economia está indo ladeira abaixo. Pode ser até mesmo o contrario.

Nosso cenário base aponta uma desaceleração econômica em 2009 na ordem de -0,75%. Levando em conta nossas expectativas, e nas do mercado, a inflação este ano deve confluir de forma tranqüila para o centro da meta, dada a deflação mundial na esteira desaceleração econômica.

Este cenário é mais pessimista do que as declarações da nossa autoridade monetária, o que elava a probabilidade de um corte menor amanhã.

O que continua jogando a favor de um corte da mesma magnitude nesta reunião são alguns pontos: 1-) há espaço para o corte na taxa , haja vista a inflação sob controle e o nível de atividade modesto no país, 2-) pressões políticas – novo presidente do BB, e redução do superávit primário –, 3-) queda no nível de atividade econômica no mundo (amanhã será divulgado a estimativa do PIB dos EUA no 1° trimestre de 2009, e o resultado não deve ser animador), e 4-) taxas de juros historicamente baixas ao redor do globo.

Não fosse tudo isso, ainda temos agora a ameaça da gripe suína que, pânico aparte, deve realocar recursos escassos para combater a enfermidade; recursos esses que vão fazer falta no esforço econômico mundial.

Seja como for, a decisão da Selic encerra em torno de um número singelo a formação de diversas expectativas, e sinaliza para várias direções. O BC tem nas mãos uma decisão importante nas mãos, entre elas se anda junto com a política econômica do governo, ou se pretende ser o contra-ponto. Não existem respostas certas e erradas neste caso, o que importa é o sinal.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: ,
27/04/2009 - 11:52

Agenda cheia marca a semana.

A semana promete com a agenda econômica, com dados importantes sendo divulgados tanto no Brasil quanto nos EUA. O destaque no Brasil fica por conta da decisão da Selic na quarta-feira. A reunião do COPOM que começa amanhã deve, segundo nossas expectativas, optar por um corte de 150 pontos base (ou 1,5), fazendo a taxa cair dos atuais 11,25 para 9,75.

Acreditamos que o BC vá patrocinar este corte (de 150 pontos) mais agressivo dado a desaceleração econômica no país que, a despeito de sinais positivos na margem – em grande medida “financiados” pela redução do IPI –, continua atormentando; e a inflação comportada na margem e nas expectativas de fecharmos o ano com o IPCA abaixo da meta oficial.

Além do mais vemos, de vários setores do governo, pressões claras no sentido de um corte mais agressivo na taxa básica. O ministro Guido Mantega, por exemplo, vinculou a estabilidade da relação dívida PIB (que será divulgada nesta quinta-feira) à um corte maior na Selic, uma vez que esta reajusta boa parte da dívida pública. O próprio presidente Lula emitiu dois sinais claros neste sentido. O primeiro foi a troca de guarda no Banco do Brasil. Sabemos que a queda na taxa de juros para o consumidor final é função basicamente de dois componentes: spread bancário e a taxa básica. O spread não pode ser alterado no curto prazo, a despeito da chiadeira do governo. O único elemento mais fácil de mexer é a Selic. O outro sinal foi o desejo de mudar nas regras da poupança para grandes investidores, de tal sorte que não comprometa o mercado financeiro.

Já nos EUA o destaque fica pela divulgação do PIB do primeiro trimestre nessa quarta-feira, mesmo dia da divulgação da Selic pelo COPOM. Tendo em vista o recente resultado do PIB inglês, que furou as expectativas e veio pior do que imaginado, o PIB norte-americano deve apresentar trajetória parecida e jogar mais mau humor sobre os dados econômicos.

Como vemos essa semana vai ditar variáveis importantes para os próximos meses.

O Relatório FOCUS, do BC, apresentou ligeira piora na inflação projetada, e discreta melhora no PIB esperado para 2009. São mudanças pequenas e que não representam alterações significativas no nosso cenário base.

Para ler o relatório original acesse:
http://www4.bcb.gov.br/pec/GCI/PORT/readout/R20090424.pdf

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/04/2009 - 11:31

the economist – Um lampejo de esperança?

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/04/2009 - 10:58

New Stock Market Terms

CEO – Chief Embezzlement Officer

CFO – Corporate Fraud Officer

BULL MARKET – A random market movement causing an investor to mistake himself for a financial genius.

BEAR MARKET – a 6 to 18 month period when the kids get no allowance, the wife gets no jewelry, and the husband gets no sex.

VALUE INVESTING – The art of buying low and selling lower.

P/E RATIO – The percentage of investors wetting their pants as the market keeps crashing.

BROKER – What my financial planner has made me.

STANDARD & POOR – Your life in a nutshell.

STOCK ANALYST – Idiot who just downgraded your stock.

STOCK SPLIT – When your ex-wife and her lawyer split your assets equally between themselves.

MARKET CORRECTION – The day after you buy stocks.

CASH FLOW – The movement your money makes as it disappears down the toilet.

YAHOO – What you yell after selling it to some poor sucker for $240 per share.

WINDOWS – What you jump out of when you’re the sucker who bought Yahoo at $240 per share.

INSTITUTIONAL INVESTOR – Past year investor who’s now locked up in a nuthouse.

PROFIT – an archaic word no longer in use.

# # # # #

If you had purchased $1000 of shares in Delta Airlines one year ago, you will have $49.00 today.

If you had purchased $1000 of shares in AIG one year ago, you will have $33.00 today.

If you had purchased $1000 of shares in Lehman Brothers one year ago, you will have $0.00 today. But- if you had purchased $1000 worth of beer one year ago, drank all the beer, then turned in the aluminum cans for recycling refund, you will have received $214.00.

Based on the above, the best current investment plan is to drink heavily & recycle.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/04/2009 - 10:56

Desemprego, inflação e PIB.

Uma agenda econômica lotada na manhã de hoje lança luz sobre alguns movimentos da economia neste 1° trimestre de 2009. No Brasil o desemprego de março volta a crescer e chega a casa dos 9%, reiterando assim nosso cenário base, onde desaceleração econômica atinge o mercado de trabalho cada vez mais.

Vimos a evolução negativa do CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), e, apesar de uma melhora marginal – mas extremamente sazonal –, os dados já apontavam para a deterioração do mercado de trabalho. Soma-se a isto o aumento do retorno de cheques, que subiu 6% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Até aí nenhuma grande novidade, alguns países estão sofrendo muito mais que o país que nós. A Espanha, por exemplo, amarga quase o dobro: 17,4% da sua mão de obra está de braços cruzados.

Desemprego é conseqüência, não é fim. O choque de crédito e de confiança é que jogou na lona a economia mundial. Prova disso é a temperatura baixa da atividade econômica. A inflação continua comportada e o IPCA-15 veio em linha com nossa expectativa e fecha abril em 0,36% (nossa projeção revisada era de 0,35%). O IPC-FIPE da 3ª quadrissemana também vem comportado e desacelera em relação a semana anterior ficando em 0,38% (nossa projeção era de 0,40%).

Na Inglaterra vem o grande número do dia: o PIB do 1° trimestre de 2009, e, infelizmente, as notícias nãos são boas na ilha. A variação trimestral apresentou queda de 1,9%. Já na variação anual o tombo chega a 4,1%, o pior resultado desde os sombrios anos 80 e a era Thatcher.

O dado do PIB inglês ganha relevância extra uma vez que teremos, semana que vem, a divulgação do PIB dos EUA do 1° trimestre. Deve vir bem machucado o resultado por lá também e joga mais pressão sobre o BC. O resultado do PIB sai justamente no dia da decisão dos juros nos EUA e no último dia de reunião COPOM.

Como vemos, a desaceleração econômica, associada a inflação comportada, parece ser o tom predominante deste primeiro trimestre. No Brasil e no mundo.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
23/04/2009 - 13:55

Bovespa melhor na margem?

Os investidores, principalmente as pessoas físicas, estão ansiosos com os novos patamares que o Bovespa pode chegar. Muitos imaginam que 70 mil pontos seja a meta até o fim do ano. Não por menos, em 2009 a bolsa brasileira deu um rali de 20% em reais, e de 30% em dólar, que deixou comendo poeira a maioria das bolsas do mundo.

Seria leviano afirmar que chegaríamos, ou não, a este valor. Que pese que a probabilidade maior ainda tende para não chegar neste patamar, as incertezas inerentes à dinâmica das bolsas versus a temperatura econômica ainda estão muito voláteis. Perigos claros ainda rondam os mercados, entre eles citamos: a situação delicada do sistema financeiro nos países desenvolvidos, a possível quebra da gigante automobilística norte-americana e o nível de atividade mundial. Sobre este último tópico o FMI divulgou ontem um relatório – um calhamaço de 174 páginas – onde aponta um futuro difícil para o mundo, numa desaceleração de 1,3% em 2009.

No entanto, vemos, aos poucos, o índice fazendo a curva. O gráfico abaixo mostra a dispersão da valorização percentual do Bovespa ao mês e ao ano desde o dia 28-12-2006.

Conseguimos ver claramente o movimento da bolsa saindo de uma situação onde o índice apresentava valorização positiva tanto no mês quanto no ano, e migrando drasticamente para o quadrante que aponta desvalorização tanto ao mês quanto no ano. O último resultado é do dia 20-04-09, e já aponta para uma recuperação gradual e a caminho de uma situação positiva mês/ano.

Este tipo de leitura deve ser feita de forma criteriosa. O gráfico acima mostra o caminho que percorrermos nestes últimos anos, não necessariamente aponta para onde vamos nos próximos. Porém, vale apontar esta dinâmica e ter em mente que já andamos bastante rumo a uma situação melhor; e se é verdade que o “pior já passou”, conseguimos ver que ainda falta uma razoável distancia até estar “bom”.

Os dados da economia brasileira sugerem que teremos um crescimento negativo este ano. O FMI, no relatório citado acima (para acessar o original, em inglês, acesse http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/2009/01/index.htm) prevê que o Brasil desacelere 1,3%. Nosso call continua de desaceleração de -0,75% para 2009.

Ver as coisas melhorando na margem é um bom sinal, mas operar no curto prazo é por demais volátil e arriscado. Sugerimos prudência e que, na medida do possível, ancoremos nossos olhares nas tendências mais longas que, por ora, estão ainda em baixa.

No Brasil foram divulgados os dados do setor externo. Estes vieram até que positivos dado o tamanho do estresse econômico atual. Se não são excelentes, também não chegam a atrapalhar o prognóstico positivo do país.

Em relação a agenda econômica de amanhã, queremos registrar nossa revisão para o IPCA-15. O índice ficou em março em 0,11% e nossa projeção inicial dava conta de uma alta de 0,13% em abril. No entanto, frente a novos dados, revisamos o número para 0,35%. Esta alta na nossa expectativa não representa, de forma alguma, alteração no nosso cenário base de desaceleração econômica e inflação em baixa. Antes de tudo é um resultado simples das nossas regressões econométricas.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/04/2009 - 11:24

IGP-M desacelera menos.

O IGP-M divulgado hoje de manhã pela FGV frustrou a expectativa de boa parte dos economistas. A previsão de boa parte do mercado era que o IGP-M do 2° decêndio seguisse a trajetória de queda apresentada pelos seus antecessores e viesse em -0,50%, nossa expectativa era de -0,51%. No entanto o índice apresentou uma queda menor e fechou em -0,33%.

No ano o IGP-M do 2° decêndio acumula deflação de 1,25%. O IPA (atacado) veio praticamente em linha com o mês anterior. Já o INCC (construção civil) desacelerou mais, e saiu de -0,04% para -0,24%. O IPC (consumidor) acabou puxando para cima parte significativa do índice e fecha o mês com alta de 0,47%. O destaque ficou com a alta de cigarros, hortaliças e legumes, frutas e carne.

Apesar de furar as expectativas o resultado não é de todo ruim e não representa de forma alguma uma aceleração da inflação no país. A deflação, embora menor que prevista, confirma nosso cenário base de desaceleração econômica e de preços comportados ao redor do mundo.

Para ler o relatório da FGV, acesse:
http://www.fgv.br/mailing/IBREMKT/dsp_arquivo.asp?arquivo=BB7439C90A616886

Na Europa as notícias ruins se somam no front econômico. Na Inglaterra o desemprego volta a subir e joga sobra sobre a economia da ilha. A variação da média de 3 meses aponta que 6,7% dos britânicos encontram-se desempregados.

A relação dívida/PIB na Europa também se inverte na esteira da crise. A foto é de 2008, mas mostra bem as forças que atuam hoje no Velho Continente. Com o PIB declinante, e com gastos crescentes pelo governo (auxílio desemprego, pacotes econômicos, etc…), o resultado não poderia ser diferente e após dois anos em queda a relação se inverte. Hoje está em 69,3%.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/04/2009 - 10:44

Uma discussão em pauta.

Nos últimos dias uma discussão tem rodado as mesas de operação do país inteiro e ocupado a mente dos gestores de renda fixa: afinal, o BC vai continuar com a política monetária expansionista e dar mais 150 pb de corte, ou vai segurar o ímpeto e cortar apenas mais 50 ou 100 pb.?

Em entrevista à um jornal de grande circulação nacional neste fim de semana, o presidente do BC, Henrique Meirelles, deu a entender que o corte será menor que o mercado precificou no contratos futuros de DI, ou seja 150. A linha geral do raciocínio é que o necessário nesse momento é que os juros ao consumo e investimento caiam, e não exatamente a Selic que deve cair. O culpado da distorção? O enorme Spread bancário. Fora isso, Meirelles pondera que existem motivos estruturais na economia brasileira que não foram exatamente sanados e trabalhar apenas com razões conjunturais seria temerário dado o enorme grau de incerteza quanto aos rumos da economia. Soma-se a isso o fato do ano que vem ser um ano eleitoral e que não seria agradável aumentar juros em pleno pleito.

Obviamente saber das opiniões do presidente do BC é relevante quando se trata de taxa de juros. No entanto, cabe aqui trazer alguns elementos para pensar – e tentar prever – a decisão do COPOM nos dias 28 e 29 de abril.

Em primeiro lugar o Spread bancário, por mais altos que seja, está no lugar. O Spread é, grosso modo, o lucro dos bancos. Neste “a mais” em cima do juro livre de risco, além do lucro do banco, está outras coisas, entre elas o risco de emprestar dinheiro. O risco de emprestar dinheiro efetivamente aumentou nos últimos meses: a economia desacelerou, o desemprego aumentou, e o câmbio disparou. Qual motivo um banco teria para diminuir o componente risco nestes tempos incertos como bem apontou Henrique Meirelles? Hoje em dia é mais arriscado emprestar dinheiro do que era há dois anos; se não diminuiu de forma mais agressiva naquela época, não seria agora que iria diminuir.

Dos outros componentes do Spread, entre eles o lucro, aí é uma questão de mercado. Há pouca competição bancária o que evita que os juros caiam de forma mais agressiva. Se houvesse no sistema financeiro uma ampla competição por correntistas, fatalmente os juros pessoais cairiam via “promoções”, ou “queima de estoque”. Porém, sabemos que não há o que fazer neste front no curto prazo, e especular sobre isso é perda de tempo.

Quanto ao fato de 2010 ser um no eleitoral isso faz pouca diferença. Claro, é impopular aumentar os juros em plena campanha, no entanto é pior ver a economia desacelerando e o governo não fazendo nada. Além do mais é fácil vender a idéia que o aumento de juros é “culpa” da crise.

O presidente Lula deu a entender de forma clara que quer ver os juros cair na ponta final, para o consumo. Tanto que até fez a troca de guardas no BB para atingir este objetivo. Essa medida foi vista com muita desconfiança pelo mercado porque, ao fim e ao cabo, representa diminuir a margem de lucro do BB, justamente porque o lucro é o único componente que o novo presidente do banco pode mexer. A única forma de conciliar o lucro atual com juros menor é com a queda da taxa básica.

Muitos argumentam que a política fiscal anti-cíclica está indo além do razoável e que seria papel do BC segurar a gastança da administração federal. Porém, o ministro Guido Mantega, da Fazenda, já mandou o recado e espera juros menores para diminuir o serviço da dívida e tirar parte do peso das contas públicas. Aumentar os juros não seguraria os gastos, mas aumentaria a necessidade de um superávit maior, coisa que já está descartada vista a recente redução da meta de superávit. Logo, seria temerário manter os juros num patamar muito alto. O mais importante é manter a relação dívida PIB declinante, e isto aparentemente está sob controle, nas palavras do próprio Meirelles (algo em torno de 37%).

Existe a questão de a poupança competir com os fundos de renda fixa por investidores, no famigerado TR mais 6%. A expectativa de que haja migração destes fundos para a poupança soa um tanto quanto inflacionada já que o presidente Lula sinalizou que vai alterar as regras da poupança, de tal sorte que continue sendo interessante para pequenos investidores, e mau negócio para a classe média para cima. Não seria sábio realocar os investimentos para um ativo que vai ter as regras alteradas em breve, e, fatalmente, por MP.

Existem pressões adicionais para que os juros caiam. Citamos aqui o Carry Trade, ou seja, a arbitragem entre taxas de juros internacionais. Hoje o risco Brasil (medido em CDS de 5 anos), está em 272, e nossa taxa de curto prazo está em 10,06. No caso da Coréia do Sul o risco país é de 273, e sua taxa curta de míseros 2,41. No caso chinês o risco está em 138, porém a taxa curta está em 0,91. Alguma coisa está fora do lugar, ou o risco país, ou a taxa de juros. Acreditamos que não é o risco que está fora do lugar.

Devemos ter em mente que a política de meta de inflação tem como razão de ser a condução da política monetária responsável para atingir uma inflação pré-estabelecida, e vemos claramente queda nos índices de inflação. Questiona-se que, em breve, será necessário aumentar as taxas de juros para dar conta da inflação por causa do volume de liquidez despejada nos mercados. A questão é que hoje a inflação está controlada, por isso não há razão da manutenção de juros tão altos. Lá na frente, se a inflação subir, basta subir os juros de novo. Talvez nem isso seja necessário. Se o BC cortar parte das facilidades que criou – entre elas compulsório menor –, isso talvez até de conta do recado. Não raramente os problemas econômicos de hoje, foram as soluções econômicas de ontem.

Como vemos são uma série de questões que estão na mesa. A decisão do BC na próxima reunião do COPOM será difícil, e cheia de significados. Vale lembrar que no dia 29 será divulgado o PIB dos EUA do primeiro trimestre de 2009 e a expectativa é de queda de 5% (anualizada). Não existe resposta certa e resposta errada quando se trata de juros básicos. Mais importante é o que se argumenta em favor daquele número; e neste caso a decisão é delicada.

Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , ,
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