Sobre medidas e termômetros.
O mundo tem vivido de sobressalto em sobressalto, e de pacote em pacote. Neste período de exceção, onde a interferência política manda até demitir presidente de gigantes industriais – como foi o ocaso do presidente mundial da GM ontem – o investidor comum, e a população de forma geral, ficam perdidos no tiroteio teórico e retórico.
Semana passada, ao ser anunciado o detalhamento do plano do Tesouro norte-americano para a compra dos ativos tóxicos aninhados nos balanços bancários, sugerimos como termômetro da crise o CDS (Credit Deposit Swap) do gigante financeiro Citi. O CDS serve de proxi para sabermos o custo de captação de recursos pelo banco, e, em grande medida, mede a aversão ao risco que os agentes têm em relação àquela instituição. O CDS é, grosso modo, quanto uma instituição tem que pagar a mais (em pontos base) em relação ao ativo livre de risco.
Vemos no gráfico abaixo que há uma relação inversa entre o preço das ações do banco e seu custo de captação,; o que faz muito sentido uma vez que, com maior custo de captação de recursos (a matéria prima por excelência de um banco), o lucro daquela empresa deve ser menor.
Apesar do esforço do governo Obama em tornar mais claro e eficiente possível o plano de salvamento do sistema bancário (que, diga-se de passagem, é a versão final do Plano Paulson), os eventos na economia se sobrepõe, e dificilmente há como isolar as variáveis e tratá-las uma-a-uma. Ontem, por conta das notícias ruins vindas da GM, o Citi viu seu CDS disparar ao nível mais alto já registrado, fechando o dia em 633,60 contra uma média pré-crise de 13,51.
Isto aponta que, apesar de agir no sentido certo, o plano de ação da administração Obama ainda passará por um verdadeiro este de estresse, numa curiosa reversão de papéis.
Prova da demanda desacelerada é a inflação declinante no Velho Continente. Após um período de alta significativa por conta de commodities no lato da bolha, o movimento se inverte de um lado via commodities em queda e salário em queda também. A inflação estimada para março ficou em míseros 0,6% ao ano (9 meses atrás a inflação anual era de 4%).
No Brasil as medidas do governo continuam no sentido anti-cíclico, como aponta o fluxo de caixa do orçamento federal. Segundo os dados divulgados hoje a média nos últimos 12 meses (linha verde) já reverteu a tendência de alta registrada, e, por conta do PIB em queda – deteriorando a arrecadação – e os gastos com incentivos variados – o último foi o corte do IPI –, temos uma reorientação do gasto público.
A Relação Dívida PIB ainda continua comportada e fecha fevereiro em 37%, uma ligeira alta em relação à janeiro que ficou em 36,6% (vale lembrar que esta relação já chegou à 56% em 2002). Porém, toda atenção é pouca quando se trata de política fiscal. O Brasil já sofreu demais, e pagou caro demais, para colocar em ordem as contas. Usar este “cacife” mercê atenção redobrada.
Autor: André Perfeito - Categoria(s): Sem categoria Tags: cds, inflação


Sou engenheiro e investidor, acompanho seus comentários no site da gradual investimentos todos os dias, e eles me ajudam muito no meu aprendizado sobre economia, e ultimamente, sobre como as diversas variáveis macroeconomicas interferem no mercado!
Não tinha conhecimento deste blog, agora, com certeza está adicionado no favoritos!
Parabéns pelos gráficos, excelente! Sempre quis plotar os índices e indicadores econômicos contra o tempo para TENTAR analisar, identificar ciclos e comportamentos, relacionamento entre variáveis, etc, e ver isso feito por um profissional da área é muito bom para quem está aprendendo começar a entender!
“Bom, é isso, bom dia e bom negócios a todos!” rs
Obrigado Rafael
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